O cozinheiro fantasma

Quando estamos perante um acontecimento como este, volta a fazer-me enorme confusão o silêncio de, por exemplo, Luís Duque. Mas mesmo que o boneco da Michelin não queira falar, que tal alguém do departamento jurídico vir esclarecer os adeptos sobre tudo o que envolve o negócio Yannick?
Se existia coisa que era urgente combater, era a ausência do chef e dos ajudantes de cada vez que cheirava a esturro na cozinha. Neste momento, o cheiro a refogado é tal que até já me sinto agoniado (já agora, o comunicado sobre a cedência do Boji9 é uma merda. Custava dizer aos sócios e aos adeptos como é que vai processar-se o pagamento do ordenado do rapaz?)

Ya, nick!

1 – Não gosto nem nunca gostarei de ver jogadores formados em Alvalade com a camisola de Benfica ou de Porto.
2 – Não vou ser hipócrita e estar agora a dizer que Yannick faz falta e que é um grande jogador. O Sporting deu a Yannick mais oportunidades do que ele teve para marcar de baliza aberta ou para aprender a dominar uma bola de primeira. Obrigadinho pelo jogo contra os lamps, obrigadinho pelo jogo contra os tripas, obrigadinho por mais meia dúzia de jogos. É pouco, claramente, para quem tem tantos tiques de vedeta (o desfile de penteados era patético).
3 – Jesus quer fazer dele um jogador de topo. Ok, está no seu direito. Tal como estava no direito de achar que César Peixoto era um grande jogador ou Roberto e Júlio César uma grande dupla de guarda-redes. Aliás, até quero ver quem é que o Jesus vai tirar da equipa. (já agora, onde pára o Balboa?)
4 – A seu favor, Yannick continua a ter o factor físico, nomeadamente o arranque e o sprint sem bola (com bola a relva vira gravilha). E aquela vontadinha de mostrar que é um craque. Resta saber como é que o puto mimado, que amua quando marca golos, vai gerir o lugar no banco.
5 – Nunca assobiei Yanick ou qualquer outro jogador que vista a camisola do Sporting. Mas, a partir de agora, passou a ser adversário. E caso lhe fuja a boca para o disparate e decida cuspir no prato onde comeu, sou gajo para tratá-lo à moda do Javardo Garcia.
6 – Não sei quem, mas alguém vai ter que pagar os 4 milhões que estão a faltar na contabilidade.

Oito e meio

Num mundo perfeito, o Sporting teria regressado às vitórias com uma grande exibição. Infelizmente, como o mundo não é perfeito, o Sporting limitou-se a cumprir a obrigação e a regressar às vitórias. «Não podemos passar do 8 ao 80», disse Domingos. Concordo, embora tenha faltado naquela sala um jornalista capaz de perguntar-lhe se ele já tinha percebido as razões de ter passado do 80 para o 8.

Olhando para o que se passou ontem, eu diria que o Sporting passou do oito para o oito e meio. Deu um pequeno passo, aos tremeliques, como qualquer comilão de Cerelac. E manteve-se em pé à custa do mano mais velho, que bebe claras como o Rocky e, perante os receios dos mais novos, assumiu a responsabilidade.

Nas bancadas, mais de 38 mil leões, muitos deles em formação, aplaudiram o resultado. Os mais pequenos regressaram a casa sorridentes. O Sporting ganhou. Viram alguns dos seus jogadores preferidos. Puderam ir ao estádio vibrar com um jogo a horas decentes. Os mais velhos, regressaram a casa preocupados. Porque voltaram a ver uma equipa sem fio de jogo. E sem ideias. E um treinador a insistir em ideias que já se viu que não resultam (ainda não deu para ver que o Neto não é trinco?).

Salvou-se, pois então, a vitória, fundamental, e mais uma demonstração de Sportinguismo por parte dos adeptos (já tinha sido de assinalar a presença de mais de 17 mil pessoas para assistir ao jogo com o Moreirense), que mesmo numa fase de desilusões consecutivas voltaram a dar um voto de confiança a toda a estrutura do futebol. Se saberão aproveitá-lo, é a pergunta que fica.

Palavras

Depende sempre da interpretação de quem ouve, o resultado daquilo que dizemos.
Não pude, por isso, deixar de considerar aberrantes, as palavras de Sousa Cintra, afirmando que está tudo bem no Sporting, que não existe crise nem nenhuma anomalia. Claro que o ex-presidente já nos habituou a tiradas estranhas, mas esta só me dá vontade de perguntar-lhe se é parvo ou se já se juntou ao ilustre Soares Franco na teoria de que ir à Champions já é fixe.

Estranhas foram, também, as palavras de Domingos, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo desta tarde (finalmente, um jogo à tarde em Alvalade): «a jogar em casa, terá de ser um meio-campo muito mais criativo e ofensivo que noutros jogos». Fiquei sem saber se Domingos criticava a postura tida em jogos anteriores, se assumia que existe uma estratégia diferente quando se joga fora ou contra adversários superiores ao Beira-Mar. É que, pelo menos para mim, só há uma de montar uma equipa do Sporting, principalmente em jogos do nosso campeonato: com um meio-campo ofensivo e a pensar em ganhar.

Por todas estas possibilidades interpretativas, há quem defenda que há imagens que valem por mil palavras. Eu diria mais. Há imagens que, juntamente com as palavras certas, nos deixam sem saber o que dizer. Ou perante tamanho descarregar de emoções, resumir tudo num único grito: Sporting!

 
Actualização: ao passar numa banca de jornais, não pude deixar de reparar na vergonhosa e propositada quase ausência de palavras sobre o que se passou ontem, na Feira. É a merda de futebol, de imprensa e de país que temos.

Gostava muito de vos ver (ao vivo) leõezinhos

Mas vai ter que ser pela televisão. É uma pena que o “irresolvível” problema da relva vos impeça de jogar em Alvalade (tal como impede a equipa principal de treinar), mas acredito que os Leões do centro saberão deixar as bancadas de Leiria bem compostas e ajudar os nossos a ganhar ao Inter de Milão e a passar à meia final do Next Gen.
Para a posteridade, fica uma frase de Sá Pinto na antecipação ao jogo: «Espero que percebam a sorte que têm em representar o Sporting».
Não seria mal pensada gravá-la na parede do túnel de acesso ao balneáreo da nossa equipa principal. Em várias línguas, de preferência.
Força putos! Força Sporting!