Ponto final passado

«Grémio? Nunca foi ventilada essa possibilidade, pelo menos comigo. O Anderson tem mais um ano de contrato, todos anos existe especulação, mas ele está bem no Sporting. Se houver interesse, primeiro temos que saber se o Sporting aceita liberá-lo. Jogador com contrato tem que cumprir», Gilmar Veloz, empresário de Anderson Polga.
Caro Gilmar, acredito que o Polga esteja bem, muito bem, e nem me chocaria vê-lo como quarta opção, mais não seja por acreditar que é importante termos jogadores mais velhos e que o rapaz é mais Sportinguista do que o gordo que bate com a mão no peito e vai ser posto a andar com um cheque de 1,5 milhões de euros, ou lá o que é. Mas, ainda assim, sinto que a sua passagem pelo Sporting já deu o que tinha a dar.

«No dia do fecho das inscrições, subi ao quarto do hotel à espera de três entradas. Fui ao site da Liga à meia-noite e ainda não tinham nada. Fui aos sites dos países de onde eram suposto vir os jogadores e nada. Pensei logo: já fui», Paulo Sérgio, in Mais Futebol.
Caro Paulo, quando perdemos em Paços de Ferreira, na primeira jornada, pensei logo: já fomos. Mas a tua frase é uma grande frase. E não entendo porque razão, já que tiveste logo essa certeza, não bateste com a porta. Ah, já sei. O cheque…

«Entrou o Tales, sobre o qual tinha dado uma opinião negativa. É um miúdo fantástico, trabalhador, mas não tem dimensão para jogar no Sporting», idem.
Mas fazem o que querem e tu continuas sem bater com a porta. Ah, já sei. O cheque…

«Tenho o maior respeito por Bettencourt, mas ele não me disse que havia dificuldades para contratar jogadores. Para onde é que foi o dinheiro de Moutinho e Veloso? Não foi para o reforço do meu plantel, certamente», idem.
Ouvi dizer que o do Moutinho vem às mijinhas. E que ajudou a pagar o ordenado. Do Bettencourt. Ah, e o cheque…

Anúncios

Os amigos são para estas coisas

«Esta vitória também é do Sporting», disse, ontem, o Douglas, perante os festejos portistas pela conquista da Liga Europa.
Partilho contigo esta amargura, Douglas, mas permite-me trocar o “Sporting” por “Bettencourt&Co”. Oferecer, com 50% de redução de preço e em prestações, o jogador que os corruptos precisavam para colmatar a ausência de Lucho será, provavelmente, o mais vergonhoso e ruinoso negócio da nossa história.
Será que esse bandalho acabou a noite a agitar as maracas e a telefonar, dando os parabéns, ao gajo que lhe chamou cabeça de cotonete e a quem ele deu o cu?

Obrigado, Bettencourt

Obrigado por teres sido a última cavadela, num poço onde o Esbugalhado de Reguengos e os seus sucessores, na sua incessante procura do clube empresa, foram tentando afogar o Sporting Clube de Portugal.
Foste tu, meu caro José, que com essa tua capacidade inata para de futebol nada perceberes e para, de cada vez que abres a boca, nos deixares envergonhados, obrigaste até os mais conformados a começarem a sussurrar “estou farto desta merda…”.

Se queres ter orgulho na tua passagem cilíndrica por Alvalade, pensa que o deserto que nos deixaste obrigou a repensar o Sporting.
Vê lá tu, José, que já se deixou de lado a ideia de que podemos ser treinados por um qualquer moçoilo a quem baste ser bom rapaz e amigo do seu amigo.
Mais, ó cabeça de cotonete (não vais zangar-te, vais? O teu amigo Jorge chama-te o mesmo); percebeu-se que o Sporting Clube de Portugal não é uma empresa e passou-se a tentar incorporar nomes que façam sentido, quando associados à marca Sporting. Vê lá tu bem, que até o tal do Godinho, esse que diz que tudo muda sem nada mudar, já se rendeu aos ex-jogadores integrados na estrutura.

É, José. Não podia continuar a ser injusto contigo. Sem ti, talvez muito boa gente continuasse sem perceber que é necessário inverter o rumo.
Pelo menos, se quisermos continuar a ter o nosso Sporting… Forever.

Dissecando o zombie

Por muito que alguns dos que, diariamente, nos ajudam a fazer do Cacifo aquilo que ele é não gostem, a definição que o Douglas encontrou para o Sporting parece-me perfeita: zombie ou morto-vivo. Não creio, no entanto, que apenas dois ou três pedaços do zombie estejam livres da podridão que, nos últimos dois anos, semana após semana, alastra pelo corpo deste Sporting em agonia. Vai daí, lembrei-me de dissecar o zombie.

Cérebro
Foi aqui que o vírus teve início, trazido das planícies alentejanas por um senhor de olhos esbugalhados atrás de óculos fora de moda. Os que se lhe seguiram – uma espécie de Dom Quixote agarrado à coca, um cabeçudo de Torres amigo do whisky e crente de que valia mais três segundos lugares do que um primeiro, e um bandalho ordinário que fica na história do clube pelas piores razões – apenas contribuiram para alimentar os agentes infecciosos que grassam pelo corpo do nosso Sporting. Curiosamente, no dia 26 de Março, temos oportunidade de mexer no cérebro e começar a tentar que o antivírus faça efeito.

Olhos
Turvos… raiados de sangue… quase cegos. A culpa não é deles, mas sim das lentes que lhes deram. Umas lentes que servem para Paços de Ferreira, para Leixões, até para a Selecção, mas que levaram, nos últimos 30 meses (ao tempo que andamos nisto…) o clube para um verdadeiro deserto de ideias, de conhecimentos tácticos e, pior, para um derserto de identidade e de conhecimento da grandeza do clube. Para este zombie, jogar bem é esforçar-se e, no final, dizer que vamos levantar a cabeça. Não admira que o pescoço esteja todo fodido, de tantos esticões…

Boca
Não há. Não há uma voz de comando. Não há um grito. Não há um soldado capaz de guiar as tropas e minimizar a incapacidade do comandante para o cargo que desempenha. O zombie está mudo.

Pescoço / Cervical
Disse-o acima: tudo fodido. Das sete vértebras que minimizavam o andar marreco e de cabeça em baixo, uma está no estaleiro, outra foi para o Porto, outra foi para o Génova, outra enlouqueceu e não há treinador que lhe deite a mão, outra foi sambar a troco de uns milhares de euros que nos permitam, no final da época, pagar a cirurgia para lipoaspirar o sebo gadelhudo que se alojou na cintura. Sobram duas vértebras, demasiado tenrinhas e desamparadas para conseguirem fazer o que quer que seja.

As mãos
É das partes do zombie em melhor estado, muito por culpa de uma das vértebras tenrinhas que, apesar de tudo, vai conseguindo melhorar (mesmo sem alguém que o ensine). Claro que Patrício, fruto desse processo de crescimento, continua a enterrar de quando em vez, mas é dos pedaços do zombie que devemos preservar. Tiago, por uma questão de acreditar que sabe o que é o Sporting, poderá ser aproveitado para treinar os guarda-redes das camadas jovens. E o alemão, se quiser, pode ficar e ajudar o Rui a crescer.

Os pés
Dos nove dedos que restam ao zombie, aproveitam-se três e dois meios: Torsi (haja um defesa que não manda biqueirada para a frente), João Pereira (haja atitude a sério) e Carriço, pese embora este último dê indícios de poder estar afectado pelo virus. Os meios são Evaldo, a quem sou capaz de dar o benefício da dúvida e esperar para ver o que joga com um treinador decente, e Cedric, escondido num abrigo à espera que o surja a cura.
Os restantes dedos não têm qualidade para encher uma chuteira com mais de cem anos de história e aspirações a vencer. Ou porque já deram o que tinham a dar (Polga), ou porque são dos jogadores mais patéticos de que tenho memória (Grimi).

A cintura
Gorda e pesada. Maniche é um verdadeiro insulto para qualquer Sportinguista. Não tem lugar, obviamente. Pedro Mendes tem qualidade, mas o motor começa a dar sinais de cansaço (ainda assim, penso que é importante mantê-lo, até pelo carácter e experiência que representa para o balneário). André Santos é, claramente, para manter. Zapater… eu sei lá o que vale Zapater…

O coração
É curioso como o jogo de ontem mostrou que ainda existe alguém capaz de fazer bater o coração do zombie. Matías Fernandez fez, provavelmente, o seu melhor jogo ao serviço do Sporting, e deixou-nos esperançados num futuro onde Valdés e, quem sabe, Vuk, levarão o sangue limpo a todo o corpo (e há um tal de Tales que, de tão pequenino, nem se vê. Dá para emprestarem?)

Os braços
Para este zombie, em tempos conhecido como o maior fabricante de asas futebolísticas, abrir os braços é um constante esgar de dor (não só para ele como para nós). Cristiano ia abrir um rodízio com Paulo Sérgio e Cabral. Yannick é outro Varela ou outro Lourenço (como preferirem), incapaz de fazer mais do que seis ou sete jogos a sério por época, passando o resto do tempo entre movimentos tecnicamente aberrantes, o posto médico e o sofá, vendo os vídeos da Luciana a vomitar. Salomão só estará pronto para o Sporting depois de um ano numa equipa que lhe permita ir ganhando estaleca, enquanto não tira o aparelho dos dentes.

As pernas
Já viram que só temos duas? Postiga e Saleiro. Está tudo dito.

A alma
Somos nós e, confesso, ontem fiquei com a ideia de que seremos capazes de recuperar o zombie. Desde que não voltemos a dar-lhe um dador de sangue também ele infectado. Nesse caso, o melhor mesmo é dar um tiro na cabeça deste farrapo verde e branco.

Mas, afinal, temos medo de quê?

É a pergunta que não consigo deixar de colocar a mim mesmo, depois do presidente do Marítimo ter tido a decência de colocar preto no branco o assunto Kleber.

Portanto, sabemos que oferecemos mais do que o Porto. Sabemos que, ao contrário do Porto, demos conhecimento ao Marítimo da intenção de contratar o jogador. Sabemos que a nossa proposta de pagamento era exactamente igual à do Porto.
Em resposta, fomos apelidados de “ridículos” por um cabrão de um presidente brasileiro que deve estar a receber por baixo da mesa umas boas centenas de milhar de euros.

E a nossa resposta é um simples “ridículas foram as declarações do presidente do Atlético Mineiro. A proposta que apresentámos foi a que eles pediram, por isso, não vou entrar num diálogo baixo”, dito por José Couceiro?
Mas custa assim tanto apontar o dedo aos filhos da puta nortenhos, que fazem do futebol uma banca de fruta?
p.s. – espero que pelo menos um dos futuros candidatos venha com intenção de pôr um ponto final nesta vassalagem.

Não vales a ponta de uma pila, ó José!


Os sócios e adeptos morreriam de desgosto se o Liedson não ficasse. Acabou de casar-se com o Sporting, onde já teve uma carreira coroada de êxito e que ainda vai dar muitos frutos. Estamos, ele e nós, muito felizes. Liedson vale por cinco e, nestes casos, não existe o barato ou o caro. A rentabilidade é o que interessa. Liedson tem ambição, sente o clube e atrai os sócios, tendo demonstrado até aqui coração de leão“, José Eduardo Bettencourt, em Julho de 2009, aquando da renovação de contrato até 2012, com opção até 2013.

Em menos de dois anos, tudo isto passou a “[…] a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD vem informar, em complemento ao comunicado relativo ao acordo celebrado com o Sport Clube Corinthians Paulista para a transferência do jogador Liedson da Silva Muniz, que a mesma terá um impacto positivo nas contas da sociedade, nos exercícios de 2010/11 e de 2011/12, de €4.679.540,00, dos quais € 2.105.000 pela transferência dos direitos desportivos do jogador.”

És a página mais merdosa da história do meu clube, ó cotonete (para não fugir ao tom do teu amigo nortenho). E farei questão de dizer-to pessoalmente se um dia me cruzar contigo.