Probabilidades Matemáticas

É tão certo 2 + 2 serem 4 como o Sporting sair-se melhor na fotografia se jogar menos.

Como todos os que assistiram à eliminação com o Rangers, senti um nó na garganta quando sofremos o golo nos descontos. Por que razão não corre nada bem? Por que motivo não temos só um bocadinho de sorte? Porque caralho não posso só desta vez ter motivos para me sentir satisfeito pela vitória? Será que não podemos ter uma alegria (por mais patética que seja) nesta merda de época. Estes foram os pensamentos que tive naquele momento de desilusão.

O jogo acaba. E eu ponho-me a pensar outra vez. Agora mais a frio, ponho-me a imaginar o jogo com o PSV e lembro-me do que aconteceu este ano ao Feyenoord. Medo. O meu sonho termina. A minha frustração dá lugar a uma sensação de alívio.

Foda-se, quanto menos jogarmos menos possibilidades temos de fazer figuras que nos envergonhem. Seja um PSV, um Liverpool, um Manchester City ou no pior dos cenários um Benfica ou um Porto. É a primeira vez que isto acontece. Desejo que o Sporting compita menos porque, simplesmente, estou farto de ser gozado. Não quero ser mais o cabeçudo. Cansei-me. Há incompetência a mais no clube para pensar que poderia ser de outra maneira se tivéssemos passado esta eliminatória. É estatística pura. A realidade confirma isso a cada jogo.

É nisto que se tornou o Sporting para mim. É triste mas é verdade.

Os estranhos desígnios da arte de gerir (take 1)

Ao passar os olhos pelos desportivos de ontem e de hoje, fico com a ideia de que Couceiro será capaz de resolver dois dos problemas do plantel: Caneira e Izmailov.

Caneira, um dos homens fortes de Paulo Bento, tornou-se numa verdadeira pedra no sapato. Apontado como o principal bufo do balneário, passando informações em demasia ao seu amigo Seara, deixou o bandalho do seu empresário, Paulo Barbosa, dificultar ao máximo a tentativa do Sporting para resolver a situação de um jogador sem lugar no plantel. Bolton e Fulham foram dois dos três clubes ingleses propostos pelo Sporting e a todos eles Caneira torceu o nariz, preferindo fazer finca pé enquanto o seu empresário choramingava um tratamento discriminatório por parte da entidade patronal.

O mesmo empresário é figura incontornável no caso Izmailov, um caso que não só me enche de vergonha como de tristeza: pela forma como o Sporting tratou um dos seus mais valiosos e dedicados jogadores; pela forma como Izmailov se deixou conduzir por aquele bandalho anteriormente citado. Com um bocadinho de sorte, em Março o russo estará de volta e, fica já o recado, só espero que Paulo Sérgio (se ainda cá estiver) não faça o que fez Carvalhal, obrigando um jogador vindo de paragem prolongada e com pouco ritmo a fazer todos os minutos e mais alguns.

Nos dois processos há, também, outra figura incontornável: Costinha. E aqui, a questão é muito simples: se Couceiro conseguir acalmar as águas e resolver estes dois bicos de obra, como é que o fatiotas justificará o seu total insucesso para levar a bom porto contas que eram do seu rosário?

Areia para os olhos

Já tinha dito, na antevisão ao jogo com a Naval, que achava muito estranha a não convocatória de Pedro Mendes, ainda para mais quando o treinador dizia que não estava em condições de fazerpoupanças e que ia com os melhores a jogo.

Ora, passados dois ou três dias, eis que o cheiro a esturro saia da cozinha e chega ao nariz de todos os que conseguiram fechar os olhos a tempo de evitar o punhado de areia. Afinal, o rapaz não joga porque está a treinar de forma individualizada, gerindo o esforço e precavendo lesões que parecem espreitar a cada tufo de relva.

Culpados? Todos!

Claro que ainda estamos no reino dos “ses”, mas este poderá ser o final de uma maldita “estória” que, a terminar desta forma, não terá apenas um mau da fita.
Bettencourt, porque parece que não pertence a este filme.
Costinha, porque fez tudo para ter uma participação de peso no argumento e produção.
O nosso departamento médico, claro candidato ao Framboesa de Ouro.
Izmailov, pela falta de inteligência que tem demonstrado ao longo de toda a trama.
Paulo Barbosa, simplesmente por ser quem é e representar o que representa no nosso futebol.
Carlos Carvalhal, pela sua prestação, como mero figurante, numa das cenas mais quentes da película.

Foda-se…

“No dia 29 de Julho, no jogo com o Nordsjaelland, realizado na Dinamarca, o jogador Pedro Mendes sofreu uma lesão tendinosa incomum e extensa, localizada na coxa direita, sem indicação cirúrgica. Regressou aos treinos no prazo previsto, mas com a intensificação do processo de treino apresenta limitações em alguns exercícios específicos. Estas limitações resultam do processo cicatricial, devendo ser resolvidas cirurgicamente. Este procedimento terapêutico estará a cargo do Dr. A. Pereira de Castro e realizar-se-á hoje, ao fim do dia, no Hospital CUF-Infante Santo”.

Mas isto não era uma lesão que iria demorar duas a três semanas a curar?

Voltamos a repetir: dava mesmo jeito desmentirem esta merda

Quando a notícia surgiu pela primeira vez, pedimos para que alguém tivesse a coragem de dar a cara.
Agora, em entrevista ao site Academia de Talentos, e entre várias outras alfinetadas, Paulo Barbosa garante que o Sporting tentou mesmo despachar o Izmailov para o Benfica e que tal só não aconteceu porque o russo se recusou a jogar no rival.

Será que Bettencourt e Costinha vão voltar a assobiar para o ar? Será que Paulo Sérgio estava de acordo com a vassourada?
Estou cansado de silêncios ensurdecedores. Como aquele que envolve a vergonhosa passagem de Pongolle por Alvalade.

É só mais um sacrifício, Marat

Todos nós gostamos dele. Uns, como eu, muito.
É um daqueles pequenos craques, sem tiques de vedeta, para quem a equipa está sempre em primeiro lugar.
Por pensar assim, sacrificou-se várias vezes pelo colectivo. Até demais, diria eu. Foi pouco, pensou o Costinha.
O resultado desse esforço continuado, está à vista: é quase garantido que Izmailov vai voltar a ser operado ao joelho, o mesmo que fez os nossos dirigentes quererem devolvê-lo à pátria a troco de seis milhões.
No fundo, é só mais um sacrifício, Marat.

p.s. – este post é escrito antes de ser emitido o comunicado do Sporting, explicando o porquê do regresso do médio russo a Lisboa. E há já quem garanta que o seu destino pode não ser a mesa de operações…