Só falta chamarem-lhe “falso Sportinguista”

Depois das miseráveis entrevistas do Maniche, acordamos com Costinha a apontar o dedo a uma das figuras mais emblemáticas da história do Sporting (para o bem e para o mal): Sousa Cintra. O ex-presidente disse que o director desportivo tem responsabilidades directas no estado actual do nosso clube; o “ministro” mandou-o meter-se na sua vida e ameaçou, um dia destes, mostrar um papelinho dos tempos em que Cintra dava alma ao leão.

Posto isto, vai-me na cabeça o seguinte:
– Depois do “cala-te, pá! Cala-te!”, com que Bettencourt brindou um adepto, este “ele que se meta na sua vida” é mais uma prova da falta de respeito que esta gente tem por quem não partilha as suas ideias (de merda, grande parte delas). Com a agravante de, neste caso, estarmos a falar de uma falta de respeito a alguém com um peso na história do clube que o moço Costinha dificilmente atingirá;
– Depois do amigo Maniche ter falado em críticas de falsos Sportinguistas, esta reacção do Costinha significa que são pessoas como o Sousa Cintra que são consideradas falsos Sportinguistas? (estás a ver, oh Cintra, devias ter batido com a mão no peito muitas vezes e dito que eras do Sporting desde pequenino);
– Aquilo que Sousa Cintra diz, é alguma mentira? Quem foi o responsável pela contratação deste treinador? Quem é figura de proa no caso Izmailov? Quem geria o nosso futebol quando despachámos o Moutinho para o Porto? E o Veloso, a preço de saldo? Quem indicou o Valdés como solução para uma das nossas alas, quando o homem rende é ao meio? Quem é que, precisamente, se esqueceu de reforçar as alas? Quem é que está a ponderar renovar com o Postiga? Quem é que fez parte da decisão de recambiar o Vuk para a Grécia? Quem é que negoceia dois centrais calmeirões que parecem incapazes de tirar o lugar a um jogador que estava de malas aviadas?

Já viste a quantidade de papelinhos que isto dava, oh Costinha?

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Para onde caminhas tu, meu Sporting?

“Vocês nem chegam ao Natal”.
Tal como tantos outros Sportinguistas, cresci a ouvir esta frase. Acabei por habituar-me, murmurando para mim mesmo que tal estado de coisas haveria de terminar. E terminou mesmo. Mal sabia eu que, uma década volvida, estaria novamente a embrulhar presentes e a pensar que a época futebolística está terminada.

Acontece que, ao contrário do que sucedia nas décadas de 80 e 90, olho para o futuro do meu Sporting e não vejo nada. Nada, mesmo. Ou melhor, vejo uma total ausência de respeito pela grandeza do clube que jurei defender diariamente. Nessas décadas de travessia do deserto, qualquer treinador que viesse para o Sporting sabia qual era o seu objectivo: ganhar, ganhar e ser campeão. E, caso não o conseguissem, eram os primeiros a ter a hombridade de colocar o lugar à disposição. Se, por alguma razão, não o fizessem, eram os presidentes a colocá-los nos seus devidos lugares.

“E o que é que ganhámos com essas mudanças e com a falta de estabilidade?”, poderão perguntar. Pouco, é verdade, mas foi uma dessas mudanças que nos levou a pintar o país de verde e branco. Quatro ou cinco anos passaram, e abraçámos essa dita estabilidade, apostando em treinadores que, numa espécie de tiro no escuro, pudessem revelar-se um novo Mourinho. Acontece que Mourinho há apenas um e, hoje, não chegar ao Natal é motivo para o treinador afirma que se sente perfeitamente seguro no lugar e para o presidente afirmar que confia plenamente na estrutura que escolheu para o nosso futebol.

Depois fala-se de orçamentos e da falta de capacidade financeira para comprar jogadores que façam a diferença. Deve ser por isso que praticamente só ganhámos aos dois últimos da tabela.
Depois lamenta-se a sorte madrasta que leva as bolas a embater nos postes e na trave. Mas não se lamenta a ausência de capacidade futebolística para criar situações de golo que entusiasmem a plateia e permitam ganhar os jogos.
Depois dá-se a entender que o plantel tem poucas soluções, como se não desse que pensar o facto de termos contratado dois defesas centrais para colocar um ponto final nos problemas defensivos e, hoje, termos a titular um homem a quem tinha sido aberta a porta de saída.
Depois pede-se tempo e paciência, como se não nos tivesse sido pedida a mesmíssima coisa nos últimos cinco anos.
Depois empolam-se pequenas conquistas, como se ganhar uma Taça e ficar em segundo fosse tão bom como ficar em primeiro.

Cinco anos em que, dolorosamente, nos fomos afastando de algo que faz parte da nossa forma de estar. De pensar. De ser. Tendo, ainda, que ouvir o primeiro presidente da história a viver à conta do nosso clube afirmar que somos uns maus Sportinguistas por não aceitar este estado de coisas.

Vale mais tarde do que nunca

“Polémica no FC Porto-Setúbal? Não foi um jogo do Sporting, mas espero que não haja prendas antecipadas através das quais uns hoje são prejudicados, para serem beneficiados logo a seguir”, Costinha, comentando o jogo da véspera e antecipando os dois jogos do Sporting com o Setúbal.

Pois é, caro Costinha, é pena não teres levantado poeira nas duas primeiras jornadas, em que o fêcêpê foi levado ao colo e começou a ganhar avanço mas, como diz o ditado,vale mais tarde do que nunca. Podes dizer ao presidente para seguir o teu exemplo?

Lenha para a fogueira

No excelente post que escreveu abaixo, Douglas diz “De tão pequeno que aparenta ser, Costinha foi outro dos cobardes desta história […]  alguém vai atirar várias pedras e fugir…”.
Ora, se este artigo for verdade, parece que o rei dos fatos está farto de atirar pedras e tem enorme peso em muita da merda que vai fazendo com o que nosso clube nos cheire mal. Muito mal.

Culpados? Todos!

Claro que ainda estamos no reino dos “ses”, mas este poderá ser o final de uma maldita “estória” que, a terminar desta forma, não terá apenas um mau da fita.
Bettencourt, porque parece que não pertence a este filme.
Costinha, porque fez tudo para ter uma participação de peso no argumento e produção.
O nosso departamento médico, claro candidato ao Framboesa de Ouro.
Izmailov, pela falta de inteligência que tem demonstrado ao longo de toda a trama.
Paulo Barbosa, simplesmente por ser quem é e representar o que representa no nosso futebol.
Carlos Carvalhal, pela sua prestação, como mero figurante, numa das cenas mais quentes da película.