Adeus Rubio?

«O Sporting tem nas equipas A e B cinco excelentes avançados e a possibilidade de dar várias alternativas ao treinador. Era isso que ele pretendia e nós esforçámo-nos para lhe dar», Bruno de Carvalho, na apresentação de Slimani.

Slimani, Montero, Cissé, Wilson Eduardo e Betinho? Ou o presidente estava a pensar em Wilson como extremo e a juntar Diego Rubio à lista?
Eu continuo a achar que o ideal era uma negócio a la Viola.

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Pequenos crimes entre amigos

Sim, é verdade, a notícia do Jogo está por confirmar, mas parece-me perfeitamente possível tendo em conta o nosso passado recente. Como é que se explica uma coisa destas, como é que se pagam balúrdios a dois putos que até podem nunca adaptar-se, é que eu já não sei (mas que alguém deve ter comido umas belas mariscadas, ou pago o colégio dos filhos, com as comissões, ai isso deve).

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Pensamentos soltos

Durante alguns segundo, acabou de ocupar-me o cérebro o seguinte pensamento: se o Bojinov aceitava baixar o ordenado em 40% (ou coisa do género) para jogar no Catania ou no Pescara, não seríamos nós capazes de renegociar o contrato que tem connosco e tentar dar-lhe utilidade com a nossa camisola?

Às tantas sou quem está enganado e já não precisamos de pensar em avançados, pois Rubio, Wilson e Viola dão conta do recado na ausência de Wolfswinkel…

p.s. – um aplauso para a prontidão com que Jeffren tratou de contrariar as palavras do seu pai.

O avançado

«Se nos falta um avançado? Tínhamos dito que havia dois objetivos, o primeiro foi conquistado, o segundo continua a ser trabalhado como temos feito até aqui, com serenidade. O orçamento global tem de ser garantido e temos de garantir que não ultrapassamos esses valores. As contratações terminam a 31 de agosto. Vamos ter calma», Godinho Lopes.

Começo, precisamente, pelo final das declarações: o ter calma. Eu percebo, perfeitamente, que seja complicado negociar com um punhado de rebuçados. Mas aborrece-me, época após época, esperar que os jogos a sério arranquem para tentar suprimir as lacunas existentes na equipa (bem, a não ser que estejam a tentar trazer um novo Jardel). E, neste caso, estou bastante curioso por perceber quais os objectivos que conduziram a procura do avançado que fechará o plantel.

Porquê? Porque ainda não encontrei um único indício que me esclareça a seguinte dúvida: estamos à procura de um avançado para ser titular no lugar do Wolfs, de um avançado para ser segunda linha e espicaçar o Wolfs, ou  de um avançado para jogar ao lado do Wolfs?
Confesso que Wilson Eduardo e Rubio continuam a parecer-me meio verdes para, caso assim seja preciso, assumirem a titularidade. Mais, não me parece que Wilson seja um goleador (Rubio tem, claramente, faro de golo). E também aqui vos digo que não vejo grande lógica em travar o processo de crescimento de Wolfswinkel de quem, sem rodeio, gosto bastante.
Portanto, para mim, o ideal seria conseguir contratar um avançado que, aceitando a titularidade do holandês (até certo limite, claro), fosse capaz de resolver sempre que chamado. E, chegado a esta conclusão, só tenho que resolver um último dilema: contratar mais um jovem, que, mesmo tendo em conta que temos Betinho, seja capaz de agarrar o lugar quando Wolfs for vendido (a continuar a evoluir e a marcar, não deve ficar cá muito mais tempo), ou contratar um jogador experiente, capaz de empolgar adeptos, fazer-se ouvir no balneário e ainda ajudar o lobo a crescer?

Quem não tem lobo, caça com…?

A lesão de Wolfswinkel é apenas mais uma para juntar à longa lista que, à vez ou em conjunto, tem tornado impossível apresentar durante dois jogos consecutivos um onze composto pelos melhores jogadores do plantel. E, neste momento, pouco relevante será discutir se foi um risco comprar certos jogadores, se é azar, se é dos treinos ou se tudo resulta de uma conjugação cósmica.

O importante é pensar na melhor forma de compensar a ausência do melhor marcador da equipa, sendo que o nome que, pela lógica, se perfila como seu substituto é o de Bojinov, apelidado pela esmagadora maioria dos adeptos leoninos como flop, merda ou, mesmo, a pior contratação da história do Sporting (como se, só para as posições mais avançadas, não tivessem tido que levar, num passado recente, com Hélder Postiga, Tiuí, Luiz Paez, Purovic, Pongolle, Carlos Saleiro, Kirovski, Nalitzis, Kutuzov, Lourenço, Clayton, Mota, Bueno ou Koke).
E porque raio acho eu que, pela lógica, deveria ser Bojinov a avançar (ainda por cima como os sete ventos trazem a mensagem de que o homem não pode jogar como referência na área, num sistema de 4-3-3)? Sim, é verdade que o homem parece ter sido trazido de volta à vida e ainda estar a tentar perceber qual a melhor forma de respirar, mas permitam-me a pergunta: quantos dos que o querem empacotar de volta defenderam, ao fim de umas dezenas de minutos, que Wolfswinkel era uma merda?!? E, já agora, quantos dos que o criticam o viram jogar sem ser em compilações do youtube? Ah, a puta da memória. Quantos dos que o querem ver pelas costas assobiaram Acosta, aquele cabrão daquele velho que devia ter sido recambiado ao fim de dois meses de cá estar? Quantos dos que acham que a única coisa que vale a pena em Bojinov é a Bojinova, defenderam que Postiga era um artista, que não era nove mais nove e meio mais onde rendia mesmo era como falso dez?  Uma última, uma última, que eu sou um chato do caralho: quantos jogos completos (e seguidos) já fez Bojinov com a camisola do Sporting?!?

Posto isto, eu apostaria em Bojinov. E logo veria se entraria Ribas ou Rubio. Porque acredito que temos um jogador a ganhar e que, deixá-lo de fora para dar lugar a alguém chegado há uma semana, será dar-lhe uma machadada nas costas e colocar-lhe a etiqueta no pé.

Espírito e personalidade

«Ainda tenho 18 anos, preciso de tempo de adaptação, ganhar experiência, tranquilidade e trabalhar todos os dias. Estou muito feliz por ter vindo para Lisboa e estou cada vez mais adaptado». As palavras são de Diego Rubio, jogador que praticamente não tem tido oportunidade de jogar, e reforçam o espírito de equipa que, a cada semana, é transmitido aos adeptos. É inegável que as vitórias promovem o bom ambiente, mas não é menos verdade que mesmo no mau arranque de época as vozes que se ouviam iam no sentido de fortalecer o grupo.
Outro bom exemplo é Bojinov que, a cada intervenção, nunca deixa de colocar o grupo em primeiro lugar, pese a azia que lhe deve dar não ser titular. E, ainda no Domingo, vimos Wolfswinkel ser homenageado e não perder a oportunidade para reforçar a crença na conquista de títulos, a alegria por ter escolhido o Sporting e a vontade de continuar de Leão ao peito.

E a propósito de homenagens, não deixa de ser significativo a forma como Capel, Schaars e Wolfswinkel têm sido recordados nos seus anteriores clubes. Excelente profissionalismo, qualidade acima da média e personalidade são, quanto a mim, a justificação para essas homenagens e fazem-me acreditar que a política de contratações levou em linha de conta algo que ia fazendo falta pelas bandas de Alvalade.

Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.