À entrada do estádio fui sondado. Primeiro disse que não, mas depois voltei para trás e fiz questão de “votar”. Olhei para a folha do senhor, vi os seis nomes e demorei um bocadinho, quase nada, a reflectir num nome: Zeferino Boal. O nome é bom. O senhor é muito mau. É um candidato à Benfica, inspira os piores receios, tem aquela ligação íntima à banalidade, é muito fraquinho. Para além da histórica relação com o nosso Vale e Azevedo. Enfim, nunca me passaria pela cabeça que o sr. Boal fosse, sequer, candidato à presidência do Sporting. É dos seis, o pior. E, durante o tal bocadinho, acreditei que ninguém, absolutamente ninguém, irá dar o seu voto a um homem cuja bandeira do mandato é um lar de idosos do Sporting. E cuja arma comunicacional são folhas saídas de uma impressora sem toner. E que, repito, era um homem do Jorge Gonçalves.
Mas enganei-me. Assim que respondi o nome do candidato no qual pondero votar – pondero, ainda muita água vai correr por aí -, enquanto regressava à fila para entrar no estádio, lembrei-me da animada discussão que tínhamos tido 15 minutos antes nas roulotes. Então não é que eu conheço um gajo que diz que vai votar Boal? Um velho companheiro da blogosfera, o Luizinho, da Última Roulote, diz que sim, que vota no Boal, não para presidente, mas para outro dos órgãos em votação.
(Perdoas-me, com certeza, esta inconfidência, Luizinho. Tu és um gajo tão cheio de si, tão seguro das tuas convicções, que perceberás que os visitantes do Cacifo precisam de saber que tu vais votar Zeferino Boal… que vais dar responsabilidade a um homem a quem eu nem sequer confiava as minhas meias sujas. E que, por isso, é importante para mim distinguir-me de ti.)
Como se vê, há sportinguistas para tudo. Até para votar em Boal. A democracia é mesmo assim. Cada um sabe de si e eu sei que quem vota Boal não deve ser bom da cabeça. Não é, seguramente, normal… É um cavalo, ou melhor, é um asno. É que há pessoas que têm opiniões formadas com pouca informação, com poucas certezas, sem total convicção. Mas que valem o mesmo. E depois há outras pessoas que ambicionam ser fazedores de opinião (?!?), que alegam que sabem do que falam e que, depois, votam Boal.
Foi por gente como esta que eu decidi voltar atrás. E dizer “Bruno Carvalho” para todos os órgãos (é uma perfeita estupidez eleger listas diferentes para órgãos diferentes… é uma noção de gestão de uma instituição que só pode surgir nas cabecinhas que, provavelmente, nunca tomaram na vida uma decisão com impacto colectivo). Na sondagem disse Bruno Carvalho por duas razões. Porque, quanto mais conheço a peça mais percebo que se adequa à minha lista de Natal. Cumpre cinco das minhas condições reais (as outras, quem sabe… talvez goste de paraquedismo geriátrico). Faltam uma essencial (gostava de saber o que acha das relações com o FCP) e uma determinante (treinador estrangeiro e com currículo). E falta crescer em mim… preciso de acreditar nas coisas que promete.
A outra razão que me levou a votar na sondagem foi para criar massa crítica. É preciso que as sondagens, instrumentos fundamentais para definir a elegibilidade dos candidatos, mostrem tendências que considero críticas para o futuro do Sporting: que o Carvalho é opção real (para convencer os mais conservadores), que o Godinho não é o favorito e que o Boal não é… nada. É preciso que o Boal apareça em último nas sondagens, distante de gente como o Carvalho, para se perceber a diferença de espessura entre os dois. Precisamente a mesma diferença que existe entre um humilde sportinguista, que sabe viver em democracia, e um asno, que vota Boal e acha que faz bem.
(Luizinho, quando vires um pico de visitas nas estatísticas do teu blogue, não te assustes… é o efeito Cacifo. De nada).