Épico

A caminho do carro, carregando a minha filha ao colo. Viro-me para ela, exausta, depois de quatro horas de festival do Panda, e pergunto-lhe:
«Então, amor, foi fixe?»
«Foi! Mas fiquei um bocadinho triste»
«Então?!?»
«Eles não cantaram “braços no ar, todos de pé, vamos cantar, Sporting allez”…»

Anúncios

Rojo

Depois de tantos jogos a fazer-nos perder a paciência, aproveita o estabilizar da equipa para rubricar duas exibições consistentes, frente ao Benfica e frente ao Nacional. Neste último, com o bónus de um fantástico cabeceamento que valeria a vitória.
Sim, é verdade que Marcos Rojo, acabado de fazer 23 anos, tem larga margem de progressão. Sim, é verdade que as suas características físicas podem ser as de um central. Sim, é verdade que não é fácil encontrar um central que jogue com o pé esquerdo e que não seja lento. Sim, é verdade que temos que ser pacientes.
Ainda assim, e pelo menos para já, continuo a achar que preferia vê-lo junto à linha. Porque é melhor do que Joãozinho, porque não o vejo muito certeiro nos passes quando quer ser ele a iniciar jogadas e porque continua a aborrecer-me ver Dier longe do centro da defesa.

Estrela da semana: Izmailov

É, provavelmente, o jogador mais consensual do plantel do Sporting (sim, mais do que Rinaudo). Não conheço um único adepto que não aplauda as suas qualidade técnicas, o seu profissionalismo, o seu espírito de não desistir perante as adversidades. E, assim sem pensar muito, diria que quase todos os Sportinguistas que conheço o consideram o melhor jogador do plantel, opinião partilhada por inúmeros adeptos de clubes adversários.
Não fossem as lesões, Izmailov, Marat para treinadores e colegas, estaria, anualmente e sem grande esforço, entre os três melhores jogadores da nossa Liga. Com uma inteligência táctica bem acima da média, capaz de perceber, enquanto recebe uma bola de costas para o meio-campo adversário, se a melhor opção é virar-se para a linha ou seguir para terrenos mais interiores, é, ainda, dono de um toque de bola elegante que lhe permite jogar ao primeiro toque (escola russa) e de um repertório técnico que lhe dá todas as condições para apostar no lance individual. A isso alia a capacidade de remate, a inteligência para gerir ritmos de jogo e a personalidade que lhe permite não se esconder quando é necessário alguém que assuma o jogo. E, a própósito de personalidade, creio que a forma como colegas, treinadores e adeptos falam dele (e como têm vivido os infortúnios de uma carreira que tinha tudo para ser brilhante), dispensa grandes comentários.

Agora, depois de um calvário de lesões e de tentativas frustradas de regressar à competição, Izma parece estar de regresso. Como quase sempre aconteceu, bastaram alguns minutos nas pernas para começar a fazer a diferença. O golo frente ao Rio Ave, encerra em si todo o Izmailov de quem falei acima. Até a forma como «camarada Marat» caminha para a baliza, respirando como um pugilista, faz dele um jogador único. Para mim, é um privilégio poder vê-lo de Leão ao peito.

Agora, já todos sabem como ele se chama

E não me refiro, apenas, aos adeptos de clubes adversários. A carapuça serve, também, para todos os Sportinguistas que, ao fim de poucos minutos em campo, sem rotinas de jogo e com a angústia de ser suplente do Postiga, apelidaram de “uma merda” (para ser simpático) este avançado holandês.
Agora, Wolfswinkel já é bom. Um grande avançado. Um espectáculo. Uma máquina de fazer golos. Até os jornais já o colocam entre os melhores avançados da história do Sporting.

Nada de novo, é verdade, portanto foquemo-nos no que importa: o Sporting encontrou, finalmente, um avançado capaz de ocupar o lugar deixado em aberto por Liedson. Os golos que marca, e como os marca (falta ver fazê-lo de cabeça), não deixam margem para dúvidas de que se trata de alguém com apurado sentido de baliza e frieza necessária para concretizar quando a situação assim o exige (duvido que sem o deslumbre com que já jogava, não tivesse conseguido fazer o hat trick, no sábado). A forma como se movimenta, dentro e fora da área, indiciam escola de número 9, consciente de que o posicionamento e o jogo de corpo é meio caminho andando para tirar o defesa da jogada e facilitar a chegada ao golo. E, aos poucos, vê-se que sabe perfeitamente descer para servir de pivot às movimentações ofensivas, voltando a ocupar o seu lugar na área à espera que a bola lhe chegue.

É um prazer saber que temos alguém que marca golos, redobrado quando penso que, como opções, há um Bojinov que só precisa de afinar com a baliza para ganhar a confiança que lhe falta e um Rubio que tem inegável qualidade. Ah, e Wolfswinkel tem apenas 22 anos. Espero é que esteja preparado para voltar a ser apelidado de “merda”, quando passar dois jogos sem marcar.

p.s. – o destaque da semana podia ter ido para Elias. Impressionante, a rotatividade do homem durante o jogo de sábado. Ah, e uma menção honrosa para Insua também não fica mal.

Breve pausa para comerciais

Maradona diz que vai correr nu pelas ruas de Buenos Aires, caso a Argentina se sagre campeã do Mundo. Larissa Riquelme, modelo considerada a mais bela adepta do Mundial 2010, diz que se despe se o Paraguai chegar às meias-finais. Não sei o que ela prometerá depois mas, e já que Portugal regressou a casa, que seja o Paraguai a ganhar.

Porque nem só de futebol vive o leão

João Pina arrecadou, ontem, a medalha de ouro nos Europeus de Judo, na categoria – 73 kg, ao vencer na final o russo Batradz Kaitmazov.
O judoca do Sporting despediu-se em grande de Veina, depois de um trajecto com cinco vitórias, sendo que duas assumem especial destaque por terem sido alcançadas diante do vice-campeão europeu em título, o holandês Dex Elmont, e do georgiano Zaza Kedelashvili, campeão nos Europeus de Lisboa, em 2008.