O que já foi, o que ainda está e o que há-de vir

Em declarações ao jornal do Sevilha, Daniel Carriço recordou o tempo em que vestiu de verde e branco e deixou uma nota elucidativa: «Os últimos anos foram complicados porque mudámos muitas vezes de presidente e treinador. Eu  era capitão, tinha apenas 21 ou 22 anos e tudo mudava. Éramos jogadores da casa, mas em dois anos chegaram 25 ou 26 jogadores novos e os que já lá estavam sentiam-se deslocados».

Entretanto, Labyad é uma estranha ausência na lista de convocados para o Torneio do Guadiana. Numa altura em que as opções começam a ser mais finais, será que está de saída?

Cardozo já deu a conhecer, através do seu empresário, que nem quer ouvir falar em jogar no Spartak de Moscovo. «Só se eu fosse estúpido é que voltava a equipar de encarnado e branco!», terá dito o paraguaio, segundo confidenciou, ao Cacifo, o seu irmão, Rámon Carodozo. Tacuarita, disse-nos, ainda, que Oscar Cardozo está «entusiasmado com a possibilidade de ir para o Sporting. Ele ainda hoje fala na noite em que, com o estádio da Luz cheio, só conseguia ouvir os adeptos do Sporting

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Enfim…

Dizem que Ogushi Onyewu ganhava muito dinheiro. E que falou grosso para o Sá Pinto. Num misto de contenção de custos e de gestão desportiva patética, emprestou-se o Capitão América ao Málaga. Veio um holandês, que também ganha muito, não joga um caracol e está sempre lesionado. Veio um argentino que é defesa esquerdo, mas que alguém julgou ser capaz de adaptar a central. Ficou um brasileiro que vive dos louros de um golo de calcanhar, ao City, mas que terminará a carreira ao nível de Gladstone. E um português que é mais trinco do que central, mas que, face ao quatro apresentado, tinha lugar sem espinhas no centro da defesa (ele e o Polga).

Agora, o brasileiro que, já se sabia, nunca seria contratado a título definitivo, vai para a Rússia. O português já cá não está. O holandês está lesionado (a sério?!?). E o argentino continuará a ser adaptado. Conclusão? Valia tanto mais pagar o ordenado ao Ogushi, não valia?

Pagar na mesma moeda?

Para nós, adeptos, fez confusão a forma como, de semana para semana, Domingos ia atribuindo as culpas dos maus resultados aos jogadores. E, pese a forma como nunca chegou a espirrar nada cá para fora, é de acreditar que nem todos estivessem ao lado do treinador.
Não deixa de ser curioso que, agora, com Sá Pinto ao comando, comecemos a ouvir frases como a de João Pereira, dizendo que no tempo de Paciência a bola parecia que tinha picos (sim, depois veio dizer que não tinha nada a ver com o treinador), a de Carriço («Sá Pinto é da casa e, como eu, sente o clube. No fundo trouxe muita motivação, ambição, o grupo está unido e demos as mãos pelo mesmo objetivo») ou a de Marcelo («Com o Sá Pinto todos têm de correr, todos têm de marcar»).
Eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que há aqui uma tentiva de deixar bem claro que, afinal, a culpa não era só de quem entrava em campo.

 

Unhas encravadas

Elias e Matías são compatíveis?
Domingos tem gerido com mestria os vários estados de alma do balneário. Basta recuar ao último jogo e recordar a entrega da braçadeira a Daniel Carriço, numa forma de motivar ainda mais um jogador que vinha de marcar no regresso à titularidade. E, a bem dessa gestão, Matías, motivado pelo bom jogo na Liga Europa, manteve a titularidade nos jogos da Liga, ocupando o lado direito do meio-campo a meias com Elias e com João Pereira. Ganhámos, é verdade, mas parece-me que ficamos sempre a perder. Matías será compatível com Elias num meio-campo onde ambos joguem no centro, mas a equipa e o próprio jogador ficam a perder quando o chileno é encostado à linha direita. O que Capel faz à esquerda, alguém terá que fazer à direita. Carrillo ou Jeffrén, com Pereirinha à espreita, são donos do lugar e ponto final.

Jeffrén
O cabrão do 7 voltou a afzer das suas pelas bandas de Alvalade. Agora que parecíamos estar a renovar o brilho dessa camisola através da recuperação de Bojinov, somos surpreendidos pelo calvário do número 17. E surpreendidos será um tanto ou quanto subjectivo, pois ao que parece os problemas musculares não são de agora. Estou-me a cagar se o rapaz precisa de acompanhamento psicológico, se tem uma formação muscular de atleta de velocidade, se isto se aquilo. Sei que o departamento médico não ficou lá muito bem na fotografia e que a equipa está a ser prejudicada pela ausência de um talento inegável. Há que resolver esta questão o mais depressa possível e, tanto por nós como por um jogador muito acima da média com apenas 23 anos, quando Jeffren voltar a jogar é para fazê-lo várias semanas seguidas.

Rodriguez
Mais um jogador com um historial de lesões que explica o porquê de passar mais tempo de fora do que a jogar. Domingos confia nele, por isso o trouxe de Braga, e é um jogador que, para além da experiência e de ser dos quatro centrais o mais talhado para jogar à esquerda, nos torna mais fortes no jogo aéreo. A novela das idas à selecção, onde as lesões parecem desaparecer por obra e graça dos espíritos de Machu Picchu, só servem para que os adeptos o olhem de lado e, cada vez mais, se questione a necessidade de, em Janeiro, trazer outro central (para mim isto nem se questionava. Era trazer um que pegasse de estaca ao lado do Onyewu).

Rinaudo
É vergonhosa a perseguição de que está a ser alvo. Os dois últimos amarelos só são aceitáveis à luz de uma campanha que visa deixá-lo de fora do derby, e deixam Domingos com uma dúvida por resolver: colocá-lo, ou não , frente ao Leiria? Eu confesso que o deixava de fora e até era capaz de experimentar colocar Elias ou Schaars a trinco, recuperando Matías para o meio. É que a teoria de que, vendo um amarelo, pode forçar o segundo e ser expulso (cumprindo o castigo contra o Braga, para a Taça) é muito bonita se pensarmos que vamos ter um jogo que permita ficarmos com menos um de propósito. Para além de que, à partida, será mais complicado receber o Braga do que o Leiria.

Eu é que jogo no lugar do Elias!

A frase poderá passar pela cabeça de André Santos, de Pereirinha e de Matías Fernandez. E passaria, seguramente, pela cabeça de Luis Aguiar, estivesse ele a, pelo menos, 70%. Mas o mais importante é saber o que passará pela cabeça de Domingos.

Para mim, Pereirinha não tem intensidade para o lugar, ainda por cima tendo que substituir um dos mais rotativos da equipa. O jogo de Zurique foi claro exemplo disso. Sobram André Santos e Matías e, caso fosse eu a optar, começava o jogo com o chileno. Está com pouco ritmo, é verdade. Não dos gajos que mais pressiona, pois que também é verdade. É fraco no choque, é sim senhor. Mas está aqui a oportunidade de entregar-lhe um papel semelhante ao que desempenha (e tão bem que o faz), na selecção, tendo oportunidade de partir mais atrasado, e com mais tempo para pensar, para encarar os médios defensivos e defesas contrários de frente.
Schaars e Rinaudo vão ter que pedalar ainda mais, até porque o meio-campo da Lázio tem valor inquestionável, mas Matías poderá dar aquele toque de magia que faz a diferença.

p.s. – quanto à situação de Rodriguez, cheira-me que a resolução do problema passa por ir buscar outro central, na reabertura de mercado. Até porque, parece-me, dos quatro que temos é o único talhado para jogar à esquerda.

Preocupações

Ontem, ao jantar, e pese a crescente onda de esperança que se apodera de nós, percebi que partilho com o Cintra e com o Douglas algumas preocupações:
– o nosso lado esquerdo, todo. Evaldo continua a revelar-se mediano, Yannick continua por revelar. A chegada de Capel (a confirmar-se, é um negócio do cacete), poderá resolver o problema do meio campo para a frente. Falta resolvê-lo para trás;
– será a nossa defesa, nomeadamente os centrais, capazes de responder a um adversário que coloque bolas em profundidade, nas costas da defesa? é que já se sabe que Domingos gosta da defesa subida e não temos propriamente homens muito rápidos no centro (e é impensável mantermos a pressão alta, impedindo o adversário de preparar lances longos, durante 90 minuto);
– Rinaudo é grande, pois que é, mas será capaz de refrear os ímpetos ou, se se preferir, será capaz de escapar aos amarelos que a sua forma de jogar lhe podem valer?
– o que é que se passa com Bojinov, foda-se? Está a perder peso? Está condicionado? Está enfiado na cama com o Lazanova?
– Postiga vai ser titular…