Quem não tem lobo, caça com…?

A lesão de Wolfswinkel é apenas mais uma para juntar à longa lista que, à vez ou em conjunto, tem tornado impossível apresentar durante dois jogos consecutivos um onze composto pelos melhores jogadores do plantel. E, neste momento, pouco relevante será discutir se foi um risco comprar certos jogadores, se é azar, se é dos treinos ou se tudo resulta de uma conjugação cósmica.

O importante é pensar na melhor forma de compensar a ausência do melhor marcador da equipa, sendo que o nome que, pela lógica, se perfila como seu substituto é o de Bojinov, apelidado pela esmagadora maioria dos adeptos leoninos como flop, merda ou, mesmo, a pior contratação da história do Sporting (como se, só para as posições mais avançadas, não tivessem tido que levar, num passado recente, com Hélder Postiga, Tiuí, Luiz Paez, Purovic, Pongolle, Carlos Saleiro, Kirovski, Nalitzis, Kutuzov, Lourenço, Clayton, Mota, Bueno ou Koke).
E porque raio acho eu que, pela lógica, deveria ser Bojinov a avançar (ainda por cima como os sete ventos trazem a mensagem de que o homem não pode jogar como referência na área, num sistema de 4-3-3)? Sim, é verdade que o homem parece ter sido trazido de volta à vida e ainda estar a tentar perceber qual a melhor forma de respirar, mas permitam-me a pergunta: quantos dos que o querem empacotar de volta defenderam, ao fim de umas dezenas de minutos, que Wolfswinkel era uma merda?!? E, já agora, quantos dos que o criticam o viram jogar sem ser em compilações do youtube? Ah, a puta da memória. Quantos dos que o querem ver pelas costas assobiaram Acosta, aquele cabrão daquele velho que devia ter sido recambiado ao fim de dois meses de cá estar? Quantos dos que acham que a única coisa que vale a pena em Bojinov é a Bojinova, defenderam que Postiga era um artista, que não era nove mais nove e meio mais onde rendia mesmo era como falso dez?  Uma última, uma última, que eu sou um chato do caralho: quantos jogos completos (e seguidos) já fez Bojinov com a camisola do Sporting?!?

Posto isto, eu apostaria em Bojinov. E logo veria se entraria Ribas ou Rubio. Porque acredito que temos um jogador a ganhar e que, deixá-lo de fora para dar lugar a alguém chegado há uma semana, será dar-lhe uma machadada nas costas e colocar-lhe a etiqueta no pé.

Um drama tem a dimensão que lhe quisermos dar

“Foda-se!”. Foi assim, de forma simples e directa, que reagi às imagens da lesão do Rinaudo. E porque pouco mais haveria a dizer, fui repetindo a palavra mentalmente ao longo da noite e, confesso, ainda acordei com a dita a ecoar-me no cérebro.

O banho fez-me colocar as ideias leoninas no lugar e ter a certeza de que, por mais indiscutível que seja a importância de Rinaudo na nossa equipa, era o que faltava olhar a sua lesão como uma fatalidade quase equivalente ao perder uma época inteira. Lembrei-me que já ficámos sem ele no início de um jogo e, com dez, ganhámos. Lembrei-me que vamos continuar a entrar em campo com onze jogadores nos quais acredito. E que, com toda a certeza, todos eles terão vontade de, primeiro, mostrar que o todo vale mais do que as partes, mesmo sendo uma soma delas, e que, em segundo, terão vontade de cerrar os dentes e aguentar o barco atingido por uma espécie de peste negra que teima em atirar jogadores para a enfermaria.

E lembrei-me de Domingos. Que confio nele. E que, por esta altura, deve estar a perguntar aos deuses do futebol se ainda não lhes tinha chegado terem-lhe tirado Vandinho num qualquer túnel obscuro do nosso futebol. A forma como Domingos vai suprir esta ausência deixa-nos, a todos, curiosos. Conseguirá fazer de André Santos um homenzinho? Fará avançar Carriço? Inverterá o meio campo, passando a jogar com um duplo pivot Elias-Schaars, libertando Matías como puro dez atrás de Wolfs e entre Capel e Carrillo? Achará, como eu acho, que Polga pode dar um razoável trinco?

A resposta será dada no domingo, frente ao Leiria, num jogo que, de um momento para o outro, se tornou num dos momentos mais importantes da época. Ganhando, temos tempo para aproveitar a paragem no campeonato e trabalhar a melhor solução para continuar a fazer crescer a onda verde até Janeiro, mês em que podem ser corrigidas algumas falhas na formação deste Leão que, pese os poucos meses de vida, queremos que se torne adulto à força.

 

Unhas encravadas

Elias e Matías são compatíveis?
Domingos tem gerido com mestria os vários estados de alma do balneário. Basta recuar ao último jogo e recordar a entrega da braçadeira a Daniel Carriço, numa forma de motivar ainda mais um jogador que vinha de marcar no regresso à titularidade. E, a bem dessa gestão, Matías, motivado pelo bom jogo na Liga Europa, manteve a titularidade nos jogos da Liga, ocupando o lado direito do meio-campo a meias com Elias e com João Pereira. Ganhámos, é verdade, mas parece-me que ficamos sempre a perder. Matías será compatível com Elias num meio-campo onde ambos joguem no centro, mas a equipa e o próprio jogador ficam a perder quando o chileno é encostado à linha direita. O que Capel faz à esquerda, alguém terá que fazer à direita. Carrillo ou Jeffrén, com Pereirinha à espreita, são donos do lugar e ponto final.

Jeffrén
O cabrão do 7 voltou a afzer das suas pelas bandas de Alvalade. Agora que parecíamos estar a renovar o brilho dessa camisola através da recuperação de Bojinov, somos surpreendidos pelo calvário do número 17. E surpreendidos será um tanto ou quanto subjectivo, pois ao que parece os problemas musculares não são de agora. Estou-me a cagar se o rapaz precisa de acompanhamento psicológico, se tem uma formação muscular de atleta de velocidade, se isto se aquilo. Sei que o departamento médico não ficou lá muito bem na fotografia e que a equipa está a ser prejudicada pela ausência de um talento inegável. Há que resolver esta questão o mais depressa possível e, tanto por nós como por um jogador muito acima da média com apenas 23 anos, quando Jeffren voltar a jogar é para fazê-lo várias semanas seguidas.

Rodriguez
Mais um jogador com um historial de lesões que explica o porquê de passar mais tempo de fora do que a jogar. Domingos confia nele, por isso o trouxe de Braga, e é um jogador que, para além da experiência e de ser dos quatro centrais o mais talhado para jogar à esquerda, nos torna mais fortes no jogo aéreo. A novela das idas à selecção, onde as lesões parecem desaparecer por obra e graça dos espíritos de Machu Picchu, só servem para que os adeptos o olhem de lado e, cada vez mais, se questione a necessidade de, em Janeiro, trazer outro central (para mim isto nem se questionava. Era trazer um que pegasse de estaca ao lado do Onyewu).

Rinaudo
É vergonhosa a perseguição de que está a ser alvo. Os dois últimos amarelos só são aceitáveis à luz de uma campanha que visa deixá-lo de fora do derby, e deixam Domingos com uma dúvida por resolver: colocá-lo, ou não , frente ao Leiria? Eu confesso que o deixava de fora e até era capaz de experimentar colocar Elias ou Schaars a trinco, recuperando Matías para o meio. É que a teoria de que, vendo um amarelo, pode forçar o segundo e ser expulso (cumprindo o castigo contra o Braga, para a Taça) é muito bonita se pensarmos que vamos ter um jogo que permita ficarmos com menos um de propósito. Para além de que, à partida, será mais complicado receber o Braga do que o Leiria.

Do banco à bancada

A emoção, transportada no brilho nos olhos, é generalizada.
Domingos sorri. Onyewu, o Capitão América, imita Bojinov, o nosso Tony Stark sem a armadura de ferro. Wolfswinkel festeja como se tivesse sido ele a marcar. Carrillo ri, como se tivesse acabado de pregar uma rabeta ao seu melhor amigo, numa futebolada de rua com balizas feitas de pedra. Nas bancadas, abraçam-se conhecidos e desconhecidos. Há quem se sente, talvez por sentir as pernas a tremer ou o coração a ceder. Grita-se Sporting. Uma e outra vez, num grito que, ao longo da semana, nos ecoa no labirinto do cérebro, como que guiando-nos em direcção à tão procurada saída: o próximo jogo.

Esta é, para já, a maior conquista de Domingos: transformou um plantel numa equipa onde todos jogam, mesmo os que ficam de fora. Ficar no banco não é um drama. Ver um colega brilhar é motivo de orgulho. Um golo é um orgasmo colectivo. E esse estado de espírito depressa se transmite às bancadas, numa comunhão que torna, a cada semana, o Sporting num adversário mais forte e mais temível.

Sob este estado de alma, percebo perfeitamente as declarações de Domingos, garantindo que não existirá deslumbramento e que há ainda uma larga margem de progressão para a equipa. Não só espicaça, ainda mais, os jogadores, desafiando-os a superarem-se, como relembra aos adeptos que a guerra ainda agora começou e que existe a possibilidade de terminarmos bastante esfarrapados algumas das batalhas. E, creio, a resposta a esses momentos valerá tanto como os três pontos que ficaram por conquistar. Serão eles capazes de olhar esse momento como, hoje, celebram um golo? Seremos nós capazes de controlar a nossa bipolaridade e, ao primeiro revés, não colocarmos em causa tudo o que de bom se vai conquistando? Se do banco à bancada o elo se mantiver, então, meus amigos, poderemos continuar a sorrir com a vertiginosa proximidade do sucesso.

Ponto de situação

Ainda não tinha tido oportunidade de despedir-me, condignamente, de Hélder Postiga e de Yannick Djaló. Nem de, fechado o mercado, comentar a forma como a dupla Freitas/Duque abordou o mesmo. Vamos por partes.

Não pude deixar de achar cómica, a reação de alguns Sportinguistas à saída de Postiga e de Djaló, lamentando a sua venda e considerando que perdemos dois bons jogadores.
De Postiga, só tenho a dizer o seguinte: marcou 12 golos em quatro épocas, uma média miserável. Aliás, contabilizando o número de minutos jogados, consegue ter uma média pior do que Purovic, do que Rodrigo Bonifácio Tiuí e do que… Koke. Estou-me completamente a cagar para o facto do gajo se julgar a “Paula Rego das quatro linhas”. Quero golos. Ele é avançado e não os marca (e ainda impede os colegas de fazê-lo). Põe-te nas putas que já vais tarde!
Quanto a Yannick, teve mais do que oportunidades para provar que era jogador para o Sporting. Como avançado, consegue disfarçar as suas deficiências técnicas com alguns golos, mas podemos ter num plantel um jogador que, em dez bolas, domina duas à primeira? Que como extremo não sabe ir à linha e cruzar? Ou partir para cima do adversário e fazer a diferença num 1×1? Não, não é jogador para o Sporting e não vamos tratá-lo como coitadinho só porque é oriundo da nossa formação. Nem vamos fazer dele um menino bem comportado, quando várias vezes o vimos não festejar golos porque estava amuado por terem gozado com o seu novo penteado. Ah, e muito menos vamos manter um jogador que nos dá motivos para aplaudir duas ou três vezes por época, só porque o gajo ainda vai parar ao Porto e ai ai ai (por favor, não me falem no Varela. Se os tripas não tivessem sido campeões o gajo já tinha sido apelidado de merdoso que, por época, passa dois ou três meses lesionado).

Quanto ao mercado, e depois de ter-se conseguido um treinador com competência, existiam várias lacunas no plantel a resolver:
– um concorrente para João Pereira
– defesas centrais que permitissem colocar um ponto final no calvário dos lances pelo ar
– um lateral esquerdo
– médios centro de qualidade
– extremos
– avançados que substituíssem Liedson (porra que ainda ontem vi o homem marcar dois ao Flamengo)

Para concorrer com João Pereira avançou-se para João Gonçalves, entretanto emprestado ao Olhanense. Ficou Pereirinha, que para mim apenas tem hipótese de jogar neste posição, e chegou Arias, que muito boas indicações deixou no mundial de sub-20. Creio que temos o problema resolvido.
No centro da defesa, um dos maiores problemas, optou-se por manter Anderson Polga e Carriço (que, por muito que me custe dizê-lo, já me pareceu bem melhor). Foi-se buscar Rodriguez, ao Braga, e chegou o gigante Onyewu, que de muito bom, contra a Juventus, passou a grande merda, contra o Valência. Bipolaridades à parte, para mim não tem muito que saber: é Rodriguez, à esquerda, e Onyewu, à direita. Não será uma dupla de sonho, pois não, mas ganhamos, força, ganhamos altura e, aposto, deixamos de sofrer golos patéticos. E, porra, duvido que não seja dupla para nos fazer lutar por títulos. Agora, é preciso é que consigam jogar juntos três ou quatro vezes para ganharem entrosamento.
Ainda na defesa, agora do lado esquerdo, penso que está mais do que visto que Evaldo é mediano. Pouco ataca e defende assim assim. Tem dias, no fundo. Mas como o Sporting precisa de alguém que tenha meses em vez de dias, foi-se buscar Insua. E era preciso o Grimi pegar-lhe a gripe para o homem não vir a transformar-se no nosso titular.

A meio-campo, onde sobravam André Santos, Matias e Izmailov da época passada, chegaram Rinaudo, Schaars, Luis Aguiar e Elias. Prefiro nem me alongar muito em comentários, deixando apenas a seguinte pergunta: olhando para estes sete gajos, e mesmo acreditando que possamos sentir a falta de um gajo que limpe tudo o que sejam bolas pelo ar, há quantos anos não tínhamos um meio-campo com esta qualidade e estas opções?  Inácio, por exemplo, foi campeão com uma rodela central onde cabiam Duscher, Vidigal, Bino, Toñito e Delfim. Temos piores opções? E o Sr. Boloni, pese o poder de fogo ao seu dispôr, tinha como médios centro Paulo Bento, Vidigal, Custódio, Bruno Caires, Diogo, Hugo Viana e o Afonso “nem pensem que me vou embora até terminar o meu contrato” Martins. Temos piores opções?

Já cheirava mal não termos extremos, não cheirava? O odor mudou radicalmente com a chegada de Capel, Jeffren e Carrillo. Há extremos, pois há, e de qualidade. Até o puto peruano, que parece ter vindo numa de estagiar durante a primeira época, mostra a cada pormenor ter imenso futebol naqueles pés.

Por último, havia que resolver um problema que se deixou arrastar: a dependência de Liedson. É inacreditável como se foi deixando passar os anos sem se antecipar a saída ou diminuição de rendimento do Levezinho. Pensar que Postiga podia ser o seu substituto não foi um acto de fé, antes de acefalia, que nos deixou entregues a um ataque sem golos. Chegaram, entretanto, Wolfswinkel, Rubio e Bojinov. Já nem discutindo qualidades e características, patético será algum deles fazer pior do que o dito artista. E dizer que qualquer um deles não presta, parece-me desonesto.

Posto isto, e muito resumidamente, há matéria prima para o Sporting estar, efectivamente, de volta. Que assim nos ajude a ausência de lesões e que, depois de ter andando a colocar jogadores a titulares para poder vendê-los, que seja capaz Domingos de se deixar de invenções parvas e de confirmar que o que de bom fez até hoje, enquanto treinador, não foi obra do acaso. A prova de fogo está marcada para amanhã, naquele que tem tudo para poder ser o primeiro jogo do resto da nossa época.

 

 

 

Elias

É uma contratação a sério e só numa de má língua poderá colocar-se em causa a mais valia que um jogador destes poderá representar para o Sporting.
Sim, é verdade que depois de espetar duas batatas ao Guimarães já não poderá competir na Liga Europa, mas, por outro lado, também sabemos que após cada jornada europeia contamos com alguém folgado e capaz de fazer a diferença.

Com a chegada de Elias, passamos a contar com
– dois jogadores para a posição 6, Rinaudo e André Santos (embora não me pareça que o André seja mesmo trinco);
– três jogadores para a posição 8, Schaars, Elias, e Luís Aguiar (não acredito que André Martins entre mesmo nas contas de Domingos);
– um 10 puro, Matias
– um jogador capaz de fazer de oito ou de dez, Izmailov

Perante isto, fico curioso para saber o que fará Domingos.
Mantendo o 4-3-3, quem serão os dois volantes? Schaars e Elias? Schaars e Izmailov? Schaars e Aguiar? Matias e Elias? Matias e Izmailov? Matias e Aguiar?
Apostará num 4-2-3-1, com Elias ao lado de Rinaudo e Matias, Izmailov ou até Luís Aguiar no apoio directo ao avançado?
Arriscará um 4-4-2 clássico, sendo que o segundo da frente pode ser Matías?

A grande verdade é que, quando chegar o dia de jogarmos em Paços de Ferreira, o que não lhe faltarão são opções para jogar à bola e ganhar. Ou vão dizer-me que não há aqui matéria prima para ganhar mais de 90 por cento dos jogos cá do burgo?

ACTUALIZAÇÃO: quase 9 (!!!) milhões foi o que custou Elias. Somos o melhor cliente do AtleMadrid, sem dúvida. E nem uma atenção por nos terem enfiado o barrete Pongolle… Nove… nove milhões… quando os espanhóis deram sete por ele há meia dúzia de meses… depois da história de comprar putos para “irem crescendo”, esta negociata só faz aumentar o cheiro de que deve haver muito dinheirinho a encher bolsos… agora só falta sentá-lo ao lado do Wolfswinkel, para termos um banco de 14 milhões! foda-se…

Ovos moles – barrica 3

Não queria acreditar quando, ainda na continuação da noite em que empatámos em Aveiro, comecei a ver ser defendida a ideia de que o Domingos devia ser posto a andar e substituído pelo Sá Pinto, que até tinha ido ganhar 3-0 ao Liverpool. Mais estupefacto (ou estupefato) fiquei ainda, quando cheguei à conclusão de que algumas pessoas que defendiam o despedimento do treinador ao fim de dois meses de trabalho, eram as mesmas que tinham assobiado para o ar quando, por exemplo, fomos enxovalhados pelo Bayern Munique.

Mas como as opiniões são como o cu – cada um tem o seu e quem quiser dá-lo, dá – sinto-me na legitimidade de dar-vos a minha opinião. É uma estupidez, sim, uma estupidez, defender o despedimento do Domingos. Ao fim de anos a jogar de biqueiro para a frente, de losangos ou outras figuras geométricas ainda mais estranhas e menos produtivas, contratámos, finalmente, um treinador que já mostrou que sabe o que está a fazer. Académica e, depois, Braga (e acho piada dizerem que a época passada do Braga foi merdosa quando o gajo ficou sem grande parte dos jogadores titulares e teve que começar quase de novo), parecem-me provas suficientes para acreditar no trabalho de Domingos. E, atenção, eu nem simpatizo propriamente com a figura em questão, mas consigo distinguir as coisas.

Se está a fazer merda? Sim, alguma, nomeadamente insistindo em dois ou três jogadores sem condições para jogarem no Sporting. Mas não foi aquele que ainda hoje goza de créditos em Alvalade, que nos fez perder a primeira parte de uma época insistindo em Custódio a 6, e teimando que Veloso era opção para defesa central?
Ao que me parece, Domingos tentou construir uma equipa acreditando que fazia sentido uma base que conhecesse os cantos à casa. Acontece que dessa base – Patrício, JPereira, Polga, Evaldo, Djaló, Postiga – apenas o primeiro é, em minha opinião, indicutível.
Creio que Domingos começa a perceber o erro mas, infelizmente, isso está a custar-nos pontos em jogos onde era obrigatório ganhar para embalar e fazer subir a confiança da equipa. Agora, despedir um treinador por isso, ainda para mais quando vejo o Sporting voltar a tentar jogar à bola? Vá lá, um pouco de calma. É claro que temos sede de vitórias, mas ele não terá menos vontade de ganhar (a tromba do gajo quando não ganha, as duas substituições a meio da primeira parte, o recado para os meninos que acham que não precisam de correr ou de esforçar-se) e de triunfar num enorme desafio que aceitou: reerguer o Sporting.
p.s. – Domingos também já percebeu que o virus que se instalou em Alvalade nos últimos três anos, continua activo: os jogadores acham que os primeiros 45 minutos fazem parte do aquecimento. Hoje é um óptimo dia para começar a curar esse vício de merda (alguém que lhes mostre imagens da última vez que estivemos na luta pelo título até ao fim, onde começávamos a resolver os jogos nos primeiros dez minutos).

Futebolês

Uma equipa como o Sporting tem que entrar sempre para ganhar.
Os jogos começam a ganhar-se de início.
De início jogam os melhores, mesmo que as pernas ou os pulmões não estejam preparados para 90 minutos.
Na táctica de sábado, Izmailov faz mais sentido do que André Santos, Capel faz mais sentido do que Djaló, Wolfswinkel ou Rubio fazem mais sentido do que Postiga.
Com o jogo resolvido, entram as segundas linhas.
Os melhores, substituidos, são aplaudidos. As segundas linhas acreditam que os aplausos são para eles.
Se o jogo não estiver resolvido, pelo menos sabemos que foi com os melhores que não consegumos ganhá-lo.

O pormenor

Já muito aqui se escreveu relativamente ao jogo da madrugada de domingo, frente à Juve.
Foi entusiasmante a pressão alta, que durou quase 40 minutos na primeira parte e aniquilou a possibilidade de os italianos tentarem chegar ao empate na segunda. Há, claramente, mão de Domingos neste Sporting onde os jogadores sabem o que fazer com e sem bola. 
Foi impressionante a exibição de Rinaudo, omnipresente em todos os movimentos a meio campo, e entusiasmante a qualidade técnica de Schaars, tanto com a bola corrida como com ela parada.
Foi com um sorriso que assisti ao “comigo isto pia mais fino” transmitido pela exibição de Oguchi, um verdadeiro monstro no centro da defesa com todas a condições para assumir-se como patrão do último reduto.
Sonhei que íamos vender o Yannick por 20 milhões.
Desesperei com a incapacidade de Evaldo de, uma só vez que fosse, impedir Krasic de ir à linha e centrar.
E encolhi os ombros ao constatar que Pereirinha continua com aquela postura de gajo incapaz de declarar-se à miúda de quem gosta desde a 4ª classe.

E, no meio de tudo isto, enquanto pensava que aquela dupla de meio campo é brutal, que “se Deus quiser” o Izma aguenta os jogos mais complicados e que Capel vai agitar o último terço do campo, dei com a minha atenção presa a uma posição, nesta pré-época ocupada por Postiga.
Postiga tem sido o chamado nove e meio, jogando atrás do avançado, e vendo passar por si demasiado jogo para a sua capacidade de dar-lhe seguimento. E, quanto a mim, este é um pormenor incontornável para o futebol que venhamos a jogar: aquela posição não pode ser de Postiga. Ok, pronto, há joguinhos em que pode. Mas aquela posição pede algo mais. Pede magia, e não magia daquela parva em que o rei dos postes se sente capaz de marcar golos à meia volta, a trinta metros da baliza, sem sequer olhar para ela. Pede Matigol. Um Matigol solto, a la Balakov. Será possível?

Pensamentos positivos

«Estamos todos, eu, o presidente [Godinho Lopes], Luís Duque e Carlos Freitas, a trabalhar em sintonia no sentido de fazermos um grande campeonato […] (os últimos reforços) são jogadores que estão mais adaptados ao futebol europeu e permite-nos consolidar o mais rápido possível o que pretendemos […] Ainda vamos mexer mais até 4 de Julho e acredito que seja a equipa que mais vai mexer. Há razões para o fazer, tendo em conta a diferença pontual com que o Sporting terminou face às equipas que ficaram à sua frente […] É fundamental começarmos de forma estável e com o plantel o mais bem definido possível, para atacarmos da melhor maneira a próxima temporada», Domingos Paciência in A Bola.

«Nada nos quatro sectores está completo, da baliza ao ataque. A minha ideia é começar com 25 ou 26 jogadores, mas logo se verá, também há que contar com os jogadores da formação, a adaptação dos que chegam, o tempo de crescimento… posso acrescentar mais dois ou três», in MaisFutebol