Ovos moles – barrica 3

Não queria acreditar quando, ainda na continuação da noite em que empatámos em Aveiro, comecei a ver ser defendida a ideia de que o Domingos devia ser posto a andar e substituído pelo Sá Pinto, que até tinha ido ganhar 3-0 ao Liverpool. Mais estupefacto (ou estupefato) fiquei ainda, quando cheguei à conclusão de que algumas pessoas que defendiam o despedimento do treinador ao fim de dois meses de trabalho, eram as mesmas que tinham assobiado para o ar quando, por exemplo, fomos enxovalhados pelo Bayern Munique.

Mas como as opiniões são como o cu – cada um tem o seu e quem quiser dá-lo, dá – sinto-me na legitimidade de dar-vos a minha opinião. É uma estupidez, sim, uma estupidez, defender o despedimento do Domingos. Ao fim de anos a jogar de biqueiro para a frente, de losangos ou outras figuras geométricas ainda mais estranhas e menos produtivas, contratámos, finalmente, um treinador que já mostrou que sabe o que está a fazer. Académica e, depois, Braga (e acho piada dizerem que a época passada do Braga foi merdosa quando o gajo ficou sem grande parte dos jogadores titulares e teve que começar quase de novo), parecem-me provas suficientes para acreditar no trabalho de Domingos. E, atenção, eu nem simpatizo propriamente com a figura em questão, mas consigo distinguir as coisas.

Se está a fazer merda? Sim, alguma, nomeadamente insistindo em dois ou três jogadores sem condições para jogarem no Sporting. Mas não foi aquele que ainda hoje goza de créditos em Alvalade, que nos fez perder a primeira parte de uma época insistindo em Custódio a 6, e teimando que Veloso era opção para defesa central?
Ao que me parece, Domingos tentou construir uma equipa acreditando que fazia sentido uma base que conhecesse os cantos à casa. Acontece que dessa base – Patrício, JPereira, Polga, Evaldo, Djaló, Postiga – apenas o primeiro é, em minha opinião, indicutível.
Creio que Domingos começa a perceber o erro mas, infelizmente, isso está a custar-nos pontos em jogos onde era obrigatório ganhar para embalar e fazer subir a confiança da equipa. Agora, despedir um treinador por isso, ainda para mais quando vejo o Sporting voltar a tentar jogar à bola? Vá lá, um pouco de calma. É claro que temos sede de vitórias, mas ele não terá menos vontade de ganhar (a tromba do gajo quando não ganha, as duas substituições a meio da primeira parte, o recado para os meninos que acham que não precisam de correr ou de esforçar-se) e de triunfar num enorme desafio que aceitou: reerguer o Sporting.
p.s. – Domingos também já percebeu que o virus que se instalou em Alvalade nos últimos três anos, continua activo: os jogadores acham que os primeiros 45 minutos fazem parte do aquecimento. Hoje é um óptimo dia para começar a curar esse vício de merda (alguém que lhes mostre imagens da última vez que estivemos na luta pelo título até ao fim, onde começávamos a resolver os jogos nos primeiros dez minutos).

Anúncios

Ovos moles – barrica 2

«É verdade que tivemos problemas, nomeadamente na primeira parte, mas marcámos 3 golos e ganhámos. E isso é fundamental para que a confiança dos jogadores aumente».
A bonita frase é (e não podia deixar de ser) de Vítor Pereira. O treinador do Porto, não o bandalho que gere o negócio da arbitragem. E a bonita frase (deixem-me continuar antes que o meu cérebro consiga formar a imagem do tal bandalho) é, imagine-se, semelhante à que o tal do Villas Boas proferiu por esta mesma altura. Mas desenganem-se se pensam que as semelhanças ficam por aqui. Antes, como agora, a equipa a estes senhores associada jogava menos do que uma casca de tremoço e era embalada para uma grande época por erros de arbitragem que lhe valiam 9 pontos em 9 possíveis.

Entretanto, este ano, e ao contrário da época anterior, o colinho estende-se aos rapazes da zona do Colombo, como que a indiciar que esta época vai ser renhida no que toca a mãos que embalam o berço. Se em Barcelos houve um golo em fora de jogo, em Guimarães houve um penalti que foi claro numa área e outro, igual, que foi estranho na outra (ou melhor, a área era a mesma, a equipa é que não). Uma semana volvida, em pleno Dragão, um jogador é derrubado quando seguia isolado, o árbitro marca penalti mas esquece-se do cartão vermelho. E, pouco depois, um jogador azul grita e cai. Sozinho. Penalti. Chega-se à Luz e há outro jogador que cai, desta feita empurrado (com as duas mãos). Segue, segue, não vão os vermelhos terminar o terceiro jogo consecutivo empatados a dois golos.

E, depois, nós. Como se não chegassem os problemas que temos que resolver por nós mesmos, começam a época a deixar-nos uma mensagem em pleno Estádio de Alvalade: para vocês não há penaltis e vamos lá ver quantos golos são validados. Os Leões, fodidos com o que se passa há anos, levantam a juba. Os senhores do apito assumem a posição de virgem ofendida: ai eu faço mamadas aos outros dois, mas não admito que o Leão venha dizer que o faço. Só por causa disso não vou apitar e só volto a soprar se me pedirem desculpa. No meio da confusão, lá aparece uma moçoila de fibra, daquelas com bigode, que ainda nos deixa com uma certeza: encostos como o que sofreu o Wolfs, só são penalti se pintados a azul.

E assim, neste fungagá da bicharada (que me perdoe o grande José Barata Moura), à medida que a confiança de uns vai aumentando, a nossa vai sendo posta a exame, dentro e fora das quatro linhas. Valha-nos o facto de sermos Leões com os colhões no sítio e nos recusarmos a pedir desculpa às putas. Perdão, às virgens. Só é pena não irmos mais longe e recusarmo-nos a ter essas bocas de chucha a apitar em nossa casa.

Ovos moles – barrica 1

Depois do jogo de Domingo, e de mais 90 minutos em que a baliza adversária parecia ter-se transformado num modelo hóquei em patins, dei comigo a pensar que é bem capaz de ter havido uma pequena falha quando se pensou na posição de ponta-de-lança.
Tendo terminado a época a choramingar a venda de Liedson e com a certeza de que nem Postiga nem Djaló são o garante de golos que uma equipa que quer lutar pelo título necessita, partiu-se para o mercado em  busca de um matador (mais ou menos levezinho). Primeiro Wolfs, depois Rubio, depois Bojinov.
Três nomes que me agradam, confesso, ainda para mais quando tenho a certeza de que os homens contratados para as alas (Carrillo, Capel e Jeffren) são mesmo mais valias.

O problema, quer-me parecer, é a falta de paciência. Não do treinador, mas dos adeptos.
Wolfs fez um jogo e já lhe chamam atarantado, inútil, molenga e outras merdas que me deixam de boca aberta. Para além de haver quem ache que um gajo que custa cinco milhões tem que assinar um poker na estreia.
Rubio, que ainda goza de créditos granjeados na pré-época, terá o mesmo tratamento ao fim de dois jogos sem marcar.
Bojinov, esse, que há bem pouco tempo só nos FM e afins seria jogador do Sporting (tal como Capel ou Jeffren), já carrega sobre os ombros a alcunha de gordo ou de “andas a papar a gaja boa e depois não podes mexer-te”.

E foi, precisamente, esta falta de paciência dos adeptos que Freitas e Duque ter-se-ão esquecido de ponderar. Sem um nome incontornável, corremos o risco de queimar dois putos com enorme valor e margem de progressão, e dar mais pauladas a um craque búlgaro do que as que demos a um craque argentino antes de lhe beijarmos os pés depois do título conquistado. E, perante tal cenário, continuar a ter que ouvir alguns iluminados defenderem que a melhor solução é um rapaz tão esforçado quanto apatetado que marca uma dúzia de golos em quatro anos de leão ao peito.

Super Domingos

Só um treinador com tomates de ferro é que entra em dois jogos seguidos com três jogadores a menos.
Se os tivesse de aço, ainda trocava o André Santos por alguém mais ofensivo e capaz de ligar o meio-campo ao ataque.
Perante isto, tenho a certeza de que quando o Domingos resolver jogar com defesa esquerdo, ala/extremo esquerdo e ponta de lança, vamos fazer uma série de 20 vitórias seguidas.
Dava jeito que começasse no Domingo.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Europa playoff, 1ª mão

É um estádio bonito, novo… arejado
Nordsjaelland – Sporting    
18 Agosto 2011
19h00, Farum Park

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Temperatura amena e bancadas compostas, ocupadas por gente entusiasmada por defrontar o Sporting. E que tal mostrarmos-lhes como se joga à bola?

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Nordsjaelland tem apenas oito anos de vida e uma história que cabe numa folha A4, com destaque para o facto de ser um dos clubes dinamarqueses que mais aposta na formação. Ficou em sexto na última temporada, chegando à Liga Europa por ter ganho a Taça. Curiosamente, ocupa actualmente esse mesmo sexto lugar, com duas vitórias, um empate e uma derrota.

Este homem é um Mister
Kasper Hjulmand tem tudo a ganhar com este jogo, até pelo mau arranque de campeonato. Perder com o Sporting será a coisa mais natural, ainda por cima quando o objectivo principal passa por complicar a eliminatória o mais possível.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Aqui não há propriamente craques. Há Nicolai Stokholm, um carismático e trintão capitão, Mikkel Beckmann, um ala com pormenores, Jesper Hansen, um guarda-redes que fez todos os escalões de formação na selecção dinamarquesa, e Andreas Laudrup, uma promessa que, para já, dá mais nas vistas pelo apelido.

A vantagem de ter duas pernas!
Cheira-me que Michael Parkhurst, o defesa esquerdo americano que quer apostar a eliminatória com Onyewu, vai ter uma noite memorável, quer jogue Jeffren quer jogue Izmailov…

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Domingos, já aqui o disse, foi com agrado que vi que o Sporting voltou a tentar jogar à bola. Claro que o cimentar dos processos ainda vai a meio, mas acredito que já tenhas percebido que há pequenas coisas que podes fazer para que essa evolução se note ainda mais. Colocar Capel à esquerda, por exemplo, será meio caminho andado para podermos jogar em ambas as faixas. E, já agora, contra uma defesa de rapazes altos e meio toscos, é capaz de não ser má ideia utilizares o nosso avançado alto e nada tosco no que toca a meter a bola na baliza.

Vamos jogar no Totobola
Nordsjaelland – Sporting    2

Next generation

Os nossos putos (alguns deles acabados de chegar dos juvenis) disputam, hoje, o primeiro jogo do Next Gen Series, uma espécie de Liga dos Campeões para os escalões de formação. O adversário é o Liverpool, ao qual se seguirão Molde e Wolfsburgo. No mítico Anfield, frente à equipa de reservas do Liverpool (não contra juniores), será dado mais um importante passo no processo de formação e afirmação de nomes como Tiago Ilori, Ricardo Esgaio, Bruma, Iuri Medeiros, Carlos Chaby ou João Mário.

 

ACTUALIZAÇÃO: três batatinhas em Liverpool, com bom futebol e golos vistosos para gente ilustre na bancada. Temos leões! (que o Domingos consiga criar uma estrutura vencedora, capaz de receber e integrar os melhores)