Confirmado

Vão colocar-nos uma rede à volta, na visita ao Estádio da Luz. Ao que parece, numa medida experiental, testando uma solução de, dizem eles, “segurança”, para futuros jogos.
Fico curioso por saber qual a reacção da nossa direcção (e quanto tempo a rede vai durar).

E este, já foi um teste a sério?

A pergunta fica para todos aqueles que, durante a última semana, alimentaram a tese de que, até agora, o Sporting ainda não tinha tido que defrontar qualquer equipa capaz de colocar-lhe sérias dificuldades. A visão pode ter tanto de tendencioso como de preocupado, pois se por um lado por servir para desvalorizar o que de bom tem sido feito em Alvalade, por outro pode confirmar que muito boa gente não esperaria que, por esta altura, o Sporting estivesse onde está, ameaçando seriamente os planos de um campeonato pintado a duas cores manhosas.

Este parece-me, desde logo, um enorme mérito de Domingos: o de ter conseguido que uma equipa construida de novo, e com um arranque de campeonato medonho, conseguisse, em relativamente pouco tempo, encontrar um fio de jogo, mostrar ideias e, não menos importante, carácter. Mais, o treinador procura agora suprimir a ausência de um dos mais importantes jogadores, Rinaudo, numa tarefa que já se adivinhava complicada e que está a confirmar-se isso mesmo. Ainda assim, e mesmo que fique com a ideia de que não está definido qual o plano B (e depois de mais uma exibição frouxa de André Santos, menos definido deve ter ficado), a verdade é que a equipa não deixa de entrar em campo com o mesmo espírito de conquista, consciente de que só tem a ganhar se cedo se adiantar no marcador.

Isso voltou a acontecer ontem, pese o primeiro lance de perigo ter pertencido ao Braga. A arrancada de Matías, que culminou no golo de Capel, mostrou que também sabemos jogar como o adversário e sair rápido em contra-golpe. O golo de Ínsua, meia dúzia de minutos volvidos, mostrou que também recuperámos algo que, nos últimos anos, tinha andado arredado de Alvalade: a estrelinha. Depois, vinte minutos finais da primeira parte a recuar demasiado e, pior, a não saber ocupar os espaços para solidificar esse esperar pelo adversário (resultou no primeiro golo, mas falhou durante muito tempo). Valeu, então, Rui Patrício, a responder como deve responder o redes de um grande, principalmente porque a defesa parecia acusar o tempo de paragem de três dos seus quatro elementos e o meio-campo parecia adormecido.

A segunda parte começou com a expulsão de Elderson e com Ogushi a falhar um golo quase feito. No espaço de cinco minutos, perdia-se a hipótese de arrumar o jogo e, acredito, embalar para uma goleada. A equipa relaxou, molengou, e o adversário acreditou. Quase do nada, podia ter marcado (puta de cabeçada do Paulo César), mas esse foi momento único nesta segunda parte, até porque a entrada de Carriço para a posição seis deu outra liberdade a Elias e a Schaars. A estocada final foi dada com a entrada de Carrillo, uma espécie de joker que divide opiniões (porque a equipa parece, muitas vezes, coxa à direita, porque Matías não é homem de ala, porque há quem ache que Carrillo se perde quando joga de início) e que continua a deliciar-nos com aqueles movimentos a fazer lembrar Nani, em diagonais para o interior que terminam em bombas directas à baliza.

 Resumidamente, uma grande vitória, frente a um dos mais complicados adversários, o moral reforçado, a onda verde a crescer e um Domingos a irritar-se com as insinuações sobre a sorte do Sporting. Só faltou dizerem que para a semana é que vamos ter um teste a sério…

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Taça de Portugal

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting –  Sp Braga
20 Novembro 2011
20h15, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Há t-shirts verdes a 3 euros. Há um domingo cheio de sol. Há bola com jogo grande. Há um estádio à nossa espera. Há um Nani, um Figo e um Ronaldo a incentivarem-nos. E que, mais logo, cada Leão carregue consigo o espírito épico que, ontem, nos voltou a arrepiar no futsal.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Braga tem vindo a subir de produção. Tal como nós, não começou propriamente bem a época, mas tem sabido contornar esse mau arranque para continuar a ser aquela equipa tremendamente incómoda, principalmente quando joga em casa. Mais logo, deverá trazer um 11 que encaixará no nosso, num frente a frente de 4-3-3 que promete fazer faísca e onde as transições poderão fazer toda a diferença.

Este homem é um Mister
O bom trabalho que realizou em Aveiro está a ser confirmado em Braga. Não vejo grandes problemas em apontá-lo com um dos melhores treinadores portugueses da actualidade (e, segundo se diz, o próximo treinador do fêcêpê).

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
O Braga tem vários jogadores que se destacam. Mossoró, Hugo Viana, Lima, Alan, Hélder Barbosa. Manietar os dois primeiros será meio caminho andado para emperrar a equipa arsenalista.

A vantagem de ter duas pernas!
É na defesa que o Braga tem mais problemas (e que têm ficado mais a nu em alguns dos jogos da Liga Europa). Douglão, Baiano e Vinícius são elos mais fracos que deveremos saber aproveitar. E sobrecarregar o enorme Djamal com faltas pode ser uma boa jogada táctica.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Domingos, não fará sentido estar a enviar-te recadinhos sobre o Braga. Tu, bem melhor do que eu, conheces os jogadores que estão do outro lado e saberás que as transições rápidas e três ou quatro torres que criam problemas nos lances de bola parada são imagem de marca da tua ex-equipa. Como tu bem disseste, hoje é daqueles jogos em que não dá para recuperar e, bem a própósito, ainda bem que recuperámos a grande maioria da nossa defesa. Agora só falta deixarmos pelo caminho um dos candidatos à presença no Jamor.

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Braga   1

Verde e branco

Do andebol, esmagando o Benfica de uma forma que o resultado não espelha, passando pelo banho de bola dado pelos nossos meninos, ao Liverpool, na Next Gen (há ali uma mão cheia de putos que, bem aproveitados, ainda nos podem dar muitas alegrias. E quem quiser ver o resumo e dois golos fenomenais, pode clicar aqui ), terminando no futsal, com uma vitória, por 5-3, a abrir a UEFA Futsal Cup (e hoje há mais).

Creio que não haveria melhor forma de contagiar-nos a todos para dois meses em que muito estará em jogo. Começamos domingo, em Alvalade, recebendo o Braga para a Taça de Portugal. A vitória, em que todos acreditamos (e já há uma t-shirt à venda, no site oficial, para deixar o estádio mais verde), será um enorme tónico para a visita à Luz, no sábado seguinte.
Seguem-se dois jogos em casa, de vitória obrigatória (Zurique e Nacional da Madeira), e uma ida ao Olímpico de Roma, onde acredito que o Domingos tenha um dilema entre colocar a melhor equipa ou poupar jogadores para a deslocação a Coimbra, três dias depois. O campeonato é interrompido, para celebrar-se o Natal, e recomeça com um Sporting-Porto e uma ida a Braga.

Ora, escusado será dizer que, para além de afastar os arsenalistas da Taça e confirmar o primeiro lugar na Liga Europa, será fundamental conquistarmos, no mínimo, 10 a 12 pontos dos 15 que vão estar em disputa. E eu acredito.

p.s – não percebo o que o Onyewu foi fazer à selecção, quando podia ter ficado a recuperar em Alvalade. E já cheira mal ver o Matías regressar do Chile directo à enfermaria.

o Clube de Portugal

É o Sporting, mas isso já nós sabemos. Mas, caso dúvidas subsistissem, seriam rapidamente dissipadas ao ver jogar a selecção nacional.
De Patrício a Ronaldo, passando por Nani, Moutinho, Veloso, Carlos Martins e Quaresma, a “equipa de todos nós” encontra na capacidade formadora do Sporting o sustento para o sucesso. Mais, foi em Alvalade que o actual seleccionador, Paulo Bento, viu ser-lhe dado tempo mais do que suficiente para fazer o estágio depois de ter decidido ser treinador. E, já agora, temos uns sub-21 a girarem em torno do André Martins.

Ora, não me irrita nada ver confirmada a nossa capacidade formadora aos olhos do mundo inteiro. O que me irrita, profundamente, é a falta de respeito para com o clube que, como poucos, tem feito um esforço para apostar no talento do jogador português (e, atenção, a invasão estrangeira doactual plantel é, quanto a mim, uma bem pensada estratégia para permitir o crescimento dos próximos talentos sem a exagerada responsabilidade de terem que carregar a equipa às costas). O constante passar da mensagem de que o Sporting é uma espécie de terceiro clube em Portugal, mais próximo de um Braga desta vida do que dos outros fidalgos que vão mexando os cordelinhos nos bastidores. Ou, durante o relato de um jogo, mais depressa recordar que um matreco qualquer da Bósnia ganhou ao Sporting uma final da UEFA, do que sublinhar as origens verde e brancas de metade de uma selecção que, sem eles, seria mais do que vulgar.

E como se não bastasse termos que conviver com este universo futebolístico de merda, ainda temos que levar com um preto de merda (se alguém se ofender é estúpido, ele mesmo o disse), que na pele de embaixador desta selecção vai ver alguns euros extra a engrossarem-lhe a conta (que depois gastará nas putas, ali para os lados da Duque de Loulé), a dizer que não gosta nada, mas mesmo nada do Sporting.
A verdade é que, sem Sporting, nem este preto de merda nem todos os que, constantemente, desrespeitam o maior clube português, iriam, lá para o início do Verão do próximo ano, poder esquecer a crise e as suas vidinhas de caca enquanto assistem aos jogos da selecção.

A camisola

Lembro-me como se fosse hoje. Quase a fazer sete anos, disse ao meu pai que a prenda que queria era o equipamento do Sporting. E umas chuteiras.
Fomos à Casa Senna, ali na baixa, e os meus olhos só descansaram quando pousaram sobre aquela camisola listada a verde e branco, golas em bico, num modelo criado pela saudosa Le Coq Sportif. Os calções, pretos. E as meias, de algodão daquele que parecia servir para fazer cachecóis. Ao fundo, noutra secção, as chuteiras. Da Puma, pretas, com uma risca branca na parte interior e verde no exterior. «Feitas à medida», pensei eu.

Os meus pensamentos que, com toda a certeza, já me estariam a colocar no relvado do velhinho Alvalade, foram travados por uma constatação: tudo junto excedia a disponibilidade monetária dos meus pais. O pensamento bloqueou, o coração acelerou. Senti-me demasiado novo para uma escolha tão complicada. Mais complicada do que, com menos dois anos, ter decidido fugir do infantário perante a hipótese de ficar fechado às escuras.
Calculo que o “sr da loja” tenha lido os meus pensamentos, porque apressou-se a trazer-me uma réplica da camisola oficial. Estava tudo no lugar, menos o símbolo da Le Coq e o Leão no lado esquerdo do peito. «Depois é só cozer este, que vai de oferta», disse ele, estendendo um símbolo do Sporting pronto a ser colocado no devido lugar.

«Eu não levo as chuteiras», afirmei, com um soluço de choro encravado na garganta, preso à masculinidade martelada de que um homem não chora. «Tens a certeza?», pergunta-me o meu pai. «Tenho». «Então e jogas com o quê calçado?». «Com os Sanjo».
Chego a casa. Mostro o equipamento à minha mãe e ao meu irmão. «Quando não me servir fica para ti», disse-lhe numa tentativa de passar o meu Sportinguismo a um miúdo de três anos e meio. Corro para o meu quarto e coloco o equipamento em exposição, no cadeirão. Não sei quantas vezes olhei para ele, até adormecer, ansiando a chegada do dia seguinte onde, orgulhosamente, envergaria a mais bela camisola do mundo numa rua onde o núcleo de amigos era de seis lampiões para dois leões.
E, num campo onde as balizas eram pedras da calçada empilhadas, cheguei à conclusão de que, com aquela camisola, até podia jogar descalço.

p.s. – esta memória foi revitalizada pelo desafio, lançado pelo Godinho, de, no próximo domingo, irmos todos à bola vestidos de verde e branco.

Cultivar o espírito de vitória

«O Sporting assegurou este sábado o primeiro lugar do Grupo 2 do Torneio NextGen Series, com uma vitória, por 4-3, diante do Molde. A formação orientada por Ricardo Sá Pinto alcançou, na Noruega, o quarto triunfo em cinco jogos disputados na competição, pese embora tenha actuado sem os jogadores que representaram a equipa principal no particular com a selecção de Angola, na passada quinta-feira.
Mateus Fonseca (4´) e Alexandre Guedes (27´) apontaram os golos do leão na primeira parte, pertencendo a Invar Erlien Furu (14´) o tento do Molde nos 45 minutos iniciais. João Mário (47´ e 55’) bisou na etapa complementar e colocou o resultado em 1-4. Zlatko Tripic (79´), de grande penalidade, e Simon Markeng (81´) fixaram o marcador em 3-4 final.»

É capaz de não ser má ideia abrir as portas de Alvalade sem cobrar bilhete para, na quarta, às 20h, haver um considerável número de Leões a aplaudir “estas crias” frente ao Liverpool.

Funge, funge, bandido!

Somos uma merda! Uma vergonha! Mergulhámos na lama o nome do Sporting! O Domingos devia lervar nos cornos por não ter dito ao Godinho Lopes para ir sozinho a Angola (e o Godinho é uma merda por não ter conseguido vestir a camisola ao Mantorras)! Estamos fodidos, pá, com esta equipa estamos desgraçados contra o Braga e contra o Benfica. Uma vergonha, foda-se! Não respeitam a camisola! Todos para a rua, caralho!

1…2…3… respira fundo… iiisso… vá, novamente…

Não, eu não fiquei feliz por levar quatro batatas de Angola. Mas tenho a capacidade para perceber que aquela não é a equipa do Sporting que nos faz sonhar com conquistas. Tenho a capacidade para perceber que não é com aquela equipa que vamos defrontar Braga e Benfica. E que aquela gente nunca tinha jogado junta na vida. Tenho a capacidade para perceber que, sim, o timing da marcação do jogo é bastante questionável mas que, com toda a certeza, o Domingos não pensava que ia ter tanta gente no estaleiro. E, mais ainda, o Domingos não tem ainda um estatuto que lhe permita questionar este tipo de decisões e que esta decisão abre uma porta que poderá permitir que alguns dos dólares que têm enchido a peida ao nosso vizinho, venham parar a Alvalade (e quem acha que deixavam o Sporting apresentar-se só com júniores, está muito enganado).
No fundo, eu tenho um mau perder do caralho, mas também tenho capacidade de dizer-vos que me irritam pessoas que, quando estão bem, fazem questão em arranjar problemas e preocupações. Se quiserem ficar o fim-de-semana fechados em casa, em depressão, estão à vontade. Eu vou continuar a a dar prioridade ao facto de não se ter lesionado mais ninguém, de até ter havido um puto a brilhar e de, há quatro ou cinco dias, termos ganho pontos a todos os nossos adversários e podermos afirmar que só dependemos de nós para conquistar aquilo que realmente interessa.

Que a festa seja isso mesmo

E que o jogo desta tarde, em Luanda, não termine com alguns dos nossos principais jogadores no estaleiro (sim, percebo a importância de abrir aquele mercado, percebo o peso dos dólares angolanos, percebo que 700 mil euros por um jogo sabem sempre bem, até percebo a piada de enfiar a verde e branca pela tola do Mantorras. Mas permitam-me dizer-vos que preferia ver Capel, Carrillo e Wolfs longe de um jogo que tanto pode ser uma festa, dando minutos a vários jogadores, como transformar-se num pesadelo).

p.s. – Carriço também está lesionado. É oficial. Estamos sem centrais. E quase sem defesa. Gostava de perceber isto…