Se conseguir passar das palavras aos actos…

«I want football to be played the proper way, with the ball on the ground and every single person in the team playing his part. I want my football teams to entertain as well as win. This is how I was brought up and it’s why I fell in love with the game. Nobody remembers boring football teams, so why would any coach set up his team to be that?», Franky Vercauteren
.

Anúncios

Allez, Franky! Allez!

 

Não faço ideia se será este o homem capaz de inverter o rumo, mas seria preciso ser uma besta para não aceitar este gajo, depois de ter dado voto de confiança aos Zés, aos Paulos, ao Carlos, ao Domingos e ao Ricardo.

Eu até me ria, caso não parecesse tão grave

Godinho toma conta do futebol, entregando o seu braço direito a um advogado amigo. Estamos a brincar à Fantasy League e, por esta altura, já o expert presidente anda à procura de treinador no seu iPad.

ACTUALIZAÇÃO: parece que o homem está escolhido e que assinou até final da época: Franky Vercauteren (não era este que o Freitas queria e que o Godinho não quis?!?)

Ensaio sobre o Godinho (parte 1)

Godinho é presidente. Godinho toma decisões.
Primeiro, Godinho decidiu candidatar-se. Gostava daquela casa, onde já tinha vivido e de onde havia saído sem deixar saudades. Não sabia muito bem como fazê-lo, por isso tratou de convidar todos e mais alguns para a sua lista. O gajo do clube automóvel, o gajo amigo das claques que, em tempos, prometeu trazer o Nedved, e, entre tantos outros gajos, dois para encher o olho aos mais incautos: Luís Duque e Carlos Freitas.
Depois, Godinho decidiu que precisava que alguém lhe debitasse merdas através do iPad, em todos os debates pré-eleitorais, e que dava jeito lançar nomes de bons jogadores para os jornais, associando-os à sua lista. Por fim, assentou a sua campanha em duas ideias chave: afirmar que Duque e Freitas eram garantia de sucesso; assustar o universo leonino com a ideia de que o candidato que mais sombra lhe fazia era um novo Vale e Azevedo.
Em noite de eleições, Godinho decidiu que não podia perder. Falou com os amigos e eternizou uma expressão, independentemente da vergonha a ela associada: afinação. E, bem afinado, subiu a um palco improvisado para um discurso de vitória em que apenas ele acreditava («eu sou o presidente de todos os Sportinguistas»).
Depois, apresentou Domingos. O homem certo, no lugar certo. Domingos, Duque e Freitas, o trio com o qual garantia um «projecto vencedor».
Ao fim de seis meses, Godinho decidiu despedir Domingos. Sem problema, meus caros, porque Godinho decidiu que, afinal, Sá Pinto é que era o homem certo, no lugar certo.
Passaram mais seis ou sete meses, e Godinho decidiu que Sá Pinto tinha que sair.
Atarantado, com aquele ar que desperta em mim vontade de usar um directo de direita com toda a força, Godinho não sabia muito bem o que fazer. Tinha que apresentar um treinador, pois tinha, mas não sabia quem e, ao que parece, não estava muito virado para as sugestões do Freitas (sabia lá o Godinho quem eram aqueles senhores com nomes estranhos). Decidiu comparar-se ao corrupto nortenho, elogiando-o, inclusivamente, enquanto lançava para a fogueira mais um nome capaz de acalmar parte das hostes: Oceano.
Agora, Godinho decidiu que Duque e Freitas não eram, afinal, garantia de sucesso. E decidiu escavacar, de vez, o seu projecto imaginário.

Eu sou capaz de entender a decisão. Afinal, nunca se percebeu muito bem o que é que o Duque ali fazia e, para todos os efeitos, foi ele e Carlos Freitas os responsáveis pelas contratações de jogadores e treinadores (atenção, fica desde já aqui a minha opinião de que, nesse campo, Freitas nos deixa com matéria prima mais do que suficiente para formar uma equipa vencedora).
Agora, o que eu não entendo, e acho do mais vergonhoso e invertebrado, é que Godinho se esqueça do essencial.
Que Godinho é presidente. E que Godinho tomou todas estas decisões.

2 em 11

Muito sinceramente: ontem vi o Sporting fazer algo que não via há bastante tempo: tentar jogar à bola. Mas isso é muito complicado, quando meia equipa se mostra sem tomates ou sem qualidade para envergar a camisola verde e branca. As substituições trouxeram melhorias, a Lei de Murphy encarregou-se de fazer o resto, como bem exemplifica o remate final de Adrien.

Mas que culpa tem a puta da Lei de Murphy, que soframos um golo como o primeiro? Estão a gozar com a minha cara, só pode. É que eu aprendi, acho que no meu primeiro ano de iniciado, que, nos cantos, é obrigatório haver alguém preocupado com as segundas bolas, ou seja, em ocupar a entrada da área. E que culpa tem a Lei de Murphy, que sejamos patéticos ao ponto de levar um golo a partir de um pontapé de baliza? E que culpa tem a Lei de Murphy que a nossa gestão desportiva nos ofereça momentos geniais como a dispensa do Ogushi, para ficar com o Xandão? Que culpa tem a Lei de Murphy, de estarmos a ser liderados e geridos por pessoas que mostram estar mais perdidos do que a mente dos adeptos (sendo as responsabilidades completamente diferentes)? Que culpa tem a Lei de Murphy de, em 11 jogos oficiais, termos… 2 vitórias.

Sim, meus caros. 2 em 11. Patético, não é? É, mas bem mais patético é o estado a que chegámos (ou deverei dizer, a que nos deixámos chegar?).
Chegámos ao ponto de andar ansiosos por uma vitória contra qualquer mija na escada. De olhar qualquer jogo da perspectiva de que algo vai correr mal. De já não estranhar uma derrota. De já não nos revoltarmos com uma derrota (seja ela em que competição for). De assistirmos, de cadeirinha, às constantes guerras internas que adoecem o clube. De aceitarmos que os erros dos árbitros são uma inevitabilidade. Chegámos ao ponto de já não nos respeitarmos. E, enquanto não recuperarmos esse amor próprio, soará a nada a nossa indignação perante o gozo com que a comunicação social, os árbitros e tantos outros nos vão brindando a cada novo dia.

2 em 11, meus amigos. 2 em 11.