o Clube de Portugal

É o Sporting, mas isso já nós sabemos. Mas, caso dúvidas subsistissem, seriam rapidamente dissipadas ao ver jogar a selecção nacional.
De Patrício a Ronaldo, passando por Nani, Moutinho, Veloso, Carlos Martins e Quaresma, a “equipa de todos nós” encontra na capacidade formadora do Sporting o sustento para o sucesso. Mais, foi em Alvalade que o actual seleccionador, Paulo Bento, viu ser-lhe dado tempo mais do que suficiente para fazer o estágio depois de ter decidido ser treinador. E, já agora, temos uns sub-21 a girarem em torno do André Martins.

Ora, não me irrita nada ver confirmada a nossa capacidade formadora aos olhos do mundo inteiro. O que me irrita, profundamente, é a falta de respeito para com o clube que, como poucos, tem feito um esforço para apostar no talento do jogador português (e, atenção, a invasão estrangeira doactual plantel é, quanto a mim, uma bem pensada estratégia para permitir o crescimento dos próximos talentos sem a exagerada responsabilidade de terem que carregar a equipa às costas). O constante passar da mensagem de que o Sporting é uma espécie de terceiro clube em Portugal, mais próximo de um Braga desta vida do que dos outros fidalgos que vão mexando os cordelinhos nos bastidores. Ou, durante o relato de um jogo, mais depressa recordar que um matreco qualquer da Bósnia ganhou ao Sporting uma final da UEFA, do que sublinhar as origens verde e brancas de metade de uma selecção que, sem eles, seria mais do que vulgar.

E como se não bastasse termos que conviver com este universo futebolístico de merda, ainda temos que levar com um preto de merda (se alguém se ofender é estúpido, ele mesmo o disse), que na pele de embaixador desta selecção vai ver alguns euros extra a engrossarem-lhe a conta (que depois gastará nas putas, ali para os lados da Duque de Loulé), a dizer que não gosta nada, mas mesmo nada do Sporting.
A verdade é que, sem Sporting, nem este preto de merda nem todos os que, constantemente, desrespeitam o maior clube português, iriam, lá para o início do Verão do próximo ano, poder esquecer a crise e as suas vidinhas de caca enquanto assistem aos jogos da selecção.

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A camisola

Lembro-me como se fosse hoje. Quase a fazer sete anos, disse ao meu pai que a prenda que queria era o equipamento do Sporting. E umas chuteiras.
Fomos à Casa Senna, ali na baixa, e os meus olhos só descansaram quando pousaram sobre aquela camisola listada a verde e branco, golas em bico, num modelo criado pela saudosa Le Coq Sportif. Os calções, pretos. E as meias, de algodão daquele que parecia servir para fazer cachecóis. Ao fundo, noutra secção, as chuteiras. Da Puma, pretas, com uma risca branca na parte interior e verde no exterior. «Feitas à medida», pensei eu.

Os meus pensamentos que, com toda a certeza, já me estariam a colocar no relvado do velhinho Alvalade, foram travados por uma constatação: tudo junto excedia a disponibilidade monetária dos meus pais. O pensamento bloqueou, o coração acelerou. Senti-me demasiado novo para uma escolha tão complicada. Mais complicada do que, com menos dois anos, ter decidido fugir do infantário perante a hipótese de ficar fechado às escuras.
Calculo que o “sr da loja” tenha lido os meus pensamentos, porque apressou-se a trazer-me uma réplica da camisola oficial. Estava tudo no lugar, menos o símbolo da Le Coq e o Leão no lado esquerdo do peito. «Depois é só cozer este, que vai de oferta», disse ele, estendendo um símbolo do Sporting pronto a ser colocado no devido lugar.

«Eu não levo as chuteiras», afirmei, com um soluço de choro encravado na garganta, preso à masculinidade martelada de que um homem não chora. «Tens a certeza?», pergunta-me o meu pai. «Tenho». «Então e jogas com o quê calçado?». «Com os Sanjo».
Chego a casa. Mostro o equipamento à minha mãe e ao meu irmão. «Quando não me servir fica para ti», disse-lhe numa tentativa de passar o meu Sportinguismo a um miúdo de três anos e meio. Corro para o meu quarto e coloco o equipamento em exposição, no cadeirão. Não sei quantas vezes olhei para ele, até adormecer, ansiando a chegada do dia seguinte onde, orgulhosamente, envergaria a mais bela camisola do mundo numa rua onde o núcleo de amigos era de seis lampiões para dois leões.
E, num campo onde as balizas eram pedras da calçada empilhadas, cheguei à conclusão de que, com aquela camisola, até podia jogar descalço.

p.s. – esta memória foi revitalizada pelo desafio, lançado pelo Godinho, de, no próximo domingo, irmos todos à bola vestidos de verde e branco.

Cultivar o espírito de vitória

«O Sporting assegurou este sábado o primeiro lugar do Grupo 2 do Torneio NextGen Series, com uma vitória, por 4-3, diante do Molde. A formação orientada por Ricardo Sá Pinto alcançou, na Noruega, o quarto triunfo em cinco jogos disputados na competição, pese embora tenha actuado sem os jogadores que representaram a equipa principal no particular com a selecção de Angola, na passada quinta-feira.
Mateus Fonseca (4´) e Alexandre Guedes (27´) apontaram os golos do leão na primeira parte, pertencendo a Invar Erlien Furu (14´) o tento do Molde nos 45 minutos iniciais. João Mário (47´ e 55’) bisou na etapa complementar e colocou o resultado em 1-4. Zlatko Tripic (79´), de grande penalidade, e Simon Markeng (81´) fixaram o marcador em 3-4 final.»

É capaz de não ser má ideia abrir as portas de Alvalade sem cobrar bilhete para, na quarta, às 20h, haver um considerável número de Leões a aplaudir “estas crias” frente ao Liverpool.

Funge, funge, bandido!

Somos uma merda! Uma vergonha! Mergulhámos na lama o nome do Sporting! O Domingos devia lervar nos cornos por não ter dito ao Godinho Lopes para ir sozinho a Angola (e o Godinho é uma merda por não ter conseguido vestir a camisola ao Mantorras)! Estamos fodidos, pá, com esta equipa estamos desgraçados contra o Braga e contra o Benfica. Uma vergonha, foda-se! Não respeitam a camisola! Todos para a rua, caralho!

1…2…3… respira fundo… iiisso… vá, novamente…

Não, eu não fiquei feliz por levar quatro batatas de Angola. Mas tenho a capacidade para perceber que aquela não é a equipa do Sporting que nos faz sonhar com conquistas. Tenho a capacidade para perceber que não é com aquela equipa que vamos defrontar Braga e Benfica. E que aquela gente nunca tinha jogado junta na vida. Tenho a capacidade para perceber que, sim, o timing da marcação do jogo é bastante questionável mas que, com toda a certeza, o Domingos não pensava que ia ter tanta gente no estaleiro. E, mais ainda, o Domingos não tem ainda um estatuto que lhe permita questionar este tipo de decisões e que esta decisão abre uma porta que poderá permitir que alguns dos dólares que têm enchido a peida ao nosso vizinho, venham parar a Alvalade (e quem acha que deixavam o Sporting apresentar-se só com júniores, está muito enganado).
No fundo, eu tenho um mau perder do caralho, mas também tenho capacidade de dizer-vos que me irritam pessoas que, quando estão bem, fazem questão em arranjar problemas e preocupações. Se quiserem ficar o fim-de-semana fechados em casa, em depressão, estão à vontade. Eu vou continuar a a dar prioridade ao facto de não se ter lesionado mais ninguém, de até ter havido um puto a brilhar e de, há quatro ou cinco dias, termos ganho pontos a todos os nossos adversários e podermos afirmar que só dependemos de nós para conquistar aquilo que realmente interessa.

Que a festa seja isso mesmo

E que o jogo desta tarde, em Luanda, não termine com alguns dos nossos principais jogadores no estaleiro (sim, percebo a importância de abrir aquele mercado, percebo o peso dos dólares angolanos, percebo que 700 mil euros por um jogo sabem sempre bem, até percebo a piada de enfiar a verde e branca pela tola do Mantorras. Mas permitam-me dizer-vos que preferia ver Capel, Carrillo e Wolfs longe de um jogo que tanto pode ser uma festa, dando minutos a vários jogadores, como transformar-se num pesadelo).

p.s. – Carriço também está lesionado. É oficial. Estamos sem centrais. E quase sem defesa. Gostava de perceber isto…

A PUTA da Catarina tem um rabo bem apertado…

(cantemos, ao ritmo da infantil “Saia da Carolina”)

Catarina, não vais levar a mal. Afinal, o sentido de humor é fundamental…

Dedicado à Catarina Homem Marques (https://www.facebook.com/profile.php?id=1122134629) pela demonstração de falta de respeito e de “lampionismo” primário que todos podem comprovar em  http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ezsQFquSmtQ