Quem é Mohamed Labyad?

A pergunta ecoou pela mente de milhares de Sportiguistas, depois de terem lido o relatório e contas e percebido que Labyad veio tudo menos de borla ou pagando uma simples compensação ao PSV.
Ora, ao que parece, Mohamed Labyad é pai do Zakaria e a godinhice em que o Sporting se encontrava mergulhado até deu para dar uma banhada à CMVM, contratando o tal do Mohamed como “olheiro” de forma a pagar mais de dois milhões em comissões relacionadas com a transferência.
A auditoria de gestão promete. Ó se promete…

p.s. – ainda relativamente a Labyad, se é para continuarmos a pagar-lhe o ordenado não faria sentido que o deixassemos tentar justificar o que ganha nos treinos e, caso seja convocado, em campo?

O raio da galinha da vizinha e uma implacável cultura de exigência que nasceu há quatro meses

Época 2011-2012. Leonardo Jardim era, então, treinador do Braga. Em Alvalade, 50 mil enchiam as bancadas, entusiasmados pelo Sporting de Domingos, repleto de contratações sonantes. Passaram seis meses. Domingos foi posto na alheta (ou foi a alheta que se montou nele, vá-se lá saber) e, de um momento para o outro, jogadores como Douglão, Elderson, Paulo Vinícius ou Leandro Salino, tudo gente a actuar pelo Braga, passaram a ser exemplos de boa prospeção de mercado. No fundo, tal como João Pereira, Moisés, Rodriguez e Evaldo tinham sido apontados como uma defesa capaz de resolver os problemas que se iam arrastando, em Alvalade. Só não veio Moisés, que até já tinha passado pelo Sporting com documentos manhosos, e o resultado desse olhar para galinhas alheias foi o que se viu, com excepção para João Pereira.
Mas havia mais. Havia Lima que, sim senhor, já tinha mostrado que sabia o que fazia com a camisola do Belenenses, clube que o contratou a um Avaí (oi?!?), e havia Carlão, para muitos a batata mais ondulada do planeta, capaz de meter Wolfswinkel do bolso, rapaz que fez duas épocas engraçadas em Leiria, cidade onde chegou com um CV fantástico, onde se incluía, por exemplo, o Duque de Caxias e o Bangu (oi?!?) e que, pese os golos lá para as bandas do Lis, acabaria por sair para o Japão (nem sei onde é que este suposto craque anda actualmente).

Já este ano, foi surpreendente o entusiasmo como que vários adeptos leoninos encaram a possível contratação de Rafa. Vídeos bonitos no youtube e lá estava «o gajo que ganhava pouco e que era infinitamente melhor do que Labyad» (continuo incrédulo com os assobios com que o rapaz foi brindado, no jogo de apresentação). Depois, havia toda a constelação de estrelas canarinhas, perdão, estorilinas, que foram debandando para os lados do Dragão. «Oh, foda-se! andamos a dormir! estes gajos é que são craques que permitem formar uma bela equipa com pouco dinheiro». Diz que alguns destes achados, nem calçaram no jogo de apresentação, sorte que teve outro fenómeno, o Josué, outro que foi incrível ter-se perdido. Depois, depois levámos com nomes atrás de nomes pelos jornais. E era o Sílvio e era o Pizzi e era o catano. O primeiro contou com a clubite aguda do presidente da Associação de Futebol de Lisboa para não ficar de fora, por castigo, logo na primeira jornada; o segundo, e tal como o fantástico Hugo Vieira (lembram-se dele, também encaixava que nem uma luva em Alvalade), passa pelo outro lado da segunda circular para receber o cheque de assinatura de contrato e «vai lá dar uns chutos para Espanha que aqui não há espaço para portugueses».

Fico por isso meio atónito, face à revolta por muitos assumida no seguimento das contratações de Maurício, Welder (por empréstimo) e Magrão (sem esquecer os que chamam patudo a Cissé. Se calhar, porque o Carlão é que era). «É uma vergonha!», «este Inácio é um incompetente!», «está direcção é muito jeitosa para contas, mas de futebol percebe zero!», e por aí fora, numa implacável cultura de exigência e num surpreendente espírito crítico que parecem ter incorporado alguns sportinguistas aquando das últimas eleições. Rafa, o craque se Santa Maria da Feira, tinha lugar em Alvalade, mas qualquer um destes brasileiros de segunda (vale lá a pena olhar para os clubes por onde já passaram) é uma merda ainda antes de assinar contrato.

Seria hipócrita se vos dissesse que ponho as mãos no fogo por qualquer um deles. Seria hipócrita se vos dissesse que são contratações que me deixam tremendamente entusiasmado (algo que acontece com o despontar de tantos novos miúdos, formados por nós, e das notícias que vão dando conta da renovação de contrato com muitos deles). E seria hipócrita se vos dissesse que me agrada a possibilidade de irmos buscar o Orlando Sá.
Mas seria sei lá o quê se, sem os ver jogar, os apelidasse de merda só para poder atacar uma direcção que, diariamente, tem que limpar mais um cocó feito por quem de lá saiu há quatro meses, num cenário que leva, precisamente, a que tenhamos que procurar soluções que encaixem num rigoroso plano financeiro e numa rigorosa tabela salarial. Vergonha?!? Vergonha é achar normal que, por exemplo, Diego Rubio ganhe 500 mil euros por ano para praticamente não jogar. Vergonha é ter um gajo que custou 9 milhões, Elias, a dizer que deixou o Sporting com oito meses de salário em atraso!

Por isso, o que desejo é que o «trio elétrico» ajude os miúdos a animar a malta e a frase de Leonardo Jardim, «temos que viver com o que somos», faça eco na cabeça dos novos exigentes. Até porque, o que somos actualmente, em muito se deve, precisamente, à pouca ou nenhuma cultura de exigência, e ainda menor espírito crítico que, nos últimos cinco anos, deu carta branca aos «gestores de topo» para usarem o Sporting a seu belo prazer.

A dura realidade

É normal que, enquanto adeptos, sonhemos com craques que reforcem a aposta nos nossos «putos maravilha». Mas, face a números como os que surgem abaixo, cabe-nos controlar essa nossa vontade e perceber o único caminho possível: renovar (com os putos) e endireitar (as contas, esmagadas por ordenados inacreditáveis). Até porque ainda falta resolver casos como Pranjic, Bojinov, Jeffren, Boula ou Onyewu…

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p.s. – tinha-me esquecido de outro craque, o Gelson! Entre o que mamou, num ano, e o que conseguimos recuperar, na transferência, ainda ficámos a perder dinheiro.

12 milhões

É a bombinha do dia, chutada para um canto da capa da Bola. Ao longo do reinado do pequeno Godo, pagaram-se 12 milhões em comissões!!!
Claro que foi necessário convidar a sair o médico que não queria dar o sim à contratação de Rodriguez e de Luís Aguiar, entre outros, porque o importante era fazer bons negócios, mas o que são 12 milhões para quem tinha uma bomba de gasolina que valia 18?

Pequenos crimes entre amigos

Sim, é verdade, a notícia do Jogo está por confirmar, mas parece-me perfeitamente possível tendo em conta o nosso passado recente. Como é que se explica uma coisa destas, como é que se pagam balúrdios a dois putos que até podem nunca adaptar-se, é que eu já não sei (mas que alguém deve ter comido umas belas mariscadas, ou pago o colégio dos filhos, com as comissões, ai isso deve).

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Chamar os bois pelos nomes

Que fique bem registado quem nos conduziu a este momento!

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SPORTING 2011/12

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Com quantos ovos se faz a omelete da estabilidade?

Quando: 31 de janeiro, um dos dias mais vergonhosos e patéticos da história do Sporting
Arma: ovos.
Alvo: vice-presidente da mesa da assembleia geral do Sporting.
Snipers de pacotilha: os dos mustafados comunicados.
Motivo: manter a estabilidade* no Sporting.

*Estabilidade
Qualidade de estável; Firmeza, solidez; Permanência; Equilíbrio; (nova entrada, em 2012) forma de encher os tímpanos a sócios e adeptos, na tentativa de manter um poder nefasto e bafiento 
Tudo começou há quase dois anos, numa noite que se arrastou madrugada dentro e se cravou na história do Sporting como um dos momentos mais negros da mesma. Era noite de eleições, as mesmas que, ainda hoje, permanecem envoltas em dúvidas. O recém-eleito Godinho Lopes pedia aos sócios e adeptos que colocassem de lado as divergências e que o deixassem cumprir um projecto que traria o Sporting vencedor de volta.
A turba acalmou-se, aplaudiu contratações, comprou camisolas e cachecóis, encheu Alvalade num jogo de apresentação onde nem faltou um pobre Leão branco metido numa jaula. A época começou mal, mas ninguém arredou pé. Uma onda de vitórias fez-nos acreditar que era possível conquistar algo. Puro engano. Na procura da estabilidade, que começava a ser manchado com episódios patéticos como o das paredes dos túneis ou a rábula da visita ao estádio dos orcs, Domingos é demitido. E Carlos Barbosa demite-se.

«Calma», pede Godinho, que anuncia Sá Pinto como o homem certo no lugar certo. A turba volta a responder positivamente e, mesmo que com dúvidas, aceita acreditar num nome que lhe falava ao coração. Canta-se bem alto o nome Sporting, numa madrugada passada no aeroporto, mas o grito final fica atravessado na garganta, em pleno Jamor. Pelo meio, Paulo Pereira Cristóvão, arrasta o nome do Sporting para uma lama com a qual temos tentado evitar sapicar-nos. Demite-se, não se demite, é demitido. Mas aqui, meus amigos, não se colocava em causa a estabilidade.

Nova época, novas promessas, zero futebol. O passar de de um sono agitado para um pesadelo. À saída de jogadores com carisma, junta-se uma série de exibições e resultados vergonhosos. Sá Pinto, o tal que tinha sido apresentado como o homem certo no lugar certo, é demitido. Atira-se Oceano para a fogueira, sem que se perceba se é ele que fica até final, se está ali de forma provisória (isso logo se veria, importava era a estabilidade). Passados quinze dias, de olhos esbugalhados, Godinho rouba a vassoura a Duque e dá-lhe tamanha varridela que Freitas vai por arrasto. Tal como o projecto que recuperaria o Sporting vencedor. «Meus amigos, sócios e adeptos, ao fim de um ano e meio de trabalho percebi como é que isto funciona. Basto eu, uma espécie de especialista e um treinador. Ninguém nos pára!», anunciou Godinho, enquanto os jogadores perguntavam a Oceano: mister, o mister é o mister ou vem outro mister?

Veio, pois que veio, um gajo que eu tinha na minha caderneta de cromos do México 86. Ex-jogador com pinta, Franky Vercauteren foi apresentado como um treinador vencedor e ideias condizentes com a do presidente. Era o homem certo para estabilizar o Sporting, apostando na formação. Desculpe?!? Sim, apostar na formação. É esse o caminho. É esse o projecto. Mas, calma, estava tudo planeado. Afundámos as contas do clube para deixar os miúdos crescerem, cheios de estabilidade, na equipa B. Agora que estão prontos, podemos despachar, a qualquer custo, estes gajos que custaram e recebem balúrdios, pois já se acabou o dinheiro para pagar estes ordenados. Mas, por favor, acreditem em mim e no meu trabalho. Só precisamos de estabilidade ade ade ade ade ade ade (o eco ouvia-se pela boca dos notáveis do costume).

Entretanto, enquanto Franky esperava pela chegada do adjunto, Godinho trazia Jesualdo Ferreira. Estabilidade. «Eu sou o treinador dos treinadores», disse o professor, que depressa viu que o aluno belga era caso perdido e, com a concordância do reitor, tratou de mandá-lo para casa, suspenso ad eternum. E sem telemóvel. «Estejam descansados que agora é que é», disse Godinho para, imagine-se, os muitos que ainda o queriam escutar ou, mais estranho ainda, para os que acreditavam que a culpa do Sporting estar a lutar para não descer era dos que assobiavam a direcção e questionavam o trabalho feito. Dos que não davam estabilidade, no fundo.

E, em busca dessa estabilidade, Jesualdo Ferreira deu uma conferência de imprensa que acendeu, ainda mais, os ânimos. A claque amiga fazia greve. A marcação de uma AGE, para dar voz aos sócios, estava em marcha. «Voz aos sócios?!? Para quê? Isso não traz estabilidade!», exclamou Godinho (ade ade ade ade ade ade, o eco ouvia-se pela boca dos notáveis do costume). Abre a janela de transferências e a estabilidade transforma-se em leilão. Em trocas e baldrocas. Em ameaças de impugnação, em anúncios de providências, em comunicados de uma claque transformada em guarda pretoriana. Jesualdo volta a ser voz de quem o contratou, reforçando que os jogadores precisam de paz para trabalhar. Mas qual paz, foda-se?!?, apetece perguntar, enquanto os exemplos de incompetência se vão acumulando.

Anuncia-se Niculae. De uma assentada, alegra-se o cada vez mais ferido coração dos adeptos e dá-se, finalmente, um parceiro a Wolfswinkel. Medida do cacete. «Presidente, isto vai dar merda», alguém alerta Godinho. «Oh, anuncia lá o gajo no site. Olha lá, já limparam a foto do russo com a camisola do porto, não já?». O gajo, Marius Niculaeu, é anunciado. Mas não vem, porque ninguém sabe se pode jogar. «Musta, manda lá uns quantos gajos aterrorizarem o cabrão do Sampaio e quem mais por lá estiver, que eu vou ligar ao gajo que eu tenho como exemplo, para ver se desenrasco esta «estória» do avançado. Duvido que o meu amigo me deixe na mão. Olha, olha, e leva uns ovos. Vamos mostrar a estes gajos, como é que se cozinha a omolete da estabilidade!»