Quero Alvalade de volta!

«O Sporting está melhor, vem de duas vitórias fora, mas vamos tentar colocar pressão na sua casa, onde ainda não ganhou», disse Bruno Ribeiro, treinador do Vitória de Setúbal, na antevisão ao jogo de amanhã.

Não posso deixar de considerar inacreditável, ouvir o treinador de um clube do meio da tabela dizer que vem a Alvalade para colocar pressão… no Sporting. Sempre me habituei, desde pequeno, a assumir que jogar em Alvalade era sinónimo de vitória. Claro que fui levando enormes baldes de água gelada pelo caminho (acho que o primeiro de que me recordo é uma derrota, em casa, 1-2, com o Porto e com dois frangos do Vital, no final da década de 80) mas, ainda assim, sempre olhei para Alvalade como a nossa casa, aquela onde nem me passava pela cabeça ser derrotado. O Ajax de Menzo e do jovem Bergkamp levou 4 batatas, recebi o Maradona dizendo-lhe que o Douglas ia metê-lo no bolso a ele e ao Careca, vi o Oceano desperdiçar vários golos frente ao Inter de Zenga e dos alemães, o Real a ter que roubar forte e feio para eliminar-nos e o Niculae bombardear a baliza do Milan.

Mas também vi esse sentimento de “aqui mandamos nós”, ir sendo colocado em causa. Nós adeptos, questionamos. E, pior, os próprios jogadores parece que olham para os jogos em casa como se fossem jogar com 50 mil turcos nas bancadas, sem rede e sem fosso. Perante isto, temos que levar com qualquer mija na escada a achar-se em condições de vir a Alvalade bater o pé.

De quem é a culpa? De todos. De quem dirige e, nos últimos anos, passou a achar que ficar em segundo é uma maravilha. De quem treina, sem a preparação para perceber a grandeza do clube onde está. De quem contrata, que nos brindas com craques que nem para carregar as bolas do Paulinho serviriam. De quem joga, incapaz de perceber que um Leão não tem colhões de lagarto. De quem está na bancada, mais interessado em assobiar e em criticar do que em ver algo de positivo (e, por aquilo que aconteceu em Vila do Conde, parece que a doença está a alastrar a outros estádios). Até o cabrão do relvado resolveu deixar de ser o que era, salvo erro desde o tempo em que demos 3-0 ao Mónaco a jogar numa espécie de praia relvada.

Posto isto, acabo de ouvir Domingos dizer que «ao jogarmos perante os nossos adeptos, não é que haja uma dívida, mas há uma grande mentalidade de querer mudar o rumo dos últimos tempos e uma grande vontade de ganhar o jogo, e isso passa por uma equipa competitiva». É bonito, sim que é, mas, oh Domingos, a equipa tem que ser mais do que competitiva. Competitivo tem que ser o adversário, que na sua cabeça tem que pensar que perder por menos de 2 é um bom resultado, e que empatar é como ir à final da Champions. Nós, nós temos que ser aquele clube que manda em Alvalade e que apenas desperta no adversário o seguinte pensamento: «foda-se, vamos jogar com o Sporting!”

Não devias ter sido o único a falar

«É absolutamente falso que eu pretenda requerer junto do Tribunal de Trabalho uma pensão por incapacidade. Uma tal pretensão implicaria que eu abandonasse definitivamente a minha actividade profissional, o que é totalmente absurdo. Acabo de completar 29 anos de idade e penso jogar futebol como profissional durante mais alguns anos. Não tem, pois, fundamento, a notícia que alega que um eventual processo irá dar entrada no tribunal do trabalho. Tenho tido alguns problemas no meu joelho, mas espero resolvê-los rapidamente, para poder dar o meu melhor contributo à equipa», Izmailov, em comunicado.  

Muito sinceramente, penso que faltou este comunicado ser acompanhado, de viva voz, por alguém da direcção, com uma simples declaração. Qualquer coisa como “o jornal Record já mostrou, por mais do que uma vez, que tem tanta credibilidade como um zero à esquerda. A capa de hoje (ontem), onde estampam mais uma mentira é, apenas, novo exemplo da pequenez e falta de ética daquilo a que mais não pode chamar-se do que pasquim”.

No fundo, é em momento como este que o Duque e companhia têm que mostrar que “acabou o Sportinguezinho”.

ACTUALIZAÇÃO
Afinal o Sporting respondeu e eu não dei por nada. Entre apagar o post e assumir a bacorada, prefiro a segunda. Pronto, podem “biqueirar-me”.

resposta do Sporting no site oficial
A notícia publicada esta quinta-feira no Jornal “Record” com o título: “Izmailov quer pensão por incapacidade” prejudica gravemente o jogador e a estabilidade da equipa profissional de futebol da Sporting SAD. O atleta já afirmou em comunicado, que a informação é “absolutamente falsa”.
A importância e repercussões dos factos relatados exigiriam do referido órgão de comunicação um cuidado acrescido na confirmação dos factos, o que poderia ter sido facilmente alcançável contactando o jogador, o seu empresário ou a Sporting SAD, o que incompreensivelmente não foi feito.
A Sporting SAD não deixará de defender os seus profissionais e regista o momento que foi escolhido para destabilizar a equipa de futebol.

 

De volta à relva

Depois de dois dias a olhar para o alto onde o Ogushi acertou na bola, é hora de voltar a colocar os pés na relva e apontar o dedo a algo inquestionável: a forma como, de um momento para o outro, o nosso meio-campo deixa de fazer pressão, obrigando Rinaudo a ser o único apoio para os defesas.
Isto já tinha acontecido em Zurique e voltou a acontecer em Vila do Conde, o que indicia algo que pode ser bastante complicado quando defrontarmos equipas mais fortes e com melhores executantes.

Não podemos, e isto é algo que o Domingos deve resolver rapidamente, passar largas fatias do jogo a jogar numa espécie de 4-1-5, onde aquele um do meio-campo é Rinaudo, de um momento para o outro totalmente desacompanhado por Schaars, Elias, Carrillo e Capel. Quem se lixa, para além do argentino, são os defesas, que levam com os adversários de frente e embalados. Basta recordar a bola no poste, em Zurique, ou o segundo golo do Rio Ave. E basta pensar que não temos centrais propriamente rápidos e que o lateral direito é melhor a atacar do que a defender.

Sim, é verdade que gostamos de ver o Sporting que, durante cerca de 30 minutos, marcou dois golos a abrir e teve oportunidades para ampliar mais duas ou três vezes, mostrando vontade de matar logo ali o jogo. Mas, e quem gosta de futebol também saberá apreciar isto, não tendo conseguido fazê-lo, e perante o claro levantar de cabeça do adversário, temos que saber cerrar fileiras. Isso passará, penso eu, por inverter o triângulo de meio-campo, colocando Elias ao lado de Rinaudo (o brasileiro faz isso na selecção, funcionando como segundo trinco quando as circunstâncias a tal obrigam), e garantindo uma maior pressão sobre o portador da bola. Isso não só diminuirá os lances em que os adversários surgem embalados, de frente, como dará maior margem de tempo a que os restantes jogadores recuperem no terreno.

No fundo, e agora que já descobrimos o caminho para a baliza adversária, temos que descobrir o caminho para fechar a nossa.

Ao cuidado dos srs do marketing

Depois da Bola vos ter dado a ideia de transformar o Ogushi no Capitão América (arranjem um cabrão de um escudo a verde e branco, foda-se), eu proponho que larguem esta malha de cada vez que o Wolfswinkel bater uma, perdão, marcar um golo em Alvalade.

 

Entretanto, parece que um dos leitores do Cacifo, o Jusko, se antecipou ao nosso departamento de marketing. Sábado, quero ver esta imagem num estandarte!

Alma

Quando, aos três minutos, vi Wolfswinkel, desta vez sem direito a canhola, voltar a obrigar todos os arautos da desgraça a pronunciar o seu nome, não pude deixar de comentar para mim mesmo: “é isto, foda-se”. E o que era isto? Eram três minutos de uma entrada à altura da ambição de um clube como o Sporting, fazendo aquilo que é mais complicado no futebol: ganhar a dianteira no marcador. E não foram um, mas dois, os golos com a assinatura mecânica, o primeiro a cargo de Schaars com uma valente pedrada na bola.

A turba empolgou-se, os jogadores também, partindo para vinte minutos de futebol a sério, ora à direita, ora à esquerda, com Schaars (o seu melhor jogo de leão ao peito) e Elias, confiantes na onipresença de Rinaudo, a servirem de apoios para triangulações onde os alas e os extremos desenhavam os restantes vértices. Na frente, o menino lobo confirmava ser conhecedor do manual do ponta-e-lança, e ajudava a desenhar lances que por duas ou três vezes estiveram perto de terminar com mais uma bola na baliza vilacondense. O Sporting, aquele Sporting que se pedia, aparecia finalmente, de uma forma tão surpreendente que os próprios jogadores pareceram cansar-se do que de bom estavam a fazer, dando-nos dez minutos finais do primeiro tempo bastante aborrecidos.

De aborrecido a exasperante, foi o tempo de um intervalo. João Pereira abria o livro dos disparates e contagiava Rui Patrício. O Leão parecia equilibrar-se, apenas, nas patas esquerdas, levantando as direitas para deixar o rato passar. Domingos trocava Carrillo, que até tinha acabado de criar perigo, por Pereirinha, mas este último voltava a mostrar que continua sem colhanitos para declarar-se à miúda de quem gosta desde a quarta classe (eu nunca percebo bem se o Pereirinha entra para atacar, se para defender). E, para ajudar à festa, Schaars e Elias alheavam-se do jogo, permitindo ao adversário crescer e empatar.

A meia hora do fim, mais não consigo dizer do que repetidos “foda-se”. Domingos faz aquela cara de desespero. Olha para o relógio. Eu olho para o relógio. E, nesta dança dos ponteiros, vão-se dez minutos com o boda. Capel remata. Canto. Capel marca e, embalado, surge um Leão voador com sotaque americano. Onyewu subiu, subiu e, lá onde mais ninguém chegaria, acertou na bola com toda a raiva de um leão ferido. Quando voltou a pôr os pés no chão, correu, louco, soltando rugidos que anunciavam a toda a selva que, embora sofrendo de espasmos e paragens cerebrais, o rei vai conquistando algo que vale batalhas: alma.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga Zon Sagres, jornada 5

É um estádio bonito, novo… arejado
Rio Ave – Sporting    
19 Setembro 2011
21h15, Estádio dos Arcos

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Espero que os Leões do norte do país marquem assinalável presença, pese a hora medonha e o facto de ser segunda-feira. Pelo menos está bom tempo (mas quem se esquecer de levar casaco, lixa-se).

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Rio Ave é, neste momento, a única equipa que ainda não ganhou. Um empate, frente ao Braga, e três derrotas, valem o último lugar a uma equipa que, no ano passado, até deu muito boa conta de si. Acredito que estejam motivados para fazer uma gracinha, mas cabe-nos a nós fazer o mesmo que fizemos em Zurique: marcar cedo e afundar de vez a pouca confiança adversária.

Este homem é um Mister
Carlos Brito é o homem que sonhou implementar, em Vila do Conde, a escola do Sparta de Praga. Uma prova de que o sonho comanda a vida.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
João Tomás é a referência do Rio Ave. E, sim, teve toda a razão em dizer que é patético não ter sido chamado à selecção.

A vantagem de ter duas pernas!
Acho indecente o Gaspar já não usar aquele cabelo amarelo torrado…

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Domingos, acho que não há muito para inventar. Elias volta ao meio-campo e Pereirinha deriva para a extrema direita. Pronto, a equipa está feita. Depois é pegar no jogo logo de início. E marcar. E diz a esses gajos para não se esquecerem que o jogo de hoje vale não três, mas cinco pontos.

Vamos jogar no Totobola
Rio Ave – Sporting    2