Leonardo e as boas dores de cabeça

Depois do jogo de ontem, creio que Leonardo Jardim tem excelentes dores de cabeça à sua espera.
Comecemos pela defesa. Se Patrício, Maurício e Rojo estão de pedra e cal, são várias as dúvidas envolvendo as laterais. Piris, rapaz que chegou sem que quase déssemos por ele, cumpriu, primeiro, à esquerda, frente ao Vitória de Setúbal e, ontem, no seu lado natural, o direito, voltou a deixar clara ideia de ser um jogador bem acima da média. Confesso, até, que estranhei a não utilização de Cédric, dado ter sido sempre preterido nos jogos da selecção. Quererá isso dizer, que Leonardo Jardim já sabe que Jefferson estará recuperado e pondera apostar em Piris para o jogo no dragão. Terá sido uma opção unicamente para dar minutos a Magrão?

Depois, o meio-campo, onde Vítor disse presente de forma vincada. É verdade que o adversário era inferior, mas também é verdade que a entrega ao jogo e os vários pormenores apresentados fazem com que André Martins tenha concorrência apertada. E a titularidade do ex-Paços pode, inclusivamente, ser uma das surpresas reservadas para o próximo domingo.

Eu acho que é uma carapuça mal enfiada

Ou, se preferirem, que alguns Sportinguistas do Porto (e arredores?) estão a fazer uma tempestade num copo de água.
Do meu ponto de vista, isto é dirigido aos labregos que gostam de utilizar a expressão «o Porto (leia-se, fcp) é uma nação», não a adeptos do Sporting.
Mas como já percebi que a questão está longe de ser pacífica, fica via aberta ao direito à indignação (com direito a explicação sobre o que a motiva, espero).

p.s. – grave, grave, foi aquela «falta de atenção» da Antena 1, que, durante várias horas, nos chamou a todos “comédia de portugal”.

torcida

A vitória invisível

Guardo na minha memória uma tarde, jogo de Taça, salvo erro contra o Fátima, em que fizemos uma exibição miserável. Salvou-se o génio de Balakov, os golos do Cadete, mas, no banco, Bobby Robson estava tão aziado como eu. A entrada desconcentrada, que nos valeu levar logo um golo, e a exibição desinteressada, valeram… voltas ao campo no final do jogo.

Hoje, ao ver a forma como o Sporting encarou a recepção ao Alba, clube do qual nunca tinha ouvido falar, veio-me à lembrança esse jogo e vários outros em que os nossos jogadores pareciam fazer um frete, confiando que, dadas as diferenças entre as equipas, o resultado se faria por ele mesmo. Foi impressionante, reforço, impressionante, a postura dos nossos jogadores. Respeitaram o adversário e, acima de tudo, respeitaram a camisola que tinham vestida! E, mais do que encher-me de orgulho por ver uma equipa estar em campo como eu estaria se tivesse a oportunidade de jogar de rampante ao peito, tal facto dá-me a certeza de que a mensagem do treinador está a passar. Dá-me a certeza que o plantel fala a uma só voz. Dá-me a certeza que o trabalho de preparação desta época (e das próximas, arrisco) foi muito bem feito.

Bruno de Carvalho, por mais do que uma vez, explicou que o facto de estar no banco tem a ver com a necessidade que tem de perceber se as pessoas estão comprometidas com a causa. Ou com o clube, se se preferir. O jogo de hoje, foi uma óptima resposta relativamente a esse compromisso. Isto vale infinitamente mais do que três pontos. Isto é daqueles pormenores que, mais cedo ou mais tarde, valem conquistas. Obrigado, rapazes!

goloalba

O Bloco de Notas do Gabriel Alves, Taça de Portugal

É um estádio bonito, novo, arejado
Sporting – Alba
18h00
Estádio José Alvalade

Uma humidade relativa, muito superior a 100%
Domingo, temperatura amena, boa hora para fechar o fim-de-semana com um jogo em família (se possível, com uma espreitadela à leoas do futsal antes). Diz que de Albergaria a Velha chegam mais de dois mil adeptos do Alba o que, desde logo, garante festa na bancada. E, sim, se a A estiver cheia, já será uma óptima casa.

A selecção do Mali tem um futebol com um perfume selvagem e com um odor realmente fresco…
Este é o jogo da vida do Sport Clube Alba, clube fundado em 1941 e que, curiosamente, teve os seus primeiros equipamentos à riscas verdes e brancas. Apresenta-se em 4-3-3, ainda sem conhecer a derrota no campeonato distrital de Aveiro e, segundo Leonardo Jardim, faz quase todos os seus ataques pelo lado direito.

Este homem é um Mister!
Diz que Hugo Oliveira bebe, todas as manhãs, um galão escuro com três pacotes de açúcar. E que, aos fins-de-semana, é estrela de karaoke no Salvador Caffé.

Ele é excelente nestes lances porque a bola está morta e passa a estar viva.
Zé Bastos, avançado, é o capitão de equipa, o médio João Pedro, lesionado, é sempre titular, mas o mais experiente é João Casal que, aos 33 anos, tem no cv uma Taça de Portugal ao serviço do Beira-Mar.

A vantagem de ter duas pernas!
No Alba, há vários jogadores com mais jeito para trabalhar na metalúrgica que lhes ocupa os dias, do que para jogar à bola (que lhes ocupa os finais de tarde e o fim-de-semana)

E agora entram as danças sevilhanas da catalunha
Leonardo, não haverá um adepto leonino que espere outra coisa que não seja uma goleada. E, sinceramente, essa parece-me ser a melhor forma de respeitar este adversário!

Vamos jogar no totobola
Sporting – Alba   1

Também tu, Zé Maria?!?

Parece que se tornou moda, dirigentes ligados a antigas direcções virem elogiar o trabalho feito pela equipa liderada por Bruno de Carvalho, mas esses elogios serem feitos por José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), antigo vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting e, conforme todos percebemos, uma das pessoas que mais terá dificultado o acordo que permitiu a reestruturação financeira, é algo que justifica manter o Bloco de Notas no forno até à hora de almoço.

E o que diz, afinal, Ricciardi, em entrevista ao Dinheiro Vivo? «O que eu penso que se conseguiu foi uma reestruturação que foi positiva, não só para os dois bancos (BCP e BES) como para o Sporting, mas também muito dura. Estávamos a falar há pouco da consolidação das nossas contas públicas, ora o que isso representa para o Sporting também é muito duro […] O Sporting passou a ter de ter um orçamento que é talvez menos de metade daquele que tinha anteriormente, mas, como se vê, no futebol profissional não é só o dinheiro que faz com que os clubes consigam ter melhores ou piores desempenhos. Basta olhar para exemplos como o Braga ou o Paços de Ferreira, que, no ano passado ficou em terceiro lugar. Foi uma boa reestruturação, acho que se conseguiu que o Sporting ficasse com a situação financeira estabilizada, mas, por outro lado, para que isso fosse possível, foi preciso que o Sporting fizesse um trabalho extremamente duro e corajoso na diminuição dos seus custos […] Fiquei surpreso, não por ser este presidente, mas porque a tarefa seria muito difícil para qualquer um».

Ora, muito bem, Isto tem muito que se lhe diga. Além de nos confirmar que o trabalho que está a ser feito está a sê-lo bem feito e que a situação financeira está estabilizada, ainda serve de golpe de faca Zwilling na tola dos cogumelos (dado por um dos nomes mais associados à “linhagem”). Só foi pena o jornalista de serviço não ter perguntado ao caríssimo Zé Maria, «porque razão o senhor, como parte de anteriores direcções, não conseguiu demove-los de gastar rios de dinheiro e de aumentar a dívida?».

p.s. – querem lá ver que o Zé também está com o rabo apertado?

 

Grande

«Existiram equipas interessadas, mas tentei sempre manter-me à margem. Não saí e só penso no Sporting. O clube deu-me tudo e, como já tinha dito, um dia que saia gostava de fazê-lo pela porta grande e que me recordassem por ter dado tudo por esta camisola», Capel, in Jornal Sporting

Jardim responde à nossa troca de opiniões

Ontem, discutíamos se faria sentido prolongar a ausência competitiva dos jogadores que têm sido titulares, de forma a dar minutos aos menos utilizados.
Leonardo Jardim já deixou claro o que lhe vai na cabeça.

«A nossa ideia não é fazer uma alteração geral à equipa, mas sim manter a identidade, por isso, com uma ou outra exceção, a maioria dos que tem jogado vai jogar. Aliás, neste momento, com a paragem do campeonato não há necessidade de recuperar ninguém. Pelo contrário, se não utilizarmos os que normalmente competem, podíamos cair no erro de perder ritmo».

Fico contente por pensarmos da mesma forma Leonardo, inclusivamente quando dizes «Temos que estar focados neste jogo e se os jogadores não o fizerem, correm o risco de não jogar a a seguir. Temos de ser sérios em todas as provas, sendo que nesta temos a ambição de chegar ao Jamor […] Motivação? As motivações não podem depender do adversário. Têm de ser intrínsecas, porque trata-se do Sporting».