O Sporting são vocês mas é o caralho!

Não é fácil conseguir concentrar-me nesta necessidade de termos um treinador. Não que não considere a questão totalmente fundamental e pertinente, antes porque vejo o Sporting transformado numa espécie de pântano. Os papagaios do costume já começaram a dar sinais de vida (com destaque para aquele senhor que ainda deve estar fodido por lhe terem cortado a mesada que ganhava a servir gambas no Estádio de Alvalade) e, embora estranhamente ignorada na imprensa, aquela história do Fernando Mendes ter passado a ser o macaco do Godinho, solto de cada vez que é preciso ameaçar quem se manifesta contra.

A ser verdade o que se passou no Dragão, é caso de polícia. Ou não, porque, ao que se conta, a polícia terá fechado os olhos às agressões que iam tendo lugar à sua frente. Mas, se a polícia fecha os olhos, se a imprensa só pica a internet e a blogosfera para o que lhe interessa (alô, Xandão), é demasiado vergonhoso que a nossa direcção ignore tudo isto. Pior, esse silêncio, essa falta de vontade de apurar o que, realmente, terá acontecido, leva-nos à triste confirmação de que a direcção do nosso clube tem alguns membros que não foram apresentados aquando das eleições.

Eu já tinha manifestado a minha indignação perante o silêncio, aquando da compra de bilhetes para a final da Taça. Agredir e ameaçar sócios, muitos deles a terminar uma noite em branco para conseguir o seu lugar no Jamor, para “arrebanhar” todos os bilhetes e mais alguns e, depois, às claras, colocá-los à venda na casinha. O impunidade é tal, que se deram ao desplante de colocar uma tabela de preços afixada na porta, com os valores a quintuplicar no espaço de horas. E o que fez a direcção? Nada!

Agora, conta-se à boca cheia, o novo macaco e alguns seguidores que adoram exibir tarjas onde pode ler-se «o Sporting somos nós», terão sido promovidos a segurança secreta do Godinho Lopes e, vai daí, receberam ordens para caçar aqueles que, à porta do Solar do Norte, se manifestaram contra esta verdadeira palhaçada que vai sendo a presidência do anão de jardim. O terreno escolhido para ajustar contas com aqueles que não calaram a boca em troca de viagens à Bélgica e à Suíça, terá sido a bancada do Estádio do Dragão, num episódio que promete ter continuidade na já anunciada reacção do Directivo.

Portanto, como se tudo o resto não bastasse, existe a possibilidade de assistirmos a uma guerra de claques patrocinada… pela direcção.
Resta saber se este é um caso em que pode aplicar-se o provérbio “quem cala, consente”.

Queres comprar em Portugal? Paga!

Foi o que fizemos com o João Pereira  e é a conclusão a que chego depois de ver o Micael assinar pelo FCPorto por metade daquilo que, supostamente, nos pediam. E, ja agora, chamo a atenção para este post que, quanto a mim, resume na perfeição mais um sorrateiro acto de gestão daqueles bandalhos da Invicta com quem a nossa chefia insiste em manter cordiais relações.

TÁ MUITO BÓM (agora com imagem)


Grimi: Sabes que há uns gajos que dizem que tu és muito menos útil à equipa do que o Postiga e do que o Saleiro?
Liedson:  Não vai mi dizer que são os gajos que dizem que um avançado pode ser analisado em três eixos: o individual, o colectivo, e o relativo?
Grimi: Não, esse também acha que foi por saíres da equipa que o nosso futebol melhorou, mas são aqueles que dizem que tu és um avançado sem escola.
Liedson: Sabi qui mais, Grimi. Em dez minutos eu marco mais golos que o Postiga numa época inteira. Não acha isso bom?
Grimi: Aaaaaaaaaaaahhhhh, tá muito bom!

Efeito Ronny ou o constatar de um facto?

Foi o Ronny ou foi o facto do Paulo Bento ter abdicado de um lateral que não passa do meio campo, que mudou o jogo em Guimarães?

É um facto que o Ronny entrou muito bem em jogo, um pouco à imagem do Tiuí na final da Taça de Portugal, e teve peso enorme na reviravolta mas, para mim, este acontecimento só veio reforçar algo que estou farto de escrever aqui no Cacifo: uma equipa que precisa de atacar e encontrar espaços no meio campo adversário, não pode dar-se ao luxo de ter laterais que jogam de cadeirinha, como o Abel que faz centros do meio-campo (os centrais adversários agradecem) porque não vai à linha, ou como o Caneira, que equilibra defensivamente, mas que nem centros do meio campo faz.

É por isso que o Pedro Silva depressa ganhou a nossa simpatia, que o Pereirinha sempre será melhor lateral que o Abel, ou que o Grimi nos cativou e nos (me) fez pensar que era um bocado melhor do que realmente é. É por isso que perdemos pontos na Trofa ou em casa, com a Académica.

O Sporting, como qualquer clube que encontre 18 clubes defensivos em 20 jogos que faça, precisa de ter laterais capazes de desequilibrar. O Ronny conseguiu fazer isso.
(mas pedir que o homem seja o nosso médio esquerdo, é capaz de ser um bocadinho demais)

Esquizofrenia total!

Eu sou uma pessoa normal… mas também sou doente por esta merda.

Sou normal porque deixo que o Sporting invada a minha vida até ao exacto centímetro antes de passar a ser a minha vida. Mas sou doente o suficiente para que a minha vida tenha melhor ou pior sabor ao ritmo do tambor verde e branco.

Sou normal porque fecho a porta do meu cérebro, quando começa a contra-raciocionar a argumentos de gente como Lucílio Baptista, Pais António, Sílvio Cervan, João Gabriel, o homem dos frangos que diz que o Benfica não tem culpa, o meu colega que não se cala com as faltas do Derlei e do Rochemback, os transeuntes que vão buscar os penaltys do Jardel, ou o meu amigo que diz que, antes do golo do Pereirinha, o Vuk fez falta sobre o Maxi Pereira. Mas sou doente o suficiente para iniciar o processo de contra-raciocionar.

Sou normal porque, depois de tudo o que aconteceu ao futebol português nos últimos anos (Apitos, salários, sumaríssimos, Ligas, Papas, Valentins, A Bola, o Record, os Oliveira boys, o Estorilgate, os horários dos jogos, os Proenças, os Henriques, os Benquerenças, os Lucílios, os adiamentos, os atrasos, os regulamentos, a Superliga versão Liga dos Últimos), depois de tudo isto, eu quero deixar de viver com tanta intensidade o Sporting. Mas sou doente porque não consigo.

Sou normal por achar que nada deste insurdecedor ruído vai resolver os problemas reais do futebol português, nem os do Sporting. Mas sou doente por só ter vontade de gritar mais alto que o meu interlocutor.

Sou normal por acreditar que o Pedro Silva é um defesa direito fraco, o Soares Franco é um péssimo presidente do Sporting cuja estratégia eu refuto liminarmente, o Paulo Bento não tem competências técnicas à altura da grandeza histórica do Sporting, o João Moutinho desiludiu-me como símbolo e capitão. Mas sou doente por estar incondicionalmente ao lado de todos eles, hoje.

Sou normal por pensar que o Sporting tem uma equipa em sub-rendimento que só em raros momentos atinge o seu total potencial. Mas sou doente porque acredito, agora, depois disto, que ainda vamos ser campeões.

Sou normal porque quero ligar o computador e ver o Gran Torino, do Eastwood, acabadinho de sacar da net. Mas sou doente porque não consigo mudar dos vários canais que estão a dar puro lixo televisivo sobre a merda da Taça da Liga, seja no Prós e Contras do povo ou a ménage a trois de bestas dos canais de informação do cabo.

Sou normal por achar que a blogosfera é uma versão modernamente empobrecida do Espaço Público teorizado por Habermas. Mas sou doente por estar aqui a escrever isto. E por perceber na blogosfera que a doença é saudavelmente normal e o mundo normal está gravemente doente…

A democracia é uma maçada

“Em todas as assembleias gerais há sempre um núcleo aguerrido que contesta todas e quaisquer medidas que queiramos tomar, constituíram-se grupos de opinião e de pressão, como o Leão de Verdade ou a Associação de Adeptos Sportinguistas, que só sabem dizer mal e pôr tudo em causa. É ir aos blogues e ver a contestação diária que existe.”

Soares Franco, ao jornal O Jogo, para justificar porque não participa num processo eleitoral, livre e onde, em tese, se ganha pela força dos argumentos. Ou, por outras palavras, “Eu gostava mesmo era de ser presidente de um clube como o Benfica. Ou o Porto. Ali, sim, vale a pena trabalhar. É um doce…”.