Nem o caneco, nem o caralho!

«Sofremos esta semana uma enorme deceção, com a derrota na final da Taça de Portugal. Não vale a pena ignorá-lo e cabe-me a mim, como presidente, assumir a derrota. Todos mereciam ter vivido a alegria da conquista, falhei esse objetivo!»
As palavras pertencem a Godinho Lopes, mas esta espécie de mea culpa peca por escassa. Porque, e não há volta a dar-lhe, Godinho e as pessoas que escolheu, falharam praticamente todos os objetivos.

Digo praticamente porque este ano acabou por representar o regresso dos Sportinguistas a Alvalade, em massivo apoio à sua equipa. Do entusiasmo inicial ao clássico frente ao Porto, do bálsamo Liga Europa ao derby com o Benfica, passando por assistências surpreendentes como aquela frente ao Guimarães, foram vários os exemplos de efetivo entusiasmo e efetiva crença nas bancadas. Portanto, esse acabou por ser o lado mais positivo deste ano: o Sporting não esteve de volta, como se anunciava, mas os Sportinguistas voltaram (e trazê-los de volta ao estádio era um dos objetivos propostos).
Nota positiva, ainda, para a conquista do campeonato de juniores e para o acordo com o município de Odivelas para reunir equipa B, atletismo, râguebi, andebol, futsal e basquetebol num único complexo desportivo. Resta saber o que isto representará em termos da prometida construção do Pavilhão junto ao Estádio de Alvalade.

Quanto ao resto, zero. Sim, eu sei que Godinho tinha apontado este como sendo um ano zero neste processo de trazer o Sporting de volta, mas ninguém nos avisou que este seria mais um ano a zeros.

Falhou o objetivo de lutarmos pelo título (e seria triste apontar o o facto de termos ficado a 16 pontos do primeiro, em vez de ficar a 30, como uma conquista), falhou o objetivo de ficar em segundo, falhou o objetivo de ficar em terceiro (e depois ainda vimos o Chelsea ganhar a Champs e ajudar o terceiro português a evitar uma pré), falhou o objetivo de aceder diretamente à Liga Europa, falhou o objetivo da Taça de Portugal (da forma vergonhosa e dolorosa a que todos assistimos), falhou o objetivo da Taça da Liga (contra reservas do Moreirense e afins).

Zero, zero conquistas, numa época em que gastámos dinheiro como há muito não era gasto. E, a propósito de dinheiro gasto, situações como a de Luís Aguiar, Rodriguez ou Bojinov são inaceitáveis. E ainda motivaram a revolução do departamento médico, que tinha vetado estes e outros nomes por não os considerar em condições.

Entretanto, Godinho mandou para casa um dos pilares fundamentais do seu projeto. Domingos, que a par de Duque e Freitas foi apresentado como sendo peça incontornável de uma ideia vencedora, tornou-se incapaz de levar a bom porto essa mesma ideia. Para o seu lugar entrou alguém capaz de apaziguar os adeptos mais inquietos: Sá Pinto. Sportinguista, homem da casa, surgiu como resposta às notícias postas a circular de que Domingos andava a encontrar-se com dirigentes do fcPorto. Godinho e sus muchachos safaram-se e, ironia do destino, num ato de fuga para a frente pouco ou nada pensaram, arriscaram-se a conseguir ir à pré da champions, à final da Liga Europa e a ganhar a Taça. Teria sido um ato de gestão genial, pois teria, mas, e pese todo o sofrimento que me (nos) fez passar, o facto de ter sido feito ao pontapé (aliás, nos últimos anos é assim que o Sporting tem sido gerido) acabou por justificar o morrer na praia.

Depois, há pormenores que não surpreendem. Quer dizer, talvez surpreendam os mais crentes. Olhando para a lista que Godinho apresentou aquando das eleições, tínhamos perante nós madeira para alimentar uma fogueira de vaidades. O que se passou, ontem, com aquele senhor arraçado de sapo, de seu nome Ângelo Correia, a mandar mais uma pedrada nos alicerces podres desta direção, foi apenas mais um episódio a juntar ao «espera aí que vou pôr-me ao fresco» de Carlos Barbosa, aos constantes recadinhos do papagaio Eduardo Barroso e ao triste episódio Paulo Pereira Cristóvão que permitiu aos suspeitos do costume fazerem rebolar o nome do Sporting no lodaçal do futebol português em que outros, há anos, se banham com total impunidade.

PPC que, ao lado de Godinho, fica também ligado à patética rábula da decoração do túnel (foda-se, custava muito encher aquilo de imagens de jogadores nossos a festejar golos?!?), às supostas gravações de incidentes graves na zona dos balneários do estádio da luz, e ao fechar os olhos aos atos vergonhosos praticados pelas claques nos dias que antecederam a final da Taça: primeiro, agrediram que estava à sua frente, na fila, para comprarem bilhetes. Depois, nas suas casinhas, que, diga-se, se situação no nosso estádio, trataram de vender a 50 euros bilhetes que custavam 10. E, na manhã da final, era ver afixados nas respetivas portas folhas com a indicação «bilhetes esgotados».

Costuma dizer-se que o que nasce afinado, perdão, torto, tarde ou nunca se endireita. E a verdade é que, quando olho para o ano em que a minha filha começará a ir ao estádio comigo, corro o risco de oferecer-lhe camisolas onde o cabrão do azul tmn ainda não desapareceu e um clube onde o passivo não pára de aumentar, gerido por pessoas que, caso não arranje um investidor nos confins do mundo e caso a equipa não comece a ganhar logo de início, irá à sua vidinha com a chegada do Outono e nos deixará à beira de mais uma época tão despida quanto as árvores sem folhas.

Quinta-feira, dia de estreias

Independentemente do que venha a ser dito, hoje, na Academia, onde supostamente será feito um balanço da época, a Cherba Frames arranca hoje com uma trilogia sobre o ano desportivo que há dias terminou. «Nem o caneco nem o caralho», «O solista…» «…e os artistas» são os títulos escolhidos para os posts que animarão os próximos dias numa das salas mais leoninas do país; o Cacifo.

Tinhas ordens específicas de quem, oh Domingos?

No lançamento do livro de Fernando Correia “Paulinho, esforço, dedicação e devoção ao Sporting”, o roupeiro dos leões lançou uma bomba: “Ele [Domingos] não me queria no Sporting, mas o presidente Godinho Lopes, o Luís Duque e o Carlos Freitas colocaram o peito à frente e não deixaram. Agradeço-lhes muito. O que ele fez não se faz a um roupeiro”, contou, à margem da apresentação do livro, na Casa XXI, no Estádio de Alvalade (in Diário de Notícias)

Se não fosse o Paulinho a contar, eu não acreditava…

Foda-se, que já estou farto de ouvir falar no Adrien!

O Adrien foi infeliz nas declarações que fez? Foi, principalmente se for verdade que tinha indicações do Sporting para respeitar o blackout (ou seja, estava duplamente de boca tapada, porque a Académica também estava em silêncio). Isso resolve-se, no máximo, com uma multa.
O Adrien devia ter ido chorar para casa, depois de ganhar a Taça? Não.
O Adrien devia ter jogado mal? Não, fez o mesmo que eu faria (e que fez o Cedric): deu tudo o que tinha para mostrar a quem gere o Sporting que evoluiu como jogador, que deixou à vista muito do que de bom lhe era apontado e que merece uma oportunidade de tentar mostrar essa evolução no seu clube de formação (nem que seja na pré-época).

Ah, pois é…

«O Sporting não pode perder uma final contra a Académica de maneira nenhuma», Sá Pinto.

A frase resume, no fundo, o pensamento da nação leonina. Mas, infelizmente, esta é uma frase que nos vem acompanhando há demasiado tempo. Tanto que, ontem, dei por mim a ver o mesmo filme que vi na final da primeira Taça da Liga, onde perdemos, em penaltis, com o Setúbal. As semelhanças? O ridículo de, sendo nós o Sporting, entrarmos em campo preocupados em não dar espaço nas costas da nossa defesa para os lançamentos longos do contra-golpe adversário.
Ora, e peço desculpa se continuo a acreditar num Sporting grande, mas mesmo grande, mas enquanto continuarmos a entrar em campo preocupados com os matrecos que correm muito e podem criar perigo para a nossa defesa, não vamos a lado nenhum. Se alguém tem que preocupar-se, são os adversários, que deviam entrar em campo com o único pensamento de não levarem duas ou três batatas nos primeiros vinte minutos.
Aí, com toda a certeza, o Sporting não perderá finais com as Académicas desta vida!

Inadmissível

A entrada em jogo. E toda a primeira parte.
Acordar para a vida aos 50 minutos.
Esperar mais de 80 para alargar a frente de ataque e deixar bem claro que não custava assim tanto encostar ao autocarro à box.
Encarar desta forma o jogo mais importante do ano.
Inadmissível!

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Final da Taça de Portugal

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Académica
20 Maio 2012
17h00, Estádio Nacional

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
O Jamor vai encher, para aquela que muitos consideram ser a maior festa no nosso futebol. Lamento é que, pelo menos, 15 mil lugares sejam ocupados por amigos de amigos, amigos de amigos de amigos, convites, candongueiros, bilhetes que estavam à venda online e que nunca foram vendidos, bilhetes que antigamente iam da AFL para o clube e que desta vez estavam todos reservados, e por gajos de claques nossas que, segundo sei, tiveram a lata de agredir e ameaçar quem estava na fila para comprá-los (tão típico que já nem espanta). Ah, falta falar dos milhares que não vão há bola durante todo o ano, mas acham chique e giro ir ao Jamor. Sim, estou fodido por não ir face aos motivos atrás enumerados.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Era fixe que acontecesse o contrário, mas a Académica vai jogar fechada, fechando ao máximo as laterais e explorando a velocidade de Edinho, Diogo Valente e Marinho.

Este homem é um Mister
A Pedro Emanuel só desejo que termine com uma enorme tromba e que depois venha dizer que jogou muito bem (como gosta de fazer sempre que nos defronta).

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Os olhos dos Sportinguistas vão estar postos em Cedric e em Adrien. E não posso deixar passar em claro o patético que foi este último sujeitar-se ao papelinho triste de furar o blackout para mandar bocas parvas como a de que a Académica tinha estado perto de ganhar os dois jogos para o campeonato.

A vantagem de ter duas pernas!
Espero que o Abdoulaye Ba tenha que ser internado com os rins partidos e que o Héler Cabral tenha pesadelos com o Izmailov, o Capel e o Carrillo.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Sá, estiveste em grande ao recordar nomes que já não estão no Sporting, mas que contribuíram para aqui chegarmos. E foste ainda maior ao afirmar «Se não tivermos ambição de conquistarmos os troféus, não sabemos estar no Sporting. Ganhar não é a coisa mais importante, é a única coisa importante». Mais palavras para quê?

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Académica   1