Não ter noção do ridículo

«O Sporting está farto de pavões e, sobretudo, o Sporting não é uma agência de emprego. Aposto em José Couceiro exatamente por isso […] José Couceiro, já disse publicamente, é efetivamente o meu carro, porque é a única pessoa neste momento que consegue ter a capacidade para gerir um clube como o Sporting. Tudo o resto são aventuras».

As palavras, caros cacifeiros, são de Carlos Barbosa, o primeiro membro demissionário da atual direção.
O homem que, há menos de dois anos, garantia que «daqui a um ano, um ano e tal, o FC Porto já não fará parte do nosso campeonato. O campeonato do Sporting daqui a um ano ou dois será o Barcelona, o Ajax, o Real Madrid. Isso para nós é que vai ser importante».
O homem que, com um sorriso de orelha a orelha, mostrava o seu entusiasmo ao afirmar que «o que eu vejo neste novo Sporting, sendo uma pessoa que percebe pouco de futebol, é uma equipa excecional, com Luís Duque, Carlos Freitas e Domingos Paciência. A escolha de jogadores que foi feita, sem loucuras de preços, prova o profissionalismo».
O homem que não tem noção do ridículo.

Aventuras? Pois…

Diz que isto aconteceu esta noite

Que Dias Ferreira se passou da tola e que transformou a conferência de imprensa do Futre num momento para aprendizes. É verdade que Dias Ferreira terá várias velux, sem cortina de protecção, no seu telhado, mas não posso deixar de assinalar o grito de revolta de alguém que sempre pareceu atarantado perante a hipótese de mudança.
Pego nas palavras do José (não sei quem és, mas um obrigado pela reportagem) e publico-as com um “aleluia!”.

– “Haverá mais uma vez os candidatos que têm a protecção da banca, designadamente do BESI e do seu presidente José Maria Ricciardi e os outros”

– “já foi tornado público que os candidatos só a partir de dia 22 terão acesso à real situação do clube. Se só no dia 22 é que vou ter acesso aos problemas reais do clube, como é que eu até dia 21 sei quais são os problemas e apresento a solução para eles?”

– “No dia a seguir às eleições é publico que os candidatos precisam de 25M, mas depois precisarão sempre de mais algum valor que podem ser 40M e depois ainda podem ser 60M, ou seja, a situação do clube é um cenário tão negro, tão negro que, a ser verdade, inspira respeito.
Se um individuo avançar e for eleito corre o risco de vir a ser acusado de fechar a porta do Sporting.”

– “Não sinto coragem para avançar perante esta situação…porque provavelmente iria branquear tudo o que de errado se fez para trás…qualquer dia o BPN parece um assunto de amadores”.

– As pessoas que são reponsáveis falam que são precisos 25M para que o clube não feche, falam de rescisões de jogadores, como se não tivessem nada a ver com isto. É uma falta de amor e de respeito pela história do Sporting…fazem mal ao clube e com total desplante ainda fazem chantagem sobre os sócios ao dizer que quem for candidato tem de trazer 25M, como se não tivessem responsabilidade nenhuma. Foram eles os responsáveis pela situação do clube e essa sua responsabilidade é criminosa.”

– “Talvez tenha sonhado, mas parece que para pagar algumas despesas correntes, algum capital social da SAD já estará comprometido.”

– “Só no 1º Conselho Fiscal da era Roquette é que José Maria Ricciardi não fez parte do Conselho Fiscal…do mesmo Conselho Fiscal fazem também parte aqueles que são os auditores. E depois é impressionante que criticam a gestão do clube e a situação a que o clube chegou.
Eu pergunto_:
– Então para que é que serve o Conselho Fiscal?
– Para que servem os auditores?
– O Conselho Fiscal não tem obrigação de chamar a atenção para os negócios que são feitos?
– Vêem os ordenados que são pagos, os negócios, etc, e não alertam para estas situações?”

– “(sobre os responsáveis pela situação do clube), não percebem nada de futebol. Isto é má gestão, cria revolta e têm de ser responsabilizados. E é ver um sorriso cínico desses responsáveis que dizem que quem quiser presidente tem de apresentar um cheque de 25M.
É triste ver que se reduz a história de um grande clube a um cheque.
Os valores que fizeram o Sporting desapareceram”

Notas de uma entrevista para acéfalos

«[…] Mas devo recordar uma coisa: logo após as eleições recuperámos o terceiro lugar. Na época seguinte chegámos às meias finais da Liga Europa, ficámos em quarto lugar e atingimos a final da Taça de Portugal. Não foi bom, mas não foi um desastre», Godinho Lopes.

Tem toda a razão, sr. engenheiro. O desastre vinha logo a seguir.

Só faltou o “sim, obviamente, demito-me”

Depois da vergonhosa conferência de imprensa de sexta-feira, onde, durante mais de meia-hora, tentou vender aos sócios e adeptos um mundo no qual apenas ele vive, Godinho Lopes parece ter encarado a realidade. E essa realidade é só uma: não há providência que lhe valha, na tentativa de amordaçar os sócios.
Posto isto, o discurso mudou: acima de tudo e de todos, está o Sporting. Concordo. E, assim sendo, fico a aguardar o “demito-me” que a impreparada Judite tanto queria ouvir para fazer disparar as audiências.

p.s. – tenho pena que um blogue de que gosto bastante, o A Norte de Alvalade, tenha chegado ao ponto de defender teorias como a de que uma AGE serviria apenas para ouvir alguns dos sócios. Como se não pudessem manifestar-se e votar os que não querem eleições. E como se o resultado das últimas não fosse o exemplo de como, face a estatutos pouco democráticos, a vontade de uma minoria pode soprepor-se ao que diz a maioria dos votantes…

O rato sai da toca

Godinho vai falar. Diz que é ao meio dia e meia.
Sinceramente, não sei o que esperar. E, confesso, nem acho que a única saída que o homem tem é apresentar a demissão. Calma, eu explico. Está no direito de, mesmo que de forma autista, continuar a achar que tem condições para continuar e que é uma boa solução para o clube. Mas, há algo que, e creio que qualquer Sportinguista com S grande e dignidade condizente faria: deixar bem claro a tudo e todos que, tal como quis ouvir os sócios para ser eleito, também respeita a sua opinião quando se trata de avaliar o seu trabalho.
Dizer que se trabalha para o Sporting e, depois, tentar calar a voz dos sócios com providências e ameaças de violência, é algo que sintetizo na frase de um dos meus melhores amigos e Sportinguista: «é uma vergonha termos chegado aqui, foda-se! Um gajo ter de ponderar se pode, ou não, ir a uma AG do clube!».
É verdade, chegámos a este ponto. Tens algo a dizer, Godinho?

Rebajas!!!

insuamadrid

É este o resultado de promessas eleitorais como:
«Se gostava de ter jogadores europeus? Claro, mas exceto os jogadores de grande qualidade que estejam em fim de carreira, que é possível, é difícil ir buscar um jogador europeu que já esteja a jogar cá porque são preços elevados. Consegue-se com fundos e empresários? Claro, outros como nós conseguem, mas temos de ver a relação custo-benefício. O Adebayor, por exemplo, por 14 milhões de euros, que é sua a cláusula, é um bom nome para o Sporting, claro…  E o Sporting conseguia dar?  Tem as condições de qualquer clube europeu para ir buscar parte dos passes dos jogadores. Precisa de ter credibilidade, um técnico e um diretor bons e com prestígio»

ou como
«O projeto é para ganhar, não quero ficar dependente da venda dos jogadores. Há vendas em função do projeto e não em função das necessidades – e esta é a grande diferença. Vender a qualquer preço só para permitir que se paguem salários não. Jamais venderia um jogador para um rival»

ou como
«A independência passa por isso, tenho de ganhar. Se baterem uma cláusula de 30 milhões é outra coisa, vender um jogador para depois aguentar uma época desportiva ou algo do género acabou. A grande mudança é essa – eu, Luís Duque e Carlos Freitas viemos aqui para ganhar, não para vender os jogadores e equilibrar o passivo»

Se quiserem continuar até vomitarem, basta clicarem aqui.

Eu, se não se importam, vou limpar a boca e, com toda a certeza, deixar chorar a alma. Acabaram de tirar-me um pouco da que restava como, infelizmente, eu já temia no final do post «Essa coisa, ultrapassada, do amor e das referências».