Vale o que vale

E, claro, é sempre diferente falar de bolsos cheios. Ainda assim, sabe sempre bem ouvir uma coisa destas: «O Sporting merece todo o meu respeito. É um clube com uns adeptos fantásticos e que não deviam estar a passar por este momento. Um grande Sporting faz falta e há milhões à espera que ele volte», Domingos.

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Sem vergonha, até ao último suspiro

De acordo com o jornal A Bola, o presidente demissionário, Godinho Lopes, no seguimento das críticas/ameaças deixadas por Bruno de Carvalho e José Couceiro, terá enviado uma carta ao líder da Mesa da Assembleia Geral (MAG), Eduardo Barroso, onde, basicamente, limpa as mãos de toda a merda que fez.
«Estamos assim todos perfeitamente cientes de que se vive uma situação de verdadeira emergência, a exigir atuações urgentes e decididas, que o Conselho Diretivo demissionário não está em condições e não pode mesmo tomar. Até às eleições, o Conselho Diretivo mantém-se no seu posto e não enjeita responsabilidades, embora com possibilidades de atuação pelas circunstâncias já descritas muito limitadas […] Assim que seja conhecido o resultado das eleições, os eleitos deverão imediatamente entrar em funções, assumindo plenamente cargos e responsabilidades. Terão a legitimidade e os meios com que necessariamente se muniram para as soluções que certamente terão e para cuja implementação se candidatam.» Godinho Lopes, que revela ter fornecido «aos candidatos toda a informação sobre a situação do clube», lembra que os estatutos, agora, permitem que a tomada de posse dos novos órgãos sociais possa acontecer não imediatamente a seguir à divulgação dos resultados das eleições mas durante um período de quinze dias. Mas avisa que uma demora «só pode agravar ainda mais os problemas», causando um vazio de poder no seio do emblema de Alvalade. Godinho Lopes considera também que o processo que conduziu à sua renúncia fou «incendiário» e lembra que alertou para os riscos da mudança nesta altura.

Inacreditável…

Vitamina B – O professor

Sinto-me completamente descomprometido, para falar de Jesualdo Ferreira. Nunca fez parte do meu leque de treinadores de eleição, tanto em termos técnicos, como em termos de personalidade. E se esta segunda vertente começa a suavizar-se bastante mais com as suas últimas conferências de imprensa, confesso que continuo com bastantes dúvidas no que toca às suas capacidades técnicas. É mau? Não, não é. Mas também me parece que não será um treinador de topo.

A questão é, agora, saber se será ele o nome certo para conduzir os putos. Por aquilo que me parece, o balneário está com ele, e isso é algo muito importante. E o próprio Jesualdo já deu o mote: será necessário contratar três ou quatro jogadores de alto calibre, que sustentem o crescimento dos mais novos; não pedir aos mais novos que carreguem sobre os ombros toda a responsabilidade. No fundo, Jesualdo quer ovos, até porque sabe que foi com ovos como Lucho, Lisandro, Quaresma, Bosingwa, Hulk ou Falcão que fez as melhores omeletes da sua vida (tal como nós sabemos que foi com Schmeichel, André Cruz, Duscher, Pedro Barbosa, Acosta, João Pinto, Jardel, Rui Jorge ou Babb que Inácio e Boloni deram ares de chef)

Posto isto, creio que posso resumir a minha posição da seguinte forma: não sei se valerá a pena estar a “deitar fora” o trabalho que Jesualdo já começou e continuará a fazer até ao final da época, para trazer um Leonardo Jardim ou, bem pior, inventar um novo Mourinho indo buscar um Marco Silva ou um Paulo Fonseca. Mas desconfio que viraremos mais uma página da nossa história sem atacar aquela que, para mim, seria a solução: contratar um Van Gaal, um gajo capaz de ser superior a todas as tricas que dão ritmo ao nosso futebol, um gajo capaz de, efectivamente, ensinar futebol a jogadores de todas as idades, um gajo capaz de dar verdadeiros banhos tácticos (e não de levar, como nos tem acontecido) e de reduzir à sua mediania a maioria dos treinadores que por cá trabalha.

Um treinador bom custa dinheiro. Mais, exige bons jogadores. E, tendo em conta o estado das nossas finanças, até tem dado bastante jeito o desfile de treinadores que trabalham não com o que querem, mas com o que lhes dão.

Vitamina B – Rewind

Quem diria que uma noite que começa com chuva, tocada a vento, que piora com trovoada, com um apagão e com uma derrota que fica na garganta, poderia ficar ainda mais negra? É verdade, ficou. Como? Olhando para os comentários que se seguiram ao jogo. Aquilo que, há menos de uma semana era bom, entusiasmava e era o futuro, passou a ser uma merda que, apenas com sorte, nos permitirá não descer de divisão.

(o escriba faz uma pausa, para respirar)

Faço rewind ao filme do jogo e, penso, será problema meu? É que, muito sinceramente, eu vi uma equipa com os mesmos predicados e defeitos da que ganhou em Barcelos. Os putos foram iguais a eles mesmos, como os descrevi aqui: Bruma, o agitador; Illori, o cabeceador; Dier, o homem de aço; Zezinho, o todo o terreno. E, por exemplo, até Rui Patrício esteve igual, capaz do melhor e do pior. Ou Carrilo, que voltou a dar-me a certeza de que será um crime não potenciar as suas capacidades. E poderia continuar, quase um a um, para explicar o meu ponto de vista onde não falta, sequer, uma entrada a jogar com alegria e a marcar, ou uma mão cheia de erros que se repetiram e que voltaram a ser tiros nos próprios pés. Depois, a arbitragem. Manhosa. Ou perfeita, depende do ponto de vista. Há muito que não me lembro de ver os jogadores do Sporting levarem tanta paulada nas pernas, sendo praticamente impedidos de jogar, com a complacência do senhor do apito que, talvez com medo de molhá-los, deixou os cartões invariavelmente no bolso. Já para não falar nas duas mãos cheia de faltas inexistentes, marcadas perto da nossa área (olha o terceiro golo, por exemplo. Ou o primeiro. Ou, ou…). O Patrício deveria ter sido expulso? Talvez. Muito sinceramente, não sei se a lei que indica expulsão no caso do avançado seguir em linha recta para a baliza, com a bola dominada, se aplica ali. Se sim, erro a nosso favor.

A propósito de erros, não podemos falhar um penalti num momento daqueles. E não me parece, mister Jesualdo, que se possa deixar a decisão de quem marca nas mãos dos jogadores. E, como se tudo isto não bastasse, a puta da lei de Murphy fez questão de, por exemplo, dar oportunidade a um marreco de marcar o golo da sua vida. Resumidamente, jogámos bem? A espaços, sim, tal como em Barcelos. Mostrámos dificuldade em lutar contra as adversidades? Sim, como em Barcelos. Faltou-nos em experiência o que vai sobrando em alma? Sim, como em Barcelos. Merecemos perder? Eu acho que não. Não, mesmo.

(o escriba faz uma pausa e o seu semblante carrega-se, recordando, por exemplo, um comentário onde alguém escreveu que levámos um banho de bola)

E será que nós merecemos estar a passar por isto?


Talvez. Talvez continuemos a merecê-lo enquanto, como adeptos, não formos capazes de irem além da bipolaridade com que tem sido gerido o nosso Sporting. Não podemos acenar com a bandeira da formação, dizer que o futuro é aquele, que vamos apoiar os miúdos e dar-lhes condições para crescer e, depois, à primeira pancada, dizer que com os meninos não jogamos para mais do que o meio da tabela, que não ganhamos a quem quer que seja, que o Sporting não é isto. Então, foda-se, o Sporting é o quê?
É, meus caros, o Sporting é mesmo isto: a falta de definição de um rumo, a falta de um corpo dirigente que o assuma sem rodeios, e a falta de uma massa crítica de adeptos que aguente o barco durante uma viagem carregada de tormentas.

O Bloco de Notas do Gabriel Alves – jornada 20

É um estádio bonito, novo, arejado
Estoril – Sporting
20h00
António Coimbra da Mota

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Está um tempo de merda, a roupa estendida nas cordas não seca, mas eu gostava de ver os cinco mil lugares quase todos pintados a verde e branco. É sempre fixe jogar perto de casa e, ainda mais, num estádio sem topos.

A selecção do Mali tem um futebol com um perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
O Estoril tem sido uma das surpresas desta Liga e, de acordo com o seu treinador, apenas precisa de mais três pontos para garantir a manutenção (assim sendo, também nós ficamos mais descansados). O arranque da segunda volta tem sido fraquinho, tal como o nosso, e será curioso ver como encaixam duas equipas a jogar em 4-3-3.

Este homem é um Mister!
Marco Silva é, a par de Paulo Fonseca, do Paços de Ferreira, o treinador revelação desta época. A forma como, com as devidas limitações, tenta implementar um futebol sem enormes ferrolhos, merece o meu aplauso.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva.
Do Canadá para a Linha, Steven Vitória é o gigante central goleador, só encontrando rival no ponta de lança Luís Leal. Licá é o menino bonitos dos canarinhos, não sei bem se pelo estilo se por aquilo que joga. É, também, uma boa oportunidade para rever Diogo Amado.

A vantagem de ter duas pernas!
Aos 30 anos, Carlitos, o ex-craque do Basileia, continua a prometer explodir a cada nova época.

E agora entram as danças sevilhanas da catalunha
Professor, as suas conferências de imprensa estão em modo Cacifo: são do caralho. Já percebi que conseguiu chegar à alma da maioria dos jogadores, o que é digno de registo. Agora, é grande a curiosidade para saber se vai manter as apostas feitas em Barcelos, nomeadamente no centro da defesa. Eu preferia ver o Rojo ocupar a lateral esquerda, em vez de estar a adaptá-lo a central e a adaptar o Miguel Lopes a defesa esquerdo, mas só mais logo saberei qual foi a opção. Mais importante é mesmo a conquista dos três pontos, não só para cimentar a confiança dos nossos putos, como para ganhar pontos em vários campos, pois esta é uma jornada com vários confrontos directos que nos interessam. Bora lá!

Vamos jogar no totobola
Estoril – Sporting    2

Para ouvir antes de entrar em campo

Nota dirigida a quem merece o meu respeito

Felizmente, 95%, mais coisa menos coisa, das pessoas que aqui comentam, são merecedoras do meu respeito. Os outros cinco por cento são dois tipos de palermas: os que acham piada a poderem ter vários nicks diferentes e os adeptos de clubes adversários, que encontram na provocação e no insulto baixo a forma de nos dizerem o quanto gostavam de ter um blogue como este pintado a cores manhosas. E, com esse incrível poder que a web lhes deu, uns e outros, os palermas claro está, tratam de tentar dar algum sentido às suas vidinhas de merda.

Ora, às pessoas que merecem o meu respeito, gostaria de dizer que, em virtude de estarem a crescer cada vez mais cogumelos venenosos no relvado do Cacifo, tomei duas decisões:
– primeiro, vai haver muita vassourada em nicks trazidos pela proximidade do acto eleitoral. É possível que algum novo cacifeiro acabe por levar por tabela, mas, nesse caso, e pedindo antecipada desculpa, solicito que me enviem um e-mail e me dêem conta dessa injustiça;
– segundo, vou dar muito pouca margem a off topics. É algo que tenho tolerado, embora, confesso, me aborreça um bocado (tal como me aborrece numa conversa cara a cara) até porque, por vezes, quase transforma a caixa de comentários num fórum onde o fio condutor é menos visível que o seu primo de pesca.

Estas são duas medidas que visam, até às eleições, tentar dar aos milhares de Sportinguistas que fazem do Cacifo um dos seus (ou o seu) blogues de referência a possibilidade de discutir, de forma o menos minada possível, tão importante momento para o nosso clube. Quem preferir a informação encomendada e contaminada, pode sempre tirar um mês de férias e alugar quarto com vista para um pasquim diário e respectiva caixa de comentários.

Um abraço para a maioria. E uma a la Ínsua (saudades…) na tola dos cogumelos.

Vitamina B – os protagonistas

Nota de abertura: este post dá continuidade a este.

Bruma: Tem ginga, tem técnica, tem pinta de pequeno Amunike. Tem, ainda, todo um caminho à sua frente, mas nota-se que o essencial está lá: a alma e o prazer de jogar à bola. A bola que insiste em procurar, que quer que seja sempre sua, que não lhe queima os pés. A troca da mesma, com Carrillo (alguém o transforma no melhor jogador do campeonato, sff?), da qual resulta o primeiro golo, é deliciosa e é imagem de marca da nossa formação. Um extremo que marca golos, mas, ainda, um menino entre o futebol de rua e as exigências do cabrão futebol negócio.

Dier: sou suspeito para falar de Eric Dier, pelo simples facto de, desde há uns dois ou três anos, acreditar que ele será o futuro patrão da nossa defesa. O jogo de Barcelos reforçou essa ideia. A maturidade que apresenta, sabendo dosear a impetuosidade e a tranquilidade (ou, se preferirem, sabendo alternar a porrada bem dada e o “cortar com style”), são um óptimo sinal. A pinta de homem de aço, que não treme, é outro bom sinal. Tal como a vontade e capacidade para sair com a bola jogável. A mais valia no que toca a jogo aéreo é, apenas, mais um pormenor, que me faz dizer o seguinte: encontre-se um novo André Cruz e deixe-se o puto jogar.

Ilori: o puto Tiago deve ter crescido a ver vídeos do Beckenbauer. E não pude deixar de sorrir, com nostalgia, ao vê-lo tentar passara a mensagem de que um drible é um drible, em qualquer ponta do campo. Era o que eu fazia, nos anos em que joguei a líbero (que saudades de ver verdadeiros líderes de defesa), e em que levava os treinadores ao desespero quando não despachava a bola para a bancada. Ilori pensa da mesma forma: tentar sair a jogar até ao limite do possível, revelando um excesso de calma que enerva muito boa gente. Como se, por momentos, deixasse de ouvir e de ver quem o rodeia e, num super slow motion, exigisse a perfeição. Custou-lhe caro, é verdade, e será dos principais trabalhos que o seu treinador terá em mãos. Isso e potenciar o seu jogo de cabeça e a sua surpreendente velocidade.

Zezinho: impressionante, repeti eu, mentalmente, enquanto o via jogar. Num contexto “sousacintriano”, diria que estamos perante uma mistura do “estica-encolhe” a la Douglas, da estética do Emerson e de uns movimentos a la Paulo Sousa. Basicamente, foi o melhor em campo. Passe, corta, passe corta, passe, corta. Simples, tão simples, como o futebol deve ser: se dás, tens que estar pronto a receber. A equipa precisa desse movimento, desse criar de espaços, desse procurar de espaços. Desta tentativa de jogar ao primeiro toque. Desta agitação. Precisa de perceber melhor a forma de reposicionar-se nas recuperações defensivas mas, para mim, está ali um craque.

Actores secundários: Patrício, sempre. Rinaudo, a alma maior desta equipa, um leão que, depois de lesões e estranhas passagens pelo banco (Gelson?!?) caminha para o melhor Fito; Capel, decisivo, pelo golo, e merecedor de novo aplauso por mais uma demonstração de enorme profissionalismo.

 

p.s. – ESTE POST FALA SOBRE FUTEBOL. QUEM QUISER CONVERSAR (OU DESCONVERSAR), TEM OUTRAS CAIXAS DE COMENTÁRIOS.. 

 

zezinho