Aprendemos alguma coisa?

É a pergunta que me apetece fazer, no dia em que a dupla de animadores de feiras, Sérgio&Cabral, esvazia, finalmente, o seu cacifo na Academia.
Mas aprendemos o quê, perguntam vocês?
Estou curioso para saber se aprendemos a pensar duas vezes, antes de entregarmos a presidência a alguém que parte para as eleições com uma programa que cabe numa folha A4?
Estou, também, curioso para saber se já nós fartámos de tentar encontrar o próximo Mourinho (ou qualquer coisa do género)? Peseiro ia sendo um tiro de sorte, depois Paulo Bento, depois Carvalhal, depois Paulo Sérgio, num continuado cavar do poço onde, em vez de petróleo, encontrámos merda (e da grossa).

A resposta será dada em breve mas, a julgar pelos leões que começam a dizer que estão dispostos a ir a jogo com “Duques” (com as finanças entregues a quem já lá está) e por aqueles que apontam o caminho do sol numa nave comandada por um tal de Leonardo com apelido de ditador madeirense, temo a resposta à minha pergunta e temo, ainda mais, vir a ver citado o iluminado Cabral e o seu histórico “paciência…”.

CABRALADAS, O REGRESSO

O melhor momento deste jogo foi quando faltou a luz em minha casa. Foram os 10 minutos mais fortes do meu sportinguismo, esta noite.

Mas o momento voltou a pertencer ao Cabral, que vai deixar saudades. Pelo sentido de oportunidade humorística. A minha insanidade leonina é tal que já está na fase do riso histérico. Portanto, exige-se uma leitura cuidada do pensamento desta grande figura da comicidade portuguesa (quiçá, mundial)…

…”O futebol é assim mesmo”. É. Um recurso inteligente às bengalas de outros grandes, imortalizada por Fernando Santos em Alvalade.

“Há muito pouco a falar”. Há, porque há pouco para pensar. Como não há muito pensamento, opta-se pela reduzida oralidade. Mais uma vez, inteligente. Talvez marcasse mais pontos com um mais tradicional “que quer que lhe diga”. E repare-se que não há “pouco”. Há “muito pouco” para falar. Só peca por excessivo. Não há nada para falar.

“Tivemos bem. Lamentavelmente, não conseguimos marcar golo. Paciência”. Repare-se na utilização de um advérbio mais comum na língua espanhola. Uma piscadela a outros mercados? Já o diagnóstico mantém a total alienação da realidade. Gosto da opção, mas preferia outra abordagem, um pouco mais demente. Eu apostava num “continuamos a acreditar no título, enquanto for matematicamente possível”. O Cintra gostava mais de um “assim não vamos lá. Acho que com a partida de hoje, tudo se complicou”. Em qualquer dos três casos, uma total alienação. Já a “paciência”, revela o nacional-porrerismo desta gente, gente boa, bem disposta, é preciso é saúde, um copo de tinto resolve tudo, amanhã o sol nasce na mesma, o galo cantará, importante é sermos dignos e trabalharmos. Um clássico.

“Não… o futebol é assim mesmo.. o fim da relação concretizou-se”. A típica negação de início de resposta, comum nas estratégias de auto-defesa. Branco ou tinto? “Não, branco”. Delicioso. Repetição do momento intelectual mais forte, acrescentado posteriormente pela “eficácia é tudo. Não fomos eficazes”. E uma referência ao divórcio entre o clube e o chefe de equipa, o seu chefe. O único líder da equipa técnica, diz ele. Equipa da qual Cabral pertence. Líder que foi despedido. Mas Cabral não… Isto ou é muito estúpido, para além da compreensão humana, ou é genial, para além da compreensão humana.

“Compreendo perfeitamente a sua pergunta”. Óptimo, está meio caminho andando.

“Paulo Sérgio faz tudo em grupo”. Um bombom. Podemos fazer o que quisermos com este docinho, cortesia de Cabral. Mas eu prefiro imaginar um final de refeição com todos os membros da equipa técnica presentes. A determinada altura, Paulo Sérgio pede um café. Todos – e são muitos, os cabrões – pedem um café. Paulo Sérgio levanta-se e peida-se. Cabral ri-se e vira-se para o grunho do Nélson (ex- defesa esquerdo, que deve ter diálogos palpitantes com o Cabral): “viste, o mister faz tudo em grupo, pá”. Paulo Sérgio peida-se outra vez. E todos se peidam. Chega a ser ternurento, só de imaginar.

“Saímos daqui satisfeitos”. Claro. Sempre. Sempre satisfeitos. Paciência, o que é preciso é saúde.

“O Paulo fez o máximo e esse máximo ninguém pode apontar nada”. Para além da criatividade gramatical, Cabral constata o óbvio, com uma clarividência desarmante. Ele deu o máximo dele, que é muito pouco, tão pouco como o pouco que há para falar. É tudo muito poucachinho. Mas é o máximo. E para Cabral, estes cinco minutos (só? pareceram mais, o tempo passa devagar quando as palavras correm livres) são também o máximo… o seu máximo de carreira, o seu topo. A partir daqui será sempre a descer. É pena, o mundo é cruel.

PS: Diz-me o Cintra no final do jogo: “se me dessem a escolher entre o Postiga e o Tiuí, eu escolhia o Tiuí”. Eu também!

PS2: Apesar desta catástrofe disfarçada de época futebolística, o Sporting está em 3º. Não admira que os Cabrais deste futebol tenham lata para acharem que são capazes de chegar ao Sporting. O que já admira – e muito – é que alguém os contrate.

Depois de pedir aos santinhos?

 

«Manuel José é o treinador a quem Zeferino Boal quer entregar o comando do Sporting, em caso de vitória nas eleições do clube, no próximo dia 26 de março. O consultor e candidato a render José Eduardo Bettencourt no cargo de presidente já chegou à fala com o técnico e nessa primeira abordagem deixou claro que se trata da sua “primeira escolha” para o lugar agora ocupado por Paulo Sérgio, ficando agendada para os próximos dias uma conversa mais detalhada», in Record.

Então, mas em entrevista ao mesmo jornal, o homem não fugiu do Sporting como o Castelo Branco fugiria da Megan Fox?

Mais um mistério leonino

As lesões musculares. Umas atrás das outras.
De quem é a culpa? Do planeamento da preparação física? Do departamento médico? Dos jogadores?
Já agora, no caso do Pedro Mendes, e se a culpa for mesmo do… desgaste, agradecia que chegassem a um acordo que anulasse o último ano de contrato. Não estou para voltar a aturar isto durante a próxima época.

Probabilidades Matemáticas

É tão certo 2 + 2 serem 4 como o Sporting sair-se melhor na fotografia se jogar menos.

Como todos os que assistiram à eliminação com o Rangers, senti um nó na garganta quando sofremos o golo nos descontos. Por que razão não corre nada bem? Por que motivo não temos só um bocadinho de sorte? Porque caralho não posso só desta vez ter motivos para me sentir satisfeito pela vitória? Será que não podemos ter uma alegria (por mais patética que seja) nesta merda de época. Estes foram os pensamentos que tive naquele momento de desilusão.

O jogo acaba. E eu ponho-me a pensar outra vez. Agora mais a frio, ponho-me a imaginar o jogo com o PSV e lembro-me do que aconteceu este ano ao Feyenoord. Medo. O meu sonho termina. A minha frustração dá lugar a uma sensação de alívio.

Foda-se, quanto menos jogarmos menos possibilidades temos de fazer figuras que nos envergonhem. Seja um PSV, um Liverpool, um Manchester City ou no pior dos cenários um Benfica ou um Porto. É a primeira vez que isto acontece. Desejo que o Sporting compita menos porque, simplesmente, estou farto de ser gozado. Não quero ser mais o cabeçudo. Cansei-me. Há incompetência a mais no clube para pensar que poderia ser de outra maneira se tivéssemos passado esta eliminatória. É estatística pura. A realidade confirma isso a cada jogo.

É nisto que se tornou o Sporting para mim. É triste mas é verdade.