Verdes Anos: O Stradivarius

Verdes Anos: O Stradivarius, by Pachota *

Único, sublime, desejável e mais uns quantos adjectivos que aqui caberiam, servem para caracterizar o violino de que escrevo. Como o instrumento acima mencionado, este Homem entretanto já falecido, era (e é), visto como uma peça rara, de fino recorte e com características que mais nenhum conseguiu até hoje, no panorama desportivo nacional geral !
Conseguiu chegar ao mais alto nível em simultâneo em dois desportos tão diferentes, que me arrisco a dizer que além de ser um “case study” que devia ser objecto de estudo em vários cursos universitários, a fasquia dos seus feitos é demasiado elevada para o nosso cantinho à beira-mar plantado.

“Entre dois amores – Memórias de Jesus Correia”, escrito por Vitor Santos numa reedição (não comercial) da Câmara Municipal de Oeiras foi o livro que acabo de ler e me levou a enviar esta prosa para o Cacifo e para os cacifeiros se for publicada, digo-vos que durante a leitura, senti algumas vezes o orgulho à flor da pele, de ser adepto do Sporting Clube de Portugal tal é a dimensão dos feitos e dos números que o Jesus Correia atingiu quer como atleta do nosso clube, quer como atleta do Paço de Arcos e nas selecções . Atenção que o Homem pelo meio ainda tinha emprego no Armazém do Grémio, para a quase totalidade dos nossos atletas profissionais devia ser-lhes dada a conhecer esta façanha, talvez alguns aprendessem a ser mais humildes para com o clube, enfim eram outros tempos e outras gentes …
Aconselho vivamente a sua leitura como é obvio, o livro está disponível nas bibliotecas municipais de Oeiras, leiam e divulguem os seus feitos engrandecendo assim o nosso Clube e contribuindo para que o nosso fabuloso passado não se dilua na neblusidade do presente (fosca-se onde é que eu li isto!), salvaguardando em simultâneo o futuro (que esperemos nós ), nos traga mais jornadas de sucesso .

“Raras são as figuras do desporto que conseguem ascender ao primeiro plano e tornar-se figuras populares em duas modalidades distintas. Jesus Correia é um dos poucos atletas que realizaram tal proeza e teve a felicidade de se dedicar precisamente aos dois desportos que maior voga conhecem em Portugal: o futebol e o hoquei em patins! Conseguiu ser um ídolo de multidões em qualquer um desses desportos, conquistando um popularidade plenamente justificada pelos seus méritos de atleta excepcional.” Pelo Tenente-Coronel Ribeiro dos Reis.

Um abraço para todos os Cacifeiros
Pachota

*Verdes Anos é a prateleira do Cacifo onde os leitores arrumam as memórias mais antigas do nosso Sporting.
Envia o teu texto para ocacifodopaulinho@gmail.com
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28 thoughts on “Verdes Anos: O Stradivarius

  1. Ainda tive a sorte de o conhecer pessoalmente, aqui na zona de Oeiras. Que senhor!
    Já muito debilitado fisicamente e numa cerimónia da C.M.O, pedi a uma pessoa amiga para lhe ser apresentado.
    Numa breve conversa, percebi que não sentia grande orgulho do futebol moderno.
    O seu Sporting era outro. Já não se revia neste mundo de opulência e de milhões.
    Contou-me histórias do seu tempo e disse-me na brincadeira, que não tinha muito jeito para o futebol, mas quando começava a correr ninguém o apanhava.
    Dizia que o seu segredo era uma taça de arroz doce, que a mãe lhe fazia todos os dias, depois do treino. Jamais esqueci a honra. RIP Jesus Correia

  2. É a nossa história que nos pode ajudar a construir um futuro. É com “colunas vertebrais” como as de Homens como J. Correia que quero acreditar que o “Meu” Sporting vai voltar erguer-se, de dia para dia, e finalmente voltar a ser um exemplo de cidadania, desportivismo e orgulho para todos os Portugueses.

    VIVA O NOSSO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL

  3. Cresci numa aldeia do norte de Portugal a ouvir histórias dos 5 violinos. durante muitos anos nos meus sonhos só havia lugar para as magníficas jogadas destes magníficos.

    Sou Sportinguista por causa deles (já agora o meu muito obrigado!), muito antes de ver um jogo na televisão.

    não sou muito velho, tenho 37 anos, e também eu me revejo muito pouco no futebol actual. Ahhhh os tempos em que se jogava por amor à camisola…

    PS: muito bom post Pachota (não leves a mal, esse nome é somente uma brincadeira, certo?)

  4. Depois de tanto tempo a falar num péssimo exemplo de atleta que envergou a nossa camisola, nada como evocar a figura imortal de Jesus Correia para lavar a alma.
    Bravo, Pach.

  5. Também por este exemplo me descobri sportinguista. Este entre muitos outros.

    O Sporting era de facto inigualável.
    E se uso o verbo no pretérito é porque a ansiedade me vai toldando o espírito, de cada vez que me deparo com ataques suezes à nossa individualidade colectiva (parece um contrasenso) como os constantes abanões no nosso ecletismo como resultado da incompetência que durante anos se instalou no futebol.

    Com a memória colectiva construída por homens como Jesus Correia não se brinca.
    E o que passou até há bem pouco tempo atrás foi uma verdadeira devassa do seu legado.

    Acredito que parou por aqui.
    Existem até ao momento bons indicadores.
    Saibamos incentivar esta demanda ao invés de estarmos constantemente a exigir impossíveis.

    p.s. – parabéns peça iniciativa e peço texto.

  6. um pedido á direccao

    facam est livro e outros chegarem aos nossos miudos, para eles beberem a essencia de ser SCP…

    outro pedido
    este aos jogadores, este ano nao estou preocupado com campeonatos,… para comecar este ano 0, quero de volta o prazer de esperar pelo fim de semana e sorrir e gostar de ver o meu clube a jogar

    a ultima epoca a maioria dos jogos nem tive estomago para ver completos, o que eu acho uma heresia, mas dei comigo a desligar-me de transmissoes…
    portanto tragam-me , a mim e a todos os sofredores sportinguistas, o prazer de vos ver a jogar, correr , suar e honrar essa camisola

    nao peco 30 vitorias, peco 30 jogos, mais os da taca e os da taca da liga, em que me de prazer ver-vos a usar esse manto sagrado…

    nao nos envergonhem como os mercenarios do ano passado…

    nao vos peco que sejam Jesus Correias, so peco que pelo menos tentem ser…

    • Tentar acredito que tentem, mas isto não é Jesus Correia quem quer, é Jesus Correira quem pode.
      Infelizmente os nossos planteis têm sido duma probreza franciscana, depois da pior época de sempre só podemos melhorar, embora a composição do plantel pra este ano não augure nada de bom.
      Resta-nos acreditar que um bando de miúdos com tudo a provar se revele à altura, um 4º lugar já seria bem bom dadas as circunstâncias.

      • penso que todos estaremos cientes disso,mas que pelo menos tentem, que sintam a camisola, é o que é pedido
        Yordanov, nao era um jesus correia, mas até a central jogou…só nao jogou a guarda redes, (penso, nao estou certo) porque nao lhe pediram, estrangeiro, mas amou a camisola como poucos…
        possivelmente se viesse agora, tambem o chamavam de tosco, (que era) mas o amor á camisolae ao clube superou isso tudo e tornou-se um idolo…
        quando vi Cissé chorar na altura da assinatura, pensei para comigo (pressentimento??), sera este tosco o nosso proximo Yorda?? e porque nao??

        mas para alguns ditos Sportinguistas é mais facil dizer é tosco e tal, eu tambem sou, e agora já quadrado ou melhor arredondado, mas se pudesse vestir aquela camisola, enquanto o coracao e as pernas deixassem, ninguem me parava, nunca seria um adrien ou um elias que porque o guito nao tinha entrado iam lá só para fazer um frete…esses e essa mentalidade é que destruiu o nosso clube, enquanto os “dirigentes” se preocupavam em sacar o que podiam em vez de chamar aqueles chulos á pedra…

      • realisticamente
        no inicio da epoca davas alguma coisa pelo plantel do P de ferreira? rio ave? estoril? pois e no entanto eles estao lá e os nossos fabulosos internacionais pagos como principes deixaram-nos quase a descer de divisao, tendo nós que ir buscar os miudos para nos salvar (amor á camisola e querer vestir o manto sagrado, coisa que os outros nunca tiveram…)

  7. Mais uma referência que colhi e me habituei a ouvir de quem o viu jogar – futebol e hóquei.

    Indissociável dos Cinco Violinos, e expoente máximo de uma das características que faz deste Clube único, o Ecletismo – mesmo se enquanto hoquista vestia a camisola do Paço de Arcos.

  8. No Sporting há (e sempre houve) atletas assim! Gente que nos ocupa a alma, por quem o coração bate mais depressa, que nos mobiliza e por quem sonhamos. Se recordamos, reconhecemos a nossa origem. São nossos, porque integram o nosso património comum, a nossa identidade, o nosso querer. Escreveram inúmeras páginas de heroicidade, ultrapassaram o que é exigido a um comum mortal.
    Pessoas como Jesus Correia fazem a Glória do nosso Clube. Por pessoas assim caminhamos para Alvalade com um olhar de orgulho e de ambição !

    http://www.sporting.footballhome.net/index.php?option=com_content&view=article&id=849:jesus-correia-marca-seis-em-madrid&catid=1:futebol&Itemid=35

  9. Um senhor do desporto nacional, uma figura de proa do passado leonino, um exemplo para os mais jovens.

    Gostava mesmo que zona envolvente do estádio, ou o passeio que o rodeia, estivesse preenchido com posters/mupis em tamanho real das maiores figuras desportivas do Sporting.

    SL

  10. E foi ele que na extrema-direita do 5 violinos, marcou 6 GOLOS ao Atlético de Madrid, na inauguração do seu estádio, há mais de 60 anos.

    O Sporting ganhou por 6-0!!!

  11. Sou do Sporting desde que me conheço e com família Sportinguista dos dois lados, sempre me habituei a ouvir o nome deste e de outros grandes atletas que por lá passaram. Por acaso, os meus dois avôs destacavam mais o Travassos e Peyroteo.

    Acho que só aprendi qual a verdadeira dimensão deste magnífico ser quando representei o Paço de Arcos durante 11 anos. Apesar de jogar andebol, e de este não ser o “desporto da casa”, a presença de Jesus Correia em jogos e muitos treinos no pavilhão em Paço de Arcos fez-me querer saber mais sobre este mito, até porque na placa evocativa do seu nome à entrada do pavilhão estava o nome dele e o do primo Correia dos Santos.

    Ora, se mais provas fossem necessárias, no vídeo que o gnitropszar galdérias o próprio Jesus Correia fala do seu ano de 1947. Quer no futebol, quer no hóquei o palmarés fala por si próprio. Terei sempre uma vénia respeitosa para a memória deste grande homem.

    P.A.! P.A.! P.A.! ;)
    Sporting Sempre

  12. Obrigado a todos, ao Cherba por ter publicado o texto e ao pessoal que o leu, comentou e percebeu a mensagem que quis transmitir. Nunca vi este senhor jogar só nasci em 1969, mas sempre conheci os seus feitos e qualidades porque alguém teve o cuidado de mos dar a conhecer. Temos a obrigação de passar a palavra aos mais novos para garantirmos que a grandeza do nosso clube seja conhecida e jamais esquecida, só assim poderemos continuar a ser cada vez mais e melhores.
    Epa quanto ao nick eu sei que é um bocado foleiro, provavelmente a primeira vez que aqui vim devia estar com o grão na asa (não me lembro), mas como sei que não é de bom tom andar a trocar de nick foi ficando, um dia destes vou mudá-lo..

    • Fui eu que falei no nick, sinto-me na obrigação de me explicar.

      Não tem mal em mudares de nick, de um de ocasião para outra coisa que faça mais sentido. Eu fiz o mesmo.

      Os multinicks são um problema porque criam a ilusão que são muitos adeptos descontentes, mas não passam de uns quantos tolinhos (vais já vê-los a rabiar…) que às vezes enganam-se e respondem tudo trocado. Basicamente são uns trolls que afastam bons comentadores (e agora cronistas!) como tu.

      SL

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