Fica-te bem, oh Carlos

«Acompanho o futebol português, como é natural, mas não queria muito falar dos problemas do Sporting. O que entendo é que, no meio das atribulações que tem vivido, consegue manter-se inalterável o apoio dos seus adeptos», Carlos Carvalhal, in Record.

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Os rumores de mercado tiram-me do sério

Pode ser tudo mentira. Pode ser tudo para vender jornais. Mas há certos rumores de mercado que me deixam profundamente irritado.
Não, o problema não é o suposto interesse no Bruno Gama (vá lá saber-se porquê, o nome faz-me lembrar o Ivo Damas).
O problema são os constantes exemplos de ausência de visão a médio (já nem digo a longo) prazo e de estratégia que os nossos dirigentes deixam transparecer.

Penso que, por esta altura, já todos terão visto que o Evaldo do Sporting não é o Evaldo do Braga. Ok, não será um flop como Wender, mas é claramente um jogador a quem o peso da camisola verde e branca (mesmo neste estado) tolda os movimentos e a capacidade de fazer o que o lateral de um clube grande deve fazer: passar tanto ou mais minutos no meio-campo adversário, ajudando a encolher a equipa contrária e a criar situações de superioridade no último terço do terreno. E que opção temos? Grimi.

Penso que, por esta altura, já todos terão visto que precisamos de alguém para ocupar o lugar de Liedson que, infelizmente, já não é o abono de família que foi maquilhando a miséria que jogávamos semana após semana. E que opções temos? Postiga. Saleiro. Djanick.

Ora então, pergunto eu, não faria sentido que o Jogo avançasse que o Sporting tinha garantido o Kleber, do Marítimo, para a próxima época? (custa assim tanto ver o que o puto joga?)
Ora então, pergunto eu, não faria sentido que o Record avançasse que o Sporting está a tentar contratar o Taye Taiwo, possante lateral esquerdo do Marselha? (bastou ver o homem contra os lampiões, para perceber qualquer coisa, ou não?)

A verdade é que, depois de termos andando a brincar ao Carvalhal, em vez de prepararmos a época seguinte com um treinador a sério, devia estar preparado para isto e muito mais. Mas não estou. E isto irrita-me. Comamerda!

Os estranhos desígnios da arte de gerir (take 1)

Ao passar os olhos pelos desportivos de ontem e de hoje, fico com a ideia de que Couceiro será capaz de resolver dois dos problemas do plantel: Caneira e Izmailov.

Caneira, um dos homens fortes de Paulo Bento, tornou-se numa verdadeira pedra no sapato. Apontado como o principal bufo do balneário, passando informações em demasia ao seu amigo Seara, deixou o bandalho do seu empresário, Paulo Barbosa, dificultar ao máximo a tentativa do Sporting para resolver a situação de um jogador sem lugar no plantel. Bolton e Fulham foram dois dos três clubes ingleses propostos pelo Sporting e a todos eles Caneira torceu o nariz, preferindo fazer finca pé enquanto o seu empresário choramingava um tratamento discriminatório por parte da entidade patronal.

O mesmo empresário é figura incontornável no caso Izmailov, um caso que não só me enche de vergonha como de tristeza: pela forma como o Sporting tratou um dos seus mais valiosos e dedicados jogadores; pela forma como Izmailov se deixou conduzir por aquele bandalho anteriormente citado. Com um bocadinho de sorte, em Março o russo estará de volta e, fica já o recado, só espero que Paulo Sérgio (se ainda cá estiver) não faça o que fez Carvalhal, obrigando um jogador vindo de paragem prolongada e com pouco ritmo a fazer todos os minutos e mais alguns.

Nos dois processos há, também, outra figura incontornável: Costinha. E aqui, a questão é muito simples: se Couceiro conseguir acalmar as águas e resolver estes dois bicos de obra, como é que o fatiotas justificará o seu total insucesso para levar a bom porto contas que eram do seu rosário?

Para onde caminhas tu, meu Sporting?

“Vocês nem chegam ao Natal”.
Tal como tantos outros Sportinguistas, cresci a ouvir esta frase. Acabei por habituar-me, murmurando para mim mesmo que tal estado de coisas haveria de terminar. E terminou mesmo. Mal sabia eu que, uma década volvida, estaria novamente a embrulhar presentes e a pensar que a época futebolística está terminada.

Acontece que, ao contrário do que sucedia nas décadas de 80 e 90, olho para o futuro do meu Sporting e não vejo nada. Nada, mesmo. Ou melhor, vejo uma total ausência de respeito pela grandeza do clube que jurei defender diariamente. Nessas décadas de travessia do deserto, qualquer treinador que viesse para o Sporting sabia qual era o seu objectivo: ganhar, ganhar e ser campeão. E, caso não o conseguissem, eram os primeiros a ter a hombridade de colocar o lugar à disposição. Se, por alguma razão, não o fizessem, eram os presidentes a colocá-los nos seus devidos lugares.

“E o que é que ganhámos com essas mudanças e com a falta de estabilidade?”, poderão perguntar. Pouco, é verdade, mas foi uma dessas mudanças que nos levou a pintar o país de verde e branco. Quatro ou cinco anos passaram, e abraçámos essa dita estabilidade, apostando em treinadores que, numa espécie de tiro no escuro, pudessem revelar-se um novo Mourinho. Acontece que Mourinho há apenas um e, hoje, não chegar ao Natal é motivo para o treinador afirma que se sente perfeitamente seguro no lugar e para o presidente afirmar que confia plenamente na estrutura que escolheu para o nosso futebol.

Depois fala-se de orçamentos e da falta de capacidade financeira para comprar jogadores que façam a diferença. Deve ser por isso que praticamente só ganhámos aos dois últimos da tabela.
Depois lamenta-se a sorte madrasta que leva as bolas a embater nos postes e na trave. Mas não se lamenta a ausência de capacidade futebolística para criar situações de golo que entusiasmem a plateia e permitam ganhar os jogos.
Depois dá-se a entender que o plantel tem poucas soluções, como se não desse que pensar o facto de termos contratado dois defesas centrais para colocar um ponto final nos problemas defensivos e, hoje, termos a titular um homem a quem tinha sido aberta a porta de saída.
Depois pede-se tempo e paciência, como se não nos tivesse sido pedida a mesmíssima coisa nos últimos cinco anos.
Depois empolam-se pequenas conquistas, como se ganhar uma Taça e ficar em segundo fosse tão bom como ficar em primeiro.

Cinco anos em que, dolorosamente, nos fomos afastando de algo que faz parte da nossa forma de estar. De pensar. De ser. Tendo, ainda, que ouvir o primeiro presidente da história a viver à conta do nosso clube afirmar que somos uns maus Sportinguistas por não aceitar este estado de coisas.

Lenha para a fogueira

No excelente post que escreveu abaixo, Douglas diz “De tão pequeno que aparenta ser, Costinha foi outro dos cobardes desta história […]  alguém vai atirar várias pedras e fugir…”.
Ora, se este artigo for verdade, parece que o rei dos fatos está farto de atirar pedras e tem enorme peso em muita da merda que vai fazendo com o que nosso clube nos cheire mal. Muito mal.

Culpados? Todos!

Claro que ainda estamos no reino dos “ses”, mas este poderá ser o final de uma maldita “estória” que, a terminar desta forma, não terá apenas um mau da fita.
Bettencourt, porque parece que não pertence a este filme.
Costinha, porque fez tudo para ter uma participação de peso no argumento e produção.
O nosso departamento médico, claro candidato ao Framboesa de Ouro.
Izmailov, pela falta de inteligência que tem demonstrado ao longo de toda a trama.
Paulo Barbosa, simplesmente por ser quem é e representar o que representa no nosso futebol.
Carlos Carvalhal, pela sua prestação, como mero figurante, numa das cenas mais quentes da película.