Sporting Clube de Portugal

Hoje, pelas piores razões, o nome faz todo o sentido.
Temos uma troika, que, afinada, entrou contra vontade da maioria e colocou o destino da nossa equipa nas mãos de quem não se revela capaz de nos tirar do buraco. Vivemos na austeridade de nos irem aos bolsos, e de nos pedirem esforços e compreensão. Dizem-nos que o duro presente é incontornável para um radioso futuro, mas cada vez menos de nós acreditam nesse futuro.
Portugal teve um 15 de Setembro. O Sporting pode ter um 30 de Setembro. Basta colocar de lado a ideia de que as Assembleias Gerais são para os sócios, e aparecer em massa! (e não se preocupem com os meninos das claques. Estão muito ocupados a preparar novos cânticos de incentivo ao amigo que se senta no banco).

Sem esforço, sem dedicação, sem devoção, e eu defintivamente sem paciência

Acho que chega. Sinceramente.
Chega de querer acreditar, de ser mais emocional do que racional, de tentar ver um pequeno pormenor positivo no meio de tantos negativos, de tentar através do que escrevo, manter a fé leonina em níveis aceitáveis e os leões que por aqui passam unidos em torno de algo.

Esta é a verdade, nua e crua: à quinta jornada de um campeonato onde os nossos principais rivais estão enfraquecidos, frente a quatro equipas que lutam pela manutenção e uma que luta pela Liga Europa, jogando três vezes em casa, temos 6 pontos em 15 possíveis. O futebol que apresentamos chega a roçar o patético. A atitude com que se entra em campo é, quase sempre, vergonhosa. Como não acontecia num passado recente, temos um plantel recheado de bons jogadores, alguns muito bons, mas com os quais não se consegue formar uma equipa. Não há sistema táctico definido, ao fim de 6 + 3 meses de trabalho. Não há um 11 base. E, agora, até já temos um treinador incapaz de passar para fora um discurso pacificador relativamente ao grupo.

Sinceramente, acho que chega. Chega de palminhas junto à linha, chega de gritaria, chega de tentar montar a táctica com o jogo a decorrer, chega de discursos que evocam grandeza sem correspondência nos actos, chega de olhar em frente e de levantar a puta da cabeça, chega de gozar com quem ainda contribui para estarem mais de 35 mil nas bancadas.
Sá, por mim, e acredita que me custa dizê-lo, o teu lugar ficava livre ainda esta noite. E nem te preocupes com o facto de terem-te aumentado o contrato, e ires passar os próximos dois anos a receber. Fizeram um negócio parecido com o teu antecessor. A diferença é que eles sabem que, se te despedirem, também eles vão com o boda, ou seja, se não fores tu a tomares a atitude, os gajos vão continuar a agarrar-te pelos suspensórios indiferentes à queda livre em que nos encontramos.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – Liga 012-013, jornada 5

É um estádio bonito, novo… arejado
Sporting – Estoril
29 Setembro 2012
18h15, Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Um jogo à tarde, meus amigos, num dia em que a chuva vai dar tréguas, em que a temperatura sobe e que tem uma manif a anteceder a ida a Alvalade. Dia cheio, portanto.

A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Estoril chega a Alvalade motivado pela vitória conquistada frente ao Marítimo (embora os insulares tenham ficado reduzidos a dez logo aos cinco minutos), depois de uma derrota e dois empates. Cinco pontos em quatro jornadas não é mau para quem luta pela manutenção.

Este homem é um Mister
Não há muito a dizer sobre Marco Silva, cuja carreira de treinador se resume ao Estoril. Mas achei piada à tentativa do gajo de influenciar a nossa forma de ir ao jogo, ao dizer que o Sporting, frente ao Gil, foi mais ofensivo mas torna-se uma equipa desequilibrada.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva
Haverá a curiosidade de rever Diogo Amado, Hugo Leal será o estratega da equipa, mas o homem em destaque é Luís Leal, pelo hattrick apontado na jornada anterior.

A vantagem de ter duas pernas!
Olha onde anda o Carlitos, o tal que ia ser craque no Benfica e que acabou como estrela do Basileia.

E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Sá, estou muito curioso para ver quais as tuas opções e de que forma vamos ser capazes de capitalizar uma vitória com tanto peso psicológico. Que se mantenha a atitude de segunda-feira e que essa mesma atitude seja expressa por um 11 que não fuja muito a Patrício, Cedric, Rojo, Onyewu (porra, não está cá), Carriço, Ínsua; Rinaudo; Jeffren, Izmailov, Carrillo; Viola e Wolfswinkel. O resto é alcançar três pontos obrigatórios.

Vamos jogar no Totobola
Sporting – Estoril   1

Espero, sinceramente, que os tenham no sítio para emitir mais um comunicado

«O presidente da associação de árbitros de futebol não acredita que tenha havido uma reunião entre dirigentes do FC Porto e do conselho de arbitragem que visava vetar os nomes dos árbitros Duarte Gomes e Bruno Paixão para os jogos do clube azul e branco, como noticia hoje [ontem] o jornal Correio da Manhã.
O dirigente afirmou à Antena 1: “Essa reunião poderá ter existido mas não tenho conhecimento dela e que seja uma reunião nesses termos de vetar árbitros não acredito que assim seja…”

Poderá ter existido?!? Ao que chegou a bandalheira…

Parece-me simples

Não tenho nada contra Gelson, e até aplaudo de pé a postura do gajo, no jogo de segunda-feira.
Mas, parece-me, há algo claro como a água e Sá Pinto terá percebido à força (o, agora nosso, Ricardo, não terá culpa de terem tentado vender-lhe uma infância e adolescência azuis): jogar com um Douglas, é diferente de jogar com um André. Jogar com um Paulo Sousa ou com um Duscher, é diferente de jogar com um Paulinho Santos. Jogar com um Rinaudo, é diferente de jogar com Gelson.

p.s. – também me parece incontornável a ideia, de que Ínsua é titular sem espinhas. Aliás, não deixa de ser curioso, que a mudança tenha começado, precisamente, no regresso destes dois jogadores.

Esforço, Dedicação, Devoção e Lágrimas: o lado racional

Terá valido a pena festejar com lágrimas, uma vitória sobre o Gil Vicente? Terá valido a pena gritar golo a plenos pulmões? Terá a revolução táctica sido pensada, ou fruto da vertigem causada pelo abismo? Terá Sá Pinto percebido que tem mesmo que mexer na rigidez em que amarrou o nosso futebol?

Estas são algumas das perguntas que se colocam, e que são completamente válidas. Afinal, depois de uma pré-época as soluços e de um arranque de época completamente engasgado, uma vitória arrancada a ferros não dá garantias algumas de que entremos no rumo certo. Nem de que Sá Pinto venha a revelar-se o homem certo no lugar certo. Mas dois pormenores ficaram, inegavelmente, demonstrados: primeiro, que a revolução táctica não foi feita assim tão à toa; segundo, que os jogadores acreditam que este treinador pode conduzi-los às desejadas conquistas (basta ver o que Ínsua acabou de escrever no twitter).

Ao entrar em campo numa fusão de 4-4-2 com 4-3-3 (Viola, várias vezes, era mais extremos do que segundo avançado, Pranjic deixava várias vezes a linha para se juntar a Rinaudo e Izmailov no meio), Sá Pinto cortou radicalmente com o Sporting mecânico, em que cada movimento da equipa parecia obedecer a regras de xadrez e onde o espaço para a criatividade ficava, unicamente, entre à inspiração de Carrillo. A entrada em jogo da equipa provou isso mesmo e, confesso, espanta-me ler que vários leões considerem que pouco fizemos para resolver o jogo na primeira parte. Para mim, fizemos a melhor primeira parte da época e, em condições normais, as três ou quatro oportunidades de golo claras (sim, claras) de que dispusemos, praticamente deixariam sentenciada a partida antes do intervalo e obrigariam o adversário a trocar a Marranita por uma Vanette, aumentando as possibilidades de mais golos surgirem.
Pelo meio, como aquele fio de água gelada que entra pelo isotérmico quando se decide ir às ondas no inverno, sofre-se um golo às três pancadas, golpe doloroso numa alma já tão amassada.

Depois, a meia hora do final, o murro completo na mesa. Sá tira um central e coloca Carrillo em campo. Se me disserem que isto não foi ensaiado, acredito. Se me disserem que não foi pensado, duvido. A falta de ensaio notou-se no tempo que os jogadores demoraram a assimilar o novo desenho, na forma muitas vezes atabalhoada como ocuparam os espaços, até no bloqueio cerebral, que podia ter custado um segundo golo e que Rui Patrício resolveu com silenciosa classe. O não ser pensado… não me parece que a entrada de Carrillo seja à toa, tal como a colocação de Izmailov e a forma como ele e Rinaudo se articularam para compensar a dificuldade do russo chegar-se à frente.

Se Sá Pinto teria feito algo do género num outro cenário. Provavelmente, não. Mas fez quando tinha que fazer. Arriscou em demasia?!? Foda-se, mas, afinal, em que ficamos? Se mantém o médio defensivo em campo é um maricas, se assume que temos capacidade para ganhar a adversários destes com as preocupações defensivas quase abaixo de zero é louco? Se querem que vos diga a verdade, Sá Pinto terá feito algo muito aproximado do que qualquer um de nós faria. Mais, Sá Pinto acabou por reforçar a minha tese de que, a jogar em casa contra 90 por cento das equipas do nosso campeonato, é encostá-los lá atrás de tal forma quem nem têm tempo para pensar em contra-ataque. Sim, porque, e custa-me que alguns de nós vão nas cantigas da imprensa desportiva, se o Gil jogou assim tão pouco não é apenas por ser uma equipa limitada; antes porque os nossos jogadores souberam fazer sobressair essa limitação com as diversas recuperações de bola feitas (mas isto não vejo ninguém, com responsabilidades editoriais, escrever).

Terá valido a pena festejar com lágrimas, uma vitória sobre o Gil Vicente? Terá valido a pena gritar golo a plenos pulmões? Terá a revolução táctica sido pensada, ou fruto da vertigem causada pelo abismo? Terá Sá Pinto percebido que tem mesmo que mexer na rigidez em que amarrou o nosso futebol?
Sim. Sim (sempre). Não sei bem. Não sei.
Mas sei que, e já o disse, vi algo sem o qual qualquer genialidade táctica vale tanto como engatar a Monica Bellucci e sofrer de ejaculação precoce: vi todos a remar para o mesmo lado, acreditando no seu líder. E isto é coisa para permitir que o meu lado racional abra espaço à emoção, à fé de puto Sportinguista que, por mais anos que passem, não quero deixar de ser e que só pede que o deixem manifestar-se mais vezes.