Virá mais um avançado?

É a pergunta, a cerca de oito horas do fecho do mercado. Muito sinceramente, acho que não, que não vem. E que avançaremos para os próximos quatro meses com um único ponta de raíz: Wolfswinkel. Pouco? Demasiado. Coisa nunca antes vista, diria eu.
Mas também sou sincero: para trazer um qualquer matreco só para fazer número, valia mais ter tido tomates para ficar com o Bojinov e, face ao seu empréstimo, vale mais ficarmos como estamos: a acreditar que o Viola vai ser transformado num novo Lisandro, que o Rubio vai marcar sempre que for chamado, que o Betinho vai ter uma estreia de sonho num jogo da Taça da Liga e que o Sunil vai fazer um hattrick frente ao Sarilhense, para a Taça de Portugal, e ajudar a vender dois milhões de camisolas lá pela Índia.

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Sorteio que pode ser traiçoeiro

Depois da obrigação cumprida, frente ao Horsens, segue-se o sorteio para a fase de grupos. E, a julgar pelo alinhamento dos potes, podemos apanhar adversários capazes de exigir um Sporting de elevado nível para conseguirmos atingir a fase seguinte.
Do pote 2 seria de evitar o Fenerbahçe, o Nápoles e a Udinese e, do pote 3, dispensaria Lazio, Newcastle e Borussia Monchengladbach.
O sorteio começa dentro de 5 minutos.

ACTUALIZAÇÃO: Basileia, Genk e Videoton (bolinhas amigas)

Pelo menos já há golos

E vitórias (mesmo que natural e obrigatória). E um Elias a jogar mais adiantado, libertando o Carrillo e o próprio Wolfs. E um Carrillo que, volto a dizer, tem que jogar sempre. E continua a haver um Cedric a fazer centos, como se fosse uma máquina de repetição.
De resto, e como muito bem disse Sá Pinto, «a diferença esteve nos golos e no resultado».
Aproveitemos, então, estas cinco doses de Voltaren que, no imediato, nos apaziguam as dores. A ver vamos se se relevam o início da medicação apropriada para combater as inflamações que continuam a preocupar-me.

Carta a Sá Pinto

Agora que já consegui colocar a maioria das ideias no lugar, creio estar em condições de poder dizer-te o que penso sem ter que armar-me em Luís Duque (a propósito, de o vires, junto à caixa da gomas, diz-lhe que faz mais sentido ouvi-lo mais vezes a ele do que ao Eduardo Barroso). Não é fácil encarar uma situação que, se a memória não me falha, é inédita: estar, ainda em Agosto, a questionar o que resta da época, com a amarga sensação de que, em vez de evoluirmos, estamos a retroceder. Mas, vamos por partes.

Ponto prévio. Não ponho minimamente em causa que cada mau resultado seja uma enorme facada em ti mesmo. No fundo, é como se eu estivesse a treinar o Sporting: juntaria à paixão clubística a minha profissão, o que ampliaria o sofrimento. Mas se o facto de ter um treinador Sportinguista pode servir para tornar as conquistas ainda mais saborosas, não posso aceitar que se faça disso critério para escolher um treinador. Nesse caso, eu junto o curso aos anos que passei jogar futebol e candidato-me, até porque sou Sportinguista há mais tempo do que tu (ontem descobri uma foto de grupo, quando entrei para a preparatória, onde, na minha pessoa, para além de um casaco inacreditável, se destaca o facto de estar a utilizar o cachecol do Sporting e um corte de cabelo à Douglas).
E, não querendo colocar em causa as tuas qualidades, continuo com uma certeza: foste escolhido para calar os adeptos e dar margem de manobra a uma direção meio à deriva. Talvez não tenhas percebido isso ou, se percebeste, decidiste seguir em frente acreditando seres capaz de ultrapassar tão arriscado desafio. Sabes que a direção tudo fará para não te deixar cair, pois ficaria sem escudo para negociar com as claques (triste, tão triste esta promiscuidade com gajos que agridem e roubam bilhetes a adeptos do mesmo clube e que, cheios de estilo, assobiam os jogadores enquanto entoam cânticos de apoio ao treinador), mas também correr o risco de, queimando etapas, acabares por deixar fugir por entre os dedos o lugar que tanto desejarias e que, com alguns anos de maturação pelo meio, poderia vir a ser teu sem estas frustrantes e traumatizantes dores de crescimento.

E, a propósito de momentos traumatizantes, parece-me, Ricardo, que não terás dado a devida importância ao que se passou na final da Taça de Portugal. A derrota com a Académica, fruto de um jogo patético taticamente e vergonhoso em termos de respeito pela camisola verde e branca, deixou-te com muito, mas mesmo muito menos créditos para utilizar junto dos adeptos. Esperava-se que esse jogo servisse de lição, mas… nada. Pelo menos a julgar por aquilo que vamos podendo ver.

Temos uma equipa que padece dos mesmos problemas apontados num passado recente: muita posse de bola, poucas ideias sobre o que fazer com ela. Pior, este jogo contra o Rio Ave fez-me recuar ao tempo do maldito losango que qualquer treinador parecia capaz de emperrar. Agora, é o teu 4-2-3-1. Sem capacidade para, sequer, transformar-se num 4-1-4-1 de tão boa memória para nós, quando Duscher deixava Vidigal para trás e se juntava a Barbosa no apoio a Acosta, com as alas entregues a Di Francheschi e Mbo. Os médios parecem peças de xadrez, pesadas, sempre à espera de um empurrão para mudar posições. Os adversários sabem que pouco os incomodamos por ali, dão-nos as alas e convidam-nos a centrar para um gajo perdido entre a defesa contrária. Zero ideias igual a zero golos. Elementar, ainda para mais quando nos mostramos incapazes de aproveitar as bolas paradas.

Mais, dizias, na conferência que antecedeu essa maldita noite de segunda-feira, que existia um plano de jogo e uma tática alternativa. O 4-1-5 em que terminámos, com uma mão cheia de miúdos entregues a si mesmos, sem uma voz de liderança, esperando que um rasgo individual resolvesse qualquer coisa? Com um Carrillo a ter que assumir o jogo, primeiro nas alas, depois a médio, pondo-se a jeito para, depois, ser criticado e assobiado? Valerá a pena perguntar-te qual a lógica de teres mantido o Gelson em campo? Não entregares ao Elias a responsabilidade de agarrar a equipa? Tu acreditas mesmo que os jogos se resolvem substituindo… os três médios a quem concedeste a titularidade (assumes o erro da escolha ou é mesmo falta de génio)? O que é que te passou pela cabeça para, frente à merda do Rio Ave, estares todo preocupado em parar contra-ataques (falhou, tal como havia falhado na Dinamarca, com a triste figura de quatro ou cinco gajos serem “comidos” por dois), repetindo um figurino que, viu-se em Guimarães, não nos leva a lado nenhum?!? Tu achas mesmo que aquela tripla de meio-campo nos dá dinâmica?!? Achas mesmo que o Gelson tem outra utilidade que não a de varrer o meio-campo em jogos taco a taco ou em situações em que tenhamos que preservar a vantagem?

Por fim, e não menos preocupante, o discurso. Para dentro e para fora.
Confesso que, quando te escolheram, acreditei que a tua maior arma seria a capacidade de motivar os jogadores. Aquela final da Taça mostrou, precisamente, o contrário. E estes três primeiros jogos oficiais continuam a passar-me a sensação de que a mensagem não está a passar (com a agravante de estarem a ser criados casos no balneário, com a vontade de despachar jogadores), até porque, depois, chegas a uma conferência de imprensa como a desta tarde e afirmas que a equipa está alegre com o tipo de futebol que pratica. Peço-te desculpa, mas de alegre este futebol tem pouco.
E, depois, o discurso para fora. É muito bonito dizer que somos o Sporting, que não temos medo, que jogamos para ganhar, etc etc, mas penso que devias ter mais ponderação nas palavras que escolhes para aproximar os adeptos. Agradecer-lhes o apoio e fazer-lhes promessas, de nada vale quando entras no ridículo de afirmar que estamos a praticar um futebol de qualidade, que estamos muito fortes ou que a sorte tem sido injusta connosco.

No fundo, Sá, e com muita pena minha, olho para ti e já te vejo como parte do problema. É verdade que não tens culpa que Paulo Bento, Carvalhal, Paulo Sérgio e Domingos me tenham torrado a paciência, com futebol de merda e discursos repetitivos. É verdade que não tens culpa que as nossas direções acreditem que faz todo o sentido continuar a não apostar num treinador de créditos firmados, transformando o Sporting numa espécie de centro de formação profissional para treinadores (e, agora, de adjuntos. É olhar para aquele banco e perguntar quem é que percebe, realmente, do assunto). Mas tens culpa de, por exemplo, me fazeres lembrar a teimosia de Paulo Bento em colocar Custódio a titular, recusando-se a aceitar que Miguel Veloso não era defesa central, perdendo vários pontos à custa disso. E tens culpa de estar a utilizar um discurso que me deixa tão ou mais irritado do que o paupérrimo futebol apresentado.

Ganhar amanhã é uma obrigação, e deverá ser encarado com a maior naturalidade possível. Inaceitável, é que uma obrigação possa servir para camuflar tudo o que não tem estado bem. É por isso que, muito sinceramente, não sei o que esperar dos próximos tempos. Se gostaria que tudo se invertesse? Claro. Já te disse que isto não é pessoal. Se continuo a acreditar que podemos conquistar títulos? Claro, mas, por hora, é mais emocional do que racional. Tal como o que sinto em relação a ti enquanto treinador. Mas algo me diz que ficarás gravado na nossa história. Seja pelas conquistas, seja por não conseguires inverter a situação e provocares um rombo tão grande no nosso barco que, dificilmente, o estado das coisas voltará a ser o mesmo.