O circo

Acabou o último debate e já dá para fazer um balanço: ainda bem que acabou, mais uma semana disto e estes senhores tinham acabado com os poucos milhares de sócios que ainda restam.

Miserável campanha feita por gente que, à excepção de um, não está à altura do cargo a que concorrem. Mal preparados alguns, sem carisma outros, sem programa a maioria, com ideias demasiado genéricas o Abrantes Mendes.

O Sporting não foi debatido, foi atacado. Estava pelo chão e quase, quase ficou enterrado. Fomos todos ao circo e, em vez de vermos leões, só vimos palhaços. Ricos, pobres, tristes, alegres, palhaços.

Só há um homem com perfil presidenciável, na lógica em vigor em Portugal. Um Sousa Cintra. Depois de vários debates e entrevistas, anúncios e entrevistas, promessas e entrevistas, quem quiser o Sousa Cintra de volta, pode votar Dias Ferreira. Ganhou a campanha. E isso diz tudo do circo que foi montado. Tem o melhor treinador, mexeu-se para contratar jogadores, foi o único a mostrar paixão, a gritar Vivó Sporting, a atacar os rivais, exala história e manhas nas diatribes do dirigismo indígena. Está preparado para o palco do teatro do futebol português, do deprimente futebol português.

Dos outros, sobra um enigma.

O Baltazar e o Godinho aniquilaram-se a eles próprios. O Baltazar não convence nem os amigos. O Godinho não convence nem o espelho. São os palhaços das festas de crianças, que ao terceiro truque já estão a levar com arroz doce na cara. Mas são ruins. Atacam pela calada, cobardes, usam todos os meios para justificar os fins. Os seus fins, que estão próximos.

O Carvalho, aquele a quem dei o meu voto em antecipação, desinchou em mim. É o único elegível. Tem programa, tem ideias, tem dinheiro. Mas terá? Parece que sim, mas não se explica convincentemente. Pelo menos, para mim. E é parvo, cagão. Tem o benefício da dúvida porque foi atacado de forma violenta e sem dó. Só por isso, merece ficar à frente dos palhaços maus. Mas merece ganhar? É um voto de fé. É o meu voto de fé.

Portanto, o Sporting sai pior disto. No sábado, tudo será limpo, como um milagre. Crescerão esperanças, fés, o balão subirá, subirá, subirá… e acabará por rebentar, deixando os palhaços encharcados na sua própria bílis.

Quando rebentar o balão, se tiver ganho o Godinho ficamos todos na mesma, com um clube rebentado, dependente do próximo Jardel ou João Pinto. Se ganhar o Baltazar, temos eleições daqui a um ano. Se ganhar o Abrantes Mendes, estamos todos doidos. Se ganhar o Dias Ferreira, temos eleições daqui a uns meses. E se ganhar o Carvalho? Não sei.

E é por não saber, que voto. Querem pior motivação?

Dia N

Ao que tudo indica, hoje será o dia N desta campanha eleitoral. N de nomes de jogadores.
Diz-se que Dias Ferreira vai apresentar três internacionais. Que Bruno de Carvalho deverá apresentar, pelo menos, dois nomes. Que Godinho poderá lançar mais uns nomes para cima da mesa (sem confirmar nada, claro). Que Baltazar poderá assumir o interesse em Adriano. E que Abrantes Mendes fará nova revelação surpreendente (ou não).

Posto isto, e depois de estarem definidos os treinadores (de Zico a Dunga, passando por Van Basten, Rijkaard e Domingos), não posso deixar de aproveitar este dia N para falar de algo que, sinceramente, tem-me feito confusão: o facto de constatar que vários Sportinguistas estão a escolher o futuro presidente com base nos nomes dos treinadores e dos jogadores anunciados.
É importante? Sim, é.
Mas parece-me bem mais importante colocar a cruz de voto na pessoa cujo discurso nos transmite algo, na pessoa com as ideias que julgamos as mais acertadas para o clube e, em terceiro na minha escala de importância, na pessoa que reúne uma equipa de trabalho na qual queremos acreditar (mal comparando, faria sentido votar num Passos Coelho que critica o PEC que ele permitiu entrar em vigor, mesmo que ele fosse capaz de trazer um Marcello Lippi?).

Posto isto, passo a explicar o porquê de ir votar Bruno Carvalho. Que, curiosamente, tem uma pinta meio abetalhada que aborrece um bocado e faz-me lembrar um gajo que andava comigo na secundária e que apanhava algumas vezes… só porque sim.  
Desde logo, porque é o único realmente independente dos jogos de bastidores que, em minha opinião, conduziram o Sporting ao estado em que está, transmitindo-me a ideia (lá está, transmite-me algo, ele, o candidato) de que aquilo que defende tem muito do que eu defenderia se concorresse às eleições. Sim, é verdade que Inácio e Virgílio (e, provavelmente, Couceiro), não são nomes fascinantes, mas também é verdade que são nomes para os quais olho como garantia de trabalho, de profissionalismo e de Sportinguismo. 
Mas, mais importante do que tudo isto, é o único que encaixa no meu desejo de mudança. Se para bem, se para mal, só depois se verá mas, ora foda-se, se eu tive que levar durante mais de uma década com presidentes que nada me diziam, se tive que engolir elegerem um gajo sem programa e sem ideias, exceptuando um inacreditável forever, acham mesmo que não estou disposto a uma tentativa de revolução?

No lado completamente oposto, está Godinho Lopes. Não me transmite nada. Ou melhor, transmite-me um vazio de ideias (e adora aproveitar as dos outros), uma ausência de carisma, uma clara vontade de continuar a depender da banca e uma equipa cheia de gente que está farta de fazer mal ao meu Sporting. Pior, transmite-me a ideia de descabida ansia de poder, comportando-se como um louco que acredita que quantos mais nomes sonantes incorporar na lista, mais próximo estará de ganhar e, pior, deixa clara a postura de que tudo vale para lá chegar, com uma vergonhosa campanha de difamação e de falta de respeito não só para com outros candidatos como para com os próprios jogadores que fazem parte do actual plantel (e, depois, tem que fazer o triste papelinho de pedir desculpas em directo).
Por outras palavras, mesmo que Godinho tivesse anunciado Guus Hiddink  mais três ou quatro jogadores “daqueles”, eu não votava nele.

No meio, estão Abrantes Mendes, Dias Ferreira e Pedro Baltazar.
Abrantes transmite-me a ideia de ser um gajo porreiro, Sportinguista sério e preocupado, que eu não desdenharia que fizesse parte de uma futura direcção. Como candidato, no entanto, fico com certeza de que seria trucidado no mundo dos pintos e dos vieiras.
Dias Ferreira irrita-me, logo, seria impossível votar nele. Não ponho em causa o seu Sportinguismo nem algumas das suas ideias, mas não me revejo naquela postura. Talvez o problema seja meu.
Quanto a Pedro Baltazar, passa-me a ideia de não saber o que esperar dele. Tão depressa diz algo que parece interessante, como logo a seguir não fundamenta o que diz. Leviano, talvez seja a palavra mais correcta para definir o que ele me transmite.

Assim sendo, até sábado.

De que valem 450 comentários?

De que valem 450 comentários quando mais de três quartos incluem insultos e trocas de galhardetes? Quando metade são assinados por dois ou três desocupados (e desorientados)?
De que vale colocar uma ideia a debate, quando quem a comenta aproveita para disparar em todas as direcções não respeitando, sequer, um post onde se assinala a morte de um ilustre Sportinguista (tendo nós optado por eliminar essas despropositadas intervenções)?

Não é a primeira vez que manifestamos a nossa preocupação perante este cenário que, a espasmos, uns mais fortes do que outros, empurra o Cacifo para um caminho de todo indesejado. E começa a ser um dilema decidirmos o que fazer perante isto…

Mantenham o nível, sff

Daqui a pouco há debate. Começa às 22h, na RTPN.
E que melhor forma poderia haver de lançar um debate, do que ter o Inácio a responder de forma magnífica aos “bitaites” do Jesus sobre o futuro treinador do Sporting? «Acho que são declarações importantes porque significa que está a viver o Sporting como todos os Sportinguistas estão (…) vindo de um Sportinguista, acho que é de respeitar a sua opinião».

Melhor, mesmo, só ver quantas vezes o Baltazar vai gaguejar quando lhe falarem nos cinco milhões que ele disse que ia a correr tirar da SAD, caso não seja eleito.

Tão grande como os maiores (mas com os pés bem assentes no chão)

Queremos fazer do Sporting um grande clube, tão grande como os maiores da Europa”, disse José Alvalade, no dia em que fundou o Sporting.
E é, precisamente, esse sentimento, que foi desaparecendo da mente de quem nos tem liderado nos últimos anos ao ponto de, imagine-se, termos que ouvir dizer que conseguir o segundo lugar (e ir à pré da Champions) é uma maravilha. E que uma Taça aqui, outra acoli, são cerejas (cristalizadas e fora de prazo, só pode), no topo do bolo.

O resultado, meus caros leões, está à vista de todos: quando ainda faltam seis jogos para terminar a época, estamos a 30, trinta!!!, pontos do primeiro classificado, mais dois do que de diferença cavada na liga anterior.

O positivo de toda esta miséria é, e já o disse, o “basta” que sócios e adeptos parecem ter gritado há coisa de meses. Um basta tão audível que as várias listas que foram surgindo, apontadas às eleições, não deixaram de sublinhar a mensagem incluída neste “basta”: para ganharmos, para sermos, realmente, grandes, temos que contratar treinadores e jogadores que façam a diferença.

No entanto, não posso deixar de achar um exagero os teatrais “oh, que desilusão”, perante cada nome de treinador apresentado.
Ora porra, então se o Martin O’neill não hesitou em dizer-nos “não!”, vocês esperavam, mesmo, que o  Guus Hiddink, o Marcello Lippi, o Benitez ou o Van Gaal, só para citar quatro, viessem a correr para Alvalade?
Acalmem esse sentimento balofo, sff. E percebam que, para já, esse clube tão grande como os maiores (e não falo de história), só existe dentro de cada um de nós.