Coincidências

No dia em que os senadores brasileiros aprovaram o projecto de lei que transforma a corrupção em crime hediondo, o que faz com que os condenados por corrupção percam o direito à amnistia, indulto e pagamento de fiança para serem libertados, Godinho Lopes resolveu reaparecer com pérolas como «Quem está na direcção do clube, sabendo que está de passagem, deve unicamente preocupar-se em trabalhar e servir».
Trabalhar e servir quem, é a pergunta que fica.

Diz que é uma espécie de Travian

magrebinos
A frase, “twitada” pelo deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim, tem cerca de dez dias, mas eu diria que se arrasta no tempo. Ou, se preferirem, que é um bom exemplo do que está na génese dos dois vergonhosos episódios a que pudemos assistir, este fim-de-semana (pena os tomates não terem aço suficiente para levar a falta de comparência até ao fim). Aceito que, por esta altura, estejam a vociferar qualquer coisa do género: «foda-se, Cherba, mas o que é que nós temos a ver com a guerra entre estes dois clubes de merda?!?». Tudo, infelizmente.

A escalada de violência nos jogos entre porto e benfica, independentemente da modalidade ou do escalão de formação que disputada o desafio, é uma realidade incontornável. E, parece-me, essa realidade resulta de um desejo comum, dominar. O problema é que, para torná-lo real estabeleceu-se uma regra: não há regras. É um vale tudo, entre actos e palavras, que começa nos dirigentes e termina nos adeptos e que conta com a contribuição da nossa comunicação social, sempre pronta a fazer manchete ou notícia de abertura qualquer barrote que ajude a alimentar a fogueira. Sobre ela, um enorme caldeirão onde vai sendo cozinhada a vontade de transformar o desporto nacional numa dicotomia assente numa guerra entre o norte e o sul. A infeliz twitada do Amorim, mais não fez do que, pela enésima vez, transmitir esse espírito pequeno.

E nós? Nós surgimos com o ingrediente que não deixa apurar a receita. Pior, agora, que parecemos querer cortar, drasticamente (e finalmente), com o nosso papel de capachos a que um rol de dirigentes sem espinha dorsal votou uma instituição com mais de um século de história (a propósito, não deixa de ser curioso que os outros intervenientes sintam necessidade de mentir na data da sua fundação). Quanto mais fortes estivermos, mais complicado será alimentar esta guerrilha. Quanto mais alto rugirmos, mas baixo soarão as alarvidades proferidas por azuis e vermelhos. A verdade é que, goste-se ou não, o desporto nacional, o mesmo que bebe do nosso ecletismo e da nossa capacidade formadora há décadas, precisa de fortes pinceladas a verde e branco. A verdade é que, entre a força provinciana dos Teutões e a grandeza periclitante dos Romanos, há uma aldeia gaulesa de Leões que se apresenta como último baluarte da resistência de algo que nos apaixona: a competição em busca da glória; assente não em estratégias inquinadas, antes em esforço, dedicação e devoção!

Limpinho, limpinho

Não sei o que me dá mais vómitos: se o Bufas e o Vitinho a choramingarem a arbitragem, se o Cruyff de Felgueiras a lamentar o cantinho que o conduziu à derrota.
E, tendo em conta o castigo que parece ter sido decidido, diria que o Capela teve uma sorte do cacete em fazer uma arbitragem limpinha, limpinha. Se tivesse tido alguma mancha, era coisa para ficar um ano sem apitar…

«Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube!»

A frase é fantástica e encerra a entrevista de Daniel Sampaio ao DN. Uma entrevista que todos, todos, mas mesmo todos os Sportinguistas devem ler. Uma entrevista aterradora, deixando claro como a água aquilo que, aqui e em tantos outros blogues, se foi dizendo, pedindo para que todos os que amam este Leão verde e branco abrissem, de uma vez por todas, os olhos. Leiam, mas leiam mesmo! É doentio. Doloroso. Fez-me ranger os dentes de raiva, qual Leão perante um bando de hienas. Mas, caros Leões, é mais um motivo para enchermos Alvalade e gritarmos, a uma só voz «Viva o Sporting Clube de Portugal! É nosso outra vez!»

Quando a sua Mesa da Assembleia Geral (MAG) foi eleita numa lista diferente da do Conselho Direi ivo (CD) de Godinho Lopes sentiu que o mandato ia ser intranquilo?
À partida não era bom, mas no primeiro ano os dois órgãos trabalharam bem. Nesse período fez-se a revisão dos estatutos, o regulamento eleitoral, houve reuniões de trabalho e o Sporting não estava na situação má em que esteve depois no segundo ano do mandato. Houve, no entanto, o episódio da destruição dos votos. Foi feita antes do prazo e comunicada pelo telefone.

Quem fez essa comunicação?
Godinho Lopes a mim – nessa altura ele não se dava muito bem com Eduardo Barroso (ndr. Presidente da MAG). Disse-me que ia destruir os votos e eu respondi que tínhamos que ver. Consultei os juristas da MAG e eles responderam-me que o prazo corria. Telefonei a Godinho Lopes e os votos já tinham sido destruídos. A MAG nunca falou sobre isso porque não queria desestabilizar. Foi o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão que avançou para essa situação. Aí começou uma posição de desconfiança em relação ao vice-presidente, mas por uma questão de lealdade institucional ficámos em completo silêncio. Só em dezembro tomámos posições mais públicas de crítica ao CD.

E internamente quando adotaram essa posição mais crítica?
Em meados de 2012… o CD nas reuniões que mantinha connosco e com o Conselho Fiscal (CF) funcionava de forma interessante; o presidente falava durante uma hora seguida. Falava de milhões sobre coisas que percebíamos que não tiniram uma sedimentação rigorosa. Nunca vi membros do CD emitirem uma posição significativa sobre o Sporting. Ele falava sozinho, passava o tempo e a reunião acabava.

Depois houve o caso Cristóvão.
No qual houve uma grande divergência entre a MAG e o CD. Tive uma conversa com esse vice-presidente que é hoje arguido e que muito me inquietou. Nessa conversa comunicou-me que espiava os jogadores.

Comunicou-lhe isso assim?
Estava com os meus netos a pedir autógrafos aos jogadores junto dos carros deles onde estavam as mulheres e namoradas, e de uma forma surpreendente para mim veio ter comigo contando-me episódios da vida íntima dos jogadores e mostrando-me mensagens entre um jogador e a sua namorada. Posto isto alertei o presidente.

O que lhe disse Godinho Lopes?
Disse que todos os clubes faziam isso. Eu disse que não acreditava que todos os clubes vão ao ponto de saber as relações íntimas, e estou a falar de relações afectivas e sexuais, e que isso seja motivo para um vice-presidente ter mensagens da vida íntima dos jogadores. Foi-me mostrado no telemóvel do vice-presidente a mensagem de um jogador para a sua namorada e a resposta dela. Nessa mesma conversa o vice-presidente disse-me que havia um jogador que tinha uma relação extraconjugal. A expressão que utilizei foi que “quero é que eles joguem bem, com quem dormem não me interessa”. Respondeu-me que estava a proteger os activos. Avisei Godinho Lopes, que para além da resposta de que todos os clubes fazem isso, disse-me que era o primeiro a chamar atenção para isso.

Concluiu que Godinho Lopes estava a par disso?
Evidentemente e achou aquilo perfeitamente natural. Depois rebentou o caso Cardinal. A MAG teve um almoço com Godinho Lopes. Aí dissemos que a situação era grave e que o Sporting devia constituir-se assistente do processo e que o vice-presidente devia sair, porque estava sob suspeita. Foi-nos respondido que ia haver uma reunião do CD para analisar a situação, na qual não se demitiu. Isto foi evoluindo, o vice-presidente acabou por se demitir devido a outros crimes que não tinham a ver com o caso Cardinal e nós insistimos que o Sporting devia constituir-se como assistente e encarar a possibilidade de pedir uma indemnização. A resposta foi negativa e a partir daí as relações degradaram-se.

Conte-nos lá o processo da polémica AG que não se realizou?
No início de janeiro surgiu o requerimento. Mas a verdade é que nós podíamos ter convocado a AG através do nosso presidente Eduardo Barroso. A MAG do ponto de vista estatutário pode ser ela a requerer uma AG de destituição. Nunca o fizemos por uma questão de lealdade institucional. Dissemos que nunca o faríamos mas se um grupo de sócios o quisesse fazer nós tínhamos que analisar as condições. A 2 de janeiro, com as assinaturas a correr, pedimos uma reunião ao CD em que dissemos que uma das soluções que podia haver passava pela demissão do CD para que não houvesse uma AG de destituição.

Quando percebeu a intransigência de Godinho Lopes em demitir-se e falar com membros do CD?
Isso foi-nos sugerido por Abrantes Mendes, que tinha passado por um cenário igual no tempo de Jorge Gonçalves. Fizemos contactos, que não eram ao acaso, Aureliano Neves e Rui Paulo Figueiredo disseram-nos várias vezes que se queriam demitir. Eu próprio falei com Daisy Ulrich. Disseram que iam pensar. Entretanto, a MAG tem contactos com os bancos credores… Sim, pedimos audiências oficiais ao BCP e ao BES. Aí a conversa com José Maria Ricciardi foi institucional. O que ele nos disse em janeiro era que a reestruturação não estava feita, mas que ia ser feita. Ele sempre foi contra a AG porque considerava que ia interromper a reestruturação. Não havia reestruturação, havia projectos. A 25 de janeiro fomos recebidos no BCP pelo seu presidente, Nuno Amado, que nos disse que não havia reestruturação nenhuma. E mais, garantiu-nos que o BCP só colaborava com a reestruturação com tudo escrito, quer com o atual presidente, quer com o futuro se houvesse eleições. “Não vamos continuar a dar apoio ao Sporting sem um plano de reestruturação completamente escrito com o apoio do CF do Sporting, o atual ou o futuro”, disse-nos Nuno Amado. Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do CD, que numa reunião em dezembro nos chegou a dizer que a reestruturação iria ser feita até final de dezembro.

Godinho Lopes queria perpetuar-se no poder?
Não tenho dúvidas. Fez tudo para que a AG não se realizasse. Ele tinha a certeza que ia ser destituído.

Na conferência de imprensa sobre o funcionamento da AG foi atingido com ovos…
Fui avisado de que devia colocar um polícia à paisana. Através dos meus contactos um sócio do Sporting, o Comissário Pinho, foi assistir à paisana. Foi a nossa sorte. Na primeira parte, com os jornalistas, correu bem. A segunda parte era com os sócios. Estávamos no auditório e tínhamos solicitado aos serviços que identificassem os sócios. Essa identificação não foi feita. Depois começaram os insultos e os palavrões e sete ou oito indivíduos levantaram-se e atiraram ovos. O Comissário Pinho barrou a saída, pediu reforços e as pessoas foram identificadas. Foram sete pessoas identificadas que eu não sei quem são. E o processo seguiu para a polícia e para o DIAR Depois constituí-me assistente do processo e tenho também uma investigação particular para acompanhar o processo.

Foi aliciado para ser presidente do Sporting?
Aliciado não, fui convidado. A história do golpe de estado radica em duas reuniões que existiram e que mostram como o Sporting funcionava. A 5 de janeiro houve um encontro em que se falou de vários problemas do Sporting.

Quem esteve nesse encontro?
Pedro Baltazar, Alexandre Patrício Gouveia, Eduardo Barroso, eu, Rui Morgado e Luís Natário [ambos elementos da MAG]. Nessa reunião, e era assim que funcionava o Sporting e eu espero que nunca mais funcione assim, as pessoas disseram: Estamos em contacto com José Maria Ricciardi [presidente do BES Investimento] e temos que ver como vai ser o futuro do Sporting, isto não pode continuar assim. Aí foi combinado um jantar a 8 de janeiro na casa de Eduardo Barroso.

Quem estava presente?
Eduardo Barroso, eu, Luís Natário, Rui Morgado, João Sampaio, José Maria Ricciardi, Alexandre Patrício Gouveia e Pedro Baltazar.

E nesse jantar o que se passou?
Falou-se da AG, na qual o CD podia ser destituído e que ia haver eleições a seguir. E as pessoas perguntavam: “O que é que vamos fazer ao Sporting?”. Falámos de cenários, podia haver listas, não haver, uma comissão de gestão e falaram-se em 17 nomes para essa comissão.

Pode revelar alguns?
Vera Jardim, Rocha Vieira, Rui Vinhas da Silva, Abrantes Mendes, Soares Franco, Artur Torres Pereira, etc.

E o que se decidiu?
Nesse jantar soube histórias espantosas. Um pequeno grupo é que designava o presidente ideal. Quando se diz que é o candidato da banca devo dizer que é o candidato de um banqueiro.

Refere-se a José Maria Ricciardi?
Com certeza. Nesse jantar ele dizia que eu era a pessoa ideal para ser o presidente do Sporting. E até me foi oferecida uma remuneração… a combinar.

Foi José Maria Ricciardi que o convidou para ser presidente do Sporting?
Claro, foi ele que me convidou. E foi ele que me contou que com José Eduardo Bettencourt procedeu-se da mesma maneira; havia nomes e um grupo escolheu José Eduardo Bettencourt.

Foi assim também com Godinho Lopes?
Com Godinho Lopes foi diferente. Andavam à procura de uma pessoa e Godinho Lopes foi ao BES ter com José Maria Ricciardi para lhe dizer que queria ser presidente. E José Maria Ricciardi considerou-o uma pessoa válida. Isto é aquilo que não pode voltar a acontecer no Sporting, felizmente não aconteceu agora, porque todos os candidatos criticaram a gestão anterior e ganhou o candidato, que não entrou, seguramente, nestes jogos de bastidores. Porque não era o candidato favorito destas pessoas. Pelo contrário, as pessoas que estiveram nesse jantar disseram que era uma pessoa sem perfil para ser presidente do Sporting.

Esse grupo queria encontrar alguém que fizesse frente a Bruno de Carvalho?
Claro, o convite a Daniel Sampaio tem a ver com isso, porque sabiam que eu era da lista de Bruno de Carvalho há dois anos. Sabiam que ia ser difícil para Bruno de Carvalho combater-me, porque temos uma relação muito cordial.

Como é que o tentaram convencer?
Nesse jantar José Maria Ricciardi disse que já tinha contactado investidores, que tinha o meu nome aceite pelos investidores e aprovado por um grupo de notáveis do Sporting. Rejeitei por duas razões. Primeiro porque não tenho disponibilidade nem conhecimentos. Segundo porque achei o processo terrível. Como se escolhe um presidente desta maneira, sem programa, sem saber o que a pessoa verdadeiramente pensa só porque é uma pessoa conhecida e que se pode opor a um candidato do povo do Sporting? Recusei, uns dias depois José Maria Ricciardi telefonou-me a insistir nesta situação e eu tomei a recusar. Eduardo Barroso chegou a ser convidado para presidente da MAG…

Na sua hipotética lista?
Sim. Como recusei pensou-se numa alternativa, a tal comissão de gestão, e foi-me perguntado, por José Maria Ricciardi, Pedro Baltazar e Alexandre Patrício Gouveia, se eu podia presidir essa comissão. Todos estavam desejosos que aceitasse. Não fechei completamente a porta, por uma questão de serviço ao Sporting. O que transpareceu é que estava a organizar uma comissão de gestão e a protagonizar um golpe de estado contra Eduardo Barroso.

Sentiu que os notáveis tinham medo de que Bruno de Carvalho fosse eleito presidente?
Medo? Eu diria pavor.

A quem se refere?
José Maria Ricciardi, Godinho Lopes, Nobre Guedes. Várias vezes nos disseram que se Bruno de Carvalho fosse eleito o Sporting acabava. O novo presidente vai ter uma prática diferente. Pode correr mal, mas espero que corra bem. Vai cortar a direito, vai poupar, não vai ter luxos e, sobretudo, vai estar com os sócios. Tem um enorme significado ter-se sentado no banco. Vai ter uma ligação com os jogadores e os sócios diferente. Não se pode ter a relação distante que Godinho Lopes tinha com os jogadores e o desprezo que tinha pelos sócios. A elite do Sporting tinha um profundo desprezo pelos sócios.

Com Bruno de Carvalho significa que essa elite deixou o Sporting?
Espero que sim e para sempre. O Sporting tem que voltar-se para uma matriz popular. O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde. E isso faz com que seja para algumas pessoas um clube elitista.

A elite vai dificultar a vida a Bruno de Carvalho?
Já andam a dizer que vai durar três meses. Cá estarei para denunciar essa elite, quero essa elite varrida do Sporting. Tudo farei para que não tenha novamente acesso ao poder.

Eduardo Barroso disse: “Estou farto de castas de pseudo dirigentes, verdadeiros terroristas de fato e gravata”. Quem são esses terroristas?
Pessoas ligadas ao CD e Conselho Leonino (CL). Até 23 de março o Sporting foi dominado por um pequeno grupo de pessoas bem-falantes, que estão afastadas dos sócios do Sporting. E explico. Godinho Lopes propôs-me que chegasse junto dos miúdos do movimento e dissesse para eles retirarem o requerimento. E eu respondi “ó Luís não vou fazer isso. Não trato nenhum sócio do Sporting por miúdo, são pessoas licenciadas e respeitadas, depois são apenas o rosto dos 800 ou mais sócios que subscreveram o requerimento. Não vou pedir para retirar nada”. Estas pessoas pensam assim dos sócios.

Os sócios não mandavam no clube?
Até 23 de março não mandaram. Havia um desprezo total, visível em várias AGs. As propostas dos sócios eram sublinhadas com sorrisos e apartes de membros do CD. Havia um desrespeito pela opinião dos sócios que fosse diferente da deles. No CL a mesma coisa. As intervenções dos conselheiros eram por que razão não tinham acesso ao croquete. Uma verdadeira vergonha.

Já percebi que acha que Bruno de Carvalho está a devolver o clube ao povo. E aos títulos?
Aos títulos não sei. Sem promessas, devemos dizer que nos vamos esfarrapar para ganhar. O Sporting só tem uma solução: matriz popular. Devolver o Sporting aos sócios, ouvi-los, transformar o CL num órgão de trabalho ou, então, extingui-lo. Votei em Bruno de Carvalho, mas tem que provar. Daqui a um ano posso ter uma má opinião, mas ele vai ter uma prática diferente. É um homem do povo, não é um marquês. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.

 

actualização: afinal, a entrevista é bem maior do que a que aqui publiquei (e com muito mais revelações inacreditáveis, claro). Ficam os links para que possam lê-la na íntegra:
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147491&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147505&page=-1
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147501
http://www.dn.pt/desporto/sporting/interior.aspx?content_id=3147502

 

Eu sei que é Páscoa e tal

Mas nem com uma dose alarve de açúcar conseguir tragar a tentativa, por parte de alguns bloguers, de transformar Godinho Lopes num sportinguista de mérito pela sua presença, durante uma mão cheia de minutos, na tomada de posse da nova direcção. Tal como não consigo evitar um sorriso irónico, quando me deparo com posts, em blogues supostamente do Sporting, felizes com as derrotas do nosso clube.

p.s. – quem enfiar a carapuça e quiser esgrimir argumentos, estou por aqui.

Ainda sabes o que é ter esperança?

Estamos a um dia e meio das eleições. Não sei se serão as mais importantes eleições de sempre, mas sei que a margem de erro é bem menor do que há dois anos. E sei que é chegada a hora de dizer-vos o que penso, sem rodeios.

Quando vi quais os dois candidatos que iam disputar o lugar de presidente com Bruno de Carvalho, tive duas certezas: Carlos Severino só serviria para fazer barulho e animar as hostes; José Couceiro representaria mais do mesmo servido com um molho diferente. Não me enganei.
Severino tem feito barulho e animado as hostes; Couceiro tem sido um vazio semelhante ao que foi Godinho Lopes, com uma agravante: nem ele sabe bem, porque raio é que se candidatou a presidente do Sporting. Olho para ele e leio-lhe o pensamento «se o Figo tivesse aceitado ser candidato, eu podia estar bem mais sossegado». Couceiro não tem perfil e, peço desculpa pela sinceridade, mostra pouca personalidade ao utilizar o emblemático nome do avô, Peyroteo, para tentar ganhar votos (pintava a minha cara de merda, se tivesse um apelido desses e não fizesse questão de usá-lo todos os dias). O resto, não precisa de apresentações: a máquina Cunha & Vaz, com a pequena diferença de afirmar que Bruno de Carvalho será o próximo Godinho Lopes (vale tudo, incluindo cuspir no prato onde comeram) em vez de o apelidar de novo Vale e Azevedo; a presença de Nobre Guedes; a rábula de Paiva dos Santos, a chegar tarde na sua tentativa de fingir que se candidatava independentemente ao Conselho Leonino. Está lá tudo, incluindo as almoçaradas com a presença de um dos líderes da mais antiga claque (sim, os tais que convocaram uma press para dizerem que não se metiam em campanhas eleitorais), as promessas balofas e o não assumir o que quer que seja (nós podemos, repare, nós podemos, repare… gira o disco e soa ao mesmo). Só muda o protagonista, empurrado à força para um papel para o qual, a cada entrevista, se mostra muito pouco confortável.

Depois, Bruno de Carvalho. Gabo-lhe a capacidade para, durante dois anos, aceitar ser alvo de todas e mais algumas calúnias e rumores, tanto sobre a vida pessoal como sobre a vida profissional. Até o raio das contas do condomínio do homem, servem para tentar minar o pensamento dos sócios. Meus caros, estou-me literalmente a cagar para o passado de Bruno de Carvalho (e apelido de desonestidade intlectual os momentos em que esse passado é questionado por quem, por exemplo, aceitou os passados de Godinho Lopes, Luís Duque ou Paulo Pereira Cristóvão). Prefiro pensar no que ele poderá oferecer-me, enquanto sócio e adepto do Sporting, no futuro. Olho para Bruno de Carvalho e penso que podia ser eu a estar ali. Com entusiasmo. Com sonhos. Com vontade de trabalhar. Com capacidade de liderança. Com um Sportinguismo, por vezes ingénuo, que não se envergonha de alimentar-se em sonhos de criança. Mas com Sportinguismo de cachecol, não de gravata, coisa de que tanto sentimos falta.

Ontem, quando pensava na melhor forma de explicar-vos o que penso, considerei perfeito este exemplo.
Imaginem que o Sporting é uma das pessoas mais importantes da nossa vida. Essa pessoa adoeceu, com os sintomas a agravarem-se com o passar do tempo. Resolvemos interná-la, num hospital cheio de médicos de renome. “Temos os melhores médicos, temos credibilidade, temos tecnologia, temos tratamentos de ponta, temos a solução”. Veio um, dois, três, quatro médicos. E o Sporting, uma das pessoas mais importantes das nossas vidas, foi piorando. Ficando cada vez mais débil, sem capacidade de reação, vulnerável a novas patologias ou vírus trazidos do exterior.
Cansados, resolvemos começar a procurar novas alternativas. E damos de caras com um médico que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. «Homem, você não faça isso! Isso é a morte do seu amor! Não vê que isto é um charlatão? Um vendedor de banha da cobra? Você conhece o passado dele? Já o viu fazer qualquer coisa de relevante? Ó homem, você é que sabe, mas veja lá… Não sabemos se continuará a ter o seu Sporting se interromper o nosso tratamento». Mas estamos mesmo cansados. E queremos mudar. O problema, é que o conselho familiar resulta numa decisão contrária. «Homem, foi melhor assim. A sua família tomou bem esta decisão por si. Vai ver que, daqui por três anos, vai estar na rua, a festejar o regresso do seu Sporting e a vitória sobre esta doença!».
Passaram dois, não três, e o nosso Sporting quase já não reage aos estímulos. Pior, olhamos para ele e sentimo-nos cada vez mais impotentes, cada vez mais sem energia para transmitir-lhe energia (mesmo sabendo que isso, sim, poderá ser o seu fim). Revoltamo-nos. «Chega, chega desta merda!», dizemos interiormente. E gritamo-lo, bem alto, na recepção do tal hospital cheio de médicos credíveis e de soluções fantásticas. Eles arregalam os olhos, incrédulos. A nossa fúria é tal, que desperta a de outros familiares, camaradas, amigos, que também sofrem com o definhar do Sporting. E, fruto desse murro na mesa, surge, novamente, a oportunidade de dar uma chance ao outro médico, o tal que apresenta novas soluções e sugere um tratamento diferente. Os avisos sobre a idoneidade do mesmo não tardam a voltar a repetir-se, mas, na nossa cabeça, já só existe um pensamento.
Baixamo-nos e, olhos nos olhos, dizemos a essa pessoa de quem tanto gostamos: se perdermos esta luta, meu Sporting, não há-de ser por falta de tentar. É verdade que não sei bem para onde estou a levar-te, mas sei que estou a levar-te para o único caminho onde me transmitem o que me têm roubado. A mim e a ti. Esperança.

 

Pimenta para o debate de amanhã

«O Sporting chegou a acordo com o Norwich para a transferência de Ricky van Wolfswinkel. A Bola sabe que o negócio ficou fechado esta quarta-feira e o avançado vai mudar-se para o clube inglês no final da época»

actualização: não podia ir deitar-me, sem desabafar. Pior que todo este calvário, pior que este espezinhar do meu Sporting, é saber que há sócios e adeptos que, se recuássemos dois anos, voltariam a votar e a defender estes montes de merda! espero que estejam felizes. Com todo o respeito vão, também vocês, pró caralho!