A camisola

Lembro-me como se fosse hoje. Quase a fazer sete anos, disse ao meu pai que a prenda que queria era o equipamento do Sporting. E umas chuteiras.
Fomos à Casa Senna, ali na baixa, e os meus olhos só descansaram quando pousaram sobre aquela camisola listada a verde e branco, golas em bico, num modelo criado pela saudosa Le Coq Sportif. Os calções, pretos. E as meias, de algodão daquele que parecia servir para fazer cachecóis. Ao fundo, noutra secção, as chuteiras. Da Puma, pretas, com uma risca branca na parte interior e verde no exterior. «Feitas à medida», pensei eu.

Os meus pensamentos que, com toda a certeza, já me estariam a colocar no relvado do velhinho Alvalade, foram travados por uma constatação: tudo junto excedia a disponibilidade monetária dos meus pais. O pensamento bloqueou, o coração acelerou. Senti-me demasiado novo para uma escolha tão complicada. Mais complicada do que, com menos dois anos, ter decidido fugir do infantário perante a hipótese de ficar fechado às escuras.
Calculo que o “sr da loja” tenha lido os meus pensamentos, porque apressou-se a trazer-me uma réplica da camisola oficial. Estava tudo no lugar, menos o símbolo da Le Coq e o Leão no lado esquerdo do peito. «Depois é só cozer este, que vai de oferta», disse ele, estendendo um símbolo do Sporting pronto a ser colocado no devido lugar.

«Eu não levo as chuteiras», afirmei, com um soluço de choro encravado na garganta, preso à masculinidade martelada de que um homem não chora. «Tens a certeza?», pergunta-me o meu pai. «Tenho». «Então e jogas com o quê calçado?». «Com os Sanjo».
Chego a casa. Mostro o equipamento à minha mãe e ao meu irmão. «Quando não me servir fica para ti», disse-lhe numa tentativa de passar o meu Sportinguismo a um miúdo de três anos e meio. Corro para o meu quarto e coloco o equipamento em exposição, no cadeirão. Não sei quantas vezes olhei para ele, até adormecer, ansiando a chegada do dia seguinte onde, orgulhosamente, envergaria a mais bela camisola do mundo numa rua onde o núcleo de amigos era de seis lampiões para dois leões.
E, num campo onde as balizas eram pedras da calçada empilhadas, cheguei à conclusão de que, com aquela camisola, até podia jogar descalço.

p.s. – esta memória foi revitalizada pelo desafio, lançado pelo Godinho, de, no próximo domingo, irmos todos à bola vestidos de verde e branco.

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111 thoughts on “A camisola

  1. Eu era puto, e passou-se com o meu padrinho (emigrante e que vinha a portugal apenas 1 vez por ano); perguntou-me o que queria… obviamente o equipamento do sporting.
    Não foi uma réplica, foi a original da Adidas, com o patrocínio Queijo Castelões, comprada em Leiria numa loja chamada Sporito.
    É e será para mim a mais bela camisola do sporting, pois foi com essa camisola vestida que vi 11 mignifícos levantarem a taça de portugal frente ao marítimo em 1995; Foi triste saber que Figo e Balakov despediam-se naquela dia, mas foi o concretizar de um sonho, ver o Sporting a ganhar alguma coisa finalmente, poder dizer aos outros meninos da escola que o Sporting também ganhava;
    Foram anos de seca, coroados de êxito naquela tarde. Obrigado Iordanov, pelos 2 golos;
    Obrigado padrinho pela camisola, que está religiosamente guardada na gaveta junto com os cachecóis; Infelizmente já não me serve (vou acreditar que foi ela que encolheu, e não eu que engordei);
    Obrigado Sporting

  2. Apesar de quase todos termos histórias semelhantes com a parafernália relacionada com o nosso clube – no meu caso, aquele cachecol verde e branco e a bandeirinha que o meu pai me deu no primeiro jogo que vimos juntos em Alvalade, um Sporting 1 (Venâncio, 53m) – 0 Dinamo Tirana a 6 de Novembro de 1985, guardados religiosamente e sempre envergados em casa, em dia de jogo fora – nunca deixa de ser comovente o grau de ligação emocional que nos une ao nosso clube e, por consequência, uns aos outros.

    A respeito do apelo do Godinho, há que dizer que acho-o excelente. E que seja um hábito para se manter. De facto, causa-me alguma espécie ver tanta gente no estádio como se fossem ali ao café ou ao shopping, sem qualquer item Sportinguista envergado. Nem um cachecol, muitas vezes. Com a excepção de algum imperativo profissional (e mesmo assim, não dá para levar o cachecol na mala, ou até a camisola e mudá-la no carro ou na casa de banho ou na cabine telefónica à super-homem, ou whatever, porra?), não percebo bem. Então quando vejo gajos de casaquinho vermelho…

    Nunca consegui entrar no estádio sem a camisola e o cachecol, pelo menos.

    • Essa do casaquinho vermelho é que me fode todo. Porra é que não há uma vez que vá a Alvalade que não repare nessa merda. É que além de ser completamente estúpido ir para o nosso estádio de vermelho, é uma cor de merda que dá para ver em TODO o estádio quantos estúpidos estão envergar essa cor. Dá para ver TODOS mesmo.

    • Gostei…

      Em especial “e mesmo assim, não dá para levar o cachecol na mala, ou até a camisola e mudá-la no carro ou na casa de banho ou na cabine telefónica à super-homem, ou whatever, porra?”

      É o que faço, às vezes na rua troco a camisola, mas uma coisa é certa…nem que tenha de comprar um cachecol à porta do estádio não entro sem um adereço, à pala disso tenho uns 5 cachecóis a mais em casa.

      Ainda no jogo do Leiria, vim do Algarve em top speed para chegar a tempo do jogo, e ainda fui a casa mesmo à queima, para envergar a camisola listada verde e branca em pleno Estádio.

      Adorei o Apelo o Presidente, e mais, arranjava um patrocinador que desse camisolas simples verdes à entrada do estádio às pessoas que não viessem trajadas.

  3. Mais uma pérola Cherba… mais uma.. E que viagem no tempo me levou a fazer.

    Tinha 6 anos, estva em Paredes, perto do Porto, num almoço de familia da parte do meu pai. O meu pai nasceu no Porto. A minha avó teve 9 irmãs, todas no Porto. Cada irmã teve 6 filhos pelo menos…. todos tripeiros. O meu pai, filho único, tripeiro é.

    Imaginam pois, a quantidade de primos, certo??? 90% tripeirada, e uns quantos ranhoso do carnide… e eu… que não conhecia nenhum deles…

    O almoço foi a um domingo, no sábado fui a Penafiel com o meu pai e ao lado do café onde estavamos, havia uma loja de desporto. Era final de tarde e ao olhar para dentro da loja, um raio de sol que se punha, entrou pela montra e foi acertar em cheio na verde e branca que estava num canto escondido da loja… a única verde e branca, de malha, réplica também.

    Não tinha como a comprar mas tinha de a ter… era Setembro. Negociei com o meu pai… foi a minha prenda de anos… que são em Dezembro.

    No dia seguinte ao almoço, do alto dos meus 5 anos de idade e no meio de mais de 100 pessoas… a verde e branca ao meu peito iluminou aquela tarde. E nem as botas ortopédicas e as calças de bombazine com remendos destoaram…

    A verde e branca vai bem com tudo…

    Obrigado Cherba por me fazeres recordar da minha primeira verde e branca!

    SL

    • Pois a mim também … já os limpei 3 vezes com o lenço de papel.
      Será possivel que quase com 40 anos ainda me emociono sempre que leio texto do genero do nosso grande Amor … Sporting ????
      Corre-me nas veias este Amor ao nosso clube.

  4. Ao ler arranquei em direcção à Loja Verde e comprei logo duas camisolas, agora vou para casa ter com a minha mulher e fazer gémeos.

    Obrigado Cherba.

  5. Cherba acho que fizeste muito bem em escolher a camisola oficial em vez das chuteiras. Eu teria feito a mesma escolha.
    Obrigado por mais um grande momento de exaltação sportinguista!
    SL

  6. Realmente isto são provas de amor à camisola. Eu aproveitei a promoção da Super Bock durante a estadia do Sporting em Angola (onde estou a trabalhar) para comprar duas. Na compra de 3 grades de Super bock oferta de uma camisola oficial. Comprei seis grades. Mal cheguei a casa vesti a verde e branca…que sonho seria te-la vestido um dia em pleno relvado de Alvalade. Como nunca tive pés para isso, contribuo na bancada para ajudar às vitorias do nosso Sporting. Domingo estarei lá com a Super bock nas costas e umas quantas na barriga.

  7. NUNCA vou ao estádio sem a camisola vestida e sem um cachecol!!

    Este ano comprei a camisola nova L ou XL (não me lembro) para poder vesti-la por cima de tudo!!! e comprei também uma para o meu filho de 3 anos que, desde o jogo com o Gil (só falhou o vaslui), a veste sempre que jogamos, não nos deixa tira-la para ir dormir e do dia seguinte lá vai ele todo contente para a escola com ela vestida… e se se apanha com as meias calçadas também é certo que as leva para a escola… :)

  8. A primeira camisola oficial que tive já foi a uns 20 anos, creio eu… Era uma adidas bem bonita na época (com uns leões dissimulados, muito fixe)… era patrocinada pela FAXE (aquela cerveja dinamarquesa que nunca bebi… ainda não malhava nas jolas, tinha uns 13/14 anos)… Ainda a tenho comigo, ficou de recordação! Comprei-a no dia em que o SCP visitou a Mealhada para fazer um particular. O camião da Loja Verde estava estacionado junto ao tribunal… Lá fui eu, todo empolgado, pé ante pé, com o coração acelerado colocar nas mãos do vendedor as minhas poupanças quase todas… uma fortuna… 7500 escudos! 7 contos e 500… isso é que doeu. Tanto tempo a poupar… mas porra, foram bem aplicados! Sai a correr do autocarro, viradinho a casa… desembrulhei a correr e vesti o jersey sagrado… ui, que orgulho. Até o peito inchou… Desta não me desfaço nunca…

    A minha actual comprei em São Paulo, no Brasil… A minha puminha que tanto desfilei por lá… Diferente de todas! Nada de Corinthians, Palmeiras, São Paulo,… era o manto sagrado… o mais bonito de todos! Muito pessoal lá tem a mania de andar sempre com a camisola do clube vestida… Pois era eu que tinha a mai’bela das camisolas…

    Mas a primeira de todas que vesti era uma réplica de malha… quente como o caralho, picava por todo o lado (sei lá que material era aquele, chiça!)… teria eu uns 7 ou 8 anos e vocês não estão bem a ver… vestir aquilo com aquela idade, num calor tremendo para às 11h da manhã ir com o meu pai ouvir os relatos do nosso SCP a uma “arepera” (especie de café, tipico na Venezuela). Mas ia sempre trajado a rigor… Podia não ser a original, podia não ser de marca… mas vestia orgulhosamente, mostrando o Leão junto ao coração… Pode-se dizer que foi um longo namoro à distância. Apaixonei-me pelo Leão a mais de 8000 kms de distância. E um amor que nasce tão cedo e resiste a esta distância é amor pra vida inteira…

    SL

  9. Epah fiquei agarrado a este texto… é a minha definição de Sportinguismo chapada!

    Ainda hoje me lembro da minha primeira camisola… Natal de 2002, o Sporting tinha sido campeão e os meus pais, lampiões, oferecem-me um conjunto réplica da alternativa (era o mais barato na altura). Acho que o vesti uma semana inteira, escola com ele! Nas aulas de educação física era o mais bem vestido, podem crer!

    Depois muitos outros se seguiram, acima de tudo com a vontade de ter o leão ao peito e levá-lo orgulhosamente! Nestes últimos 3/4 anos deixei de as ver na rua, andavam escondidas dentro dos casacos… Mas graças a Deus que já voltaram a sair do armário, já as vejo no metro, nos autocarros, nos miúdos a jogar à bola! O nosso Sporting está de volta!

  10. A minha primeira camisola comprei-a em 2005/2006. Juntei dinheiro e comprei-a! Número 87 nas costas… M. Pinilla!!! Pouco tempo depois ele foi embora!
    A segunda comprei-a este ano, no dia do jogo com o Valência e tem o número 9 nas costas… ;) Este ano ainda so consegui ver o jogo de Vila do Conde, mas foi com ela orgulhosamente vestida!!!

  11. A minha primeira foi o meu padrinho que me deu (e o meu padrinho nunca me dava nada, aliás, hoje em dia já praticamente não fala comigo, mas estarei-lhe sempre agradecido) e foi logo equipamento completo. Já sou do tempo da reebok, mas porra, como era linda! A partir daí quis sempre um equipamento todos os natais. Recebi no ano seguinte aquela verde escura e fluorescente, depois a bege e verde escura, mais tarde de novo a listada, a do centenário… Todos lindas e guardadas religiosamente. Por acaso está na altura de comprar mais uma!

  12. Quando era pequeno jogava com a 9, numa camisola que também dava para fazer cachecóis.

    “Sou o Jordão!” – gritava eu. Da janela a minha mãe ria-se e dizia – “Mas o Jordão é pretinho”. “Não me importo” retorquia.

    Os calhaus, esses também lá estavam, dois em cada ponta da rua.

  13. Porra, oh Cherba! Até me arrepiei a ler este post! Recuei 30 e tal anos no tempo, com a diferença que o meu amado e saudoso pai era do Benfica! Ainda guardo aquela 1ª camisola como se fosse uma reliquia da afirmação da minha personalidade e do amor do meu pai! E já foi vestida pelos meus dois filhos! A mais linda do mundo!

  14. Quando tinha para aí os meus 7 ou 8 anos, tive um equipamento partilhado com o meu primo da mesma idade. Versão Le coq :) e lembro-me que calcei as chuteiras até quase ser humanamente impossível andar com elas de tão apertadas que já estavam…. Visto alguém lá em cima ter falado em ir fazer gémeos… posso mostrar as minhas devidamente equipadas!

  15. Estávamos nos inícios dos anos 90, quando pelo natal recebi dos meus pais a minha primeira camisola do Sporting. Tinha o patrocínio da Bonança e de tamanho júnior, conclusão, andei uns anos com ela mas como estava na fase de crescimento, acabou por me deixar de servir.

    Depois, tive de esperar até á época de 98/99 para comprar a minha segunda camisola. O meu pai não me queria oferecer outra pois as camisolas, segundo ele, eram muito caras.
    Assim sendo, fui juntando todo o dinheiro que conseguia com mais um amigo meu que estava nas mesmas circunstâncias.
    Numa bela tarde de calor, diz-me ele que a loja de desporto do c.comercial lá da zona estava com promoções e tinha camisolas oficiais á venda a bom preço. Lá fomos nós e lá estavam elas, na montra, lindas como que a chamar por nós. Contámos o dinheiro e chegava para as comprar.
    No ano seguinte estávamos nós sentamos á mesa do café desse mesmo c.comercial a ver o jogo de Salgueiros com as camisolas vestidas. O resto da noite já toda a gente sabe como correu…
    Ainda hoje quando vou a Alvalade levo a camisola vestida. É velhinha? É. Mas é linda :)

    ENORME SPORTING!!!

  16. Grande texto, fica para os anais (e para enfiar nos ânus dos rivais, que nunca conseguirão produzir prosa deste calibre).

    Eu cá nunca tive uma camisola até ao ano 2009, já com cerca de 35 anos de idade. Pai galinha… (e, infelizmente, não no sentido protector do termo).

    Já o meu filho tem mais do que os anos que já leva de vida (e são nove!). Chama-se síndroma pós-traumático do Pai dele.

    Voltando ao texto, acho que quando falas em “Sanjo” te referes àquilo que eu chamava de “Chancas”, que serviam para ir à escola em dias de chuva (e “sempre que um homem quisesse”…), e que aguentavam o triplo do tempo que quaisquer outras botas entretanto inventadas. E davam bons “bicos” na bola também, importantes nos remates em desequilíbrio, e melhores ainda nas canelas dos mais atrevidos, que parece que custavam mais a lesionar do que acontece hoje em dia aos jogadores profissionais da bola em geral.

    Enfim, olha, obrigado Cherba!

  17. :) Não tenho nenhuma camisola listada do Sporting. Melhor, tenho uma tipo camisola de rugby sem qualquer publicidade nem simbolos de quando a Reebok era o fabricante.

    A primeira e única que comprei é uma Stromp (aquela com o “atacador” na frente) também da Reebok, sem publicidade.

    No ano passado, aqui o padrinho babado ofereceu o equipamento completo ao puto ranhoso na primeira vez que ele me acompanhou ao estádio, espero que daqui a 30 anos ele saiba escrever textos destes.

    No próximo ano devo comprar uma listada, sem publicidade, mas com as quinas no braço.

  18. Cherba,

    Poeirada que está neste blog até fiquei com os olhos a chorar…
    Porra fizeste-me lembrar do meu primeiro equipamento do Sporting, já tinha herdado algumas t-shirts do meu irmão, só quando fiz 8 anos tive direito ao MEU 1º Jersey do grémio Leonino, nunca voltei a ter tanta felicidade com uma prenda de anos…

  19. Grande Post Cherba! Cheio de mística.. e como essa palavra tem escasseado pelos lados de Alvalade..

    Recordo com saudade a minha primeira camisola leonina.. Já tinha o orgulho de vestir a verde e branca com o patrocínio do queijo castelões não oficial (da sailev acho), mas a primeira foi-me oferecida num dia que não vou esquecer, por boas e más razões…

    Pelas boas, porque o SPORTING deslocou-se à Guarda, minha terra Natal, para um jogo amigável que ficou combinado aquando da transferência de um jogador da formação Guardense, de seu nome Bruno Torres (nunca singrou, infelizmente). Fiquei ali à espera, e dos jogadores nem sombras. Felizmente, e com Cunha (com “C” grande mesmo) consegui a camisola oficial de um jogador…equipamento Stromp, 31 nas costas, nome: (e aqui a má memória) Simão Sabrosa… Se a ele lhe ficava grande imaginem a mim, um puto de dez anitos, já de si pequeno para a idade!!

    Andei com ela tanto tempo até ganhar a alcunha de simãozinho, acho que nem para lavar ia!!!

    Claro que uns anos depois as letras em veludo (se não eram parecia!) foram tiradas meticulosamente e inscrito o nome do Levezinho, mas, ainda assim, foi sem dúvida a camisola do MAIOR que me recordo com mais saudade…

    ISTO É O SPORTING!!

    SL

    • tb eu tive uma da sailev com letras em veludo !!!!!
      mesmo assim nao deixava de ser bonita…
      quem me dera que o nosso grande sporting viesse jogar a nossa cidade da guarda

  20. Eu com 17 anos era membro da Juve Leo e a minha mãe na altura fez-me uma camisola em lã verde ás riscas brancas com o famoso emblema cozido do lado esquerdo mesmo por cima do coração que palpita e muito pelo Sporting desde sempre e eu com a minha pachorra fiz uma cabeleira em lã verde pelos ombros que era a inveja de qualquer um que me via no estadio.
    Sempre que havia jogo em no velhinho alvalade lá ia eu equipada totalmente à Sporting … calça preta justinha e meias verdes e brancas por cima, tenis pretos, camisola de lã verde e branca e cachecol a condizer e para finalizar a famosa cabeleira, isto no inverno porque nos dias mais quentes era a camisola oficial igual à dos meus idolos na altura … Damas – Manuel Fernandes e Jordão.
    Ai saudades saudades.

  21. Ganda malha CHERBA!!! És grande…

    Nunca fui de equipamentos, mas o coração é verde desde a hora da nascença…

    A propósito do teu ‘post’, fui procurar símbolos leoninos que tenho guardados, e vejam lá… encontrei o bilhete dos 7-1, entre outras reliquias…

    Lá estive eu na SUL a vibrar com aquela “depenadela” que as galinhas de Carnide levaram naquela tarde… O mais engraçado é que quem me levou foi o meu padrinho (benfiquista dos 7 costados)…

    Enfim, histórias lindas… Grandes memórias…

    Vamos SCP!!!

  22. O meu Avô, lampião, levou-me a comprar um equipamento do nosso eterno rival, na vã esperança de converter um dos três netos ao “lampionismo”. Era uma loja cheia de taças, artigos de pesca e caça, ténis Tave(?!) entre outras foleirices, qualquer coisa tipíca do principio dos anos oitenta.
    Enquanto ele falava com alguem eu segredei à senhora que estava ao balcão para trocar o vermelho pelo das riscas verdes e brancas, calções pretos e meias às riscas, o do Sporting. Não esqueço a sua cara quando saí de trás da cortina que fazia de vestiário, julgo que de alguma maneira ficou simultâneamente emocionado e surpreso. Sei que me comprou o equipamento, não me lembro se era de marca, sei que era do meu Sporting.

  23. O meu primeiro equipamento do Sporting foi um equipamento completo de lã. Meias, camisola e calções (estes não eram de lã), com o leão cozido. Usei durante uma porrada de anos essa camisola e o cachecol de lã tambem. Só muitos anos depois é que comprei a minha primeira camisola e foi aquela primeira fluorescente que apareceu. Depois comprei a com o escudo de campeão e mais recentemente a do centenário.

    Nunca fui muito de levar a camisola para o estádio, porque não gostava de as estragar e porque normalmente dava um azar do crl, sempre que levava corria mal. :(

  24. Excelente tópico! Infelizmente não tenho possibilidades de ir ver muitos jogos do Sporting, mas a camisola está sempre presente! Mesmo nas futeboladas com os amigos…
    Porra, eu até durmo com uma t-shirt que tem a foto do Edmilson estampada…

  25. Grande Post como aqui já foi referido por muita mas muita gente,mas mais um elogio(completamente merecido)nao faz mal a ninguém!a minha primeira camisola por acaso eu nao me lembro de a ter recebido porque foi dada plo meu pai(Sportinguista doente e se calhar por isso que eu também tenho este AMOR plo nosso Sporting e o meu irmao mais velho tb é doente plo Sporting),estava eu a dizer a minha primeira camisola é a listada Verde e Branca..com o patrocinio da bonanca e eu tenho ideia que essa camisola é de 1990 e eu nasci em 1987 por isso era um miudo mas o meu pai doente Leao como é,comprou me uma!mas já agora alguem me sabe confirmar se é mesmo desse ano essa camisola?!?é Linda e esta guardada na minha gaveta,assim como esta a Stromp de a 2 anos penso,e a alternativa verde fluorscente de a 2 anos e a de treino de este ano(a preta) e a listada deste ano também e cachecois tambem tenho muitos,4 da Juve Leo e 5 do Grande SPORTING.!SL

  26. A minha foi comprada em 1982 no tras-os-montes profundo. A camisola era simplesmente às riscas, sem símbolo e sem número e a malha parecia a das camisolas de lã. A senhora da loja teve que cozer, na loja e no momento, o simbolo e o número que eu não saía de lá sem tudo no sítio. Escusado será dizer que o número escolhido era o do eterno capitão Manel Fernandes – o nove! A loja também não tinha os calçoes oficiais. Os que tinha eram pretos mas com as listas laterais brancas e pretas. Novamente, a senhora da loja arranjou as listas verdes e brancas (parece que na altura tudo se vendia em separado. Era como montar legos!), retirou as brancas e pretas e cozeu tudo ali na loja! Só as meias eram tal e qual as originais e não foi necessário qualquer alteração! Sei que na altura demorei uma manhã inteira na loja só para arranjar tudo em condições. Se fosse hoje ninguém, e digo isto na perspetiva de um comerciante, ninguém tinha paciência para aturar um miúdo de 7 anos que apenas queria as vestes do seu ídolo formatadas na perfeição. Nestes anos todos, e devido ao uso intenso, os calções foram-se, as meias foram-se, mas a camisola continua impecável e guardada como se fosse o primeiro dia que a fosse usar.
    A história das chuteiras…bem, isso fica para outra altura!

    • Infelizmente passei a minha infância sem uma camisola do meu amor.
      A primeira camisola tive-a com 15 anos e foi o meu Pai que a trouxe depois de uma viagem a Lisboa. Era da Adidas e tinha publicidade da Água Caramulo.
      Uns 2 anos mais tarde o meu irmão conseguiu sacar uns quantos autógrafos, lembro-me do Lemajic, Marco Aurélio e do Sá Pinto.
      Acho que ainda anda pelo sotão lá pela casa dos meus Pais, um fim de semana destes ainda me ponho a procurá-la para lhe dar uma nova vida…
      Quanto às botas de pitons da Puma, eram na verdade um sonho, aquelas tiras ao longo da bota com a pala branca com o símbolo estampado a cobrir os atacadores simplesmente genial, então depois de ver Maradona fazer o que fez no México, com elas nos pés, eram na verdade o sonho de qualquer menino… a realidade porém eram umas Desportex com pitons de borracha todos gastos num pelado ao nível de Zenica.

      Ps: Bem aparecido Silas…

      • Ter a primeira camisola, ainda por cima autografada, perdida num sotão é quase um insulto… Essa peça de arte tem de estar orgulhosamente exposta em lugar de destaque e ser contemplada TODOS os dias!!! :P

  27. A primeira k tive foi do castelões, não original, depois a da PT essa sim verdadeira, mas tarde joguei á bola uns anitos nos Leões da Beira, futebol 11, claro está com camisola á Sporting e para sempre preservada. Quanto a novas aquisições estou a pensar nisso.

    P.S. É a minha 1ª x aki a escrever mas todos os dias a ler esta biblia do grande Sporting e gostaria de saber se existe alguma página no facebook do cacifo.

  28. Porra, amigo Cherba, que arrepio ao ler esta tua memória.

    Passei o mesmo, se me dás licença de partilhar, quando vivia com a minha avó, pessoa que me me deixo há pouco tempo e que ainda choro, a qual, natural do minho, queria que o SCP ganhasse só para me ver feliz.

    Abraço e obrigado por mais um excelente texto.

    Sérgio Loureiro

  29. Pingback: Essa coisa, ultrapassada, do amor e das referências « O Cacifo do Paulinho

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