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Diz que isto aconteceu esta noite

Que Dias Ferreira se passou da tola e que transformou a conferência de imprensa do Futre num momento para aprendizes. É verdade que Dias Ferreira terá várias velux, sem cortina de protecção, no seu telhado, mas não posso deixar de assinalar o grito de revolta de alguém que sempre pareceu atarantado perante a hipótese de mudança.
Pego nas palavras do José (não sei quem és, mas um obrigado pela reportagem) e publico-as com um “aleluia!”.

– “Haverá mais uma vez os candidatos que têm a protecção da banca, designadamente do BESI e do seu presidente José Maria Ricciardi e os outros”

– “já foi tornado público que os candidatos só a partir de dia 22 terão acesso à real situação do clube. Se só no dia 22 é que vou ter acesso aos problemas reais do clube, como é que eu até dia 21 sei quais são os problemas e apresento a solução para eles?”

– “No dia a seguir às eleições é publico que os candidatos precisam de 25M, mas depois precisarão sempre de mais algum valor que podem ser 40M e depois ainda podem ser 60M, ou seja, a situação do clube é um cenário tão negro, tão negro que, a ser verdade, inspira respeito.
Se um individuo avançar e for eleito corre o risco de vir a ser acusado de fechar a porta do Sporting.”

– “Não sinto coragem para avançar perante esta situação…porque provavelmente iria branquear tudo o que de errado se fez para trás…qualquer dia o BPN parece um assunto de amadores”.

– As pessoas que são reponsáveis falam que são precisos 25M para que o clube não feche, falam de rescisões de jogadores, como se não tivessem nada a ver com isto. É uma falta de amor e de respeito pela história do Sporting…fazem mal ao clube e com total desplante ainda fazem chantagem sobre os sócios ao dizer que quem for candidato tem de trazer 25M, como se não tivessem responsabilidade nenhuma. Foram eles os responsáveis pela situação do clube e essa sua responsabilidade é criminosa.”

– “Talvez tenha sonhado, mas parece que para pagar algumas despesas correntes, algum capital social da SAD já estará comprometido.”

– “Só no 1º Conselho Fiscal da era Roquette é que José Maria Ricciardi não fez parte do Conselho Fiscal…do mesmo Conselho Fiscal fazem também parte aqueles que são os auditores. E depois é impressionante que criticam a gestão do clube e a situação a que o clube chegou.
Eu pergunto_:
– Então para que é que serve o Conselho Fiscal?
– Para que servem os auditores?
– O Conselho Fiscal não tem obrigação de chamar a atenção para os negócios que são feitos?
– Vêem os ordenados que são pagos, os negócios, etc, e não alertam para estas situações?”

– “(sobre os responsáveis pela situação do clube), não percebem nada de futebol. Isto é má gestão, cria revolta e têm de ser responsabilizados. E é ver um sorriso cínico desses responsáveis que dizem que quem quiser presidente tem de apresentar um cheque de 25M.
É triste ver que se reduz a história de um grande clube a um cheque.
Os valores que fizeram o Sporting desapareceram”

Financeiro vs desportivo

É assim que vivemos actualmente, sendo Ínsua um bom exemplo.
De acordo com o CM, «o Atl. de Madrid aceitou, ainda, assumir uma dívida de 800 mil euros que o Sporting tinha com Insúa, relativa a direitos de imagem. Além disso, os ‘colchoneros’ aceitaram pagar 400 mil euros a Emiliano Insúa (empresário e irmão do futebolista) por intermediação no negócio que levou o esquerdino do Liverpool para o Sporting. No total, a percentagem que o Sporting detinha (35%) de Insúa foi avaliada em 4,2 milhões de euros. O passe está ainda repartido por Liverpool (32%), jogador (18%) e Sporting Fund, gerido pelo BESI (15%)». E, ao que se diz, o Sporting poderá, ainda, vir a receber 35% de uma futura transferência.

É menos chocante, sem dúvida, uma espécie de lavar de mãos que até deve ter valido conversa sobre Elias e, quem sabe, “Póngólé”. Mas, por outro lado, perdemos o melhor jogador para uma posição em que temos andando constantemente à deriva. Mais, perdemos alma. Alma que Ínsua transmitia aos adeptos, que transmitia aos companheiros de balneário. Alma que cuja falta tanto nos temos queixado (depois admiram-se da ligação que Capel tem à bancada). Alma que dá vitórias e, ou esteja eu muito enganado, vitórias que permitem vender os medianos ao preço dos melhores (ou bater o pé, no caso destes últimos).
Depois de duas presidências ruinosas e a cinco dias do fecho de um mercado que parece um filme de terror, é para isto que caminhamos: um Sporting sem alma, refém de fundos e, cada vez mais, com um plantel… zinho.

p.s. – a ser verdade, a notícia foca um ponto tantas vezes aqui questionado: os dinheiros atrasados. Só à família Ínsua, devia-se mais de um milhão. Quem votou em Godinho, deve ter a latejar na cabeça frases como «Há vendas em função do projeto e não em função das necessidades – e esta é a grande diferença. Vender a qualquer preço só para permitir que se paguem salários não!»

p.s.2 – seria demasiado fácil eu abordar a temática «a equipa precisa é de estabilidade», não seria?

p.s.3 – hoje é o último dia para ajudarem a conquistar o título. cliquem AQUI e votem no Cacifo para melhor blogue de Futebol do ano

Fight and resist!

leão

Fight and resist! Que mais poderia eu escrever depois de ler isto:
«Chegou-nos a informação que Eduardo Barroso, depois de ter almoçado ontem com o Godinho, inverteu as suas intenções de dar voz aos sócios de imediato e estará com a intenção de adiar a AGE para finais de Fevereiro ou princípios de Março», in facebook do Ideal 1906.

O pior, é que temo que seja verdade, depois das declarações de EB proferidas ontem:
«Há aspetos fundamentais da vida do Sporting para resolver. É fundamental respeitar o mercado de janeiro, é agora que se fazem dispensas, que se compram jogadores e que se ganha dinheiro [nota do Cacifo: até tremo quando penso no que esta ideia, materializada pelo Godinho, possa significar] para tornar mais saudáveis as finanças do Sporting […] Depois há uma reestruturação financeira que está em marcha e na qual deposito grande esperança. E por fim há a convocação de Assembleia Geral, se forem cumpridas as condições estatutárias. Tenho a obrigação de contribuir para que o Sporting possa serenamente encontrar uma solução».

Aproveito, igualmente, para dizer, que qualquer candidato será riscado do meu mapa, caso inclua o nome de Eduardo Barroso na sua lista. E nem tem a ver com este rumor (embora já comece a cheirar mal tanto tempo para confirmar assinaturas), antes com tudo o que este senhor tem vindo a dizer e a fazer, parecendo um moinho de vento, sendo a rabanada mais forte aquela que ele mesmo proferiu (e que deveria merecer uma investigação séria e uma justificação perante todos os Sportinguistas):
«Quanto às irregularidades, Barroso explicou que «houve 400 sócios que votaram sem passar nos computadores» e revelou: Dias Ferreira [candidato] disse: “Impugnem as eleições porque eu só não impugno porque perdi por muitos.” De acordo com o agora presidente da AG leonina, «houve outro [candidato] que pôs uma providência cautelar». Barroso explicou por fim: «Só não impugnou porque sportinguistas responsáveis como eu dissemos para o não fazer. Foi tudo mal preparado. Os votos foram metidos nuns sacos, nem sequer houve recontagem. Todos os candidatos souberam que houve irregularidades, que foram colocadas de parte em nome do Sporting.» (in MaisFutebol).

Estabilidade, caros Leões. Estabilidade. (puta que pariu!)

Ai que até se me fugiu uma pinguinha para a cueca

«Yannick Djaló está perto de de trocar o Sporting pelo Nice, da primeira Liga francesa. O atacante de 25 anos terá viajado esta noite para França para assinar um contrato que vai render ao Sporting 4,5 milhões de euros, que fica com 25% do passe do jogador formado em Alvalade […] Outro jogador criticado pelos adeptos e que poderá estar de saída de Alvalade é Hélder Postiga. O Atalanta, equipa da primeira Liga italiana, terá apresentado uma proposta ao Sporting pelo passe do avançado português, segundo relatos da imprensa transalpina».

Se não for uma invenção da nossa imprensa, é quase tão bom como ver chegar o Amauri em cima do fecho do mercado.

Entre Dez Palermas – Alan Mahon, o Incompreendido

Quando penso em jogadores que passaram pelo Sporting e que, estranhamente, não vingaram com a camisola verde e branca, um dos primeiros nomes que me vem à cabeça é o de Alan Mahon, esse pequeno irlandês de pé esquerdo fabuloso, capaz de desempenhar com mestria e elegância as posições ao centro e à esquerda de apoio ao ataque.

Chegado a Alvalade depois do inesquecível título, em 99/2000, e numa altura em que ainda era fácil assistir aos treinos dos craques, Mahon cedo me entusiasmou. O ar franzino e branquelas, o corte de cabelo manhoso e as rosetas nas faces ao estilo Heidi, escondiam, afinal, um craque, um puro craque. Estava ali o homem capaz de fazer esquecer Balakov e de dar ao nosso futebol o toque de brilhantismo que Pedro Barbosa dava a espaços. O homem capaz de ligar, na perfeição, o futebol cilíndrico de Pavel Horvath às assistências e golos de João Vieira Pinto e de Beto Matador Acosta.

Semana após semana, esperei vê-lo estrear-se de leão ao peito, algo que viria a acontecer em Madrid, frente ao Real, em jogo a contar para a Liga dos Campeões. O resultado final, 4-0 a favor dos merengues, ensombrou a estreia, mas não evitou que Alan Mahon espalhasse o perfume do seu futebol pelo relvado do mítico Barnabéu.
Fugindo ao choque com a inteligência de um predistinado, o pequeno irlandês, sem nunca tocar na bola, espalhou o pânico por toda a defensiva merengue. A classe com que ocupava os espaços entre a linha média e a linha defensiva do Real, a forma inigualável com que simulava elegantes diagonais imaginárias e os arranques de meio metro, acompanhados de finta curta sobre ele mesmo, permitram-nos respirar e sacudir a pressão adversária ao ponto de, e só não viu quem não quis, o jogo terminar com a sensação de que, se a partida durasse mais duas horas, Mahon acabaria por resolvê-lo a nosso favor.

Aceito, perfeitamente, que se compare Hélder Postiga com Cristiano Ronaldo. Não posso é aceitar que se continue a colocar Alan Mahon na prateleira dos flops que passaram por Alvalade. Se, e já dizia Epicuro, “o essencial para a nossa felicidade é a nossa condição íntima, e desta somos nós os senhores”, sinto que é chegada a altura de colocar o irlandês no lugar que a história do futebol lhe deve. Até porque, antes de existir Messi, existiu Mahon. Alan Mahon.