Limpinho, limpinho

Não sei o que me dá mais vómitos: se o Bufas e o Vitinho a choramingarem a arbitragem, se o Cruyff de Felgueiras a lamentar o cantinho que o conduziu à derrota.
E, tendo em conta o castigo que parece ter sido decidido, diria que o Capela teve uma sorte do cacete em fazer uma arbitragem limpinha, limpinha. Se tivesse tido alguma mancha, era coisa para ficar um ano sem apitar…

Para a azia existe remédio. E para a hipocrisia?

Vamos ser sinceros: a reacção lampiã a tudo o que se passou no domingo à noite, não foi surpresa. A mim surpreendeu-me, isso sim, (e entristeceu-me, confesso) ver e ouvir alguns amigos meus, enveredarem pela mesma linha de argumentação, da qual constam os seguintes pontos:

 
– levaram dois grandes golos e os golos foram limpinhos (mas alguém questionou os golos ou a genialidade do segundo?)
– mas como é que vocês queriam ganhar se nem criaram jogadas de perigo? (eu pensei que, aos oito minutos de jogo, já podíamos estar a ganhar 2-0. Mas fui eu que vi mal, peço desculpa)
– não te queixaste quando o Polga fez penalti sobre o Gaitan, no ano passado! (eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– mas tu gostaste do Capela quando expulsou o Cardozo! (eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– roubaram-nos o título quando não anularam o golo ao Maicon! Isto é futebol! (ah, pronto, isto é futebol. eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– queres ver que a culpa de estares a quase quarenta pontos do primeiro é nossa e do Capela? (mas alguém disse isso? eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– preocupa-te mas é com a merda de época que o Sporting está a fazer! (mais?!? eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– estão em oitavo e queriam vir roubar o título ao Benfica! Inchem! (em campo, ninguém deu pela diferença pontual. E, pronto, percebi, é proibido colocar o título em causa)
– vai tomar rennie para te passar a azia! (isso é mais para o Coroado. Mas… eu gostava de falar sobre este jogo. Podemos?)
– penaltis?!? mas quais penaltis?!? (…)
– agora a entrada do Matic e as entradas do Maxi, opá, deixem de ser choramingas (…)
– jogaste muito bem? nós é que marcámos e quem marca merece ganhar (…)

 

 

Resumidamente, falar, com franqueza, do jogo… não interessa. Assobia-se para o lado, agita-se as asas para lançar a confusão, misturam-se alhos com caralhos, recorre-se à memória selectiva, faz-se o que for necessário para não abordar algo que é factual, mas que interessa desvalorizar. Nada de novo, num clube que, por exemplo, decidiu antecipar em quatro anos a data da sua fundação. Num clube que afirma querer ser a tocha olímpica na luta pela verdade desportiva e que se mostra incapaz de festejar uma conquista sem que a mesma esteja envolta em fedor a pneu queimado. Felizmente, por entre a fumarada negra e os gritos dos orcs que festejam o que houver para festejar, há muito Leão capaz de perceber que o que está aqui em causa e de virar as costas a uma patética “parceria a sul”, proposta pelos vizinhos hipócritas, a quem a única coisa que importa é continuar a luta por conquistar o lugar no trono de quem gere o lodaçal que inquina o futebol de que tanto gosto.

Que seja o princípio do fim desta maldita ligação

«O clássico entre Sporting e F.C. Porto, deste sábado, terminou com ânimos exaltados na tribuna VIP do Estádio José Alvalade. Isso mesmo foi confirmado ao Maisfutebol por Paulo de Abreu, um dos envolvidos. «Houve uma troca de palavras que levou a que se instalasse um sururu, mas não foi nada de mais. Não houve agressões físicas», explicou. Ao que foi possível apurar, Pinto da Costa não terá gostado de algumas «bocas» que o antigo vice-presidente do Sporting, e agora membro do Conselho Leonino, foi deixando na segunda parte, visando a arbitragem de Paulo Baptista. No final do encontro, acompanhado por Adelino Caldeira e Reinaldo Teles, o presidente portista terá confrontado Paulo de Abreu, e foi aí que se gerou um «sururu» que motivou a intervenção de outros dirigentes leoninos, incluindo o presidente Godinho Lopes, mas também Ricardo Tomás e João Pedro Varandas, evitando que o desentendimento adquirisse outras proporções.»

Memórias

Será difícil não elegermos aqueles inesquecíveis 2-0, com golos de André Cruz e de Acosta, como sendo a melhor memória dos confrontos caseiros frente ao fcporto.
Assim sendo, a piada será recuperar outros episódios (é esse o desafio que vos lanço).

No meu caso, há uma imagem que guardo com especial carinho (peço a quem tiver melhor cabeça que eu, que me diga ao certo a época em que isto aconteceu).
Num dos clássicos mais quezilentos de que tenho memória, em que o fcporto defendeu o 0-1 praí desde os cinco minutos e a arbitragem foi uma salada de fruta, a rede do topo sul foi mandada abaixo. Alvalade, em peso, gritava “invasão, invasão”. No relvado, Douglas, o enorme Douglas, farto daquela palhaçada, acelera em direcção a André (sim, esse mesmo nojento), e o esperado carrinho transforma-se num voo, coroado com uma tesoura à cintura.

p.s. – dizem-me que tenho as memórias todas enrodilhadas… olha, safem vocês o post. eu vou continuar a acreditar que aquela tesoura se passou à minha frente, em Alvalade (não me lixem mais as memórias, please).

Nota dirigida a quem merece o meu respeito

Felizmente, 95%, mais coisa menos coisa, das pessoas que aqui comentam, são merecedoras do meu respeito. Os outros cinco por cento são dois tipos de palermas: os que acham piada a poderem ter vários nicks diferentes e os adeptos de clubes adversários, que encontram na provocação e no insulto baixo a forma de nos dizerem o quanto gostavam de ter um blogue como este pintado a cores manhosas. E, com esse incrível poder que a web lhes deu, uns e outros, os palermas claro está, tratam de tentar dar algum sentido às suas vidinhas de merda.

Ora, às pessoas que merecem o meu respeito, gostaria de dizer que, em virtude de estarem a crescer cada vez mais cogumelos venenosos no relvado do Cacifo, tomei duas decisões:
– primeiro, vai haver muita vassourada em nicks trazidos pela proximidade do acto eleitoral. É possível que algum novo cacifeiro acabe por levar por tabela, mas, nesse caso, e pedindo antecipada desculpa, solicito que me enviem um e-mail e me dêem conta dessa injustiça;
– segundo, vou dar muito pouca margem a off topics. É algo que tenho tolerado, embora, confesso, me aborreça um bocado (tal como me aborrece numa conversa cara a cara) até porque, por vezes, quase transforma a caixa de comentários num fórum onde o fio condutor é menos visível que o seu primo de pesca.

Estas são duas medidas que visam, até às eleições, tentar dar aos milhares de Sportinguistas que fazem do Cacifo um dos seus (ou o seu) blogues de referência a possibilidade de discutir, de forma o menos minada possível, tão importante momento para o nosso clube. Quem preferir a informação encomendada e contaminada, pode sempre tirar um mês de férias e alugar quarto com vista para um pasquim diário e respectiva caixa de comentários.

Um abraço para a maioria. E uma a la Ínsua (saudades…) na tola dos cogumelos.