Sonhar com os pés no chão

«No Sporting, sempre me ensinaram que nunca se desiste»

A frase é de Ricardo Sá Pinto e parece ter alastrado a todo o plantel. Mais, parece ter subido as escadas, antes amarelas, invadido os bolsos dos adeptos e contagiado grande parte dos restantes Leões. Tanto, que há já quem arrisque cenários tão belos que terminam num Portugal vestido de verde e branco.
Eu sempre me considerei uma pessoa positiva. Sonhadora, mesmo. E estarei a ser hipócrita se vos disser que já não me passou pela cabeça um final de época mais histórico do que a própria história. Mas, a frio, sou obrigado a colocar os pés bem assentes na terra.

Ok, partamos para um mundo perfeito. Neste fim-de-semana, Benfica e Porto empatam. Braga perde na Choupana e o Marítimo perde em Guimarães. Nós ganhamos em Setúbal, claro. Assim, de repente, deixamos os insulares para trás, ficamos a cinco pontos do terceiro e a nove dos primeiros. Será impossível não deixar a mente vaguear mas, ainda assim, estou em crer que o que fará mais sentido é cerrarmos os dentes e apostarmos tudo no terceiro lugar, o tal que dá acesso à pré da Champions. Isso, sim, parece-me possível alcançar, mesmo sabendo que não dependemos de nós, que o Braga está a jogar bem, que os nossos novos princípios de jogo estão longe de estar assimilados e que as malditas lesões parecem não ter fim (agora foi Capel).

No fundo, faria minhas as palavras de Onyewu. «Primeiro faz o que é necessário. Depois o possível. Quando te deres conta, estás a fazer o impossível!».
E a verdade é que, há duas  ou três semanas, chegar ao lugar menos brilhante do pódio já nos parecia tarefa demasiada.

hoje escreves tu: «Um pouco mais de verde»

Todas as quartas, a voz dos cacifeiros salta da caixa de comenários para a primeira página, naquela que considero uma forma de enriquecer o blogue, de reforçar o Sportinguismo e de agradecer a todos os que, diariamente, ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é ( quem quiser saber as regras, clique aqui).
E o de hoje tem a particularidade de ser escrito por uma Leoa, que assim se torna na primeira mulher a assinar um post no Cacifo. Um grande post, diria eu, subindo a fasquia em relação ao que já de bom tinha sido escrito na primeira semana e aumentando a responsabilidade do escriba que se segue: Oscar Neves.


Um pouco mais de verde
by Lioness

Eram as Barbies. Os laços e as fitinhas. Os Nenucos, nababos numa corte de bonecas. Os tachinhos, os pratinhos, as chaveninhas e os bulezinhos, todos com a pega do diminutivo que (só) cabe numa cozinha em ponto pequeno. E antes que a janela se feche com a pergunta irritada – mas porque “raio” (ou uma caralhada que o valha*) é que eu estou a ler sobre brinquedos de criança (de miúda, ainda por cima!) num blogue sobre o Sporting??!! Por nada. Ou talvez por tudo.

Ao ver o Sá Pinto a cirandar junto ao banco, na passada quinta-feira, enquanto os arruaceiros do Legia nos tentavam escavar o estádio – bem que podiam ter emprestado um centésimo da agressividade ao Juskowiak, podia ser que ainda tivesse marcado mais uns golitos quando por cá passou – dei por mim a pensar não no instante em que me tornei sportinguista, porque não me lembro, mas no exato momento em que tomei consciência disso. E porquê puxar o fio ao novelo das memórias, em vez de gritar, como quem tenta coser o fio de jogo esgarçado da nossa ainda frágil equipa, a ver se remenda em campo os buracos que outros rasgam nos bastidores? Porque o Sá Pinto estava lá, nesse exato momento de que vos falo. Porque nesta passada quinta-feira – 18 anos depois – nos voltámos a encontrar. Mas essencialmente porque continuo a crer (passo a imodéstia) que é por pedaços de história comum como esta que ainda sentamos os dedos nas teclas para escrever sobre o Sporting, como se corrêssemos esbaforidos pelo campo, rumo à baliza. E continuamos a olhar, mesmo quando as vitórias fazem gazeta, para o nosso lugar no estádio como o recanto mais confortável da nossa casa, apesar da cadeira ser dura, de estar um frio do camandro, do gajo da frente não se baixar nem por um segundo e do Izmailov ter falhado aquele golo de baliza aberta, como é que possível, car…aças?! [E sim, bem sei que ele agora se redimiu].

Voltemos às Barbies. Aos lacinhos, às fitinhas e por aí adiante. No tsunami cor-de-rosa que despencava sobre o meu quarto de miúda era difícil manter a cabeça à tona. Foi então que o meu pai – sportinguista dos quatro costados, mas pouco dado a evangelizações à força – resolveu resgatar-me, com uma pincelada verde. Subtil, mas a tinta permanente. Único filho homem no meio de duas irmãs, sem sobrinhos por perto, com um sogro que ligava pouco à bola e sem filho varão para dar continuidade à linhagem sportinguista, apostou que sairia da boca da filha mais nova o rugido de leão (de leoa, neste caso) que tanto ansiou ouvir. E acertou na mouche.

Talvez porque me tenha ensinado a ler nas páginas d’A Bola – já sei que vão dizer que é o jornal dos “lampiões”, mas para mim ler A Bola é como quando mascávamos pastilhas Gorila quando éramos miúdos: sabíamos que aquilo nos ia deixar um buraco nos dentes e outro no estômago do tamanho do Grand Canyon, mas atafulhávamos a boca com aquela porcaria na mesma – ou porque me via devorar livros como o Maniche devora javalis (ou seria o Obélix? Não, esse era um bocadinho mais magrinho), o meu pai ofereceu-me aquilo que, no Sporting havia de mais parecido com um livro (pois, há o Almanaque, mas, lá em casa, almanaques só o Borda d’Água, para saber para que lado sopra o cabelo do Paulo Bento): a caderneta de cromos do Sporting, época 1994/95. A minha primeira caderneta. Tinha eu 6 anos, e uma vida pintada a verde pela frente

Nas janelas numeradas colaram-se primeiro o verso dos autocolantes e depois os meus sonhos. Mal sabia eu que as meninas não jogam à bola – na verdade jogam, eu é que não, que tenho o talento futebolístico de uma love child do King com o Michael Thomas – e já me imaginava dentro das quatro linhas a fazer o gosto ao pé. Ao meu lado, o Sá Pinto, (ainda) com os caninos afiados, como um leão faminto, o Naybet e os seus canudinhos – «Pai, não gozam com ele por ter cabelo de menina? Achas? Levavam logo um papo-seco nas trombas, que ele não é de se ficar!», o Marco Aurélio que me acompanhou até à véspera do primeiro campeonato, o Nuno Valente quando começou a fazer a dieta do Maniche, o Figo com uma farta cabeleira e sem tanta peneira, o Peixe já fora de água, o Costinha aos domingos à tarde, na baliza, com o seu chapéu, o Cintra que nos dá o mote e o Paulinho que nos empresta o Cacifo, o Balakov que o meu pai me ensinou a tratar pelos dois nomes, «como se tratam os génios», e tantos outros de boa e má memória. (Entretanto descobri noutro blogue esta foto, que rematava a caderneta).

E eu que olhava para todos eles, cheia de vontade que o meu pai me levasse mais uma vez (só mais uma!) ao velhinho Alvalade. Como agora, não éramos campeões de nada, a não ser do Queijo Castelões, mas havia garra, carisma, o célebre (e desculpem-me o tom carroceiro) «até os comemos, caralho» (digo eu agora, que na altura desconhecia o vernáculo).
Havia o esforço, a dedicação e a devoção que voltei a ver no rosto do Sá Pinto, 18 anos depois (e é claro que já tinha visto antes, mas ainda não ao leme deste barco desgovernado que tem sido o nosso Sporting, nos últimos tempos). Às vezes, como julgo que aconteça com ele, também me apetece saltar para o campo, abanar os jogadores e dizer-lhes, ao jeito do Jorge Perestrelo, mas adaptado a quem lhe falta a barriguinha: «até eu, com as minhas pernas de alicate, fazia melhor, porra!».

Tal como o Sá Pinto, que porventura não chegou ao lugar que (não tenho dúvidas) sempre quis seu na hora mais certa, talvez também eu não seja a pessoa mais indicada para estar a falar sobre o meu clube, nas quatro linhas de um Cacifo onde provavelmente a maioria dos que aqui se acotovelam me ganham em anos de sportinguismo, em conhecimento futebolístico e em jeito para a bola. Mas é isto que, para mim, é ser do Sporting. É não virar a cara a luta, é ser maior que o tamanho dos nossos sonhos, para pôr os pesadelos atrás das costas. E é arriscarmo-nos a fazer figura de urso (ou ursa leoa) pelo Sporting – que é o nosso grande amor – de sorriso até à testa.

Finalmente, é por isso que depois do esforço, da dedicação e da devoção, acredito poder estar a despontar (mesmo que ainda muito longe) o prenúncio da glória. Que o Sá Pinto esteja no lugar dele, e eu a espreitá-lo do meu, no topo Sul, com a minha velha caderneta debaixo do braço da memória, é o que desejo. E que estejamos todos a celebrar um pouco mais de verde.

*pois é, eu também li o comentário ao anterior “hoje escreves tu”, sobre como o Cacifo se está a tornar numa espécie de cruzamento entre as entrevistas do Daniel Oliveira e o programa As Tardes da Júlia. E aos que partilham dessa opinião, deixo o meu mais sincero: aprendam a ler, foda-se!

Estrela da semana: Izmailov

É, provavelmente, o jogador mais consensual do plantel do Sporting (sim, mais do que Rinaudo). Não conheço um único adepto que não aplauda as suas qualidade técnicas, o seu profissionalismo, o seu espírito de não desistir perante as adversidades. E, assim sem pensar muito, diria que quase todos os Sportinguistas que conheço o consideram o melhor jogador do plantel, opinião partilhada por inúmeros adeptos de clubes adversários.
Não fossem as lesões, Izmailov, Marat para treinadores e colegas, estaria, anualmente e sem grande esforço, entre os três melhores jogadores da nossa Liga. Com uma inteligência táctica bem acima da média, capaz de perceber, enquanto recebe uma bola de costas para o meio-campo adversário, se a melhor opção é virar-se para a linha ou seguir para terrenos mais interiores, é, ainda, dono de um toque de bola elegante que lhe permite jogar ao primeiro toque (escola russa) e de um repertório técnico que lhe dá todas as condições para apostar no lance individual. A isso alia a capacidade de remate, a inteligência para gerir ritmos de jogo e a personalidade que lhe permite não se esconder quando é necessário alguém que assuma o jogo. E, a própósito de personalidade, creio que a forma como colegas, treinadores e adeptos falam dele (e como têm vivido os infortúnios de uma carreira que tinha tudo para ser brilhante), dispensa grandes comentários.

Agora, depois de um calvário de lesões e de tentativas frustradas de regressar à competição, Izma parece estar de regresso. Como quase sempre aconteceu, bastaram alguns minutos nas pernas para começar a fazer a diferença. O golo frente ao Rio Ave, encerra em si todo o Izmailov de quem falei acima. Até a forma como «camarada Marat» caminha para a baliza, respirando como um pugilista, faz dele um jogador único. Para mim, é um privilégio poder vê-lo de Leão ao peito.

Pagar na mesma moeda?

Para nós, adeptos, fez confusão a forma como, de semana para semana, Domingos ia atribuindo as culpas dos maus resultados aos jogadores. E, pese a forma como nunca chegou a espirrar nada cá para fora, é de acreditar que nem todos estivessem ao lado do treinador.
Não deixa de ser curioso que, agora, com Sá Pinto ao comando, comecemos a ouvir frases como a de João Pereira, dizendo que no tempo de Paciência a bola parecia que tinha picos (sim, depois veio dizer que não tinha nada a ver com o treinador), a de Carriço («Sá Pinto é da casa e, como eu, sente o clube. No fundo trouxe muita motivação, ambição, o grupo está unido e demos as mãos pelo mesmo objetivo») ou a de Marcelo («Com o Sá Pinto todos têm de correr, todos têm de marcar»).
Eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que há aqui uma tentiva de deixar bem claro que, afinal, a culpa não era só de quem entrava em campo.

 

Da Rússia com amor

Se motivos faltassem para alegrar-nos, bastaria o golo de Izmailov e o facto de ter jogado 80 minutos para deixar-nos sorridentes. Porquê? Primeiro, porque é de golos destes que os adeptos gostam; segundo porque o nosso futebol ganha uma dimensão superior se pudermos contar com o czar (aquela mudança de flanco, pouco antes de sair, percebendo que o espaço vazio na direita tinha tudo para ser de Elias é fantástica em alguém que já estava esgotado). E para lá do que se ganha em jogo interior quando Izma resolve vir para dentro, não posso deixar de sublinhar os minutos em que esteve na esquerda, formando com Insua e Schaars um trio que me deixou francamente de água na boca.

Mas existiram mais notas positivas. Desde logo, a melhoria exibicional da equipa. Entrámos bem, criámos situações de golo. Fomos mais rápidos a transportar a posse de bola para perto da área adversária (se aprimorarmos esta capacidade de ter a bola, podemos estar a assistir ao início de muitas alegrias). Depois, Elias. Muito bom jogo, com uma intensidade bem acima da média e a funcionar como elástico. Carriço também em destaque, limpando toda aquela zona. E uma dupla de centrais a entender-se à frente de um Boeck que confirmou podermos estar descansados quanto às opções para a baliza.

É uma pena haver jogos de selecção durante a semana, pois seria uma excelente ocasião para Sá Pinto poder ter tempo para trabalhar aquilo que pretende para a equipa, mas fica uma certeza: o Leão dá mostrar de querer voltar a rugir. E, se o conseguir, vai ser curioso assistir ao que vai acontecer nos próximos dois meses.

 

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – jornada 20

« Queremos ser mais ofensivos, criar mais oportunidades, mas nesta altura temos de ser pragmáticos e vencer jogos. Os resultados é que nos vão devolver essa confiança e essa estabilidade emocional para eles voltarem a praticar o futebol que já praticaram este ano» […] «Em relação ao Matias, é de saudar o enorme esforço que fez. Encara o espirito do que é ser jogador do Sporting, com grande coragem e solidariedade para com os colegas. Percebeu que o Marat estava pior do que ele e decidiu que ia ficar até final».

Julgo que estas palavras de Sá Pinto, após vitória sobre o Légia, traduzem na perfeição aqueles que foram identificados como sendo os primeiros passos a dar no caminho da recuperação e da perseguição dos objectivos mínimos: devolver a alma aos jogadores e somar três pontos. E, até ao momento, isso tem sido conseguido, com a introdução de outro pormenor: a tentativa de ter ao máximo a posse de bola. O mais complicado tem sido transformar essa posse de bola, nalguns casos esmagadora, em várias oportunidades de golo e num futebol capaz de fazer abanar o sistema defensivo adversário.

Mas a verdade é que o mais importante tem sido conseguido e, por mais que identifique o Sporting com bom futebol, hoje voltaria a trocar esse prazer por um outro fundamental: a vitória (até porque o Marítimo ganhou, acho que o Braga vai perder pontos e podemos encurtar a distância para o primeiro lugar. Não, não estou a pensar no título, antes no objectivo que tinha sido traçado de não ficar a 30 pontos de mesmo). Essa vitória será tão mais complicada quanto mais tempo demorarmos a marcar um golo, até porque o Rio Ave é superior ao Paços de Ferreira e tem um treinador que sabe o que anda a fazer na maioria das vezes. Mas, porra, e por mais problemas psicológicos que ainda perdurem, o Sporting tem que assumir o favoritismo frente a uma equipa destas.

Quanto à equipa, é uma merda Carrillo não poder jogar. Eu colocaria Pereirinha de início, com Capel à esquerda, guardando Izma para termos uma opção decente no banco. Aliás, confesso que estranho o não convocar de Arias, tendo em conta as limitações nas alas, mas tudo bem. No meio-campo, e com o regresso de Elias, entregaria a posição seis ao brasileiro, com Schaars e Matías à sua frente e os Andrés no banco, para qualquer eventualidade. Lá atrás, Xandão vai ser titular (e vai marcar) e Boeck dá toda a confiança no lugar de um Patrício com alguns problemas físicos (como se viu na quinta-feira).

Resta dizer que o pontapé de saída vai ser dado quando ainda for dia. E que vai estar sol. Haverá melhor programa para fechar o fim-de-semana?

 

Serviço público

«Quando Dias da Cunha foi eleito presidente do Sporting, depressa se apercebeu da falcatrua que era o nosso futebol. Não sabia para que lado se havia de virar. Fui então contactado pelo seu assessor, Carlos Severino, para ver que disponibilidade tinha para trabalhar directamente com o presidente com a função de o alertar dos perigos que o clube corria. Inicialmente não me mostrei muito interessado, mas por outro lado pensei que poderia lutar por dentro e combater a corrupção, até porque a Polícia Judiciária já me tinha como consultor e não me pagava nada. Aceitei, mediante um bom vencimento e com a condição, por mim proposta, de que se não gostassem do meu trabalho despedia-me sem qualquer tipo de indemnização. Fiquei por lá seis anos, mas no meu segundo ano fomos campeões nacionais, principalmente porque o Sporting sabia com 15 dias de antecedência as armadilhas que lhes estavam a preparar. Um exemplo: 15 dias antes avisei o presidente que no jogo X que antecipava um jogo com o Porto, o árbitro da partida seria fulano e que Beto e Rui Jorge iriam ser espicaçados por esse árbitro durante o encontro para este encontrar motivos para os expulsar. No dia do jogo confirmou-se a minha informação. Num outro caso, num jogo decisivo para a conquista do campeonato, frente ao Boavista, soube que o árbitro da partida tinha ido almoçar com Valentim Loureiro, que era presidente da Liga. Avisei o presidente e todos ficaram em pânico. Não sabiam o que fazer porque não havia provas. Disse-lhes que a única coisa a fazer era Manolo Vidal, antes do jogo, quando fosse entregar as fichas aos árbitros, deveria dizer: “Então o almoço de terça-feira foi bom?” Mais nada. Quando o árbitro ouviu aquela pergunta associou de imediato a intenção do delegado ao jogo e ficou em pânico, contou-me depois Manolo Vidal. Durante esse jogo o árbitro até beneficiou o Sporting e fomos campeões. O árbitro não sabia que provas tínhamos e como era internacional, não colocou a sua carreira em risco. Mas a conquista do campeonato desencadeou uma série de invejas dentro do próprio clube e quando dei por ela estava a lutar contra gente que estava a ser paga pelo clube, mas que queria que este perdesse para conquistarem o poder e poderem fazer os seus negócios. Cheguei mesmo ao ponto de saber que os meus relatórios semanais eram entregues, por gente do Sporting, aos nosso principais inimigos, Porto e Boavista. Não sou nem nunca fui sportinguista e nunca escondi isso. Era apenas o meu trabalho»
[…]
«A primeira coisa que fiz, foi convencer Dias da Cunha de que devia fazer uma aliança com o Benfica se queriam conquistar o poder. Sempre disse que o inimigo do Sporting não era o Benfica, mas o Porto e o Boavista da altura. Consegui. Dias da Cunha fez uma aliança com Luís Filipe Vieira e foi à televisão dizer que as cabeças do sistema eram Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Forneci documentos que provavam isso mesmo. O Porto e o Boavista começaram a sentir-se ameaçados e começaram a minar o Sporting por dentro utilizando alguns elementos que hoje continuam no clube. Dias da Cunha não aguentou a pressão e demitiu-se. Pedi a demissão com ele
[…]
«O Porto está zangado com o Sporting e Benfica e a época deles tem sido um desastre, imaginem o que seria se Sporting e Benfica fossem aliados. Tem sido assim ao longos dos 20 anos e os clubes de Lisboa não aprendem. Pinto da Costa é um mestre na acção de dividir para reinar»

Excertos de uma entrevista a Marinho neves, que me parece deveras importante e que merece o meu aplauso ao Cabelo do Aimar.