A boa medida e a piada de mau gosto

Um gajo termina o dia a saber que a Liga aprovou uma norma, que proíbe os empréstimos de jogadores a equipas que disputem a mesma divisão, e acorda a ver na banca uma capa que me fez recuar uns anos, com a diferença de que o negócio não envolvia um lateral direito para um plantel onde já temos três melhores (até a situação do Lucho estar de saída se repete com a possível ida do Moutinho para Inglaterra).

Portanto, para já, aplaudo a medida tomada pela Liga e recuso-me a acreditar na capa que coloco abaixo. É que, a ser verdade, só posso sentir-me a tremer perante as contratações cirúrgicas anunciadas pelo engenheiro Godinho…

Então, até 2014

Pronto, terminou. Aquilo que foi anunciado como um pesadelo e acabou por transformar-se num sonho. Essa foi, muito provavelmente, a maior conquista desta selecção. Bem maior do que aquela parva vitória moral defendida pelo iluminado do Rosado, segundo o qual devíamos estar orgulhosos por termos obrigado a Espanha a ir a penaltis.

O jogo foi dividido durante os 90 minutos. Podia ter pendido para cada um dos lados, até porque, acredito, este era um daqueles jogos que se decidiria com um golo. Que poderia ter sido de Ronaldo, o mesmo que nem chegou a poder marcar um penalti. Depois, no prolongamento, houve Patrício contra a armada espanhola. Ganhou o Leão, cujas garras parariam de forma genial a primeira penalidade. Depois, os deuses do futebol castigaram uma mão cheia de gente ao mesmo tempo, no penalti de Moutinho. E nem sabiam o que fazer com um Sergio Ramos à Panenka e com um Bruno Alves a fazer pontaria ao ângulo, daí terem-se esquecido de ajudar o Leão Patrício a crescer um pouco mais nas vezes que adivinhou o lado.

Daqui por dois anos, ele voltará a ser o redes desta selecção. Uma selecção que fez por merecer a nossa atenção e que deverá ver a Geração Academia ser reforçada com André Martins e Daniel Carriço. E onde, quem sabe, o facto de estarmos no país do joga bonito permita a Quaresma sair do banco.

A Geração Academia e os loucos

Li, no A Norte de Alvalade, uma expressão interessante. «Geração Academia», assim se apelidava a vaga de jogadores que, na sua maioria, colocam esta selecção a jogar. Já para não falar do treinador, que fez o estágio em nossa casa. E a verdade é que, para lá de embirrações pessoais e cenas de falta de respeito para quem lhes deu o pão a comer, a verdade é que a expressão agrada-me. Nem que seja pelo facto de valorizar o trabalho por nós feito, algo que tanto irrita os adversários.

Entretanto, ontem vi uma capa do Jogo com o  Bojinov a dizer que quer lutar pelo lugar. E eu, que se tivesse tempo continuaria a ir ao Rossio trocar cromos para terminar as cadernetas, confesso que acharia muita piada a ver este gajo bombar em Alvalade, com aqueles pontapés de fora da área que me fizeram começar a segui-lo estava ele no Lecce.

Hoje, é o Luís Aguiar que volta a falar. Mas no que toca a loucuras a meio-campo, confesso que nem o uruguaio nem o tal do Gelson são dignos de destaque quando alguém se lembra do nome Sporting para destacar aquele Anderson que nós tão bem conhecemos e que, volta não volta, é «colocado» fora do Manchester.

Sinais de vida

Isto de  estar de férias no topo de um penhasco, com vista para o mar, é uma maravilha. O problema é acertar as ligações à net, de forma a voltar a fazer o coração do Cacifo bater.

E que melhor forma de tentar esquecer aquela palhaçada no futsal, bem como a saída do melhor jogador português de hóquei em patins da próxima década para compensar a conquista do título e subida de divisão, do que uma entrevista do André Martins onde se pode ler «O Sporting tem um grande significado para mim, porque desde muito cedo deixei a minha família, a minha terra, para representar um clube que me deu tudo […] Vou estar grato, para o resto da minha vida, ao Sporting, por ter sido um clube que apostou em mim»

Está no nosso jornal oficial e aposto que, amanhã, vou ter ainda mais dificuldade em encontrá-lo à venda do que tive para encontrar uma ligação à net (o que eu não faço por vocês).

Nem de propósito

Ontem, dia em que o que a selecção me levou a escrever o post anterior, a nossa Academia celebrava dez anos de vida. Muito já se disse, e já se escreveu, sobre o que temos e o que não temos sabido fazer com a maior fábrica nacional (e uma das maiores à escala mundial) de talentos futebolísticos (dois Bolas de Ouro como expoente máximo), e não será este o momento em que julgo ser necessário acrescentar muito mais linhas a esse histórico.

Limito-me a voltar a dizer que me sinto orgulhoso de ser adepto do clube português que dá a devida importância à formação de talentos nacionais, e que mantenho o sonho de ver o meu Sporting tornar-se constantemente conquistador tendo por base esta política. E, já agora, seria impossível deixar passar o artigo publicado no The Telegraph, naquela que é uma forma simpática de assinalar os dez anos de vida da modernização dos nossos escalões de formação (e que por cá é ignorada).

«[…] How is it that Bento has got this Portuguese team playing such cohesive, diligent football? The answer lies in a place called Alcochete, outside Lisbon. It is the site of Sporting Lisbon’s academy and the birthplace of this Portugal team’s football philosophy. Just as Spain have drawn on Barcelona and Germany on Bayern Munich, the Portuguese have looked to Sporting’s remarkable talent school.

In 2002, Bento was a holding midfielder in the Sporting team that won the double under Laszlo Boloni. It was also the year the club opened the Academia Sporting for developing young players. It is a state-of-the-art facility with seven pitches and an on-site hotel for the players.

Sporting try to get players young, whether from the slums of Lisbon or by casting their scouting net wide, as they did in finding Cristiano Ronaldo on Madeira and Simao Sabrosa in the north of the country.

When found early enough, players are able to adapt to Sporting’s extraordinarily high technical standards. Off the pitch a team of tutors and child psychologists work on their educational development. The attention to detail is incredible: Ronaldo’s bone density was measured to see how tall he would get, and his training schedule was adjusted so as not to put too much strain on him during growth spurts.

When Bento retired from playing in 2004, he took over the youth team. He had played alongside graduates like Ricardo Quaresma, Custodio, Beto, Hugo Viana and Ronaldo and imbibed the Sporting way. He selected all five of those former team-mates in his squad for this tournament.

It was working with the next generation that Bento made his name as a coach. He won the youth title in 2005 and was promoted to first-team duties the following season. It was thought to be a short-term appointment but so successful was he that by the time he resigned in 2009 he was the second-longest serving coach in the club’s history.

The team was built around the players he had nurtured in the youth team. Rui Patricio was promoted as goalkeeper, Joao Moutinho came in as playmaker, Miguel Veloso as holding midfielder, and Nani was brought through to replace Ronaldo on the wing. With this group Bento oversaw four consecutive second-place finishes, two Portuguese Cup victories and Sporting’s first progress beyond the group stages of the Champions League.

Those Sporting players make up the core of the Portugal squad.

Out of the 23, Bento picked 10 graduates to take with him to Poland and Ukraine (Varela also came through the Sporting system) and the Sporting way, albeit with a Bento twist, has been the reason behind their success.

Five of the starting XI are Sporting graduates while Joao Pereira, the right back, and Helder Postiga, the striker, have also played for the club.

The team play 4-3-3, with clearly defined roles for the midfield triangle. The No 4 — Veloso — plays more horizontally, covering when team-mates get forward and serving as the fulcrum of play. The No 8 — Raul Meireles — plays more vertically, trying to get from box to box. The No 10 — Moutinho — has the freedom to make the play, to roam between the lines and unpick the defence with his passes.

The Bento twist is to play with a bit more emphasis on defensive solidity than most Portuguese are comfortable with. His Sporting teams were sometimes criticised for being functional so it was no surprise that he faced the same thing after the German defeat.

Yet Bento is clearly playing to the strengths of his players. He is not being negative but simply seeing how much more dangerous Ronaldo and Nani are when attacking the broken lines of the opposition on the counter. If the Czechs get sucked too far up the pitch it will be very hard to resist Portugal’s transitional play.

At 43 Bento is a young coach, ceding two decades to many of his rivals, but in selecting players who he has played with or coached since they were teenagers he has forged a team with a strong identity. The question now is how much further he can lead them into this tournament. The Czechs face an unenviable task this evening »