Terminada a conferência de imprensa de ontem, a miúda gira da RTPinformação e o tripeiro com a mania que é pintas, davam a entender que a montanha tinha parido um rato e que, afinal, Bruno de Carvalho nada de novo tinha dito. Errado e, ó cum caraças, logo após o presidente do Sporting ter desejado que todos os jornalistas fossem inteligentes. Ok, pronto, acreditemos que a miúda gira até o é, e que mais não estava do que a querer vingar-se do ataque feito à classe profissional (bem, eu nem sei se ela é jornalista, mas siga). Ora, em meu entender, esta terá sido a única falha do discurso de Bruno de Carvalho. Ele devia ter desejado, isso sim, que todos os jornalistas fossem profissionais e eticamente correctos.
No restante, meus caros, não querer perceber ou tentar desvalorizar, é má fé. O homem foi claro como água: «Está tudo dado como garantia. Por muito dinheiro que entre no Sporting… se as pessoas não quiserem, não há nenhum». Ou seja, do passe do mais valoroso infantil ao lucro que se tenha com a venda de um conjunto de copos na loja verde, tudo pode ser absorvido pela banca como forma de fazer valer o seu direito de cobrar a dívida. Daí, e também só não percebe quem não quer, que seja indiferente chegar um investidor com 20, 40, 100, 300 milhões de euros; se a banca quiser, esse dinheiro que deveria ser investido no clube, segue imediatamente para abatimento da dívida ou pagamento dos juros. E isso é investir em quê? Em nada.
Posto isto, a solução passa por chegar a um acordo para uma reestruturação financeira. Claro que não vai ser simples, ninguém acreditava que ia. E menos simples se torna, quando essa negociação envolve um sentar à mesa para algo mais do que para um almoço entre amigos. Quando essa negociação envolve a presença de uma pessoa que recusa desviar-se do programa que, goste-se ou não, legitimou a sua eleição sem espinhas ou afinações. Quando essa negociação envolve alguém disposto a deixar muita gente credível (lembram-se dessa magnífica premissa para se poder ser presidente do Sporting?) muito, mas muito mal visto na praça pública.
Vai ser duro, claro que vai. Como me disse um amigo meu, e grande Sportinguista, isto é um cancro que começou a alastrar há 15 anos e nós só estamos a começar as sessões de quimio. E, agora digo eu, podemos terminá-las completamente sem juba, mas não nos impedirão de continuar a rugir!