Leonardo e as boas dores de cabeça

Depois do jogo de ontem, creio que Leonardo Jardim tem excelentes dores de cabeça à sua espera.
Comecemos pela defesa. Se Patrício, Maurício e Rojo estão de pedra e cal, são várias as dúvidas envolvendo as laterais. Piris, rapaz que chegou sem que quase déssemos por ele, cumpriu, primeiro, à esquerda, frente ao Vitória de Setúbal e, ontem, no seu lado natural, o direito, voltou a deixar clara ideia de ser um jogador bem acima da média. Confesso, até, que estranhei a não utilização de Cédric, dado ter sido sempre preterido nos jogos da selecção. Quererá isso dizer, que Leonardo Jardim já sabe que Jefferson estará recuperado e pondera apostar em Piris para o jogo no dragão. Terá sido uma opção unicamente para dar minutos a Magrão?

Depois, o meio-campo, onde Vítor disse presente de forma vincada. É verdade que o adversário era inferior, mas também é verdade que a entrega ao jogo e os vários pormenores apresentados fazem com que André Martins tenha concorrência apertada. E a titularidade do ex-Paços pode, inclusivamente, ser uma das surpresas reservadas para o próximo domingo.

O craque e a equipa

montero

 

«”Estou muito feliz e agradecido, porque sei que este é o reconhecimento do meu trabalho. No entanto, este não é um prémio apenas meu, mas que divido com todos os meus companheiros e com toda a equipa técnica, que muito tem trabalhado. Queremos continuar a fazer as coisas bem e a olhar para o campeonato jogo a jogo”, Montero, sobre o facto de ter sido escolhido como o melhor jogador da Liga, nos meses de agosto e setembro.

Palavras que se cruzam bem… com estas!

wilson montero

Transparência

comunicado2

 

 

No âmbito da reestruturação levada a cabo, foram solucionados 57 processos: 19 dos quais relacionados com renovações contratuais de jogadores e 13 com a contratação de novos jogadores (equipas A e B).

“ (…) Quanto aos números, além do que foi comunicado à CMVM, registo com agrado que a rescisão de contrato dos jogadores Onyewu, Pranic e Boulahrouz, tiveram um custo global de cerca de 1.13M ( 327 mil, 333 mil, 466 mil ). Valores mais baixos do que estava à espera.
Os custos de aquisição de Cissé ( 750 mil por 75% passe ) e Maurício 450 mil ( 90% ), talvez algo mais altos do que eu tinha suposto.
Jefferson custou 500 mil ( 60% do passe ) +200 mil prémio de assinatura.
Montero, empréstimo, com custo de 1.135M+ opção de compra de 1.173M.
Magrão, custo zero, tal como Vitor, Sambinha, King ( em função do número de jogos terá um custo entre 25 a 250 mil ).
Slimani custou 300 mil. (…)“

Quem é Mohamed Labyad?

A pergunta ecoou pela mente de milhares de Sportiguistas, depois de terem lido o relatório e contas e percebido que Labyad veio tudo menos de borla ou pagando uma simples compensação ao PSV.
Ora, ao que parece, Mohamed Labyad é pai do Zakaria e a godinhice em que o Sporting se encontrava mergulhado até deu para dar uma banhada à CMVM, contratando o tal do Mohamed como “olheiro” de forma a pagar mais de dois milhões em comissões relacionadas com a transferência.
A auditoria de gestão promete. Ó se promete…

p.s. – ainda relativamente a Labyad, se é para continuarmos a pagar-lhe o ordenado não faria sentido que o deixassemos tentar justificar o que ganha nos treinos e, caso seja convocado, em campo?

As últimas movimentações

Vítor chega do Paços, para lutar por um lugar na posição 10. Já sei que muitos dos que choraram a não contratação de um quarto da equipa do Estoril e de um quarto da equipa dos Castores vão, agora, dizer que isto não tem jeito algum. A verdade é que Vítor é um dos jogadores que se vinha destacando na nossa Liga, tendo sido dado como quase certo no Belgrado de Carnide e nos ingleses do Middlesbrough.  O Sporting ganha mais uma opção de meio-campo, onde William e Rinaudo lutam pela posição 6; Adrien é o 8 com Martins pronto a assumir o lugar em caso de emergência; Martins é o 10, com a concorrência de Magrão (que também pode jogar a 8 ou a médio esquerdo num 4-4-2) e, agora, com a concorrência de Vítor. No meio de tudo isto, é bom não esquecer outro nome: João Mário.

Quem aterra em Alvalade, também, é Iván Piris, defesa direito da selecção paraguaia e que, na época passada, foi titular ao serviço da Roma. É pena não se ter conseguido este negócio mais cedo, pois escusávamos de levar com o empréstimo de Welder por um ano (cheira-me que em Janeiro está de volta ao Brasil, desejando que, até lá, não tape o lugar a nenhum miúdo na B). Cédric ganha um concorrente a sério e o Sporting também ganha uma opção a sério.

Há, ainda, Tiziu, Everton Tiziu, um avançado com pinta a la Neymar que promete animar os jogos da equipa B.

Rubio vai crescer para a Roménia, mas duvido que consigamos vendê-lo por 10 milhões a um clube chamado Pandurii.

Ainda não percebi se Jeffren foi para o Espanhol. Ou se Bojinov vai para o Parma. Tenho é a certeza que vamos ter que abrir os cordões à bolsa para despachar o Boula e o Evaldo. E lamento que a novela Labyad tenha um argumento complicado de finalizar.

Ah, é verdade! Foi engraçado ouvir Bruma dizer que vai ter saudades do Sporting e que voltará. Tal como diz muito da sua personalidade, o facto de Ilori ter dado uma entrevista e ter ignorado o clube que o formou. No fundo, provam os dois que são putos estúpidos.

Renovação vs revolução

«A partir de hoje, apenas com saídas haverá mais entradas de jogadores. Não considero que o plantel esteja fechado porque considero que irá haver saídas», Bruno de Carvalho.

olhemos para o plantel – 1 – Rui Patrício 2 – Welder 3 – Maurício 4 – Jefferson 5 – Marcos Rojo 8 – André Martins 9 – Slimani 10 – Gerson Magrão 11 – Diego Capel 12 – William Carvalho 15 – Eric Dier 17 – Fredy Montero 18 – Carrillo 20 – Labyad 21 – Rinaudo 22 – Marcelo Boeck 23 – Adrien Silva 28 – Wilson Eduardo 41 – Cedric 92 – Cissé (e sobram dois lugares em aberto, podendo um deles ser para Ilori. sinceramente, Bruma parece-me carta fora do baralho).
Posto isto, parece-me que existem três nomes que encaixam na consideração do presidente: Patrício, Rojo, Labyad e Capel. E, caso venha a ter lugar a saída de algum deles, sou da opinião que não precisamos de contratar quem quer que seja. Há miúdos na B capazes de ocuparem os lugares em aberto.

Adeus Rubio?

«O Sporting tem nas equipas A e B cinco excelentes avançados e a possibilidade de dar várias alternativas ao treinador. Era isso que ele pretendia e nós esforçámo-nos para lhe dar», Bruno de Carvalho, na apresentação de Slimani.

Slimani, Montero, Cissé, Wilson Eduardo e Betinho? Ou o presidente estava a pensar em Wilson como extremo e a juntar Diego Rubio à lista?
Eu continuo a achar que o ideal era uma negócio a la Viola.

O primeiro kick de Super Slim

«Já conhecia o Sporting como uma das melhores escolas de futebol do mundo, de onde saíram grandes jogadores como Ronaldo, Nani e Figo. É um a honra fazer parte desta família e poder usar esta camisola […] Obviamente que vim para ser titular, mas claro que cabe à equipa técnica julgar se as minhas capacidades servem o Sporting ou não […] Se Deus quiser vão ver como Slimani é bom e depois vão poder julgar. Estar a falar antes não vale a pena», Slimani, durante a sua apresentação.

p.s. – já agora, parece-me uma excelente oportunidade para recuperar o cântico que era do Ivkovic. «Sli, Sli, Slimani! Sli, Sli, Slimani!»

slimanisuperkick

O raio da galinha da vizinha e uma implacável cultura de exigência que nasceu há quatro meses

Época 2011-2012. Leonardo Jardim era, então, treinador do Braga. Em Alvalade, 50 mil enchiam as bancadas, entusiasmados pelo Sporting de Domingos, repleto de contratações sonantes. Passaram seis meses. Domingos foi posto na alheta (ou foi a alheta que se montou nele, vá-se lá saber) e, de um momento para o outro, jogadores como Douglão, Elderson, Paulo Vinícius ou Leandro Salino, tudo gente a actuar pelo Braga, passaram a ser exemplos de boa prospeção de mercado. No fundo, tal como João Pereira, Moisés, Rodriguez e Evaldo tinham sido apontados como uma defesa capaz de resolver os problemas que se iam arrastando, em Alvalade. Só não veio Moisés, que até já tinha passado pelo Sporting com documentos manhosos, e o resultado desse olhar para galinhas alheias foi o que se viu, com excepção para João Pereira.
Mas havia mais. Havia Lima que, sim senhor, já tinha mostrado que sabia o que fazia com a camisola do Belenenses, clube que o contratou a um Avaí (oi?!?), e havia Carlão, para muitos a batata mais ondulada do planeta, capaz de meter Wolfswinkel do bolso, rapaz que fez duas épocas engraçadas em Leiria, cidade onde chegou com um CV fantástico, onde se incluía, por exemplo, o Duque de Caxias e o Bangu (oi?!?) e que, pese os golos lá para as bandas do Lis, acabaria por sair para o Japão (nem sei onde é que este suposto craque anda actualmente).

Já este ano, foi surpreendente o entusiasmo como que vários adeptos leoninos encaram a possível contratação de Rafa. Vídeos bonitos no youtube e lá estava «o gajo que ganhava pouco e que era infinitamente melhor do que Labyad» (continuo incrédulo com os assobios com que o rapaz foi brindado, no jogo de apresentação). Depois, havia toda a constelação de estrelas canarinhas, perdão, estorilinas, que foram debandando para os lados do Dragão. «Oh, foda-se! andamos a dormir! estes gajos é que são craques que permitem formar uma bela equipa com pouco dinheiro». Diz que alguns destes achados, nem calçaram no jogo de apresentação, sorte que teve outro fenómeno, o Josué, outro que foi incrível ter-se perdido. Depois, depois levámos com nomes atrás de nomes pelos jornais. E era o Sílvio e era o Pizzi e era o catano. O primeiro contou com a clubite aguda do presidente da Associação de Futebol de Lisboa para não ficar de fora, por castigo, logo na primeira jornada; o segundo, e tal como o fantástico Hugo Vieira (lembram-se dele, também encaixava que nem uma luva em Alvalade), passa pelo outro lado da segunda circular para receber o cheque de assinatura de contrato e «vai lá dar uns chutos para Espanha que aqui não há espaço para portugueses».

Fico por isso meio atónito, face à revolta por muitos assumida no seguimento das contratações de Maurício, Welder (por empréstimo) e Magrão (sem esquecer os que chamam patudo a Cissé. Se calhar, porque o Carlão é que era). «É uma vergonha!», «este Inácio é um incompetente!», «está direcção é muito jeitosa para contas, mas de futebol percebe zero!», e por aí fora, numa implacável cultura de exigência e num surpreendente espírito crítico que parecem ter incorporado alguns sportinguistas aquando das últimas eleições. Rafa, o craque se Santa Maria da Feira, tinha lugar em Alvalade, mas qualquer um destes brasileiros de segunda (vale lá a pena olhar para os clubes por onde já passaram) é uma merda ainda antes de assinar contrato.

Seria hipócrita se vos dissesse que ponho as mãos no fogo por qualquer um deles. Seria hipócrita se vos dissesse que são contratações que me deixam tremendamente entusiasmado (algo que acontece com o despontar de tantos novos miúdos, formados por nós, e das notícias que vão dando conta da renovação de contrato com muitos deles). E seria hipócrita se vos dissesse que me agrada a possibilidade de irmos buscar o Orlando Sá.
Mas seria sei lá o quê se, sem os ver jogar, os apelidasse de merda só para poder atacar uma direcção que, diariamente, tem que limpar mais um cocó feito por quem de lá saiu há quatro meses, num cenário que leva, precisamente, a que tenhamos que procurar soluções que encaixem num rigoroso plano financeiro e numa rigorosa tabela salarial. Vergonha?!? Vergonha é achar normal que, por exemplo, Diego Rubio ganhe 500 mil euros por ano para praticamente não jogar. Vergonha é ter um gajo que custou 9 milhões, Elias, a dizer que deixou o Sporting com oito meses de salário em atraso!

Por isso, o que desejo é que o «trio elétrico» ajude os miúdos a animar a malta e a frase de Leonardo Jardim, «temos que viver com o que somos», faça eco na cabeça dos novos exigentes. Até porque, o que somos actualmente, em muito se deve, precisamente, à pouca ou nenhuma cultura de exigência, e ainda menor espírito crítico que, nos últimos cinco anos, deu carta branca aos «gestores de topo» para usarem o Sporting a seu belo prazer.