Desespero, má formação ou “acordei e vi-me ao espelho”?

«É triste que pessoas sem passado venham deitar poeira para os olhos dos sócios, como se eles não percebessem […] Bruno de Carvalho é um candidato que não tem categoria para ser a terceira categoria do Vale e Azevedo», Godinho Lopes, in Agência Lusa.

p.s. – já agora, oh Godinho, não podias ter-te armado em macho no debate televisivo? É que só te vi engolir em seco…

Venha de lá essa mudança!

«Depois de uma reunião de mais de duas horas, o presidente da mesa da Assembleia Geral dos leões, Dias Ferreira, anunciou que, por unanimidade, os membros dos órgãos sociais do Sporting decidiram renunciar aos respectivos mandatos com efeitos a partir do dia 14 de Fevereiro.
Em consequência dessa decisão, Dias Ferreira anunciou para o dia 26 de Março uma assembleia geral eleitoral»

Ricciardi, Oliveira e Mendes também se demitiram?

Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida sportinguista.

Tenho poucas certezas sobre o que irá acontecer. Mas o mais provável é que o sistema perdure, com outro nome. Tenho a esperança que apareça um líder carismático, que se saiba rodear das pessoas certas e competentes, que tome mais decisões certas que erradas, que resgate o Sporting dos abutres que o rodeiam há anos, que não precise do Sporting para nada. Tudo aquilo que não foi o Bettencourt. Mas essa esperança é quase do domínio do místico. Dificilmente acontecerá.

O Bettencourt sai de fininho, debaixo de insultos e com cara de chorão, a caminho de um dos bancos a quem deu de bandeja a parte da SAD do Sporting que não é do clube, com os terrenos da Academia, o Estádio, os direitos TV, tudo lá metido. As decisões de gestão do Bettencourt – que ecoaram de forma mais trágica, a linha do passado – danificaram, se calhar algumas irremediavelmente, o clube. Física e moralmente.

O Bettencourt geriu muito mal o futebol, baixando sucessivamente os níveis médios de qualidade. Tomou uma decisão que irá marcar a memória colectiva do clube, para sempre, ao vender o capitão do Sporting a um rival. E nunca fez nada – pelo contrário – para mudar o futebol português, que tanto mal tem feito ao próprio Sporting, nos planos moral, financeiro e legal.

Futebol, política e finanças: os três pecados quase capitais que espelham uma gestão cujo fim não podia ser mais simbólico – deixa o clube à deriva, sem nexo, com treinador, jogadores, dirigentes escolhidos por ele à frente de um clube que já não é deles. Teoricamente…

… aqui é que bate o ponto: se a sucessão for feita pela mesma gente que lá anda, só mudam os nomes, talvez possa haver mais critério nas decisões. Talvez se consiga corrigir alguns erros de princípio. Mas o essencial mantém-se: o sr. Ricciardi e o sr. Vara financiam, o sr. Oliveira vende e o sr. Mendes compra. É esta a tríade que manda no Sporting, sem alternativas, sem os angolanos dos outros, sem os brasileiros dos outros, sem outras vias de fuga.

A saída do Bettencourt devia ser acompanhada de uma profunda avaliação da gestão do Sporting na última década que, num país e futebol normal, acabaria nas barras dos tribunais e, se não na prisão, pelos menos com avultadas indemnizações ao clube. O Bettencourt sairia com medo do futuro e não com cara de parvo. Não sai, porque sabe que tem as costas quentinhas… Para bem do Sporting, era preciso que a Santa Trindade do futebol português também se tivesse demitido. Não se demitiu: o Sporting é uma fonte de receitas demasiado importante para estes senhores, é um excelente negócio, agora mais que nunca. O sr. Oliveira já tem os direitos de TV por mais alguns anos, a preço de saldo, o sr. Ricciardi já tem óptimas contra-garantias para os avultados empréstimos feitos com “spreads” fantásticos, o sr. Mendes já tem os melhores jovens jogadores do plantel e Academia.

É este o balanço da presidência do Bettencourt: tudo feito com alguma classe, diga-se… na perspectiva da Santa Trindade…

O futuro não é negro, porque esta gente sabe que só ganham o deles se o Sporting continuar a jorrar receitas. Por isso é que, depois de garantida a sua presença por muitos e bons anos ao leme do clube, há que escolher maior competência nas áreas de gestão desportiva. Seja como for, que não haja ilusões: quem vier não pode fazer nada, absolutamente nada, à revelia dos homens que verdadeiramente mandam no clube. O Bettencourt assumiu o odioso da questão: e por isso, em vez de ser punido por nós, será recompensado por eles.