Tina Turner

Se me apontassem uma pistola à cabeça e me dessem 60 segundos para falar do jogo, o que me vinha depressa à cabeça era:

oRinaudojáéinsubstituívelnesteSporting
oSchaarséopatrão
oIzmailovéosegredodacirculaçãodebola
oPostigatemdemasiadojogoparaaqualidadequetem
o442nãoacomodaoMatigol
aequipapressionaaltocomjogadorespróximosunsdosoutros
eoataqueéapoiadosemgrandesesticões
aequipaérija

se me dessem mais tempo, diria que:

a defesa continua sem velocidade na recuperação das bolas para as costas e coordena mal o fora-de-jogo. O Rodriguez resolve este segundo problema, mas o primeiro vai ser bicudo se os médios não pressionarem os passes longos.

e acrescentaria que só deu para perceber que o Wolfswinkel é fino, que o Rubio é grosso, que os cortes de cabeça do Onyewu mandam a bola para o meio-campo e que o Luís Aguiar está sempre de trombas.

E que o Polga, o Djaló e o Pereirinha  não fazem parte deste filme.

Já agora, onde está o Bojinov?

BANG!

PS: Se me dissessem, há dois anos, que o Diego Capel estaria no Sporting em 2011\2012, eu concluiria que ir ao Júlio de Matos falar de futebol era uma perda de tempo… e isso é que importa! O resto logo se vê…

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Liga de Verão

Vivem-se tempos ímpares no Sporting Clube de Portugal. Tempos estranhos, mas bons. Ainda não vimos nada e ainda bem. Porque enquanto não vemos nada, vamos vendo o que quisermos ver. E, nestas alturas, até vejo a Liga de Verão, um inenarrável magazine diário sobre os treinos do Sporting (e dos outros). Os meus preferidos são aqueles que são narrados por alguém dentro do habitáculo individual de uma casa de banho de estação de serviço. Um serviço público, lá está, porque convém que esse alguém meta água nesta fervura, não vá qualquer excitação na voz narrativa provocar uma invasão dos telespectadores verde-e-brancos ao Marquês.

Hoje vi dois adeptos do Sporting a conquistarem um autógrafo. Nos quase 60 segundos deste momento “apanhado” pela fortíssima equipa de investigação jornalística da Liga de Verão, nesse minuto oscilei emocionalmente. Sorri à frase “um treino aberto aos jornalistas e a três adeptos leoninos”. Somos enormes, pensei. Continuei a sorrir, perante a justificação de cada um deles: “vim de Amesterdão para ver o meu Grande Sporting”. Assim, com maiúsculas e tudo. Os outros dois tinham feito “400 km”. Espantei-me, eu próprio, com este sportinguismo. Respect!, nas sábias palavras do nosso central calmeirão.

E quiseram um autógrafo “especial”, narrou o rapaz sentado na sanita. Nos poucos “frames” que demorou a revelar o desejado pelos adeptos, pensei em tantos: Paulinho, claro!, não, Domingos, para desfocar o azul e branco, ah claro, o Rinaudo, conhecedores que são da sua mordidela. Ou então, espera… Bojinov, como é óbvio*. O meu sentimento de respeito pelos dois adeptos rapidamente evoluiu para incredulidade. Eles queriam um autógrafo de Luís Duque! A sério? Vivem-se tempos extraordinários…

A fabulosa edição do Liga de Verão permitiu-nos ver uma sequência sem cortes que acelerou a minha montanha-russa de emoções: Duque oferece uma camisola do Sporting aos rapazes (é bonito), é confrontado com o pedido de autógrafo (ri-me, mas com alguma vergonha alheia), recusa e “empurra” os adeptos para os jogadores (sim, senhor), eles insistem e justificam (não percebo porquê), Duque não tem caneta (como é possível?), eles têm (naturalmente, somos os melhores adeptos do mundo!), ele dá mesmo o autógrafo, quase embaraçado (vergonha alheia outra vez)…

Ponho-me no lugar destes adeptos e imagino, em menos de um segundo, chegar à minha gente leonina a dizer “malta, tenho uma camisola das novas assinada pelo Duque”… seria espectacular, uma bomboca de puro humor nestes tempos felizes. Enquanto penso nisto, reparo que um dos adeptos vira-se e a fabulosa sensibilidade das câmaras da Liga de Verão apanha-o a limpar o olho, claramente emocionado…

Maricas!

Vivó Sporting!

*Hoje ensinei um bébé a dizer Bojinov. Agora, é esperar. Daqui a uns meses, quando começar a falar, terei a minha recompensa….

O Douglas está de volta

O luto acabou. O Sporting está de volta, e eu volto com ele. Com uma condição auto-imposta. Volto, mas volto sem cérebro. Desliguei-o. Deitei-o para o lixo. Acabou-se a análise crítica à gestão do Sporting. Não estou interessado em discutir aquilo que está viciado à partida pela minha consciência. As feridas do processo eleitoral sararam e eu não quero reabri-las. Não preciso delas, não preciso de dores de cabeça leoninas. Do Sporting, não quero consciência, quero inconsciência. Preciso é de estupefacientes verde-e-brancos.

Falemos então do novo armário de comprimidos:

Hoje foi um dia importante. Renovei a gamebox. E chegou o Bojinov. Comprei a insanidade e já tenho motivos para a pôr em prática.

Tenho uma relação antiga com o adolescente búlgaro. Gosto do gajo há muito tempo, acompanhei a carreira desde o início, em Lecce. Ao ponto de vibrar com os golos que marcava com o boneco Bojinov no PES, ou de comprá-lo logo no CM. Não sei porquê, mas é assim. É o meu fetiche, como descreveu certeiramente um amigo, hoje.

E o adolescente búlgaro é nosso! Com o Matigol, está feita a dupla de jogadores internacionais que já eram os meus fetiches antes de chegarem a Alvalade. Isto tem de ser mais que uma coincidência. Com o Izmailov, podia pedir pouco mais para reiniciar o meu ciclo de demência leonina. E depois há o gigante amaricano, que já tinha sido identificado há muito pelos olheiros do Cacifo, há o trinco argentino que tem tudo para dar finalmente dimensão mundial ao clube , temos putos para explorar, temos homens para jogar. Temos defesa, temos meio-campo, temos ataque… temos tudo para ser campeões!

Insanidade.

Lesões, falta de golo em todos os atacantes, quase total ausência da Academia, falta de experiência em Portugal?

Insanidade.

Vamos ser campeões, vamos encher o estádio outra vez, vamos meter medo aos adversários, vamos fazer-nos respeitar, na Luz, no Dragão, na Bola, no Record, vamos conquistar o adepto neutro, vamos voltar a trazer o sportinguista indiferente a Alvalade, vamos pôr o Rui Santos a gritar Sporting em directo, vamos abrir telejornais, vamos pintar a Moody’s de verde-e-branco e vamos salvar a Grécia!

Insanidade por escolha. Insanidade por critério.

Ao Sporting só peço endorfinas. Não quero mais nada. Não quero saber do Godinho, do PPC, do Nobre Guedes, do Carlos Barbosa, do passivo, do milhões por explicar, dos parceiros secretos, do profissionalismo mafioso, das percentagens dos passes, do passado do Domingos, do Polga, do Postiga, da vassourada, dos atropelos legais, da TMN a azul. Quero que façam o que têm de fazer para libertarem endorfinas na minha tola. Quero esquecer tudo o que se passou nos últimos anos. Quero o moral em vez da moral. O meu novo sportinguismo é amoral. Um junkie não faz juízos de valor. Apenas consome. Eu quero apenas consumir o Sporting, sem pensar na ressaca.

O Sporting está de volta e traz o Bojinov! Já posso ir dormir a imaginar as triangulações Matigol-Bojinov-Izma, os lances pelo ar do amaricano, os carrinhos do argentino, o pulmão do holandês, a insolência do outro holandês ou do peruano, os cabritos do outro chileno, a entrega do uruguaio, a classe do extremo que falta, que está guardado (era bom). A viagem começou e só pára no Marquês.

Sporting!

E a camisola é linda!

Até tu, Brunus?

Escrevo-te enquanto o Sporting joga à bola. Para sublinhar o simbolismo da tua iniciativa. Há dois Sportings – e não me refiro à tua bizarra distinção entre o Sporting e o Sportem, o primeiro dos sócios e o segundo dos que estão no poder dentro do clube, uma teoria parva e desmentida pela existência de gente como Sousa Cintra, Paulo Bento ou o sr. da mercearia da minha rua. Há dois Sportings porque há o clube que joga à bola e o clube que gere o jogo da bola.

O clube que joga à bola está ali, a dar na TV. (E esta, do Carriço a trinco, gostas?) E eu estou aqui, a perder tempo com o clube que gere o jogo da bola. Primeiro, porque o Sporting joga mal à bola. Segundo, porque para jogar bem à bola precisa que haja competência na sua gestão. E paz. Este é o conflito, o dilema insanável, para mim, na tua iniciativa. 

Tenho dúvidas sobre a tua competência, mas votei em ti de olhos fechados. E, para mim, ganhaste. Moralmente, és o presidente do Sporting, porque tiveste mais votantes que o presidente empossado. O sistema dos votos “aditivados” está errado. Mas eram as regras do jogo, que também te podiam ter beneficiado, se tivesses sabido fazer uma campanha mais “adulta”. Se tivesses sido mais convicente sobre a tua competência.

Não tenho dúvidas sobre a falta de paz que trouxeste ao clube. Isso não é necessariamente mau. O Sporting estava num estado que precisava de uma boa guerra: de ideias, propostas, projectos, atitudes, personalidades. Mas não teve nada disso. Teve uma guerra intestina. Nisso não estás inocente, mas os outros são muito mais culpados.

Portanto, não garantes competência e não trazes paz. Precisavas de ter ganho por goleada, para contornar estas duas questões. E para aguentares o terrorismo que se ia seguir à tua tomada de posse. Não conseguiste (este Postiga continua em grande, ficavas com ele no clube?).

Li as entrevistas todas de hoje. Sobre o que se passou há uma semana, as tuas revelações deviam ter sido feitas no dia seguinte. Aí, erraste. Porque deixaste que o Godinho e os seus campangas cristalizassem a “vitória” sem contraditório (a tua convicção na violência subsequente é ingénua). Sobre a contestação jurídica, deixas-me desiludido. Não dizes o fundamento, não falas em factos, falas em versões e desmentidos. Eu acho que tens razão. Mas “acho”. Não sei. A discrepância entre os votos registados e os finais já foi explicada. Eu não acredito, mas foi explicada e seria (será?) explicada em tribunal. Fica sujeita à interpretação e credibilidade. (já viste o golo que o Djaló falhou, incrível não é?)

Eu quero paz e respeito pelo clube. O recurso aos tribunais não traz nem paz, nem respeito. Trará justiça? Duvido. Vai parar o clube (essa de quereres que o Duque fique se o resultado das eleições for suspenso é ridícula, ó Bruno, então só suspendes o que te interessa?), vai atrasar a próxima época e vai continuar a fazer do clube uma piada nacional.

Mas o que querias então que fizesse? oiço-te perguntar de forma silenciosa. Aquilo que, suspeito, vais acabar por fazer. Mudar por dentro. Ires a uma AG, dar força à palavra dos teus sócios (agora com a garantia de a mesa ser tua), mudares as regras inquinadas do jogo, servires de (penalty!) de oposição coerente, de vigilância activa, preparares a tua ascensão ao poder. Sem guerras, mas numa paz intensa e rica. 

(Golo! Ganda Matias! Tenho tantas saudades do Sporting, da bola, percebes?)

Espero que não te deixes inquinar pela tua própria ambição. Eu não gosto do Godinho, preferia que estivesses lá tu, não gosto do Domingos, preferia que fosse o Van Basten (ou, melhor, o preparador físico que vinha com ele), não gosto do poder da banca, preferia que fossem os russos. Mas não me importo com o Duque (como tu, pelos vistos), nem com o Manuel Fernandes (como tu, imagino), por exemplo.

E, sobretudo, não me importo de me preocupar exclusivamente com o que se passa ali na TV. Estou cansado de levar o Sporting demasiado a sério. Não leves a mal, mas eu preciso do Sporting para me entreter nos intervalos da minha vida a sério, que já me dá muito trabalho, demasiado até. Percebes isso, não percebes? Torço por ti, sou um “carvalhista”, mas acima de tudo sou um cidadão, um contribuinte, um profissional por conta de outrem, um filho, um neto, um amigo, um namorado (sem ordem de prioridades). E, para o que interessa aqui, um sportinguista. Isto tudo vem à tua frente. E não quero que até tu, Brunus, me tires o Sporting que eu preciso. O Sporting que joga à bola. Olha, vou ali ver o livre do Matias… (ahhhh… quase… ele é que é o maior!).

Abraço, deste que te preza.

Cada um tem o clube que merece

Dez para as seis da manhã. Quatro horas de paciência, impaciência, sono, desespero, gargalhadas, riso histérico, alegria, tensão, surpresa, choque, vergonha, tristeza, melancolia, várias horas depois de se ter passado o inimaginável, finalmente o momento em que seríamos esclarecidos, em que alguém, oficial, do Sporting se dignava a dar satisfações aos sócios, adeptos e até rivais. Durante os vinte minutos seguintes, o relativamente obscuro presidente da mesa da AG em exercício deu uma explicação. Não sobre os resultados, mas sobre o que é o Sporting neste momento.

Primeiro, um “intróito”. Sobre si. Sobre o presidente demissionário, acerca do qual a história fará justiça (!), sobre o seus 15 minutos de fama. Seis da manhã! Milhares de pessoas à espera de alguém que trouxesse à terra um clube onde o presidente eleito tinha fugido dos sócios e o candidato vencido subido ao palanque e gritado Vivó Sporting, para júbilo dos sócios. Finalmente os resultados, carinha sorridente, mãezinha orgulhosa, Lino não sei do quê (who gives a fuck?), lá debitou os resultados que sabemos, sem deixar de esclarecer que cumpria os estatutos (e que estatutos tão bons que temos) ao fazê-lo perante os sócios, a família e os membros da lista do godinho, todos sócios naturalmente.

Falou em afinações. Que não tinha havido recontagens. Que suspirou fundo antes de atacar o último bloco de boletins. Que o seu sucessor recusou estar ali. Agradeceu aos profissionais, tão bons que eles são, só demoraram oito horas a contar 14.000 votantes. E chamou o godinho, todo sorrisos, venha-daí-amigo-que-vamos-ficar-por-aqui-mais-uns-aninhos. Para o fim, o inevitável agradecimento à família. O homem agradeceu à família!

Cada um tem o clube que merece. Este é o clube que todos merecemos. O clube não é dos sócios, é desta gente, que se acha no direito de usar metade do mais importante anúncio eleitoral da história do clube para dedicar o tempo a falar de si e dos seus amigalhaços. E esta gente não sai de lá. Está agarrada à cadeira, sem o Sporting a maioria vai carregar tacos de golfe de estrangeiros pelos greens do Algarve. Estão às centenas (todos votantes), todos agarradinhos ao fluxo de moedas que continua a vir lá de cima, onde estão as lapas maiores, agarradinhas, fortes, poderosas. Perder estas eleições era perder tudo o que construíram durante tantos anos. E isso não podia acontecer.

E não aconteceu. O Carvalho – ou outro qualquer – precisava de uma vitória esmagadora, para sobreviver às “afinações” e ao que viria a seguir, aos ataques cegos de ódio, às rasteiras e ao terrorismo interno permanente. Tinha o povo para o defender, mas o povo quer é pão e circo, a partir de determinada altura. Conseguiu o impensável, criar “outro” Sporting, o Sporting dos putos, dos anónimos, dos desinteressados, dos esclarecidos, dos que querem o clube de volta. Esse “outro” Sporting vai levá-lo a presidente do clube, assim o queira, agora ou daqui a uns anos. Mas ele também tem o clube que merece. Se tivesse sido mais humilde, mais presidenciável, talvez tivesse conseguido vencer já os fantasmas.

O Abrantes Mendes também tem o clube que merece. O Dias Ferreira também tem o clube que merece. Onde estavam? Onde estão? Então e o “rigor” e a “paixão” que apregoavam? São os maiores culpados disto, porque deviam ter “aprumado” os estatutos, desistido a favor da mudança que queriam e feito disto a segunda volta que o clube merecia… Há coisas mais importantes que brincar às administrações de condomínio.

E eu também tenho o clube que mereço. Tenho o clube com o pior presidente da história do futebol português. Sim, pior que o Bettencourt, num mano-a-mano. O que vale é que não vai mandar nada, é um “puppet”. Mas só de olhar para o seu carisma, fico sem vontade de pensar no Sporting. Um feito ao alcance de muitos poucos. E é isso mesmo que vou fazer, vou deixar de pensar no Sporting. Vou desligar a ficha, o cérebro, o raciocíonio… Para já, é com isso que fico. Com o cérebro desligado, à espera de um sinal…. que não seja o sr. presidente a ajeitar a placa com a língua durante o discurso de vitória, o pior discurso de vitória de sempre…

Um beijinho para a família de Lino de Castro, que sofreu tanto com a noite de ontem, coitadinha…

Adenda: Os sócios que votaram no godinho, tinham medo de quê? De alguém que pegasse no clube e o usasse para os seus fins pessoais, em detrimento do bem comum, que alterasse as regras do jogo para lucrar em benefício próprio e prejuízo do clube, que alimentasse uma rede de interessados, sem ligação aos sócios, que deixasse o estádio vazio e o clube a meio da tabela? Era disso que tinham medo? Do Vale e Azevedo? O Vale e Azevedo ao pé dos que estão no Sporting há anos, é um menino… e burro. Cada um tem o clube que merece… e quem teve a coragem de fazer a cruzinha no godinho tem o que merece.