Ao menos, respeitem o Sporting!

Estou de férias há quase 15 dias e ponho os tomates no cepo em como mais de 95% do pessoal que aqui vem diariamente, não deu por isso.

Comprometido com duas causas, o Sporting e o Cacifo, tenho feito o possível por não deixar abrandar o espírito e o ritmo a que esta casa habituou milhares de Leões espalhados pelo mundo. Mesmo que isso tivesse implicado, por exemplo e face ao ataque cardíaco dos dois computadores, enfiar-me num centro de internet, algures no interior do país. Num cabrão de um barracão onde a temperatura ameaçava fazer desmaiar alguém, fiquei ao lado de um gajo dos seus 45 anos, boné ao contrário, a tentar engatar gajas no Facebook. Isso até seria cómico, caso o dito engatatão não libertasse um pivete a queijo de cada vez que mexia os pés, exibidos com orgulho através de uns chinelos manhosos. Pior, como o Cacifo é do caralho, o raio do computador decidiu informar-me não podia aceder à página devido ao excesso de linguagem. Com o maldito chulé a invadir-me um dos cinco sentidos, vi-me obrigado a instalar o chrome, a mergulhar nas pré-definições de segurança e a entrar pela porta dos fundos do Cacifo.

Por estas e por outras que, é verdade, só faço porque quero é verdade, não posso deixar de ficar lixado quando vejo o que vi na caixa de comentários do «antepost». Como o meu mood férias me impede de perder uma dezena de minutos a apagar carradas de comentários que se resumem a uma troca de galhardetes sem interesse algum, vim da praia com a decisão de escrever este post.

Ao fim de cinco anos e meio, é com satisfação que vejo que alguns dos que já fazem parte da mobília dão o exemplo de ignorar a maioria dos comentários de merda, sejam eles de tripas, lampiões ou cogumelos. No fundo, percebendo que cada resposta que alimenta os imbecis é mais uma resposta que eu tenho que apagar sempre que procuro arejar a casa. Mas também já percebi que muitos desses nomes que acompanham o Cacifo há anos, refrearam as suas intervenções por falta de paciência, precisamente, para estas dezenas de respostas de merda a intervenções de merda que acabam por resultar em dezenas de comentários de merda.

Era isso que eu gostava que vocês percebessem: que o fight & resist também passa por aqui! Que o tentar fazer do Cacifo um bastão de Sportinguismo, não se coaduna com guerrinhas e implicâncias pessoais, com valorização de comentários de tristes adversários em busca de um pouco de atenção, com off topics com menos valor do que um livre marcado pelo Afonso Martins.
E se sou capaz de perceber que estejam a cagar-se para mim, se, mesmo a custo, engulo que estejam a cagar-se para o Cacifo, não posso deixar de pedir-vos que, pelo menos, respeitem o Sporting!

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O raio da galinha da vizinha e uma implacável cultura de exigência que nasceu há quatro meses

Época 2011-2012. Leonardo Jardim era, então, treinador do Braga. Em Alvalade, 50 mil enchiam as bancadas, entusiasmados pelo Sporting de Domingos, repleto de contratações sonantes. Passaram seis meses. Domingos foi posto na alheta (ou foi a alheta que se montou nele, vá-se lá saber) e, de um momento para o outro, jogadores como Douglão, Elderson, Paulo Vinícius ou Leandro Salino, tudo gente a actuar pelo Braga, passaram a ser exemplos de boa prospeção de mercado. No fundo, tal como João Pereira, Moisés, Rodriguez e Evaldo tinham sido apontados como uma defesa capaz de resolver os problemas que se iam arrastando, em Alvalade. Só não veio Moisés, que até já tinha passado pelo Sporting com documentos manhosos, e o resultado desse olhar para galinhas alheias foi o que se viu, com excepção para João Pereira.
Mas havia mais. Havia Lima que, sim senhor, já tinha mostrado que sabia o que fazia com a camisola do Belenenses, clube que o contratou a um Avaí (oi?!?), e havia Carlão, para muitos a batata mais ondulada do planeta, capaz de meter Wolfswinkel do bolso, rapaz que fez duas épocas engraçadas em Leiria, cidade onde chegou com um CV fantástico, onde se incluía, por exemplo, o Duque de Caxias e o Bangu (oi?!?) e que, pese os golos lá para as bandas do Lis, acabaria por sair para o Japão (nem sei onde é que este suposto craque anda actualmente).

Já este ano, foi surpreendente o entusiasmo como que vários adeptos leoninos encaram a possível contratação de Rafa. Vídeos bonitos no youtube e lá estava «o gajo que ganhava pouco e que era infinitamente melhor do que Labyad» (continuo incrédulo com os assobios com que o rapaz foi brindado, no jogo de apresentação). Depois, havia toda a constelação de estrelas canarinhas, perdão, estorilinas, que foram debandando para os lados do Dragão. «Oh, foda-se! andamos a dormir! estes gajos é que são craques que permitem formar uma bela equipa com pouco dinheiro». Diz que alguns destes achados, nem calçaram no jogo de apresentação, sorte que teve outro fenómeno, o Josué, outro que foi incrível ter-se perdido. Depois, depois levámos com nomes atrás de nomes pelos jornais. E era o Sílvio e era o Pizzi e era o catano. O primeiro contou com a clubite aguda do presidente da Associação de Futebol de Lisboa para não ficar de fora, por castigo, logo na primeira jornada; o segundo, e tal como o fantástico Hugo Vieira (lembram-se dele, também encaixava que nem uma luva em Alvalade), passa pelo outro lado da segunda circular para receber o cheque de assinatura de contrato e «vai lá dar uns chutos para Espanha que aqui não há espaço para portugueses».

Fico por isso meio atónito, face à revolta por muitos assumida no seguimento das contratações de Maurício, Welder (por empréstimo) e Magrão (sem esquecer os que chamam patudo a Cissé. Se calhar, porque o Carlão é que era). «É uma vergonha!», «este Inácio é um incompetente!», «está direcção é muito jeitosa para contas, mas de futebol percebe zero!», e por aí fora, numa implacável cultura de exigência e num surpreendente espírito crítico que parecem ter incorporado alguns sportinguistas aquando das últimas eleições. Rafa, o craque se Santa Maria da Feira, tinha lugar em Alvalade, mas qualquer um destes brasileiros de segunda (vale lá a pena olhar para os clubes por onde já passaram) é uma merda ainda antes de assinar contrato.

Seria hipócrita se vos dissesse que ponho as mãos no fogo por qualquer um deles. Seria hipócrita se vos dissesse que são contratações que me deixam tremendamente entusiasmado (algo que acontece com o despontar de tantos novos miúdos, formados por nós, e das notícias que vão dando conta da renovação de contrato com muitos deles). E seria hipócrita se vos dissesse que me agrada a possibilidade de irmos buscar o Orlando Sá.
Mas seria sei lá o quê se, sem os ver jogar, os apelidasse de merda só para poder atacar uma direcção que, diariamente, tem que limpar mais um cocó feito por quem de lá saiu há quatro meses, num cenário que leva, precisamente, a que tenhamos que procurar soluções que encaixem num rigoroso plano financeiro e numa rigorosa tabela salarial. Vergonha?!? Vergonha é achar normal que, por exemplo, Diego Rubio ganhe 500 mil euros por ano para praticamente não jogar. Vergonha é ter um gajo que custou 9 milhões, Elias, a dizer que deixou o Sporting com oito meses de salário em atraso!

Por isso, o que desejo é que o «trio elétrico» ajude os miúdos a animar a malta e a frase de Leonardo Jardim, «temos que viver com o que somos», faça eco na cabeça dos novos exigentes. Até porque, o que somos actualmente, em muito se deve, precisamente, à pouca ou nenhuma cultura de exigência, e ainda menor espírito crítico que, nos últimos cinco anos, deu carta branca aos «gestores de topo» para usarem o Sporting a seu belo prazer.

Coincidências

No dia em que os senadores brasileiros aprovaram o projecto de lei que transforma a corrupção em crime hediondo, o que faz com que os condenados por corrupção percam o direito à amnistia, indulto e pagamento de fiança para serem libertados, Godinho Lopes resolveu reaparecer com pérolas como «Quem está na direcção do clube, sabendo que está de passagem, deve unicamente preocupar-se em trabalhar e servir».
Trabalhar e servir quem, é a pergunta que fica.

hoje escreves tu: No Reino dos Quartins sem Graça

Antes de mais, dirijo-me ao Ralph Meade: Ralph, sei que não enviaste um texto para esta rubrica, mas o teu comentário foi ao encontro de um post que eu andava para escrever há já algum tempo. Assim sendo, e esperando que não leves a mal, passo a publicá-lo com o título que tinha escolhido para o meu post.

 

No Reino dos Quartins sem Graça, by Ralph Meade

Eu também não gosto de unanimismos kimjongilistas. O BdC está em estado de graça e seria muito estranho que isso não acontecesse. Porra, o gajo foi eleito há dois meses, não tem responsabilidades nos resultados desportivos, ainda não apresentam o pacote financeiro porque não houve a AG e recebeu uma casa de doidos, de putas finas que nem foder sabem. No meio deste caos, o presidente tem de gerir o dia-a-dia e planear o futuro. E claro que há coisas que não cumpriu. Umas ainda não cumpriu e acredito, sinceramente, que vá cumprir (investidores, auditoria e outras) e outras não cumpriu e não acredito que cumpra (gabinete autónomo de preparação física ou terceiro elemento). E há outras promessas que espero que não cumpra: o corte de 50 por cento das modalidades, por exemplo.

E por isso, o texto, há uns posts atrás, do Rigaboss é compreensível. De vez em quando há por aqui um unanimismo que roça a idolatria. O presidente é o presidente de todos os sportinguistas, mesmo de quem não votou nele. Não estou a falar dos croquetistas, estou a falar de muitos adeptos e sócios que apoiaram as restantes direções. E que apoiaram mesmo o Couceiro, porque tinham medo de mudar. Pela lógica de alguns comentários aqui, a malta após o 25 de Abril deveria prender todos os que nada fizeram contra o regime salazarista. Foda-se, isso era 70 por cento dos portugueses. Devemos focar a nossa raiva e o nosso rancor (legítimo) nos que usufruíram deste estado de degradação do nosso clube, nos que beneficiaram com isso como se fossem cangalheiros.

Mas também percebo que neste blog a malta azede com facilidade perante as críticas e não haja já paciência para perceber quem é sério e honesto na abordagem da situação e quem só está aqui para irritar e motivar respostas. É que o sucesso desta empresa do Cherba, acarinhada por nós, levou a que o Cacifo fosse uma referência e atraísse cogumelos, gestores de comunicação ou simples trolls. Estes estão aqui para provocar, testar e desgastar. E por isso, a malta responde a torto e a direito. Hoje é o Pau, ontem foi outro, anteontem foi outro. Com provocações baratas e observações que até poderiam ser pertinentes se não estivessem movidas por um ódio cego contra esta direção. Ora, para combater o Ódio Cego, como dizia o Tolkien, só um Amor Incondicional.

E por isso, caros SCP’s, Paus e outros trolls afins, quanto mais provocarem e irritarem com comments cretinos e insidiosos o resultado será o cerrar ainda mais apertado em torno do BdC. Essa vossa estratégia vai virar-se contra vocês, poluir o debate limpo e, no final, o vosso objetivo será extamente o contrário.
Deixem o gajo trabalhar, pelo menos o tempo suficiente para errar de facto e não apenas aparentar que erra. Ou então, infelizmente para vocês, acertar.