Sporting? Mas qual Sporting?

Na noite em que Domingos deixou muito boa gente a pensar se terá capacidade para treinar um clube como o Sporting (Polga emprestou as orelhas de burro ao Rodriguez e regressou como titular, João Pereira continua a fazer merda como se não se passasse nada, Renato Neto voltou a saltar da bancada para o onze, André Martins ficou esquecido no banco, Jeffren foi ponta porque se descobriu que, depois de dois jogos como titular, Ribas está sem ritmo e a melhor forma de conquistá-lo é ficando sentado e, como seria de esperar, a equipa apresentou um fio de jogo com a visibilidade de um fio de pesca) o meu pensamento centra-se, em primeiro lugar, num homem: Godinho Lopes.

Diz o bom do Godinho, que acha que o ciclo de vitórias criou muitas expectativas, mas que a direcção por si liderada nunca pensou que fosse chegar, ver e vencer.
Curioso que, aproveitando esse mesmo ciclo de dez jogos a ganhar, Godinho Lopes tenha proferido uma das frases mais estúpidas e presunçosas de que tenho memória: «Sinto que se não tivesse vindo para cá, se não tivesse a equipa que tenho, se não tivesse feito o investimento que fiz, o Sporting tinha acabado».
Eu não sei a que Sporting se referia Godinho Lopes. Sei que, neste momento, este Sporting que ele se orgulha de ter mantido, me faz lembrar aquele Sporting que vivia ligado ao ventilador, com a pequena diferença da alienação de parte dos passes dos jogadores aos fundos que o actual presidente tanto criticou durante a campanha. O resto? O resto são patéticas sessões de decoração de interiores no acesso aos balneários, uma relva onde temos que pedir licença para jogar e uma digressão pelo país para sessões de pura demagogia, junto dos núcleos. Por este andar, ainda o vamos ver a abanar aquela tola de Humpty Dumpty enquanto agita um par de maracas…

O Bloco de Notas do Gabriel Alvez – jornada 16

É um estádio bonito, novo… arejado
Olhanense – Sporting    
23 Janeiro 2012
20h15, Estádio José Arcanjo

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
No Algarve já há pessoal a ir à praia, mas é capaz de ser boa ideia levar um casaco para aguentar o frio da noite. Para quem vai correr atrás da bola, está perfeito.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Na jornada anterior o Olhanense recebeu e venceu o Beira-Mar (2-1), pondo um ponto final em seis jornadas sem ganhar. Vamos ver se Sérgio Conceição volta a apostar no 4-3-3.

Este homem é um Mister
Sérgio Conceição aproveitou o “não” de Sá Pinto para estrear-se como treinador principal. O que vale, não sei, mas já fico feliz por não ter convidado o amigo Toy para entoar o hino do Olhanense.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Esta é mais uma boa oportunidade para tirar algumas notas a respeito de Wilson Eduardo. E para alguém vir dizer que o Mexer dava um jeitão no Sporting…

A vantagem de ter duas pernas!
O enorme Maurício fica pregado ao relavado em qualquer bola mais rápida que seja colocada nas suas costas (principalmente se for pelo chão). E Jeffren tem umas contas a ajustar com Ismaily.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Domingos, penso que sabes tão bem quanto eu que não há volta a dar: é ganhar e ganhar. Jogando bem, jogando mal, de biqueiro para a frente ou para o lado, precisamos dos três pontos para voltar a dar sinais de vida e podermos começar nova série vitoriosa.

Vamos jogar no Totobola
Olhanense – Sporting    2

Idade da inocência

Mais a frio, depois da deprimente noite de quinta-feira, a primeira coisa que me apetece dizer é que deu um jeitão a louca ansiedade do Bojinov. Porquê? Porque, parece-me, mais grave do que o gesto do gajo (já lá vou) foi não sermos capazes de ganhar a um Moreirense que jogava sem seis ou sete titulares. Isto é o mais preocupante e é relativamente a isto que eu gostaria de ver explicações. Ou, se preferirem, como é que se expliqua que, num reveillon, passemos de 1 para 11 pontos do primeiro lugar?!? Que a equipa passe da pressão alta, mandona, colhões a encher os calções e a jogar como pedimos, como se viu na Luz, para esta equipa onde até a alma que já nos evitou dissabores maiores (Paços de Ferreira e jogo em casa com o Nacional para a Taça, por exemplo) parece eclipsar-se?!?
Ah, já sei, Rinaudo. Sim, tudo parece ter começado a tremer com a lesão de Fito, mas não passou tempo suficiente para termos alguém que permita aos dois outros médios jogar mais descansados, aos centrais não terem o peso de agarrar na bola, ao laterais terem a oportunidade de subir logo na construção? De cada vez que penso nisto surge-me no pensamento o exemplo do Milan e de Andrea Pirlo. Não podiam Elias, Schaars ou André Martins terem sido, desde logo, a opção para a máquina funcionar no primeiro momento de construção? (e, sim, eu sei que depois ainda ficámos sem Matias).
Ah, já sei, a equipa emperrou em termos atacantes. Mas será que temos que jogar sempre em 4-3-3? Será que não podemos prescindir de um dos médios e actuar com dois avançados?!? Será que não se justifica existir um plano b táctico que vá para lá de colocar o Ogushi a ponta-de-lança, de inverter os alas ou o triângulo de meio-campo?

Ainda assim, a julgar por grande parte dos comentários, importa é apontar o dedo ao Bojinov. Falemos, então, do Bojinov.
O búlgaro tem sido tudo menos um exemplo de mau jogador de balneário. Sempre que fala pensa no grupo, festeja os golos, sofre no banco, manda o Caixinha para o caralho quando reduzimos, frente ao Nacional. Teve, na quinta-feira, um acto desesperado. Um acto de alguém que precisa de mostrar-se e de sentir-se útil. Fez mal e correu mal, o que justifica um castigo e que lhe retira quase toda a margem junto da maioria dos adeptos. Claro que a imprensa aproveita, como fez, ontem, O Jogo, e escreve que o rapaz era olhado de lado no balneário para, no mesmo texto, dizer que ele era dosmais chegados a Ogushi e Wofswinkel. Come e acredita quem quer, não é? Como grita e pede sangue quem quer, e haverá quem aplauda a sua saída, como se aplaudiu a de Deivid e a de Pinilla, para depois meterem as mãos nos bolsos, a cabeça em baixo e dizerem que foi uma vergonha terem deixado sair esses jogadores.  E, no meio de tudo isto, volto a bater na mesma tecla. Foi um erro de gestão tê-lo deixado de fora contra o Braga, numa clara machadada na motivação que ele poderia ter perante a oportunidade de agarrar o lugar. Se se for, tenho pena. Sobretudo, tenho pena que pouco se tenha feito no sentido de dar a Alvalade a oportunidade de ver um dos jogador que eu fazia questão de ver, ao domingo à tarde, com a camisola do Lecce, na Rai1.

Mas sabem do que é que eu tenho mesmo pena nestas alturas? De ter crescido como adepto. De ter deixado aquela idade da inocência onde acreditava que qualquer Peter Houtman ou qualquer Eskilsson podiam ser os melhores avançados da Europa, que o Rodolfo Rodriguez ia defender tudo, que centrais como Pedro Barny ou Miguel podiam dar conta do recado, que o Ali Hassan podia fazer a diferença e que o Valtinho tinha o remate mais forte do mundo, ou que o Amaral tinha tudo para ser um craque e que o João Luís II e o Edel podiam ser armas secretas para resolver a partir do banco.
Naquela altura, qualquer homem que vestisse a camisola do Sporting tinha que ser defendido até ao fim como fazendo parte da melhor equipa e do melhor clube do mundo. Com eles, acreditava que ia ganhar sempre e quem dissesse e escrevesse o contrário tinha mais era que ir pró caralho. Mas, hoje, parecemos absorvidos pela constante vontade de duvidar. Até de nós mesmos, enquanto adeptos.

Obrigado, filha

10h. Saio de casa para deixar a minha filha em casa da minha sogra.
Enquanto carrego uma cozinha de brincar, a mala com as coisas dela, a minha mochila e o raio do disco externo que se tronou numa espécie de carrapato, faço o meu pensamento dançar entre «a minha filha é mesmo linda», «já descias a escada mais depressa», «filho da puta do jogo ainda me deixa agoniado» e outras coisas que ocupariam demasiado espaço.
Chego ao carro, sento-a na respectiva cadeira. «oh pai, conta uma tória», «já vai», «conta a tória», «espera que eu ainda nem estou dentro do carro», «conta a tóriaaaaaaaaaa… humm…», «qual queres?»
Aproveito o tempo de escolha para dar a volta, abrir a porta e sentar-me.
«Pai, olha o cácol do Poking»
Olho para o lado e lá está ele, à espera da próxima ida a Alvalade.
«É, é o cachecol do Sporting», respondo-lhe feliz por ela não ter a noção do que se passou ontem.
«O meu cácol?»
«Está em casa, amor»
«Cácol di tótia!»
«Sim, o teu cachecol de sócia para quando cresceres mais um bocadinho ires ver o Sporting com o papá»
«Eu sou tótia. Tu és tótio?»
«Sou»
«Piti! Conta a tória!»

Moral da história. Eu sou do Sporting. Desde sempre. Não sei viver sem isso. E esta é apenas mais uma fase má. No dia em que deixar de pensar assim, perco parte de mim. E deixo de ser quem sou.

Como é que se diz «pró caralho!» em búlgaro?

É que é só o que me apetece dizer, depois da miséria que vi esta noite.
Foi tão mau, que me pareceu ver o cabeça de cotonete na tribuna, um cepo (escolham vocês qual) com a braçadeira de treinador, e uma cambada de falhados com a mais bela camisola do mundo vestida.
Acho que o melhor que faço é ir dormir, antes que o meu lado de adepto desesperado tome conta de mim… Amanhã falamos…

Começar de novo

Depois de termos ido ao tapete logo nas primeiras jornadas, soubemos levantar-nos.
Esta segunda queda doeu muito mais do que a primeira, até porque chegámos a acreditar que podíamos chegar ao cinto.
Agora, completamente escafiados na alma e na face, resta-nos cerrar os dentes e provar a toda a gente que podem bater-nos aos pontos, mas não terão o prazer de ver-nos tombar perante um KO técnico.
Está na altura de ripostar. E os golpes desta noite não poderão deixar margem para dúvidas.

p.s. – caso ainda não tenham votado, continua a decorrer até sábado a votação para melhor blogue de desporto do ano. É só ir até aqui e procurar a categoria ‘desporto’.  

A lógica, a falta dela e vai mas é lamber um servette

Ainda ontem defendi que, por uma questão de lógica e de justiça para com os restantes elementos do plantel, João Pereira devia reflectir sobre a muita merda que tem feito, vendo o próximo jogo do banco. Ao olhar para a convocatória, vejo Arias e Pereirinha de fora o que, parece-me, implica que João Pereira venha a ser titular frente ao Moreirense. Estou totalmente em desacordo, tal como discordo da ausência de Rubio nessa mesma convocatória. E, a confirmar-se a titularidade de Ribas, começo a não perceber a compra de Bojinov. Se o treinador acha que ele rende mais nas alas, onde as opções são várias e melhores, se o treinador se mostra pouco interessado em ter um plano de jogo que inclua dois avançados, então que raio está o búlgaro a fazer no plantel?!?

Para equilibrar a balança, Domingos teve, hoje, uma excelente prestação na conferência de imprensa que antecipou o jogo de amanhã, onde nem perdeu a ocasião para afrontar as duvidosas declarações do Godinho (estas, sim, e depois da rábula dos imagens, ficaram aquém do exigido) e onde só faltou perguntar ao Luís Duque se ele acha mesmo que o Sporting não é um clube grande ou se o disparate que disse resultou de ainda estar a arrotar o jantar, numa combinação sonora que lhe toldou o pensamento (até me admiro como é que tamanha barbaridade não ganhou outras proporções na nossa bela imprensa desportiva).
Não vou estar a transcrever tudo, que, quem quiser, pode espreitar aqui e aqui, mas destacaria dois momentos:
– primeiro, a história: «No final do último jogo, houve dois jogadores do Sp. Braga que no acesso aos balneários me disseram: toma! Sabem qual foi a minha reacção? Positiva! A minha reacção, se calhar, na mentalidade de outras pessoas, seria: Hugo Viana, no Valencia não jogava, fui busca-lo, consegui levantar-lhe a carreira e hoje é um jogador diferente. Fogo, faz-me isto!… O Mossoró, era suplente utilizado com o Jesus, comigo fez um grande campeonato, teve uma grave lesão, fui visitá-lo ao hospital…, que ingratidão! Mas eu não penso assim. Penso que formei dois campeões e que aquilo é a minha imagem. E sabem o que quero? De hoje para amanhã quero ouvir o mesmo do Onyewu, do Van Wolfswinkel, quando eles estiverem adaptados a este campeonato, mas para melhor ainda, porque é assim que trabalho. Não fico chateado porque é esse tipo de jogador que quero, é isso que procuro no Sporting».
– depois, uma espécie de resposta ao reaparecimento de Costinha, em versão abutre. «[…] Dá-me a sensação que muita gente que por aqui passou fala de forma ressabiada e quem por aqui queria passar fala de forma injustiçada […] Estou aqui há seis meses mas quando sair do Sporting não vou dizer mal, tal como não disse em Leiria, Coimbra e Braga. Para este clube ser diferente temos de mudar muita coisa, para sermos grandes temos de mudar muita coisa, porque eu quero ganhar e quero dar alegrias aos adeptos»

Aliás, esta é uma carapuça que assenta que nem uma luva às centenas que se assumem como grandes Sportinguistas. Recordo-me de uma entrevista do Costinha, onde o gajo defendia que um dos maiores problemas do Sporting era o facto de haver tanta gente a opinar e sempre pronta a criticar de forma pouco construtiva. Ora, o que este palerma deste ministro (porra, acho que nunca uma alcunha foi tão bem dada) veio, ontem, fazer, foi precisamente contribuir para esse ambiente que, segundo ele, só serve para impedir o clube de ser cada vez maior.
Para ele, para os fadistas e demais artistas, quero mais é que vão lamber um enorme servette de duas bolas. Uma verde e outra branca. Para ninguém colocar em causa o seu sportinguismo.

Pesos, medidas e recadinhos

Nunca considerei bom ver um treinador enviar recadinhos aos jogadores durante as conferências de imprensa. Isso foi, precisamente, o que aconteceu nas duas ou três últimas intervenções de Domingos após os jogos.
Sou da opinião que a liderança deve ser exercida de outra forma. Que as “rabecadas” devem ser dadas em conjunto. E as críticas feitas individualmente.
É claro que há gente que tem que fazer mais e melhor (ou não, no caso de não saber e de estar no Sporting por uma gentileza do destino). O próprio Domingos poderá e deverá fazer mais e melhor. Mas creio que é dispensável alimentarmos as vozes envenenadas de vários meios de comunicação, para quem a desgraça do Sporting é motivo de destaque.

Ainda assim, e já que se repetiram os recadinhos, penso que um dos visados será claramente João Pereira. Não vou bater no rapaz, até porque isso seria simples (não posso com ele, acho-o um buraco a defender e considero inaceitável que tenhamos que colocar-lhe a braçadeira de cada vez que o seu comportamento começa a fugir ao aceitável), mas estou curioso para ver o que Domingos vai fazer. É que, depois de ter deixado Polga de fora e de ter perdido uma excelente oportunidade de tentar recuperar Bojinov (é a minha opinião, conforme puderam ler aqui), não haverá grande margem de manobra para não deixar o tal do João a reflectir no banco de suplentes.
Caso contrário, corre-se o risco de passar para o balneário a ideia de que há dois pesos e duas medidas.