Pormenores

Estou a assistir ao Madrid-Borussia através do inglês Sport +3. Intervalo. Estúdio. Quatro gajos analisam a partida. Quatro gajos falam de futebol. Gary Lineker conduz o programa, tendo como parceiros de conversa Graeme Souness, Trevor Francis e Steven McManaman. Por momentos, penso nas análises aos jogos feitas cá no burgo. E sinto que aterrei noutro planeta.

Do cacete

4-0 ao Barça, numa espécie de vingança do que aconteceu há quatro anos. Não me cheira é que a segunda mão fique 1-1. E diz que o senhor do apito, ao ver a cor do equipamento bávaro, decidiu contribuir para a campanha «largueza que é limpinho», permitindo um bloqueio digno de um jogo da NBA que viria a resultar num golo.

E se fosse connosco?

Penso que todos estaremos de acordo, se for dito que o segundo golo de Milito, na final da Champions desta noite, foi um enorme golo.

Não posso, no entanto, deixar de desafiar-vos a fazerem o seguinte exercício: e se, em vez de van Buyten, tivesse sido, por exemplo, Anderson Polga a ter ficado com os rins desfeitos pelo movimento do avançado? E se, em vez do Lahm, tivesse sido o Grimi a ficar a olhar para o seu colega ser “comido”? E se, em vez de van Buyten, Demichelis, Lahm e Schweinsteiger, tivessem sido Tonel, Carriço, Grimi e Izmailov a mostrarem-se incapazes de parar um contra-ataque conduzido por dois adversários?

Quer-me parecer que, a esta hora, estaríamos literalmente a ignorar o momento de “futebol de rua” a que tivemos direito, e do qual tanto gostamos, e todas as nossas forças estariam a ser gastas em críticas e pedidos de “vassourada”. E, quer-me parecer, é essa vontade de apontar o dedo e, seguidamente, o caminho da rua, que temos que refrear enquanto adeptos.
É que, por exemplo, continuar a falar em Villas Boas quando Paulo Sérgio ainda nem um treino dirigiu e, pasme-se, quando parece ser o próprio fêcêpê a não acreditar ser possível clonar o Special Mou, é um péssimo ponto de partida para uma época que todos esperamos poder fazer-nos esquecer o calvário dos últimos sete ou oito meses.

Ao aeroporto…

 … perguntar ao Paulo Bento porque é que, quando acabamos de levar um golo que nos tirou a vantagem na eliminatória, decide substituir o nosso organizador de jogo, numa altura em que era claro que a Fiorentina ia abdicar de assumir o jogo. Para meter o Djaló a 10, um jogador que não controla uma bola em pressão? Ou como meio caminho para meter o Tonel a saltar na frente, em mais uma bela versão do Carnaval de Torres?

Não criámos nem mais uma oportunidade de jogo e não fizemos mais nada se não bombear bolas… sem nexo, sem estratégia, sem táctica, sem treinador. Nos últimos 30 minutos dos dois jogos desta eliminatória ficou à vista porque é que o Paulo Bento não serve para o Sporting… é o período em que os bancos decidem os jogos equilibrados. E o banco do Sporting  já está debaixo de água.

Mais um metro ao fundo…

E o iceberg, ninguém viu?

Titanic_sub

Ao Paulo Bento, revolta ver o Rochemback atirar-se para os pequenos botes com crianças e mulheres. A mim também, porque com aquele peso os próximos dias da Mulher e da Criança em Alvalade prometem mais lugares vazios na bancada.

Mas até compreendo que o Rochemback queira saltar do Titanic. Não tanto porque seja maricas, que é, mas sobretudo porque é esperto. Aquela circunferência abdominal não encontra par em nenhum diâmetro de nenhuma bóia. E no barco ainda vão algumas nutricionistas de bom aspecto.

A mim revolta-me mais que o capitão do Titanic não tenha lido as coordenadas com cabeça e não tenha reparado que estava a levar o barco por mares inundados de icebergs. E que, quem estava de vigia, não tivesse reparado, a tempo, que se aproximava um bloco de gelo a um ritmo assustadoramente lento, como lento é o futebol da equipa há um ano.

Ao menos não se pode acusar o homem de não ter avisado para onde caminha o Sporting. Vamos ao fundo, sem apelo nem agravo. Mas vamos ao fundo com os dentes cerrados, numa demonstração de grande coragem e de grande sportinguismo. Todos lá em baixo, a morrer asfixiados enquanto a banda toca e a Kate e o Leonardo se beijam pela última vez (ou a Floribela e o Djaló).

Hoje, vejo o jogo de colete vestido e insuflado… e fico à espera do sinal do Paulo Bento para suster a respiração…  Vivó Sporting!