Ricciardi, Oliveira e Mendes também se demitiram?

Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida sportinguista.

Tenho poucas certezas sobre o que irá acontecer. Mas o mais provável é que o sistema perdure, com outro nome. Tenho a esperança que apareça um líder carismático, que se saiba rodear das pessoas certas e competentes, que tome mais decisões certas que erradas, que resgate o Sporting dos abutres que o rodeiam há anos, que não precise do Sporting para nada. Tudo aquilo que não foi o Bettencourt. Mas essa esperança é quase do domínio do místico. Dificilmente acontecerá.

O Bettencourt sai de fininho, debaixo de insultos e com cara de chorão, a caminho de um dos bancos a quem deu de bandeja a parte da SAD do Sporting que não é do clube, com os terrenos da Academia, o Estádio, os direitos TV, tudo lá metido. As decisões de gestão do Bettencourt – que ecoaram de forma mais trágica, a linha do passado – danificaram, se calhar algumas irremediavelmente, o clube. Física e moralmente.

O Bettencourt geriu muito mal o futebol, baixando sucessivamente os níveis médios de qualidade. Tomou uma decisão que irá marcar a memória colectiva do clube, para sempre, ao vender o capitão do Sporting a um rival. E nunca fez nada – pelo contrário – para mudar o futebol português, que tanto mal tem feito ao próprio Sporting, nos planos moral, financeiro e legal.

Futebol, política e finanças: os três pecados quase capitais que espelham uma gestão cujo fim não podia ser mais simbólico – deixa o clube à deriva, sem nexo, com treinador, jogadores, dirigentes escolhidos por ele à frente de um clube que já não é deles. Teoricamente…

… aqui é que bate o ponto: se a sucessão for feita pela mesma gente que lá anda, só mudam os nomes, talvez possa haver mais critério nas decisões. Talvez se consiga corrigir alguns erros de princípio. Mas o essencial mantém-se: o sr. Ricciardi e o sr. Vara financiam, o sr. Oliveira vende e o sr. Mendes compra. É esta a tríade que manda no Sporting, sem alternativas, sem os angolanos dos outros, sem os brasileiros dos outros, sem outras vias de fuga.

A saída do Bettencourt devia ser acompanhada de uma profunda avaliação da gestão do Sporting na última década que, num país e futebol normal, acabaria nas barras dos tribunais e, se não na prisão, pelos menos com avultadas indemnizações ao clube. O Bettencourt sairia com medo do futuro e não com cara de parvo. Não sai, porque sabe que tem as costas quentinhas… Para bem do Sporting, era preciso que a Santa Trindade do futebol português também se tivesse demitido. Não se demitiu: o Sporting é uma fonte de receitas demasiado importante para estes senhores, é um excelente negócio, agora mais que nunca. O sr. Oliveira já tem os direitos de TV por mais alguns anos, a preço de saldo, o sr. Ricciardi já tem óptimas contra-garantias para os avultados empréstimos feitos com “spreads” fantásticos, o sr. Mendes já tem os melhores jovens jogadores do plantel e Academia.

É este o balanço da presidência do Bettencourt: tudo feito com alguma classe, diga-se… na perspectiva da Santa Trindade…

O futuro não é negro, porque esta gente sabe que só ganham o deles se o Sporting continuar a jorrar receitas. Por isso é que, depois de garantida a sua presença por muitos e bons anos ao leme do clube, há que escolher maior competência nas áreas de gestão desportiva. Seja como for, que não haja ilusões: quem vier não pode fazer nada, absolutamente nada, à revelia dos homens que verdadeiramente mandam no clube. O Bettencourt assumiu o odioso da questão: e por isso, em vez de ser punido por nós, será recompensado por eles.

MUNDO CATITA

Ganhou a melhor equipa com os piores jogadores. O que é que isto diz do sr. Sérgio?

Diz que o Sporting entrou sem meio-campo (o que foi “aquilo” que jogou ao lado do André Santos? Foi um avião? Foi um pássaro? Não, foi um gajo que envergonha a história do clube), que os laterais não sabem defender (ao menos o João Pereira não tem medo de levar o jogo para a frente. O Evaldo? Mete dó vê-lo defender e deprime vê-lo atacar), diz que a defesa tem dois centrais irregulares e imprevisíveis, um guarda-redes a crescer (sempre a crescer, sempre a crescer), que o ataque tem dois extremos deixados à sua sorte… 

E diz que o sr. Sérgio ainda não percebeu. Já percebemos todos, até os comentadores futebolisticamente analfabetos das televisões. Mas ele ainda não. O Valdés é a única flor deste entulho que é o Sporting. Levou a equipa às costas a seguir ao primeiro golo. Deu um safanão quando a equipa estava à deriva na segunda parte. E só pôde fazer isso, porque o Postiga se lesionou. O treinador ainda não percebeu que o Valdés solto atrás do avançado vale ouro. O treinador, por opção, mete-o encostado às alas, onde o rapaz é mais um.

E, por opção, por uma opção absolutamente assassina, decidiu recuar o Valdés para o meio-campo, para meter mais um inútil avançado. Não só deixou de ter hipóteses de ganhar, como aumentou consideravelmente as hipóteses de perder. Péssimo erro, péssima decisão, equivalente a uma mutilação táctica, depois de uma hora de violência estratégica.

O treinador é fraco, a equipa não joga nada, os bons jogadores estão subaproveitados, os razoáveis jogam mal, os maus jogam. Mas, depois disso tudo, queimar por opção a única coisa que funciona, é insultuoso. E deveria resultar num despedimento por justa causa. Mas duvido que tal aconteça… e nem sequer já sei se quero que isso aconteça: ainda vem um Rui Vitória qualquer, que deu uma lição de futebol em Alvalade, tal como o sr. Sérgio deu algumas no passado.

Nem vale a pena falar do sr. Catita. Os incompetentes não têm moral para criticar a incompetência dos outros.

Tótó, ranheta e facada

A imprensa desportiva. Esse fantástico ilhéu de irracionalidade, falta de critério, amadorismo e bílis. No passado, era uma companhia diária. Agora, é uma companhia sanitária. Nos sanitários. Os jornais desportivos – Bola e Record, porque o Jogo não é nada, na verdade – continuam a ser reis no cubículo mágico, onde os fracos fazem força e os fortes lêem qualquer coisa. E é lá que, nestes dias tristes de nevoeiro no mundo leonino, eu ainda vou para encontrar os bonecos que me ajudem a deitar cá para fora as coisas que já não pertencem cá dentro.

Não há alcunhas no plantel do Sporting. É o ponto mais relevante da entrevista (?) que os nossos melhores médios deram à Bola.

(a propósito do parêntesis acima, a ocasião para a entrevista aos nossos homens foi um evento promocional da Puma. Será que os senhores da Bola recebem “por fora” para promover isto… ou nem percebem que são instrumentalizados de forma violentamente vergonhosa…. percebem, claro que percebem. Eu é que não percebo como o alegado jornalismo deste pasquim ainda permite ser publicado sob essa designação…. Tirem-lhes a carteira profissional, digo eu!).

Bom, mas não há alcunhas no plantel do Sporting. Pela reacção do Pedro Mendes à pergunta, dá a impressão que nunca houve… hummm… acho estranho. Quem já viveu num balneário durante um ano inteiro (às vezes, basta a pré-época) sabe que as alcunhas são a coisa mais espontânea que pode haver a seguir às toalhas molhadas a estalar nas nádegas. “Ó zarolho, ó monga, ó mangalho, ó marreco, ó qualquermerda”. No futebol, então, o potencial de “Maradonas, Ronaldos, Messis, Zé Tós, Tó Marrecos, Pelés” é ilimitado. É instintivo.

Para mim, das duas, uma: ou o Costinha voltou a fazer das suas (e nesse caso, claro que há alcunhas, especialmente criativas para o Salazar da Costa, também conhecido como o Parvalhão)… ou o plantel não ri. O que é mais grave. Porque um plantel que não ri dele próprio, não se dá bem, não resolve as feridas e… não ganha. Basta lembrar as alcunhas que havia na época de 2000, de acordo com o que se foi percebendo em entrevistas de jogadores da altura.

Assim, o Cacifo resolve. E lança-se nessa recompensadora missão de criar alcunhas para os nossos heróis. Eu deixo três, para serem usadas à vez pelo Evaldo, o Postiga e o Maniche, os três jogadores que eu gostava de ver fora dali, os meus bodes respiratórios: os meus Tótó,  Ranheta e Facada.

PS: O Polga comprou uma nova casa na Expo, uma moradia, diz o CM (outra companhia sanitária de eleição). Porque pretende viver muitos anos em Lisboa. Tremam!

Começar de novo?

Pedro Mendes e André Santos fazem, hoje, capa de um dos desportivos, deixando uma mensagem de esperança e de confiança a todos os Sportinguistas dizendo, inclusivamente, que ainda acreditam no título.

Peço imensa desculpa por não acreditar minimamente nessa conquista, mas sou capaz de concordar que, efectivamente, há ainda muito ponto para ganhar. Começando por amanhã, claro, naquele que deveria ser o ponto de partida para uma segunda volta de acordo com o que ambicionamos para o nosso clube. Aliás, o Sporting que eu imagino ganharia os próximos quatro jogos (Paços, Marítimo, Naval e Olhanense) e receberia o Benfica embalado por 12 pontos conquistados.
Resta saber se somos capazes.

Os rumores de mercado tiram-me do sério

Pode ser tudo mentira. Pode ser tudo para vender jornais. Mas há certos rumores de mercado que me deixam profundamente irritado.
Não, o problema não é o suposto interesse no Bruno Gama (vá lá saber-se porquê, o nome faz-me lembrar o Ivo Damas).
O problema são os constantes exemplos de ausência de visão a médio (já nem digo a longo) prazo e de estratégia que os nossos dirigentes deixam transparecer.

Penso que, por esta altura, já todos terão visto que o Evaldo do Sporting não é o Evaldo do Braga. Ok, não será um flop como Wender, mas é claramente um jogador a quem o peso da camisola verde e branca (mesmo neste estado) tolda os movimentos e a capacidade de fazer o que o lateral de um clube grande deve fazer: passar tanto ou mais minutos no meio-campo adversário, ajudando a encolher a equipa contrária e a criar situações de superioridade no último terço do terreno. E que opção temos? Grimi.

Penso que, por esta altura, já todos terão visto que precisamos de alguém para ocupar o lugar de Liedson que, infelizmente, já não é o abono de família que foi maquilhando a miséria que jogávamos semana após semana. E que opções temos? Postiga. Saleiro. Djanick.

Ora então, pergunto eu, não faria sentido que o Jogo avançasse que o Sporting tinha garantido o Kleber, do Marítimo, para a próxima época? (custa assim tanto ver o que o puto joga?)
Ora então, pergunto eu, não faria sentido que o Record avançasse que o Sporting está a tentar contratar o Taye Taiwo, possante lateral esquerdo do Marselha? (bastou ver o homem contra os lampiões, para perceber qualquer coisa, ou não?)

A verdade é que, depois de termos andando a brincar ao Carvalhal, em vez de prepararmos a época seguinte com um treinador a sério, devia estar preparado para isto e muito mais. Mas não estou. E isto irrita-me. Comamerda!

O QUE FAZEMOS COM ESTA VITÓRIA?

Pegamos nos 20 minutos da primeira parte, em que marcámos dois golos, entretivemos, galvanizámos, jogámos com agressividade e libertos, com o Valdés no sítio certo, irreverência nas alas, um Liedson sedento, um meio campo a morder, lateral direito a subir, centrais atentos? Pegamos nisto e achamos que isto é o princípio de algo? Então a vitória serviu para qualquer coisa, para começar a dar um propósito a esta época, a esta gente.

Ou olhamos para o resto, para o medo geral depois do golo do Braga, a dúvida na cabeça de todos, a falta de rasgo, apatia total, confusão táctica, falta de pernas, incerteza nas bolas divididas, erros individuais, roscas repetidas, pontapé para a frente para descansar… da segunda parte? Pegamos nisto e achamos que estamos no fim desta linha, desta gente? Então a vitória não serviu para nada, se não para motivações de orgulho e objectivos pontuais… que se desvanecerão rapidamente.

Não há meio termo.

Para mim, esta vitória só serviu para acabar com a época do Domingos. E isso já é muito.