Abrir de portas

Existe um gesto sintomático na tomada de posse de Bruno de Carvalho: o abrir, pelas próprias mãos, das portas do auditório aos sócios que estavam do lado de fora. As conclusões ficam à medida da cabeça e da azia de cada um.

Quanto ao resto, o reforçar deste sentimento de esperança.

«O Sporting nasceu de um sonho de alguém que se lembrou um dia de fazer um clube desta dimensão que tanto nos orgulha. Também tive um sonho no antigo Estádio de Alvalade e, passado 35 anos, é uma honra estar aqui como presidente do Sporting»

«A força que nos deram para iniciar este mandato é importante para que, interna e externamente, todos percebam que o Sporting está vivo e com vontade de voltar a demonstrar a sua garra e a sua força»

«Todos os membros dos órgãos sociais eleitos vão dedicar-se de corpo e alma ao nosso clube, com o empenho, competência e rigor que necessitamos. Temos um árduo trabalho pela frente, mas encaramo-lo de forma consciente e com alma, garra e determinação de leões que é o que realmente somos»

«Temos de trabalhar para construir, temos de construir para ser sustentáveis e assim iniciarmos a mudança positiva e o desenvolvimento que todos ambicionamos e que necessitamos e que é nosso por direito»

«A nossa formação de excelência está ao serviço de todas as seleções de diferentes modalidades. O desporto nacional necessita de um Sporting forte, ganhador, impulsionador de novos paradigmas. O Sporting iniciará, hoje, um caminho próprio, que honre e dignifique o historial do clube e do desporto nacional».

«Comprometemo-nos a ser um parceiro atuante e com voz nas diversas instituições, nomeadamente nas federações e nas ligas. Faremos ouvir a nossa voz e exigiremos o respeito que merecemos no panorama desportivo nacional. O Sporting quer ter as melhores relações institucionais com todos os clubes, mas numa base de respeito mútuo»

«O Jesualdo Ferreira está como treinador e é nessa condições que vamos a Braga na próxima segunda-feira para trazer a vitória. Se fica para a próxima época? Está tudo em aberto e o que está mais em aberto é fazermos o nosso trabalho em conjunto em prol do Sporting» […] «Sempre disse que Jesualdo é o nosso treinador, está tudo bem, as pessoas estavam ansiosas para que nos encontrássemos, já nos encontramos e vamos estar juntos nos próximos sete jogos para os vencermos a todos. Estamos juntos eu, o Jesualdo e o Virgílio para ganharmos os jogos todos.» […] «O Vírgilo vai seguir para Itália para ganhamos a Next Gen, eu estarei no sábado com a equipa B para vencermos ao Benfica e estarei segunda-feira em Braga para ganharmos ao Sp. Braga. Estamos todos imbuídos de um espírito de exigência máxima.»

 

Carta aberta ao novo presidente

Bruno,
permite-me que assim te trate, nesta que é a minha forma de dar-te boas-vindas à presidência do nosso Sporting.

Começa hoje, oficialmente, a materializar-se o teu sonho de criança. Tal como há dois anos tens a preferência da maioria dos sócios e, olhando para os números, já não são apenas os sócios mais novos a confiarem-te os destinos do clube. É verdade que foi preciso bater no fundo, para milhares de Leões perceberem que não podíamos continuar reféns de um tipo de gestão despida de sentimento, mas, como costuma dizer-se, vale mais tarde do que nunca.

E é precisamente do fundo que vais começar. O Leão, que aprendemos a amar, chega-te às mãos mais enfraquecido, dorido, cambaleante e endividado do que alguma vez nos recordamos de ter visto. E com uma oposição mais perigosa do que nunca, feita de gente que viu escapar-lhe por entre os dedos o poder instituído; de gente que teme ver a sua péssima gestão desmascarada por uma real auditoria; de gente que fez do nosso Sporting o Sporting deles e que quis calar a voz dos sócios; de gente que apela à união enquanto afia facas e procura espetá-las antes mesmo de deixar-te tomar posse.

É um desafio do cacete, pois que é, mas até por aí, creio, faz sentido a presença de uma pessoa como tu. Aquele «é nosso outra vez!» é, mais do que um grito de conquista, um grito de revolta. Teu e nosso. É um respirar, depois de tantos minutos submersos que os nossos pulmões ameaçavam rebentar. É o desarmar o colete de força que nos indiciava como loucos, por pedirmos um Sporting com emoção, com sangue quente, longe das mesas de reuniões onde, por entre um criquete e uma combinação de tacadas ou raquetadas, se traçava o destino de um clube cada vez mais empresa. É, em última análise, o rugir de um Leão farto de ser estrela de circo. E de obedecer às ordens de domadores pedantes, confiantes que a aritmética lhes confere a capacidade de afrouxar um animal que nasceu não para temer, mas para ser temido.

Cabe-te, agora, fazer-nos acreditar que é esse Leão que vai reerguer-se. Que é ao lado desse Leão que vamos caminhar, como exército verde e branco saído de uma inapagável porta 10-A. A mesma porta que faz parte das tuas memórias, tal como a “Nave”, as meninas da rítmica, os jogos sem speakers, as camisolas de malha às riscas tricotadas pela avó ou o campo de treinos, ali ao lado. Espero que nunca te esqueças que, tal como nós que aqui escrevemos neste Cacifo a verde e branco pintado, desse teu passado. Desse nosso passado que, nos últimos anos, foi remetido para uma caixa sem cor e etiquetado com um “utilizar pouco e apenas quando der jeito”. Acontece que nós somos esse passado. E, agora que tens nas tuas mãos o nosso presente, nunca te esqueças que é nessas memórias que poderás encontrar a força que nos unirá rumo ao futuro, ensombrando adversários, externos ou internos, e deixando pelo mundo a marca Sporting Clube de Portugal.

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Honra aos outros candidatos

Merece o meu aplauso a reacção tanto de Carlos Severino, consciente de que lhe aconteceu o que se esperava, como de José Couceiro, como que aliviado por se  despedir de um papel que, sinceramente, nunca me pareceu com real vontade de desempenhar (e, agora, escolham  vocês quais dois dois papéis estou a falar).
Cada um à sua maneira, no rescaldo de uma noite longa, também eles souberam gritar “Viva o Sporting Clube de Portugal!”

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