«Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube!»

A frase é fantástica e encerra a entrevista de Daniel Sampaio ao DN. Uma entrevista que todos, todos, mas mesmo todos os Sportinguistas devem ler. Uma entrevista aterradora, deixando claro como a água aquilo que, aqui e em tantos outros blogues, se foi dizendo, pedindo para que todos os que amam este Leão verde e branco abrissem, de uma vez por todas, os olhos. Leiam, mas leiam mesmo! É doentio. Doloroso. Fez-me ranger os dentes de raiva, qual Leão perante um bando de hienas. Mas, caros Leões, é mais um motivo para enchermos Alvalade e gritarmos, a uma só voz «Viva o Sporting Clube de Portugal! É nosso outra vez!»

Quando a sua Mesa da Assembleia Geral (MAG) foi eleita numa lista diferente da do Conselho Direi ivo (CD) de Godinho Lopes sentiu que o mandato ia ser intranquilo?
À partida não era bom, mas no primeiro ano os dois órgãos trabalharam bem. Nesse período fez-se a revisão dos estatutos, o regulamento eleitoral, houve reuniões de trabalho e o Sporting não estava na situação má em que esteve depois no segundo ano do mandato. Houve, no entanto, o episódio da destruição dos votos. Foi feita antes do prazo e comunicada pelo telefone.

Quem fez essa comunicação?
Godinho Lopes a mim – nessa altura ele não se dava muito bem com Eduardo Barroso (ndr. Presidente da MAG). Disse-me que ia destruir os votos e eu respondi que tínhamos que ver. Consultei os juristas da MAG e eles responderam-me que o prazo corria. Telefonei a Godinho Lopes e os votos já tinham sido destruídos. A MAG nunca falou sobre isso porque não queria desestabilizar. Foi o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão que avançou para essa situação. Aí começou uma posição de desconfiança em relação ao vice-presidente, mas por uma questão de lealdade institucional ficámos em completo silêncio. Só em dezembro tomámos posições mais públicas de crítica ao CD.

E internamente quando adotaram essa posição mais crítica?
Em meados de 2012… o CD nas reuniões que mantinha connosco e com o Conselho Fiscal (CF) funcionava de forma interessante; o presidente falava durante uma hora seguida. Falava de milhões sobre coisas que percebíamos que não tiniram uma sedimentação rigorosa. Nunca vi membros do CD emitirem uma posição significativa sobre o Sporting. Ele falava sozinho, passava o tempo e a reunião acabava.

Depois houve o caso Cristóvão.
No qual houve uma grande divergência entre a MAG e o CD. Tive uma conversa com esse vice-presidente que é hoje arguido e que muito me inquietou. Nessa conversa comunicou-me que espiava os jogadores.

Comunicou-lhe isso assim?
Estava com os meus netos a pedir autógrafos aos jogadores junto dos carros deles onde estavam as mulheres e namoradas, e de uma forma surpreendente para mim veio ter comigo contando-me episódios da vida íntima dos jogadores e mostrando-me mensagens entre um jogador e a sua namorada. Posto isto alertei o presidente.

O que lhe disse Godinho Lopes?
Disse que todos os clubes faziam isso. Eu disse que não acreditava que todos os clubes vão ao ponto de saber as relações íntimas, e estou a falar de relações afectivas e sexuais, e que isso seja motivo para um vice-presidente ter mensagens da vida íntima dos jogadores. Foi-me mostrado no telemóvel do vice-presidente a mensagem de um jogador para a sua namorada e a resposta dela. Nessa mesma conversa o vice-presidente disse-me que havia um jogador que tinha uma relação extraconjugal. A expressão que utilizei foi que “quero é que eles joguem bem, com quem dormem não me interessa”. Respondeu-me que estava a proteger os activos. Avisei Godinho Lopes, que para além da resposta de que todos os clubes fazem isso, disse-me que era o primeiro a chamar atenção para isso.

Concluiu que Godinho Lopes estava a par disso?
Evidentemente e achou aquilo perfeitamente natural. Depois rebentou o caso Cardinal. A MAG teve um almoço com Godinho Lopes. Aí dissemos que a situação era grave e que o Sporting devia constituir-se assistente do processo e que o vice-presidente devia sair, porque estava sob suspeita. Foi-nos respondido que ia haver uma reunião do CD para analisar a situação, na qual não se demitiu. Isto foi evoluindo, o vice-presidente acabou por se demitir devido a outros crimes que não tinham a ver com o caso Cardinal e nós insistimos que o Sporting devia constituir-se como assistente e encarar a possibilidade de pedir uma indemnização. A resposta foi negativa e a partir daí as relações degradaram-se.

Conte-nos lá o processo da polémica AG que não se realizou?
No início de janeiro surgiu o requerimento. Mas a verdade é que nós podíamos ter convocado a AG através do nosso presidente Eduardo Barroso. A MAG do ponto de vista estatutário pode ser ela a requerer uma AG de destituição. Nunca o fizemos por uma questão de lealdade institucional. Dissemos que nunca o faríamos mas se um grupo de sócios o quisesse fazer nós tínhamos que analisar as condições. A 2 de janeiro, com as assinaturas a correr, pedimos uma reunião ao CD em que dissemos que uma das soluções que podia haver passava pela demissão do CD para que não houvesse uma AG de destituição.

Quando percebeu a intransigência de Godinho Lopes em demitir-se e falar com membros do CD?
Isso foi-nos sugerido por Abrantes Mendes, que tinha passado por um cenário igual no tempo de Jorge Gonçalves. Fizemos contactos, que não eram ao acaso, Aureliano Neves e Rui Paulo Figueiredo disseram-nos várias vezes que se queriam demitir. Eu próprio falei com Daisy Ulrich. Disseram que iam pensar. Entretanto, a MAG tem contactos com os bancos credores… Sim, pedimos audiências oficiais ao BCP e ao BES. Aí a conversa com José Maria Ricciardi foi institucional. O que ele nos disse em janeiro era que a reestruturação não estava feita, mas que ia ser feita. Ele sempre foi contra a AG porque considerava que ia interromper a reestruturação. Não havia reestruturação, havia projectos. A 25 de janeiro fomos recebidos no BCP pelo seu presidente, Nuno Amado, que nos disse que não havia reestruturação nenhuma. E mais, garantiu-nos que o BCP só colaborava com a reestruturação com tudo escrito, quer com o atual presidente, quer com o futuro se houvesse eleições. “Não vamos continuar a dar apoio ao Sporting sem um plano de reestruturação completamente escrito com o apoio do CF do Sporting, o atual ou o futuro”, disse-nos Nuno Amado. Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do CD, que numa reunião em dezembro nos chegou a dizer que a reestruturação iria ser feita até final de dezembro.

Godinho Lopes queria perpetuar-se no poder?
Não tenho dúvidas. Fez tudo para que a AG não se realizasse. Ele tinha a certeza que ia ser destituído.

Na conferência de imprensa sobre o funcionamento da AG foi atingido com ovos…
Fui avisado de que devia colocar um polícia à paisana. Através dos meus contactos um sócio do Sporting, o Comissário Pinho, foi assistir à paisana. Foi a nossa sorte. Na primeira parte, com os jornalistas, correu bem. A segunda parte era com os sócios. Estávamos no auditório e tínhamos solicitado aos serviços que identificassem os sócios. Essa identificação não foi feita. Depois começaram os insultos e os palavrões e sete ou oito indivíduos levantaram-se e atiraram ovos. O Comissário Pinho barrou a saída, pediu reforços e as pessoas foram identificadas. Foram sete pessoas identificadas que eu não sei quem são. E o processo seguiu para a polícia e para o DIAR Depois constituí-me assistente do processo e tenho também uma investigação particular para acompanhar o processo.

Foi aliciado para ser presidente do Sporting?
Aliciado não, fui convidado. A história do golpe de estado radica em duas reuniões que existiram e que mostram como o Sporting funcionava. A 5 de janeiro houve um encontro em que se falou de vários problemas do Sporting.

Quem esteve nesse encontro?
Pedro Baltazar, Alexandre Patrício Gouveia, Eduardo Barroso, eu, Rui Morgado e Luís Natário [ambos elementos da MAG]. Nessa reunião, e era assim que funcionava o Sporting e eu espero que nunca mais funcione assim, as pessoas disseram: Estamos em contacto com José Maria Ricciardi [presidente do BES Investimento] e temos que ver como vai ser o futuro do Sporting, isto não pode continuar assim. Aí foi combinado um jantar a 8 de janeiro na casa de Eduardo Barroso.

Quem estava presente?
Eduardo Barroso, eu, Luís Natário, Rui Morgado, João Sampaio, José Maria Ricciardi, Alexandre Patrício Gouveia e Pedro Baltazar.

E nesse jantar o que se passou?
Falou-se da AG, na qual o CD podia ser destituído e que ia haver eleições a seguir. E as pessoas perguntavam: “O que é que vamos fazer ao Sporting?”. Falámos de cenários, podia haver listas, não haver, uma comissão de gestão e falaram-se em 17 nomes para essa comissão.

Pode revelar alguns?
Vera Jardim, Rocha Vieira, Rui Vinhas da Silva, Abrantes Mendes, Soares Franco, Artur Torres Pereira, etc.

E o que se decidiu?
Nesse jantar soube histórias espantosas. Um pequeno grupo é que designava o presidente ideal. Quando se diz que é o candidato da banca devo dizer que é o candidato de um banqueiro.

Refere-se a José Maria Ricciardi?
Com certeza. Nesse jantar ele dizia que eu era a pessoa ideal para ser o presidente do Sporting. E até me foi oferecida uma remuneração… a combinar.

Foi José Maria Ricciardi que o convidou para ser presidente do Sporting?
Claro, foi ele que me convidou. E foi ele que me contou que com José Eduardo Bettencourt procedeu-se da mesma maneira; havia nomes e um grupo escolheu José Eduardo Bettencourt.

Foi assim também com Godinho Lopes?
Com Godinho Lopes foi diferente. Andavam à procura de uma pessoa e Godinho Lopes foi ao BES ter com José Maria Ricciardi para lhe dizer que queria ser presidente. E José Maria Ricciardi considerou-o uma pessoa válida. Isto é aquilo que não pode voltar a acontecer no Sporting, felizmente não aconteceu agora, porque todos os candidatos criticaram a gestão anterior e ganhou o candidato, que não entrou, seguramente, nestes jogos de bastidores. Porque não era o candidato favorito destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas que estiveram nesse jantar disseram que era uma pessoa sem perfil para ser presidente do Sporting.

Esse grupo queria encontrar alguém que fizesse frente a Bruno de Carvalho?
Claro, o convite a Daniel Sampaio tem a ver com isso, porque sabiam que eu era da lista de Bruno de Carvalho há dois anos. Sabiam que ia ser difícil para Bruno de Carvalho combater-me, porque temos uma relação muito cordial.

Como é que o tentaram convencer?
Nesse jantar José Maria Ricciardi disse que já tinha contactado investidores, que tinha o meu nome aceite pelos investidores e aprovado por um grupo de notáveis do Sporting. Rejeitei por duas razões. Primeiro porque não tenho disponibilidade nem conhecimentos. Segundo porque achei o processo terrível. Como se escolhe um presidente desta maneira, sem programa, sem saber o que a pessoa verdadeiramente pensa só porque é uma pessoa conhecida e que se pode opor a um candidato do povo do Sporting? Recusei, uns dias depois José Maria Ricciardi telefonou-me a insistir nesta situação e eu tomei a recusar. Eduardo Barroso chegou a ser convidado para presidente da MAG…

Na sua hipotética lista?
Sim. Como recusei pensou-se numa alternativa, a tal comissão de gestão, e foi-me perguntado, por José Maria Ricciardi, Pedro Baltazar e Alexandre Patrício Gouveia, se eu podia presidir essa comissão. Todos estavam desejosos que aceitasse. Não fechei completamente a porta, por uma questão de serviço ao Sporting. O que transpareceu é que estava a organizar uma comissão de gestão e a protagonizar um golpe de estado contra Eduardo Barroso.

Sentiu que os notáveis tinham medo de que Bruno de Carvalho fosse eleito presidente?
Medo? Eu diria pavor.

A quem se refere?
José Maria Ricciardi, Godinho Lopes, Nobre Guedes. Várias vezes nos disseram que se Bruno de Carvalho fosse eleito o Sporting acabava. O novo presidente vai ter uma prática diferente. Pode correr mal, mas espero que corra bem. Vai cortar a direito, vai poupar, não vai ter luxos e, sobretudo, vai estar com os sócios. Tem um enorme significado ter-se sentado no banco. Vai ter uma ligação com os jogadores e os sócios diferente. Não se pode ter a relação distante que Godinho Lopes tinha com os jogadores e o desprezo que tinha pelos sócios. A elite do Sporting tinha um profundo desprezo pelos sócios.

Com Bruno de Carvalho significa que essa elite deixou o Sporting?
Espero que sim e para sempre. O Sporting tem que voltar-se para uma matriz popular. O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde. E isso faz com que seja para algumas pessoas um clube elitista.

A elite vai dificultar a vida a Bruno de Carvalho?
Já andam a dizer que vai durar três meses. Cá estarei para denunciar essa elite, quero essa elite varrida do Sporting. Tudo farei para que não tenha novamente acesso ao poder.

Eduardo Barroso disse: “Estou farto de castas de pseudo dirigentes, verdadeiros terroristas de fato e gravata”. Quem são esses terroristas?
Pessoas ligadas ao CD e Conselho Leonino (CL). Até 23 de março o Sporting foi dominado por um pequeno grupo de pessoas bem-falantes, que estão afastadas dos sócios do Sporting. E explico. Godinho Lopes propôs-me que chegasse junto dos miúdos do movimento e dissesse para eles retirarem o requerimento. E eu respondi “ó Luís não vou fazer isso. Não trato nenhum sócio do Sporting por miúdo, são pessoas licenciadas e respeitadas, depois são apenas o rosto dos 800 ou mais sócios que subscreveram o requerimento. Não vou pedir para retirar nada”. Estas pessoas pensam assim dos sócios.

Os sócios não mandavam no clube?
Até 23 de março não mandaram. Havia um desprezo total, visível em várias AGs. As propostas dos sócios eram sublinhadas com sorrisos e apartes de membros do CD. Havia um desrespeito pela opinião dos sócios que fosse diferente da deles. No CL a mesma coisa. As intervenções dos conselheiros eram por que razão não tinham acesso ao croquete. Uma verdadeira vergonha.

Já percebi que acha que Bruno de Carvalho está a devolver o clube ao povo. E aos títulos?
Aos títulos não sei. Sem promessas, devemos dizer que nos vamos esfarrapar para ganhar. O Sporting só tem uma solução: matriz popular. Devolver o Sporting aos sócios, ouvi-los, transformar o CL num órgão de trabalho ou, então, extingui-lo. Votei em Bruno de Carvalho, mas tem que provar. Daqui a um ano posso ter uma má opinião, mas ele vai ter uma prática diferente. É um homem do povo, não é um marquês. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.

 

actualização: afinal, a entrevista é bem maior do que a que aqui publiquei (e com muito mais revelações inacreditáveis, claro). Ficam os links para que possam lê-la na íntegra:
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147491&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147505&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147501
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147502

 

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Bruno de Carvalho responde aos cacifeiros

O desafio foi lançado aqui, as perguntas seguiram aqui. Para todos os candidatos. O prazo terminava ontem à noite e, ao contrário do que alguns vaticinavam, existiram respostas. Respostas a perguntas, que digo eu, são mais importantes do que discutir quem é a lista que reuniu as pessoas com caras mais bonitas e nomes mais pomposos. Respostas que mostram respeito pelos milhares de Leões que, diariamente, vivem e pensam o Sporting na blogosfera. Tirem as vossas conclusões.

Entre os tão falados problemas de tesouraria, o mais vezes sublinhado prende-se com os ordenados dos jogadores. No entanto, é impossível ignorar a importante fatia gasta com vencimentos de outros funcionários, nomeadamente com o de nomes escolhidos para “atirar sportinguismo para os olhos dos adeptos” e que, em vários casos, nem se chega a perceber o que fazem. Qual é a sua posição perante esta situação que pisca o olho à famosa expressão «jobs for the boys»?

Em primeiro lugar temos que separar o trigo do joio e ter respeito pelas pessoas que trabalham no Clube e na Academia que se dedicam de alma e coração dedicadas ao nosso Sporting e que por vezes em situações bem complicadas. Quando tomarmos posse iremos falar departamento a departamento, pessoa a pessoa, para vermos qual a melhor forma de implementarmos o nosso projecto em função da estrutura existente e das mudanças necessárias operar. Negociaremos directamente com cada um deles.
Para nós é claro que o Sporting Clube de Portugal tem de ser gerido com muito rigor, exigência e eficiência. Os recursos disponíveis tem que ser optimizados, têm que ser reorganizados, com objectivos e responsabilidades claramente definidas e consequente responsabilização pelo que não há lugar a “jobs for the boys”. Teremos muita exigência e a nosa gestão terá por base a méritocracia.  Queremos uma reforma profunda, uma mudança positiva do Clube do nosso coração.
Tem sido incómodo, senão embaraçoso, para larga franja de adeptos leoninos, ver o compadrio existente entre o seu Sporting e o FCPorto, não só pelo facto de passar a imagem de clube que não se indigna com situações às quais está associado o termo corrupção, como pela vassalagem prestada aquando da transferência de jogadores (o caso de João Moutinho é gritante, primeiro com os elogios feitos por Pinto da Costa, depois com inacreditável não convocatória do jogador para o Mundial, a que se seguiu a birra do próprio João Moutinho). Por tudo isto, e porque o sentimento é de que não precisamos de alianças, muito menos das que fazem com que os nossos “aliados” cresçam à nossa conta, torna-se quase doentio ver os nossos últimos presidentes sentados ao lado de Jorge Nuno.
De que forma encara este cenário?

Connosco o Sporting Clube de Portugal manterá relações institucionais com todos os clubes, na defesa dos interesses comuns mas não aceitaremos subserviências a qualquer clube ou presidente. Temos a vantagem de nunca termos que ter obedecido a nenhum presidente de outro clube, nem feito o que eles mandaram. Comigo podem ter a certeza que nunca me vão ver a trabalhar para outro clube! Comigo não há parcerias e muito menos parcerias obscuras que  prejudiquem  ou afectem o Sporting Clube de Portugal. Tudo o que for feito neste domínio tem que salvaguardar os interesses supremos do Sporting e existir uma vantagem clara para o nosso Clube. Terá que existir sempre um respeito mútuo institucional e quando assim não for, haverá uma resposta firme  do Sporting Clube de Portugal e do seu Presidente.

A propósito, na sua perspectiva, como se gerem desportivamente situações com a de Moutinho e de Izmailov. E, sendo o nosso objectivo o de formar homens, como se poderá gerir essa mesma formação de personalidades, nomeadamente de miúdos, jogadores que vivem na Academia, que utilizam o facebook para manifestar a sua preferência por clubes rivais/adversários?

As situações como as referidas na sua questão têm que ser enquadradas num todo mais vasto e que passa por o Clube ter que inverter completamente a lógica organizativa e a visão que tem da estrutura que dirige o futebol. É o clube que tem de criar uma estrutura que governe o futebol, bem alicerçada, competente, com práticas estabelecidas.
A existência de uma equipa B é de enorme importância para o desenvolvimento sustentado e servirá de ponte entre o futebol júnior e o futebol sénior. Utilizando as mesmas metodologias, práticas, organização e sistemas de jogo que a equipa sénior profissional, os jovens que integram a equipa B estarão aptos a integrar a equipa principal, seja em caso de necessidade, seja por mérito próprio, fruto do desempenho pessoal.
Mas a questão passa também pela redefinição dos objectivos da formação. Nos últimos anos estes são pouco claros e, muitas vezes, dão a sensação de terem a ver com tudo menos com a defesa dos superiores interesses do Clube. A formação existe para formar jogadores de futebol, uns melhores, outros não tão bons, na medida do seu talento. No entanto, em termos de entendimento do jogo, das suas diversas vertentes, do profissionalismo, do primado do colectivo acima do individual, e do orgulho em representar o Sporting Clube de Portugal, serão todos iguais.
As componentes sociológicas e psicológicas associadas aos jogadores e ao seu meio envolvente são fundamentais e carecem do acompanhamento devido. Não basta terem habilidades inaptas ou outras, trabalhadas tecnicamente, é fundamental a sua formação enquanto seres humanos, tendo que lhes ser incutidos princípios e valores que devem observar e um principio básico, o respeito absoluto pela instituição Sporting, seja em que situação for. Será depois o talento que possuem e a forma como se integrarem na equipa B e no futebol profissional que ditará a maior utilidade que tiverem para o Clube. Será a partir do acompanhamento que soubermos dar a estes jovens jogadores, da forma que conseguirmos ensinar em termos daquilo que é a realidade de uma profissão dura, intensa, difícil, exactamente o contrário daquilo que sempre lhes pareceu durante o seu período de formação, que voltaremos a ter na equipa sénior diversos atletas vindos da formação, passando pela equipa B e chegando à equipa principal em condições de render de imediato em termos desportivos e de, a médio prazo, poderem alguns deles ser vendidos de forma a melhorar as finanças do clube e a suportar os custos inerentes à actividade da Academia.
Convidamos todos a partir da noite de 21 de Março a consultarem no no site em www.sportingnocoracao.com  a nossa análise da estrutura do futebol actual e a organização do mesmo preconizada no nosso modelo de gestão desportivo.
Ainda no que toca a gestão desportiva, é incompreensível, por exemplo, a dispensa de Ogushi para a contratação de Boulahrouz. Que política de contratações podemos esperar, e de que forma é que a mesma se funde com a aposta na equipa B e na formação?

O nosso modelo aposta claramente na formação.  Com a reactivação da equipa B, o plantel deverá ser menos numeroso – 20 jogadores. Um plantel mais reduzido é mais barato, mais fácil de gerir e com uma competitividade interna acrescida. Não há nenhuma equipa que seja competitiva contra os seus adversários, se não viver um clima de competitividade interna permanente.
Deverá ser a partir do plantel actual, com alguns excelentes jogadores e alguns com previsível futuro muito risonho, que se deve construir o próximo plantel. Sempre tendo em atenção os aspectos financeiros. Deverá ser absolutamente proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis. Cinco ou seis jogadores, numa escolha cirúrgica, experientes (ter em atenção que no futebol a experiência não está directamente relacionada com a idade) e capazes de acrescentar valor ao plantel existente, serão suficientes para a construção de uma equipa que possa lutar pelos objectivos de curto, médio e longo prazo do Clube. Lutaremos por um Sporting Clube de Portugal Campeão! Ao contrário do que tem sido prática recente, o recurso a jovens criados na formação do Sporting deverá
O que faz mais sentido: gastar dinheiro num jogador ou utilizar esse dinheiro para recuperar parte dos passes, entretanto alienada, de jogadores considerados valores seguros?

Esta pergunta tem várias condicionantes e dependem da sua aplicação a casos concretos mas a mesma só se coloca, se a gestão desportiva não estiver claramente definida. Aquilo que preconizamos e que evitará estas questões foi o que já explanamos em traços gerais nas respostas anteriores.

Quais os planos, concretos, para as modalidades ditas amadoras?

Pretendemos dar maior visibilidade às nossas modalidades, em que a Sporting TV terá um papel importantíssimo. É uma forma de reforçarmos o ecletismo do clube e estender a nossa marca. É uma questão de identidade. Através das modalidades levarmos o Sporting a todos os pontos do País projectando os nossos atletas não só a competir em Portugal mas também pelo Mundo. Iremos avaliar a disponibilidade financeira para manter as modalidades históricas e as que os Sócios pretendam implementar no Clube, o Conselho Directivo poderá apoiar a criação e manutenção, desde que haja a capacidade de angariar meios financeiros para suportar os custos da sua actividade.

Foi-lhe passada informação efectiva sobre o plano para construção de um novo pavilhão, junto ao Estádio de Alvalade? De que forma é que o projecto de utilização de Odivelas, a longo termo, influencia a construção desta nova estrutura?

Sobre  a construção do pavilhão, junto ao Estádio de Alvalade não nos foi adiantada  qualquer informação. O que é de conhecimento público é que como a CML não tinha dinheiro para pagar ao SCP, sugeriu que o SCP escolhesse algum dos terrenos disponíveis. O SCP entrou em negociações com a CML e escolheu o terreno das bombas da Galp avaliado em cerca de 5 Milhões, para a construção do pavilhão. Neste seguimento foi aprovado em Assembleia Camarária que aquele terreno só poderia ter aquele destino (pavilhão). Entretanto soubemos pela comunicação social esta semana que o Plano Pormenor dos terrenos para a construção do Pavilhão, foi aprovado pela Assembleia Municipal de Lisboa. Pensamos que a utilização das infraestruturas em Odivelas não terá influência na construção do Pavilhão junto ao Estádio, porque este não é substituível por Odivelas. É nosso propósito que este seja uma realidade até ao final do nosso mandato. A concessão do Pavilhão Carlos Lopes à Fundação Aragão Pinto abre também a possibilidade das modalidades poderem ter mais um local para treinarem.

Ao longo de 100 anos, o Sporting foi construindo uma identidade que, infelizmente, se vai esbatendo (a mudança de símbolo, na camisola, é um bom exemplo). Como define a identidade do Sporting e de que forma podemos reforçá-la?

A identidade é aquilo que nos torna únicos, o que nos diferencia dos demais, o nosso ADN. Neste momento atravessamos de facto aquilo que poderemos designar por uma crise de identidade pelo que se torna critico conhecer o que é percebido pelos Sportinguistas como essencial para o Sporting, o que distingue o Sporting dos demais e quais as características percebidas que mantém e desenvolvem a ligação entre o passado com o presente do Sporting e sobretudo com o seu futuro. Esta clarificação é necessária porque é através dela que reforçamos a nossa própria identidade e desenvolver aquilo que entendo seja o sentido da pergunta, a marca, onde o rigor, a competência e a liderança sejam os motivos do sucesso que todos ambicionamos e merecemos.
A marca Sporting é, reconhecidamente, uma marca valiosíssima, nomeadamente na possibilidade de conquistar um universo adolescente e jovem adulto. Existe uma estratégia para potenciá-la?

Sim, através de uma redefinição estratégica, onde se exige uma gestão rigorosa que permita desenvolver de forma integrada todo o seu potencial, quer os domínios já explorados quer em outros. É determinante o respeito pela identidade Sporting, pelas características que o tornam único, pelos seus valores, direccionando a marca Sporting para onde possa acrescentar valor mas também que aumente o seu valor. A gestão integrada da comunicação, da reputação são vitais, a par dos Núcleos e Sportinguistas espalhados pelo mundo, os quais temos de envolver, porque cada um deles é Embaixador da Marca Sporting. A conquista de universos mais jovens inicia-se numa fase mais precoce e de forma indirecta muito relacionada com os seus  ambientes, nomeadamente familiares e amigos.  Aqui é fundamental a  valorização do papel dos núcleos, assumindo claramente  o seu valor no desenvolvimento estratégico para o clube. Uma maior interacção com os núcleos, numa relação biunívoca que fortaleça os seus laços, com uma política permanente de auscultação que permita reforçar o cumprimento de objectivos comuns. Numa outra vertente já na fase adolescente e jovem adulto ir de encontro àquilo que são as sua motivações, expectativas e interesses. Aqui há que ter uma auscultação permanente deste público, perceber as tendências e antecipá-las. Pensamos o desenvolvimento de conteúdos específicos que vão de encontro aos seus anseios, distribuídos por diversas plataformas criadas e a criar, tais como a  Sporting TV, site, redes sociais, consolas, etc. são uma das vias para potenciar essa captação. As modalidades têm aqui também um papel vital, pois sabemos que muitas crianças e jovens, descobrem ou fortalecem o seu Sportinguismo pela prática de modalidades, pelo que a transmissão dos valores e orgulho na camisola do Sporting Clube de Portugal têm que estar sempre presentes, em que situação for. Esta é uma das muitas razões pelas quais defendemos o Ecletismo que nos permite para além de ganhos directos, muitos outros indirectos. Traçaremos um caminho próprio, sem complexo e tiver que ser, contra tudo e contra todos na defesa do nosso Clube do coração.

A Sporting Tv poderá ser um desses potenciadores? Tem um plano definido para o canal do clube?

Sim, sem dúvida. A Sporting TV é um pilar estratégico do nosso modelo, para a comunicação de forma transversal e um potenciador do valor e expansão da marca Sporting. A Sporting TV,  está  inserida num modelo mais abrangente que envolve outras plataformas, tais como a rádio, Web, edições, entre outras  e que parte duma gestão integrada de conteúdos que serão distribuídos em função das plataformas existentes. Ou seja, os conteúdos serão adaptados às plataformas existentes e a criar. Prevemos o desenvolvimento de aplicações para redes móveis, consolas, tablets .
O nosso modelo é sustentável que para além de se pagar a si próprio permite tornar-se uma fonte de receita, através dos conteúdos e serviços associados. Há, no entanto, ter presente que a Sporting TV já está em andamento e pelo que foi tornado publico já existe um memorando assinado com a ZON e outro que estava pronto com a PT e que foi suspenso em consequência da demissão da Direcção do SCP. Isto implica que teremos numa primeira fase perceber quais os compromissos já assumidos e quais os contratos assinados e ajustar o modelo naquilo que se considerar necessário. Em função do estado de implementação e da viabilidade e sustentabilidade do projecto actual, avançaremos o mais rapidamente possível.

O Sporting Clube de Portugal detém diversas participações em sociedades imobiliárias e de promoção imobiliária, avaliadas em  algumas dezenas de milhões de euros. Que sociedades são estas? Para que servem? O que fazem? Que pessoal têm? Que dívida têm? Quanto valem na realidade? E o que acrescentam ao Sporting? É possível responder, ou só lá vamos com uma auditoria de gestão?

As diversas participações foram constituídas em princípio por questões de operacionalidade e de eficácia económica, financeira e fiscal. Iremos avaliar a situação de cada uma delas e promover a sua dissolução ou fusão, salvo se essa operação acarretar custos acrescidos para o Sporting

 

Como se lida com as constantes faltas de respeito de que o Sporting é alvo, seja por falta da arbitragem, da liga, da federação e da própria comunicação social? E, a propósito desta última, faz parte da sua estratégia acabar, de vez, com a possibilidade de existirem “paineleiros” que desempenhem funções directivas no clube?

O Sporting em primeiro lugar tem que ele próprio se dar ao respeito. Estar devidamente representado nos locais certos e falar menos e actuar mais.
A estratégica com a comunicação social tem que ser absolutamente profissional e tem que começar internamente com a implementação do nosso modelo programático, exigindo que o Sporting fala a uma só voz. Só fala quem estiver especificamente mandatado e sobre aquilo para que está mandatado. Estas intervenções são centralmente articuladas de forma a imprimir rigor, coordenação e coerência no discurso e assegurar que as mensagens do Sporting passam conforme definidas. A nossa Direcção após a tomada de posse irá reunir com os responsáveis da comunicação social de forma a apresentar um conjunto de princípios de relacionamento que assegure o respeito pela instituição Sporting Clube de Portugal e salvaguarde a qualidade e rigor de informação sobre o nosso Clube. Não permitiremos que os interesses do Sporting sejam lesados por eventuais práticas jornalísticas desvirtuadas pelo que não teremos qualquer dúvida em denunciar práticas ilegítimas aos Provedores do Leitor, Provedor do Ouvinte e Provedor do Telespectador, à Comissão da Carteira Profissional do Jornalista e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. No nosso mandato não teremos membro dos órgãos directivos a integrarem painéis residentes na comunicação social.


Seria capaz de dizer aos sócios, num fundo um pouco à imagem do que aconteceu no B.Dortmund, que, durante meia dúzia de anos, a política do clube passaria por fazer crescer os seus talentos e apenas lutar por um lugar na europa, de forma a criar as bases para uma equipa capaz de ganhar títulos consecutivamente?

Se fosse essa a realidade e a única alternativa para a sustentabilidade do Clube não hesitaria em faze-lo mas como leram nas respostas anteriores temos um plano financeiro e da divida, e um plano desportivo que nos permitem honrar os nosso compromissos e obter o sucessos desportivos que é o apanágio do Sporting Clube de Portugal um Clube Campeão e de Campeões.

 

p.s. – Carlos Severino também respondeu, pedindo desculpa por não ter tempo para aceder a todos os pedidos de entrevista que recebeu durante esta última semana, mas agradecendo a forma como o Sporting é vivido no Cacifo e que se torna motivante «por saber que há quem viva este Clube a sério, até mesmo quando o sentido de humor é a única resposta às coisas mais caricatas a que já assistimos todos». José Couceiro é capaz de ter pedido ao Paiva dos Santos para checkar o e-mail…

Ainda sabes o que é ter esperança?

Estamos a um dia e meio das eleições. Não sei se serão as mais importantes eleições de sempre, mas sei que a margem de erro é bem menor do que há dois anos. E sei que é chegada a hora de dizer-vos o que penso, sem rodeios.

Quando vi quais os dois candidatos que iam disputar o lugar de presidente com Bruno de Carvalho, tive duas certezas: Carlos Severino só serviria para fazer barulho e animar as hostes; José Couceiro representaria mais do mesmo servido com um molho diferente. Não me enganei.
Severino tem feito barulho e animado as hostes; Couceiro tem sido um vazio semelhante ao que foi Godinho Lopes, com uma agravante: nem ele sabe bem, porque raio é que se candidatou a presidente do Sporting. Olho para ele e leio-lhe o pensamento «se o Figo tivesse aceitado ser candidato, eu podia estar bem mais sossegado». Couceiro não tem perfil e, peço desculpa pela sinceridade, mostra pouca personalidade ao utilizar o emblemático nome do avô, Peyroteo, para tentar ganhar votos (pintava a minha cara de merda, se tivesse um apelido desses e não fizesse questão de usá-lo todos os dias). O resto, não precisa de apresentações: a máquina Cunha & Vaz, com a pequena diferença de afirmar que Bruno de Carvalho será o próximo Godinho Lopes (vale tudo, incluindo cuspir no prato onde comeram) em vez de o apelidar de novo Vale e Azevedo; a presença de Nobre Guedes; a rábula de Paiva dos Santos, a chegar tarde na sua tentativa de fingir que se candidatava independentemente ao Conselho Leonino. Está lá tudo, incluindo as almoçaradas com a presença de um dos líderes da mais antiga claque (sim, os tais que convocaram uma press para dizerem que não se metiam em campanhas eleitorais), as promessas balofas e o não assumir o que quer que seja (nós podemos, repare, nós podemos, repare… gira o disco e soa ao mesmo). Só muda o protagonista, empurrado à força para um papel para o qual, a cada entrevista, se mostra muito pouco confortável.

Depois, Bruno de Carvalho. Gabo-lhe a capacidade para, durante dois anos, aceitar ser alvo de todas e mais algumas calúnias e rumores, tanto sobre a vida pessoal como sobre a vida profissional. Até o raio das contas do condomínio do homem, servem para tentar minar o pensamento dos sócios. Meus caros, estou-me literalmente a cagar para o passado de Bruno de Carvalho (e apelido de desonestidade intlectual os momentos em que esse passado é questionado por quem, por exemplo, aceitou os passados de Godinho Lopes, Luís Duque ou Paulo Pereira Cristóvão). Prefiro pensar no que ele poderá oferecer-me, enquanto sócio e adepto do Sporting, no futuro. Olho para Bruno de Carvalho e penso que podia ser eu a estar ali. Com entusiasmo. Com sonhos. Com vontade de trabalhar. Com capacidade de liderança. Com um Sportinguismo, por vezes ingénuo, que não se envergonha de alimentar-se em sonhos de criança. Mas com Sportinguismo de cachecol, não de gravata, coisa de que tanto sentimos falta.

Ontem, quando pensava na melhor forma de explicar-vos o que penso, considerei perfeito este exemplo.
Imaginem que o Sporting é uma das pessoas mais importantes da nossa vida. Essa pessoa adoeceu, com os sintomas a agravarem-se com o passar do tempo. Resolvemos interná-la, num hospital cheio de médicos de renome. “Temos os melhores médicos, temos credibilidade, temos tecnologia, temos tratamentos de ponta, temos a solução”. Veio um, dois, três, quatro médicos. E o Sporting, uma das pessoas mais importantes das nossas vidas, foi piorando. Ficando cada vez mais débil, sem capacidade de reação, vulnerável a novas patologias ou vírus trazidos do exterior.
Cansados, resolvemos começar a procurar novas alternativas. E damos de caras com um médico que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. «Homem, você não faça isso! Isso é a morte do seu amor! Não vê que isto é um charlatão? Um vendedor de banha da cobra? Você conhece o passado dele? Já o viu fazer qualquer coisa de relevante? Ó homem, você é que sabe, mas veja lá… Não sabemos se continuará a ter o seu Sporting se interromper o nosso tratamento». Mas estamos mesmo cansados. E queremos mudar. O problema, é que o conselho familiar resulta numa decisão contrária. «Homem, foi melhor assim. A sua família tomou bem esta decisão por si. Vai ver que, daqui por três anos, vai estar na rua, a festejar o regresso do seu Sporting e a vitória sobre esta doença!».
Passaram dois, não três, e o nosso Sporting quase já não reage aos estímulos. Pior, olhamos para ele e sentimo-nos cada vez mais impotentes, cada vez mais sem energia para transmitir-lhe energia (mesmo sabendo que isso, sim, poderá ser o seu fim). Revoltamo-nos. «Chega, chega desta merda!», dizemos interiormente. E gritamo-lo, bem alto, na recepção do tal hospital cheio de médicos credíveis e de soluções fantásticas. Eles arregalam os olhos, incrédulos. A nossa fúria é tal, que desperta a de outros familiares, camaradas, amigos, que também sofrem com o definhar do Sporting. E, fruto desse murro na mesa, surge, novamente, a oportunidade de dar uma chance ao outro médico, o tal que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. Os avisos sobre a idoneidade do mesmo não tardam a voltar a repetir-se, mas, na nossa cabeça, já só existe um pensamento.
Baixamo-nos e, olhos nos olhos, dizemos a essa pessoa de quem tanto gostamos: se perdermos esta luta, meu Sporting, não há-de ser por falta de tentar. É verdade que não sei bem para onde estou a levar-te, mas sei que estou a levar-te para o único caminho onde me transmitem o que me têm roubado. A mim e a ti. Esperança.

 

Fala, Couceiro!

São estes, em meu entender, os destaques da entrevista dada por José Couceiro, ao i (o resumo das entrevistas de Bruno de Carvalho, ao i e ao Record está no forno)

 

Estavam dispostos a fazer parte de outra candidatura?
Estávamos. O nosso objectivo desde o início foi criar condições para que o Sporting se pudesse unir e pudesse arranjar uma alternativa que o viabilizasse. Mais que a presidência, queríamos arranjar soluções. Entretanto, o movimento começou a alargar e em determinado momento a ideia era que tínhamos de avançar. Eu acabei por ceder a todas essas pressões para podermos avançar..

Houve um rumor de encontros com a candidatura de Bruno de Carvalho. Chegou a ser uma hipótese?
Eu já falei sobre isso. Conheço muitas pessoas que estão noutras listas e falo com elas, naturalmente. Não nos estamos a candidatar contra ninguém… […] Houve muita gente que sempre desejou uma solução semelhante a essa. Mas eu acho que há formas de ver o Sporting, de metodologias e processos de liderança, que não são compatíveis. Por isso há uma lista alternativa.

Falou-se muito de apoios que poderá ter tido. Roquette, Bettencourt, Godinho Lopes…
Não, não tenho nenhum desses apoios. Não há apoios a esses níveis. Nós fizemos um percurso completamente independente e estamos aqui com as nossas ideias e com aquilo que discutimos entre nós e, na maioria esmagadora das situações, temos ideias comuns.

Não apresentou uma lista [ao Conselho Leonino] porquê?
O Conselho Leonino foi criado no Sporting com o objectivo de ser um órgão consultivo do Conselho Directivo. E deixou de o ser. Passou a ser um órgão que, em vez de valorizar o Sporting, faz o contrário. Passou a ser negativo no seu funcionamento. Não fazia sentido que quem tanto o criticava fosse apresentar uma lista. Inicialmente o Sporting tinha comissões, e foi isso que nós recuperámos: comissões específicas, formadas por sportinguistas de conhecido valor em várias áreas e que poderiam assessorar a direcção nas suas especialidades. […] Para ser remodelado ou extinto tem de ser em assembleia-geral com uma alteração estatutária. Mas eu, como presidente da direcção, faço parte do Conselho Leonino. Terei de responder ao Conselho Leonino. Agora não tem de ser um conselho da direcção, tem de ser consultivo. E se querem colaborar com o Sporting têm de transformar as suas mais-valias a favor do Sporting e não para fazer oposições permanentes, não para estar constantemente na imprensa, não para divulgar os temas. Para isso, não contam connosco.

«Quando falamos de um administrador financeiro (CFO) estamos a falar de alguém que é um operacional. O que eu digo é que este operacional tem de ter conhecimento dos contratos que se assinam. Ele próprio tem de os assinar. Porque senão como é que sabemos se há capacidade para tal ou não? O CFO é um elemento fundamental e a comissão funciona junto do conselho directivo, como um órgão consultivo que nos vai ajudar a arranjar soluções, a encontrar caminhos. São coisas diferentes, não é um órgão executivo. Não é uma comissão permanente que está ali no dia-a-dia. A responsabilidade e as decisões serão assumidas por nós.»

«Temos receitas à volta de 43 milhões, portanto os nossos custos não podem ultrapassar as nossas receitas. Agora se conseguirmos subir as receitas, ganhamos aqui uma margem, certo? É importante conseguir baixar os custos da equipa de futebol, que andam à volta dos 60 milhões, para 30 ou para menos. Mas há compromissos assumidos e temos de saber que capacidade é que nós temos, inclusivamente para nos financiar, para resolvermos essas situações.»

Pondera propor reduções de salários a alguns jogadores? É muito provável que isso tenha de acontecer. Se os jogadores não aceitarem, saem? Isso é outra questão. Cada caso é um caso e não conseguimos dissociar determinadas situações. Há algumas que são cruzadas, que não se decidem isoladamente. Não é fácil garanti-lo. Agora, que nós temos de baixar a massa salarial é óbvio. Como é que isso se faz? Ou baixando salários e renegociando contratos ou transferindo jogadores e trazendo outros que sejam potencialmente melhores e com valores mais baixos.

«Em relação à época em que eu acabei, sobram dois: o Rui Patrício e o Cedric. Assim é impossível criar estabilidade para que todos os que entrem consigam sobreviver. Não é possível, e isto é o bê-á-bá da construção de uma equipa. […] Não é possível pensar que se forma uma equipa trazendo um cheque e uma vassoura como foi dito há dois anos. É impossível. E os resultados estão à vista: o maior investimento de sempre trouxe os piores resultados de sempre.»

Teme que a sua abertura à perda da maioria do capital da SAD o possa fazer perder votos?
Pode acontecer, mas não tenho medo, porque estou a falar verdade. Não ganho nada em dizer agora uma coisa e depois fazer outra quando for eleito. Isso eu não faço e vou dizer sempre o que penso e acho que é o melhor para o Sporting. Perder a maioria é uma questão complexa porque pode fazer-se um acordo parassocial e, dessa forma, defender o Sporting e a gestão desportiva. E não é só com a golden share. De facto, as acções de classe A funcionam como uma golden share mas não para tudo aquilo que pretendo. Podia haver uma dispersão de capital e haver mais do que um accionista. Há muitos exemplos em que não se tem a maioria, mas que se controla a sociedade.

Qual será o objectivo para 2013/2014?
Será sempre entrar nos jogos para ganhar. É uma cultura que tem de existir, mas os sócios do Sporting têm de perceber que fazem parte da solução. Alvalade tem de ser a nossa casa, os nossos jogadores têm de se sentir bem e acarinhados quando jogam em casa.

Que outras medidas para aumentar as receitas de publicidade? Naming do estádio, admite?
Nós admitimos tudo. Admito o naming, a questão da academia… Há uma série de questões em que temos de inovar.

Preocupa-o alguma campanha negra que esteja a acontecer contra si?
Uma pessoa dizia que a ignorância é atrevida e de facto é. A esmagadora maioria da crítica que me é feita, é feita por desconhecimento. Era preciso que primeiro se preparassem para depois criticar.

Candidato número três

(sim, outra vez número três. Paiva dos Santos já fez o que dele se esperava e, depois de ter escondido as fotos e alusões “salazaristas”, escondeu-se também ele).

«O treinador e ex-director geral do Sporting José Couceiro vai avançar com uma candidatura à presidência do clube de Alvalade, sob o lema “Todos pelo Sporting”, revelou à agência Lusa fonte próxima do candidato. Segundo a mesma fonte, esta candidatura pretende marcar “um corte com o passado recente de gestão financeira e desportiva” e não incluirá nomes ligados ao presidente demissionário Godinho Lopes, que já anunciou que não se recandidatará. O conselho directivo da lista de José Couceiro terá apenas cinco elementos e a candidatura, que já recolheu as assinaturas necessárias para avançar, será formalizada nas próximas horas, de acordo com a mesma fonte.», in Público.

«Está confirmado: José Couceiro, de 50 anos, será candidato à sucessão de Godinho Lopes nas eleições de 23 de março. Foi o próprio quem o garantiu ontem, em declarações a Record. “Vou avançar! Será uma candidatura de rutura, não com o passado grandioso do clube mas sim em relação à gestão financeira e desportiva que marcou os últimos anos. Prometemos falar verdade aos sportinguistas”, disse-nos o antigo treinador e diretor-geral do Sporting, sobrinho-neto do lendário Fernando Peyroteo.»

 

Finalmente, alguém que coloca um ponto final nesta teoria de merda

O Vukcevic, apesar de muito evoluído tecnicamente, é indisciplinado?
Curiosamente, não acho que seja indisciplinado. Há outras questões que têm que ser abordadas e tratadas, não em público. Mas não passam pela indisciplina.
São questões psicológicas?
Também. Devemos ajudá-lo para ele se ajudar a ele próprio. Muitas vezes ele não consegue ajudar-se a si próprio e isso é negativo para a equipa, em primeiro lugar, e para ele. Gostava que ficasse claro que o problema de Vukcevic não é de ordem disciplinar.

Quem o diz, sem hesitar, é José Couceiro, numa desassombrada entrevista ao Record. E, confesso, fico contente.
Simplesmente porque continuo com a certeza de que, com um treinador realmente bom, Vuk poderá ser para nós o que Hulk é para o Porto, por exemplo (com menos velocidade, é verdade, mas com igual potência física, capacidade de remate e nível técnico).
Haja alguém com capacidade para lidar com uma personalidade muito própria e fazer sobressair o seu talento.