O Cacifo do Paulinho

Ainda sabes o que é ter esperança?

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Estamos a um dia e meio das eleições. Não sei se serão as mais importantes eleições de sempre, mas sei que a margem de erro é bem menor do que há dois anos. E sei que é chegada a hora de dizer-vos o que penso, sem rodeios.

Quando vi quais os dois candidatos que iam disputar o lugar de presidente com Bruno de Carvalho, tive duas certezas: Carlos Severino só serviria para fazer barulho e animar as hostes; José Couceiro representaria mais do mesmo servido com um molho diferente. Não me enganei.
Severino tem feito barulho e animado as hostes; Couceiro tem sido um vazio semelhante ao que foi Godinho Lopes, com uma agravante: nem ele sabe bem, porque raio é que se candidatou a presidente do Sporting. Olho para ele e leio-lhe o pensamento «se o Figo tivesse aceitado ser candidato, eu podia estar bem mais sossegado». Couceiro não tem perfil e, peço desculpa pela sinceridade, mostra pouca personalidade ao utilizar o emblemático nome do avô, Peyroteo, para tentar ganhar votos (pintava a minha cara de merda, se tivesse um apelido desses e não fizesse questão de usá-lo todos os dias). O resto, não precisa de apresentações: a máquina Cunha & Vaz, com a pequena diferença de afirmar que Bruno de Carvalho será o próximo Godinho Lopes (vale tudo, incluindo cuspir no prato onde comeram) em vez de o apelidar de novo Vale e Azevedo; a presença de Nobre Guedes; a rábula de Paiva dos Santos, a chegar tarde na sua tentativa de fingir que se candidatava independentemente ao Conselho Leonino. Está lá tudo, incluindo as almoçaradas com a presença de um dos líderes da mais antiga claque (sim, os tais que convocaram uma press para dizerem que não se metiam em campanhas eleitorais), as promessas balofas e o não assumir o que quer que seja (nós podemos, repare, nós podemos, repare… gira o disco e soa ao mesmo). Só muda o protagonista, empurrado à força para um papel para o qual, a cada entrevista, se mostra muito pouco confortável.

Depois, Bruno de Carvalho. Gabo-lhe a capacidade para, durante dois anos, aceitar ser alvo de todas e mais algumas calúnias e rumores, tanto sobre a vida pessoal como sobre a vida profissional. Até o raio das contas do condomínio do homem, servem para tentar minar o pensamento dos sócios. Meus caros, estou-me literalmente a cagar para o passado de Bruno de Carvalho (e apelido de desonestidade intlectual os momentos em que esse passado é questionado por quem, por exemplo, aceitou os passados de Godinho Lopes, Luís Duque ou Paulo Pereira Cristóvão). Prefiro pensar no que ele poderá oferecer-me, enquanto sócio e adepto do Sporting, no futuro. Olho para Bruno de Carvalho e penso que podia ser eu a estar ali. Com entusiasmo. Com sonhos. Com vontade de trabalhar. Com capacidade de liderança. Com um Sportinguismo, por vezes ingénuo, que não se envergonha de alimentar-se em sonhos de criança. Mas com Sportinguismo de cachecol, não de gravata, coisa de que tanto sentimos falta.

Ontem, quando pensava na melhor forma de explicar-vos o que penso, considerei perfeito este exemplo.
Imaginem que o Sporting é uma das pessoas mais importantes da nossa vida. Essa pessoa adoeceu, com os sintomas a agravarem-se com o passar do tempo. Resolvemos interná-la, num hospital cheio de médicos de renome. “Temos os melhores médicos, temos credibilidade, temos tecnologia, temos tratamentos de ponta, temos a solução”. Veio um, dois, três, quatro médicos. E o Sporting, uma das pessoas mais importantes das nossas vidas, foi piorando. Ficando cada vez mais débil, sem capacidade de reação, vulnerável a novas patologias ou vírus trazidos do exterior.
Cansados, resolvemos começar a procurar novas alternativas. E damos de caras com um médico que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. «Homem, você não faça isso! Isso é a morte do seu amor! Não vê que isto é um charlatão? Um vendedor de banha da cobra? Você conhece o passado dele? Já o viu fazer qualquer coisa de relevante? Ó homem, você é que sabe, mas veja lá… Não sabemos se continuará a ter o seu Sporting se interromper o nosso tratamento». Mas estamos mesmo cansados. E queremos mudar. O problema, é que o conselho familiar resulta numa decisão contrária. «Homem, foi melhor assim. A sua família tomou bem esta decisão por si. Vai ver que, daqui por três anos, vai estar na rua, a festejar o regresso do seu Sporting e a vitória sobre esta doença!».
Passaram dois, não três, e o nosso Sporting quase já não reage aos estímulos. Pior, olhamos para ele e sentimo-nos cada vez mais impotentes, cada vez mais sem energia para transmitir-lhe energia (mesmo sabendo que isso, sim, poderá ser o seu fim). Revoltamo-nos. «Chega, chega desta merda!», dizemos interiormente. E gritamo-lo, bem alto, na recepção do tal hospital cheio de médicos credíveis e de soluções fantásticas. Eles arregalam os olhos, incrédulos. A nossa fúria é tal, que desperta a de outros familiares, camaradas, amigos, que também sofrem com o definhar do Sporting. E, fruto desse murro na mesa, surge, novamente, a oportunidade de dar uma chance ao outro médico, o tal que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. Os avisos sobre a idoneidade do mesmo não tardam a voltar a repetir-se, mas, na nossa cabeça, já só existe um pensamento.
Baixamo-nos e, olhos nos olhos, dizemos a essa pessoa de quem tanto gostamos: se perdermos esta luta, meu Sporting, não há-de ser por falta de tentar. É verdade que não sei bem para onde estou a levar-te, mas sei que estou a levar-te para o único caminho onde me transmitem o que me têm roubado. A mim e a ti. Esperança.

 

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