Pause

Se eu escrevesse tudo o que me apetece neste momento, seria para mandar tudo e todos para o caralho. E seguir a minha vida com a gaveta verde e branca bem trancada, até me serem dadas provas de que sabe o que anda a fazer-se no meu clube. Seria apelidado de mau Sportinguista e qualquer coisa mais, mas já não sei se é pior isso ou o esforço que faço para tentar convencer-me que não estamos a dar os primeiros passos para mais uma época de frustrações.

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O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga 2012-13, jornada 2

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Rio Ave
27 Agosto 2012
20h15, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Apesar de ser segunda-feira, ainda há muito boa gente a gozar férias, emigrantes ou não, o que pode ajudar a colorir um pouco mais as bancadas. Os dois empates que assinalaram o arranque da época, bem como os preços dos bilhetes que me parecem exagerados para o adversário em causa e para o número de gameboxes vendias até agora, deixam-me sem saber com o que contar para logo à noite. 25 mil leões, arrisco eu.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Derrota em casa com o Marítimo. Foi assim que começou este Rio Ave, que nunca ganhou em Alvalade e que, nas últimas seis visitas, não conseguiu marcar (apesar de só ter perdido 1-0 nos dois jogos mais recentes). Estou curioso para ver se assumem o 4-3-3 com que começaram o campeonato.

Este homem é um Mister
Nuno Espírito Santo, o homem que era para ser um enorme guarda-redes, mas nunca chegou a sê-lo, dá, agora, os primeiros passos como treinador.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Aos 37 anos, João Tomás continua a ser a grande referência dos vila condenses.

A vantagem de ter duas pernas!
Do meio campo para trás, o Rio Ave aposta no samba, por isso é dar-lhes um Carnaval à altura. E é de assinalar a presença de um avançado chamado Yonathan Del Valle, uma espécie de tio à moda da Venezuela.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Sá, depois de dois passos em falso, é obrigatório ganhar. Jogamos em casa, onde conseguiste cimentar algo que considero fundamental para atingir títulos: ganhar sempre. E, logo à noite, tenho a certeza de que criando metade das oportunidades criadas na Dinamarca conseguiremos ter uma noite à Sporting!

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Rio Ave    1

Frustrante

Creio que é a palavra que resume o sentimento da maioria dos Sportinguistas, pelo simples facto de termos defrontado uma equipa fraca, muito fraca, e não termos sido capazes de ganhar.
Mas a verdade, e agora que já arrefeci, é que este era daqueles jogos em que o normal seria termos goleado e resolvido a eliminatória. E, tal como eu tinha pedido, entrámos com vontade de resolver, tanto que, aos 10 minutos, não seria escândalo se estivéssemos a ganhar por mais de um golo. Acontece que Wolfswinkel surgiu na versão “a falhar golos como em Coimbra”, um deles inadmissível, e contra isso não há nada a fazer.

A pergunta que fica é, como teria terminado o jogo, caso uma dessas bolas tivesse entrado? Muito provavelmente, digo eu, com uma goleada. No entanto, e como bem sabemos, o futebol não é feito de “ses” por isso, e em cinco minutos em que foi capaz de sacudir a pressão, o Horsens avisou e, depois, marcou, com a nossa defesa a ficar péssima na fotografia (primeiro é Insua que se faz mal à tentativa de desarme, depois ficam três gajos a olhar para o dinamarquês que encosta). Basicamente, sem saber ler nem escrever, o adversário ficava a ganhar, motivo mais do que suficiente para meter-se na toca. Cedric apareceu mais em jogo, Insua mandou uma bomba, Adrien teve duas boas oportunidades (que cabeceamento miserável, na primeira), Insua voltou a aparecer, agora a criar perigo de cabeça e, a fechar, Carrillo remataria para Ronnow começar a deixar a sua marca no jogo.

A segunda parte começou exactamente como a primeira. Dez minutos lá em cima, com uma monumental defesa a la Schmeichel a evitar o golo de Rojo, seguidos de cinco onde quase se borrava a pintura completamente (primeiro levamos uma bola ao poste, naquele que seria o golo da vida do dinamarquês, depois vale Patrício a fazer-nos lembrar a quem temos entregues as nossas redes). Depois, mais 25 minutos de sentido único: a baliza do Horsens. Carrillo, Wolfs, Labyad, todos tentam, até que, a 10 minutos do fim, o peruano marca, depois de brilhante passe de Labyad a pedir a velocidade e centro de Capel. Até ao apito final, mais coração do que cabeça, na procura do segundo golo.

Resumidamente, será preciso estar descontrolado para achar que não ganhámos o jogo por nada ter feito nesse sentido. Mas é normal que nos descontrolemos quando vemos tantos golos serem falhados e não vemos alternativas atacantes no banco, quando sentimos que estivemos sempre à beira de sofrer um golo nas quatro ou cinco vezes em que os simpáticos amarelos passaram do meio-campo, quando olhamos para o resultado e vemos que não fomos além de um empate contra uma equipa tão inferior, quando sentimos que, ao fim de seis meses de trabalho, Sá Pinto continua com dificuldade em encontrar uma solução a meio-campo que impeça o nosso futebol de se tornar previsível e passível de ser emperrado, por equipas que quase só se preocupam em defender.
Frustrante, diria eu.