Os adeptos (o outro lado do espelho)

Depois do que o Cintra escreveu aqui, olhamos para a capa da Bola e pensamos “Futebol sob pressão com a visita da Juve Leo… querem lá ver que vai mesmo haver um grito de revolta?”.

Mas quando abrimos a notícia, somos brindados com isto:
Em mais uma demonstração da insatisfação da família sportinguista para com o actual momento do futebol profissional leonino, cerca de 15 elementos da claque Juventude Leonina estiveram, ontem à tarde, nas instalações da Academia, em Alcochete.
Apesar do treino ter sido à porta fechada, a verdade é que foi o próprio treinador dos leões, Paulo Sérgio, a dar autorização de entrada aos adeptos, que depois estiveram a assistir ao treino, à espera do seu final para iniciar uma série de conversas com vários dos responsáveis do plantel leonino.
Um deles foi, precisamente, Daniel Carriço, na condição de capitão de equipa. Os elementos da Juve Leo, entre os quais vários dirigentes, fizeram saber ao central que estão desagradados com o rendimento demonstrado por vários jogadores do plantel. E mostraram ter ficado sentidos com a equipa em Sófia, não tanto pela derrota com o Levski, mas mais por esta não ter sido capaz de agradecer a presença dos vários adeptos leoninos que se fizeram deslocar à capital búlgara para apoiar o Sporting no último confronto de 2010 para as competições europeias.
A visita da Juve Leo acabou por ser ainda mais abrangente. É que os elementos da claque também estiveram à conversa com o director desportivo, Costinha, ao qual fizeram saber que o propósito da ida a Alcochete não pretendia criar um clima intimidatório, apenas expressar o facto de estarem vigilantes. Tal como tem acontecido durante os jogos, garantiram que o apoio à equipa será sempre incondicional, exigindo, contudo, que a atitude dos jogadores dentro de campo acabe por ser meritória desse empenho e paixão dos adeptos. Costinha ouviu e registou.
O técnico foi o último a ouvir a Juve Leo. Franqueou as portas da Academia ao grupo de 15 elementos da claque e, no final do treino, esteve largos minutos à conversa com eles, em clima de grande tranquilidade, explicando aos adeptos o que, minutos mais tarde, basicamente, repetiu na conferência de imprensa de antevisão ao encontro de hoje, no regresso a Setúbal, onde há uma semana o Sporting se viu prematuramente afastado da Taça de Portugal.

Eu bem sei que o Natal é época de circo, mas podiam poupar-nos a estas palhaçadas…

Lindo…

“Pedro Mendes não recuperou do problema que já o tinha afastado do jogo frente ao Levski Sófia, para a Liga Europa. O médio está a contas com estiramento na coxa esquerda, a mesma a que foi operado em Agosto, pelo que foi decidido poupar o médio ao risco de jogar”.

30 heróis

http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=237625

Não sei se são das claques – não me parece -, se são adeptos anónimos, se são adeptos interessados ou desinteressados.

Mas é o único caminho para um adepto, neste momento: contestar, protestar, refilar, rebelar-se… até correr com esta gente toda do clube.  E quando digo toda, é todos: muitos dos jogadores, quase todos os dirigentes, todos os treinadores e todos os membros da administração do clube e da SAD (se é que aquilo ainda se pode chamar uma SAD).

Liçoes de Sportinguismo

Bastaria olhar para o “barrete” de um e para o “gorro” de outro, para justificar o título do post.
Mas como “Iorda só há um, é o mochilas e mais nenhum”, esta ida à Bulgária é uma espécie de visita de estudo para esta trupe que gere os destinos do Sporting Clube de Portugal.

Frases como “É uma grande alegria o Sporting vir ao meu país. Vou estar o máximo de tempo possível com eles. Amo o Sporting, é o clube do meu coração.Faço tudo pelo clube”,
como “A que se deve o mau momento? Acho que não é correcto falar da situação do clube. É muito fácil criticar. Para já estou fora, mas estou a par do futebol português. Toda a minha vida joguei e vivi o futebol. É a minha vida. Sei que mais cedo ou mais tarde vou voltar. Quando abraço um projecto vou de alma e coração”,
como “Talvez tenha sido o último carismático, eu e o Sá Pinto. Isso quer dizer que alguma coisa está mal. Tem de haver sempre alguém carismático”,
como “Não me vou oferecer a ninguém, nunca o fiz. A Direcção e o clube sabem que o Iordanov está disponível sempre, se precisarem dele”,
ou como “É um orgulho envergar o símbolo do leão e esta camisola é para honrar dentro do campo. Por isso há que lutar para vencer a todo o custo, mesmo que não existam objetivos em jogo. Mas, atenção: não basta dizê-lo, há que senti-lo”

deviam ser entregues, numa daquelas folhas que o Paulo Sérgio tanto gosta, a cada um dos jogadores. Podia ser que, tanto eles como os srs que nos dirigem, começassem a perceber que são pequenos pormenores como estes que aquecem os corações dos adeptos, joguemos ao sol ou joguemos sobre a neve.

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Ao fim de dois anos e dez meses de vida, ultrapassámos a barreira do milhão de Cacifeiros (ou Exmos Visitantes, se assim preferirem).
Não sei se é muito, não sei se é pouco. Sei que signfica algo. Mais não seja, que não deixamos o Sporting (e os seus símbolos) morrer.
Para todos vocês um enorme Paulinho e um sentido “VIVA O SPORTING” (foda-se!!! para ninguém se esquecer que está no Cacifo).

Só falta chamarem-lhe “falso Sportinguista”

Depois das miseráveis entrevistas do Maniche, acordamos com Costinha a apontar o dedo a uma das figuras mais emblemáticas da história do Sporting (para o bem e para o mal): Sousa Cintra. O ex-presidente disse que o director desportivo tem responsabilidades directas no estado actual do nosso clube; o “ministro” mandou-o meter-se na sua vida e ameaçou, um dia destes, mostrar um papelinho dos tempos em que Cintra dava alma ao leão.

Posto isto, vai-me na cabeça o seguinte:
– Depois do “cala-te, pá! Cala-te!”, com que Bettencourt brindou um adepto, este “ele que se meta na sua vida” é mais uma prova da falta de respeito que esta gente tem por quem não partilha as suas ideias (de merda, grande parte delas). Com a agravante de, neste caso, estarmos a falar de uma falta de respeito a alguém com um peso na história do clube que o moço Costinha dificilmente atingirá;
– Depois do amigo Maniche ter falado em críticas de falsos Sportinguistas, esta reacção do Costinha significa que são pessoas como o Sousa Cintra que são consideradas falsos Sportinguistas? (estás a ver, oh Cintra, devias ter batido com a mão no peito muitas vezes e dito que eras do Sporting desde pequenino);
– Aquilo que Sousa Cintra diz, é alguma mentira? Quem foi o responsável pela contratação deste treinador? Quem é figura de proa no caso Izmailov? Quem geria o nosso futebol quando despachámos o Moutinho para o Porto? E o Veloso, a preço de saldo? Quem indicou o Valdés como solução para uma das nossas alas, quando o homem rende é ao meio? Quem é que, precisamente, se esqueceu de reforçar as alas? Quem é que está a ponderar renovar com o Postiga? Quem é que fez parte da decisão de recambiar o Vuk para a Grécia? Quem é que negoceia dois centrais calmeirões que parecem incapazes de tirar o lugar a um jogador que estava de malas aviadas?

Já viste a quantidade de papelinhos que isto dava, oh Costinha?

Mas quem és tu, oh meu porco gordo, para dar lições de Sportinguismo a quem quer que seja?

[…] verificamos que todos os dias há critícas de falsos sportinguistas, muitas justas, outras nem tanto, de pessoas que dizem que são do Sporting, mas não parecem“, Maniche, in Record.

É, realmente, uma vergonha, fazerem deste “Sportinguista desde pequenino” o porta-voz da equipa e da própria direcção. Aqui nem está em causa a idade ou o peso. Está em causa o rendimento desportivo e a cena miserável do jogo com o Guimarães, uma espécie de ponte da glória depois da expulsão no Estádio da Luz e da agressão na recepção ao Porto. Por outras palavras, Maniche não serve de exemplo, muito menos de exemplo de grande Sportinguista. Já o disse e repito: de cada vez que ele bate com a mão no peito, sobre o símbolo do leão, só me dá vontade de pregar-lhe socos atrás de socos.

Mas o porta-voz, que tem direito a entrevista no jornal oficial do clube e no Record e  não se fica por aqui.
Passa a mão na cabecinha das claques e, em simultâneo, volta a etiquetar de maus Sportinguistas todos aqueles que não admitem ver o Sporting num leão moribundo, capaz de encher a barriga com restos; “O apoio que realmente sentimos e agradecemos é dos adeptos, que se esforçam para estar ao nosso lado em todos os estádios onde jogamos, perto ou longe de Alvalade, ao sol ou à chuva. É por eles que continuamos a lutar e é deles que esperamos ajuda à equipa nestes momentos mais difíceis”.

Aponta o dedo à sorte madrasta, desculpa-se com as mudanças e com as lesões e, espetando-me mais uma farpa no peito, tenta fazer-nos crer que aquilo que temos visto é bom futebol. (não me apetece transcrever, já basta ter lido).

E tem a distinta lata de voltar a falar nos orçamentos. “No Sporting não temos os meios de Fc Porto e Benfica para ir ao mercado. Não são desculpas, antes um incentivo para todos nós darmos a cara e continuarmos a trabalhar diariamente de forma honesta  para sermos uma grande equipa, porque o Sporting tem grandes jogadores. Olhamos uns para os outros e perguntamo-nos como é possível não estar directamente na luta pelo primeiro lugar, como é possível não ganharmos determinados jogos”.

Pois é, oh Maniche, nós, os Sportinguistas que tu apelidas de falsos e que andam há anos a apoiar a equipa enquanto tu preferias encher os bolsos pelos quatro cantos do mundo (mas sempre com o coração em Alvalade, claro), também se questionam como é possível ganharmos tão poucos jogos (não são só determinados, meu caro), como é possível continuarmos a levar golos de bola parada uns atrás dos outros, como é possível não sermos capazes de aproveitar esses mesmos lances a nosso favor, como é possível nunca jogarmos mais de meia hora por jogo… É que, se tudo fosse uma questão de orçamento e de capacidade de ir ao mercado, apenas devíamos perder dois ou três jogos por ano, não era?

Para onde caminhas tu, meu Sporting?

“Vocês nem chegam ao Natal”.
Tal como tantos outros Sportinguistas, cresci a ouvir esta frase. Acabei por habituar-me, murmurando para mim mesmo que tal estado de coisas haveria de terminar. E terminou mesmo. Mal sabia eu que, uma década volvida, estaria novamente a embrulhar presentes e a pensar que a época futebolística está terminada.

Acontece que, ao contrário do que sucedia nas décadas de 80 e 90, olho para o futuro do meu Sporting e não vejo nada. Nada, mesmo. Ou melhor, vejo uma total ausência de respeito pela grandeza do clube que jurei defender diariamente. Nessas décadas de travessia do deserto, qualquer treinador que viesse para o Sporting sabia qual era o seu objectivo: ganhar, ganhar e ser campeão. E, caso não o conseguissem, eram os primeiros a ter a hombridade de colocar o lugar à disposição. Se, por alguma razão, não o fizessem, eram os presidentes a colocá-los nos seus devidos lugares.

“E o que é que ganhámos com essas mudanças e com a falta de estabilidade?”, poderão perguntar. Pouco, é verdade, mas foi uma dessas mudanças que nos levou a pintar o país de verde e branco. Quatro ou cinco anos passaram, e abraçámos essa dita estabilidade, apostando em treinadores que, numa espécie de tiro no escuro, pudessem revelar-se um novo Mourinho. Acontece que Mourinho há apenas um e, hoje, não chegar ao Natal é motivo para o treinador afirma que se sente perfeitamente seguro no lugar e para o presidente afirmar que confia plenamente na estrutura que escolheu para o nosso futebol.

Depois fala-se de orçamentos e da falta de capacidade financeira para comprar jogadores que façam a diferença. Deve ser por isso que praticamente só ganhámos aos dois últimos da tabela.
Depois lamenta-se a sorte madrasta que leva as bolas a embater nos postes e na trave. Mas não se lamenta a ausência de capacidade futebolística para criar situações de golo que entusiasmem a plateia e permitam ganhar os jogos.
Depois dá-se a entender que o plantel tem poucas soluções, como se não desse que pensar o facto de termos contratado dois defesas centrais para colocar um ponto final nos problemas defensivos e, hoje, termos a titular um homem a quem tinha sido aberta a porta de saída.
Depois pede-se tempo e paciência, como se não nos tivesse sido pedida a mesmíssima coisa nos últimos cinco anos.
Depois empolam-se pequenas conquistas, como se ganhar uma Taça e ficar em segundo fosse tão bom como ficar em primeiro.

Cinco anos em que, dolorosamente, nos fomos afastando de algo que faz parte da nossa forma de estar. De pensar. De ser. Tendo, ainda, que ouvir o primeiro presidente da história a viver à conta do nosso clube afirmar que somos uns maus Sportinguistas por não aceitar este estado de coisas.