Com três momentinhos apenas, se escreve 2010

É triste mas, a não ser que a minha memória já não seja o que foi, quando penso no 2010 leonino só consigo lembrar-me de três momentos que mereçam ser destacados pela positiva. É pouco. Imensamente pouco.



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Parabéns, Campeões!

Em Equipa que ganha não se mexe

Os números do Campeão não se fazem só de golos marcados e sofridos. Não se pode olhar unicamente para a diferença 78-20.

O Campeonato que agora finda fica também na retina como a temporada das 16 expulsões (7 na primeira parte) a favor contra 3 em 30 jogos.

Convém não esquecer os 11 penalties a favor.

Como é lógico, só mesmo um ataque absolutamente demolidor pode explicar a matemática.

Por isso, Parabéns a este verdadeiro dream team!

Pormenores…

Quando se questiona o porquê do Sporting seguir tão afastado dos três primeiros lugares, é dispensável entrarmos em grandes discussões tácticas. Basta pensar que desde o dia 29 de Janeiro, dia em que perdemos em Braga, apenas ganhámos um (um, foda-se!!!) jogo fora de casa (4-0 no Restelo)!
Mas o Carvalhal tem gostado da equipa e isso é o mais importante…

Agora nós (ou seja, agradeço que os lampiões vão pró caralho que os enrabe)

Eu continuo lixado. Fodido, mesmo. Não tanto por ter perdido com o Benfica, mas por ter perdido com este Benfica que já nada tem a ver com a equipa que começou a perder gás depois da boa exibição de Marselha. Por outras palavras, penso que perdemos uma excelente oportunidade de voltar a ganhar na Luz só que, infelizmente, e tal como Peseiro havia feito ao deixar Pinilla no banco e colocar Douala a ponta-de-lança, Carvalhal mostrou que o tamanho dos seus tomates deve ser equivalente ao do seu pescoço e armou uma táctica “a la Marítimo”, deixando Saleiro no banco e colocando João Pereira a médio direito (até tinha aceite que tivesses colocado o Postiga, oh Carvalhal).

A pressão alta, ao longo de toda a primeira parte, foi, também ela, um disparate pela forma como foi ensaiada. Então a ideia é pressionar os dois centrais e o trinco adversário, e apresentamo-nos com um único avançado, pedindo ao médio mais ofensivo, Moutinho, para correr meio-campo vezes sem conta, só para poder tentar roubar a bola ao balerma com cabelo à sideshow bob? Rebentou o avançado, rebentou o médio. E, depois, aquela teoria de que o 4-2-3-1 libertaria o João Pereira e o Yannick nas alas, não passou disso mesmo: teoria.
Acima de tudo, vi dois putos mais preocupados em fechar e criar superioridade a meio-campo, do que dois extremos a quem foi dito “só acabas com as cavalgadas quando tivermos enfiado duas batatas a estes filhos da puta e tiveres obrigado o lateral a fazer faltas suficientes para ir para a rua!” (sendo esta última parte bastante complicada, eu sei).
No fundo, este jogo deu-me a certeza de que o Carvalhal, apesar de alguns momentos engraçados, não poderia continuar como treinador do Sporting. Se até num jogo sem pressão (até o Guimarães fez o favor de empatar em casa, foda-se), o homem se mostra incapaz de deixar de pensar pequenino, então obrigadinho e vai lá tratar da tua vidinha.

Mas, mais importante do que um jogo que me deixou, como tantos outros nos últimos, fodido da vida, é a necessidade de olhar para trás e constatar o seguinte: nos últimos três anos, esta é a segunda vez que vamos ficar a 20 ou mais pontos do primeiro lugar. Isto admite-se?
De aceitar, de uma vez por todas, que a correctíssima aposta na nossa formação será sempre inglória se não for sustentada pela contratação de jogadores que façam a diferença (sim, já temos Pedro Mendes, mas precisamos de, pelo menos, mais três desse calibre).
De planear uma época com o devido tempo e, de preferência, marcando mais de quatro joguinhos de preparação.
De, de uma vez por todas, passar a considerar que ir à Champions e ganhar uma Taça é merda para as ambições do Sporting.
De perceber que o Sporting não é um centro de formação de treinadores.
De aceitar esta época como um buraco negro ao qual não queremos voltar. E começar do zero.

p.s. – parece que Vukcevic não fará parte do Sporting 10/11. Não sei se fará parte de uma estratégia de “limpeza de balneário”, mas sei que lamento que os treinadores que o apanharam no Sporting, não tenham sido capazes de transformar a sua personalidade e forma muito própria de ver o futebol, numa mais valia para o grupo. Pior, um deles viu, do banco, o homem render na posição onde sempre quis e onde sempre devia jogar. Mas preferiu ignorar. Boa sorte, Simon.

Dissemos adeus à oitava jornada

Podem falar do empate na Trofa. Da derrota em casa, com o Braga. Ou, se quiserem ser líricos, do empate em Coimbra.

Para mim, e completando o balanço da época feito pelo Douglas no post anterior (e com o qual concordo em quase tudo), a confirmação de que não seríamos campeões deu-se à oitava jornada, quando perdemos em casa com o Leixões. Não agarrámos a liderança e, pior, foi um balde de água fria para aquela que, muito provavelmente, foi a melhor assistência da época, em Alvalade.