O Sporting, desunido, jamais será vencido!

Passaram quatro meses sobre as eleições e sobre a consequente escolha de Bruno de Carvalho para novo presidente do Sporting Clube de Portugal. E, neste curto espaço de tempo, tudo tem servido para tentar dificultar o processo que, já de si, se afigura como um dos mais complicados da nossa história. Da tentativa de assalto ao poder por parte dos Ricciardis da vida aos rumores de mercado que passam a ideia de estarmos sem capacidade negocial; do ódio que se criou em relação a Inácio às falácias blogosféricas que colocavam a mulher do presidente a “tachar” à conta do clube; do “é uma vergonha não termos Ghilas” ao “é uma vergonha não segurarem o Bruma”, passando pelo “é uma vergonha estar no Canadá quando há a Taça de Honra”; dos anunciados cortes monumentais nas modalidades ao facto do presidente se ter equipado a rigor para apresentar as novas camisolas…

A lista poderia continuar, numa estratégia onde não há lugar para a vontade de deixar trabalhar. Numa estratégia onde se olha para o Sporting como um alvo fácil. Pior, numa estratégia onde há sportinguistas capazes de ficarem incomodados com vitórias, com conquistas (esta Taça de Honra deve ter sido um aborrecimento para tanta gente…), com notícias que indiciam que se vão retirando obstáculos do caminho, porque isso significa estar mais longe de um passado recente.

Sim, é verdade, ainda há quem consiga afirmar, sem pestanejar (diz que a falta de vergonha na cara tem destas coisas), que o pior que nos aconteceu foi esta direcção ter sido eleita.
Porque devíamos ter apostado uma pistola à cabeça do Ghilas, para ele assinar contra a sua vontade.
Porque devíamos ter renovado com o Bruma quando já se percebeu que o jogador até faltou a reuniões porque quis (já agora, e porque passar entre as gotas da chuva é coisa de super-heróis, o que é que o manager aka treinador dos treinadores, andou a fazer enquanto esteve em Alvalade, que se esqueceu deste dossier?).
Porque está lá o Inácio e isso é sinónimo de amadorismo e incapacidade e o camandro e vitórias não rimam com Augusto (volta 99-2000, estás perdoado).
Porque não se admite conseguir manter os principais jogadores no andebol e no futsal.
Porque a mulher do Bruno estava no centro de atendimento, mas, afinal, não está.
Porque conseguimos avançar para a reestruturação deitando por terra o fantástico plano de resgate que estava preparado.
Porque pagámos os ordenados em atraso (e o dinheiro do Wolfswinkel, nem vê-lo).
Porque chegámos a um acordo para regularizar o que se deixou de pagar ao Baltazar.
Porque deixámos de ser caloteiros em relação à utilização do Pavilhão de Odivelas.
Porque já não apresentamos dez jogadores a ganharem acima de 1,2 milhões por época.
Porque, porque, porque… Só falta dizer, por exemplo, que foi esta direcção que revolucionou o departamento médico para poder contratar, sem opinião contrária, o Rodriguez e o Luís Aguiar, entre outros. Ou que esta direcção já sabia o que o PPC andava a fazer.

Sou sincero: estou cansado destes sportinguistas. Mesmo. E, desenganem-se, não é por criticarem este ou aquele nome. É por continuarem a alimentar uma forma de estar que coloca os nomes acima do Sporting. Que coloca os interesses pessoais, políticos e económicos acima de algo que, na sua génese, é irracional pela paixão que nos faz sentir. Sim, estou de lança chamas na mão e estou-me literalmente a borrifar para se me chamam separatistas, bombista ou terrorista (Bettencas, onde andas tu?), pelo simples facto de que, para lá do que queiram chamar-me, e que cairá que nem figo maduro depois de uma viagem pelo que tenho escrito ao longo destes anos, haver algo que se sobrepõe a tudo: o meu ser Sportinguista. E é por ter a certeza que, entre os quatro milhões de Leões, são esmagadores os que assim pensam, que tenho a certeza que, mesmo desunido (o contrário é utopia), o Sporting jamais será vencido!

 
p.s. – a todos os que se sintam incomodados com este post, deixo a minha garantia de que quando sentirem um desconhecido a abraçar-vos na bancada, depois de termos marcado um golo, esse desconhecido posso ser eu. Espero que, pelo menos nesse momento, percebam que apenas um nome importa: Sporting.

Anúncios

Assino por baixo

danieloliv1

 

danieloliv2

“sportinguistas” como tu, podem ir todos para Campanhã!

«Como sportinguista gostava que ele ficasse, mas a minha experiência diz-me que ele não vai regressar ao Sporting […] O Bruma é a última pessoa com culpa nesta situação. Também não culpo as pessoas que estão ao lado dele, pois é um grande negócio para eles. Se há alguém culpado nesta situação é a anterior Direcção do Sporting […] Não vai ser fácil para Bruma, um miúdo de 18 anos, viver em Lisboa se for para o Benfica. Se for para o FC Porto, como foi o meu caso, é diferente, estará mais tranquilo. Mas a melhor solução seria voar lá para fora», Futre in A Bola online.

Coincidências

No dia em que os senadores brasileiros aprovaram o projecto de lei que transforma a corrupção em crime hediondo, o que faz com que os condenados por corrupção percam o direito à amnistia, indulto e pagamento de fiança para serem libertados, Godinho Lopes resolveu reaparecer com pérolas como «Quem está na direcção do clube, sabendo que está de passagem, deve unicamente preocupar-se em trabalhar e servir».
Trabalhar e servir quem, é a pergunta que fica.

Diz que é uma espécie de Travian

magrebinos
A frase, “twitada” pelo deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim, tem cerca de dez dias, mas eu diria que se arrasta no tempo. Ou, se preferirem, que é um bom exemplo do que está na génese dos dois vergonhosos episódios a que pudemos assistir, este fim-de-semana (pena os tomates não terem aço suficiente para levar a falta de comparência até ao fim). Aceito que, por esta altura, estejam a vociferar qualquer coisa do género: «foda-se, Cherba, mas o que é que nós temos a ver com a guerra entre estes dois clubes de merda?!?». Tudo, infelizmente.

A escalada de violência nos jogos entre porto e benfica, independentemente da modalidade ou do escalão de formação que disputada o desafio, é uma realidade incontornável. E, parece-me, essa realidade resulta de um desejo comum, dominar. O problema é que, para torná-lo real estabeleceu-se uma regra: não há regras. É um vale tudo, entre actos e palavras, que começa nos dirigentes e termina nos adeptos e que conta com a contribuição da nossa comunicação social, sempre pronta a fazer manchete ou notícia de abertura qualquer barrote que ajude a alimentar a fogueira. Sobre ela, um enorme caldeirão onde vai sendo cozinhada a vontade de transformar o desporto nacional numa dicotomia assente numa guerra entre o norte e o sul. A infeliz twitada do Amorim, mais não fez do que, pela enésima vez, transmitir esse espírito pequeno.

E nós? Nós surgimos com o ingrediente que não deixa apurar a receita. Pior, agora, que parecemos querer cortar, drasticamente (e finalmente), com o nosso papel de capachos a que um rol de dirigentes sem espinha dorsal votou uma instituição com mais de um século de história (a propósito, não deixa de ser curioso que os outros intervenientes sintam necessidade de mentir na data da sua fundação). Quanto mais fortes estivermos, mais complicado será alimentar esta guerrilha. Quanto mais alto rugirmos, mas baixo soarão as alarvidades proferidas por azuis e vermelhos. A verdade é que, goste-se ou não, o desporto nacional, o mesmo que bebe do nosso ecletismo e da nossa capacidade formadora há décadas, precisa de fortes pinceladas a verde e branco. A verdade é que, entre a força provinciana dos Teutões e a grandeza periclitante dos Romanos, há uma aldeia gaulesa de Leões que se apresenta como último baluarte da resistência de algo que nos apaixona: a competição em busca da glória; assente não em estratégias inquinadas, antes em esforço, dedicação e devoção!