Adivinha quem voltou (num registo paninhos quentes)

António Dias da Cunha, ex-presidente sportinguista, quebrou o silêncio para destacar o excelente momento desportivo dos leões com esta nova direcção e neste início de temporada. Em entrevista a Bola Branca, o ex-dirigente sublinha que Bruno de Carvalho “é um presidente muito envolvido com o futebol”. “O mérito primeiro é dele“, complementa. Dias da Cunha não apoiou a candidatura do líder eleito, mas reconhece que “na gestão do futebol tem demonstrado muito acerto“.
Para além de Bruno de Carvalho, o antigo presidente elogia também Augusto Inácio e Leonardo Jardim, mostrando não estar preocupado com o lugar que a equipa ocupará no final da temporada e preferindo destacar “a maneira como o Sporting está a jogar, tendo em conta a juventude e a equipa técnica que está no clube pela primeira vez […] Acho que é um espanto a forma como Leonardo Jardim conseguiu pôr aquele conjunto a jogar da maneira como o está a fazer“, afirma. Bruno de Carvalho tem em marcha uma auditoria às contas do Sporting, algo que agrada a Dias da Cunha: “Espero que sirva para terminar com acusações feitas sem justificação e com os insultos […]  Se isso contribuir para esclarecer a realidade unindo os sportinguistas, então acho muito bem“, concluiu.

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O raio da galinha da vizinha e uma implacável cultura de exigência que nasceu há quatro meses

Época 2011-2012. Leonardo Jardim era, então, treinador do Braga. Em Alvalade, 50 mil enchiam as bancadas, entusiasmados pelo Sporting de Domingos, repleto de contratações sonantes. Passaram seis meses. Domingos foi posto na alheta (ou foi a alheta que se montou nele, vá-se lá saber) e, de um momento para o outro, jogadores como Douglão, Elderson, Paulo Vinícius ou Leandro Salino, tudo gente a actuar pelo Braga, passaram a ser exemplos de boa prospeção de mercado. No fundo, tal como João Pereira, Moisés, Rodriguez e Evaldo tinham sido apontados como uma defesa capaz de resolver os problemas que se iam arrastando, em Alvalade. Só não veio Moisés, que até já tinha passado pelo Sporting com documentos manhosos, e o resultado desse olhar para galinhas alheias foi o que se viu, com excepção para João Pereira.
Mas havia mais. Havia Lima que, sim senhor, já tinha mostrado que sabia o que fazia com a camisola do Belenenses, clube que o contratou a um Avaí (oi?!?), e havia Carlão, para muitos a batata mais ondulada do planeta, capaz de meter Wolfswinkel do bolso, rapaz que fez duas épocas engraçadas em Leiria, cidade onde chegou com um CV fantástico, onde se incluía, por exemplo, o Duque de Caxias e o Bangu (oi?!?) e que, pese os golos lá para as bandas do Lis, acabaria por sair para o Japão (nem sei onde é que este suposto craque anda actualmente).

Já este ano, foi surpreendente o entusiasmo como que vários adeptos leoninos encaram a possível contratação de Rafa. Vídeos bonitos no youtube e lá estava «o gajo que ganhava pouco e que era infinitamente melhor do que Labyad» (continuo incrédulo com os assobios com que o rapaz foi brindado, no jogo de apresentação). Depois, havia toda a constelação de estrelas canarinhas, perdão, estorilinas, que foram debandando para os lados do Dragão. «Oh, foda-se! andamos a dormir! estes gajos é que são craques que permitem formar uma bela equipa com pouco dinheiro». Diz que alguns destes achados, nem calçaram no jogo de apresentação, sorte que teve outro fenómeno, o Josué, outro que foi incrível ter-se perdido. Depois, depois levámos com nomes atrás de nomes pelos jornais. E era o Sílvio e era o Pizzi e era o catano. O primeiro contou com a clubite aguda do presidente da Associação de Futebol de Lisboa para não ficar de fora, por castigo, logo na primeira jornada; o segundo, e tal como o fantástico Hugo Vieira (lembram-se dele, também encaixava que nem uma luva em Alvalade), passa pelo outro lado da segunda circular para receber o cheque de assinatura de contrato e «vai lá dar uns chutos para Espanha que aqui não há espaço para portugueses».

Fico por isso meio atónito, face à revolta por muitos assumida no seguimento das contratações de Maurício, Welder (por empréstimo) e Magrão (sem esquecer os que chamam patudo a Cissé. Se calhar, porque o Carlão é que era). «É uma vergonha!», «este Inácio é um incompetente!», «está direcção é muito jeitosa para contas, mas de futebol percebe zero!», e por aí fora, numa implacável cultura de exigência e num surpreendente espírito crítico que parecem ter incorporado alguns sportinguistas aquando das últimas eleições. Rafa, o craque se Santa Maria da Feira, tinha lugar em Alvalade, mas qualquer um destes brasileiros de segunda (vale lá a pena olhar para os clubes por onde já passaram) é uma merda ainda antes de assinar contrato.

Seria hipócrita se vos dissesse que ponho as mãos no fogo por qualquer um deles. Seria hipócrita se vos dissesse que são contratações que me deixam tremendamente entusiasmado (algo que acontece com o despontar de tantos novos miúdos, formados por nós, e das notícias que vão dando conta da renovação de contrato com muitos deles). E seria hipócrita se vos dissesse que me agrada a possibilidade de irmos buscar o Orlando Sá.
Mas seria sei lá o quê se, sem os ver jogar, os apelidasse de merda só para poder atacar uma direcção que, diariamente, tem que limpar mais um cocó feito por quem de lá saiu há quatro meses, num cenário que leva, precisamente, a que tenhamos que procurar soluções que encaixem num rigoroso plano financeiro e numa rigorosa tabela salarial. Vergonha?!? Vergonha é achar normal que, por exemplo, Diego Rubio ganhe 500 mil euros por ano para praticamente não jogar. Vergonha é ter um gajo que custou 9 milhões, Elias, a dizer que deixou o Sporting com oito meses de salário em atraso!

Por isso, o que desejo é que o «trio elétrico» ajude os miúdos a animar a malta e a frase de Leonardo Jardim, «temos que viver com o que somos», faça eco na cabeça dos novos exigentes. Até porque, o que somos actualmente, em muito se deve, precisamente, à pouca ou nenhuma cultura de exigência, e ainda menor espírito crítico que, nos últimos cinco anos, deu carta branca aos «gestores de topo» para usarem o Sporting a seu belo prazer.

Passado, presente, futuro

«Não tive tempo nem união, enquanto estive no Sporting. Talvez um dia fale melhor sobre o que se passou… Sinto que tinha competência para ser treinador do Sporting e que podia ter vencido o desafio. […] Até à minha saída sinto-me responsável pela situação do clube. A partir daí não me podem responsabilizar pelo que não me deixaram fazer. A equipa era nova, saíram jogadores que não deviam ter saído e era preciso tempo. A qualidade estava lá, mas com tanta descrença… […] Leonardo Jardim já mostrou ser competente, conseguindo sempre bons resultados, mas precisa de tempo para trabalhar, tal como Inácio e o presidente. Os sportinguistas devem unir-se em torno desta jovem direcção. Só assim teremos um Sporting forte e ganhador», Sá Pinto, in Record.

Leão Leonardo

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A nova estrutura de futebol do Sporting vai ser apresentada hoje, 20 de Maio, às 19h30, no auditório Artur Agostinho do Estádio José Alvalade. 
Augusto Inácio, Virgílio Lopes e o novo treinador do futebol profissional Leonardo Jardim serão assim apresentados aos sócios e à comunicação social, neste dia que marca uma nova era do Clube.

Agrada-me que não se tenha perdido a noção de que temos muito trabalho pela frente. E de que quanto mais cedo lhe deitarmos as mãos, melhor!