Já que vai ser um dos assuntos do dia…

… vale mais despachá-lo logo de manhã.
Diz que o Sambú e o Cassamá decidiram tentar ter uma carreira como o Castro e o Ivanildo.
Diz que o Diogo Viana encolheu os ombros.
Diz que o Baldé disse adeus à casa onde dava de comer aos gaiatos que traz da Guiné.
Diz que o copo continua meio cheio. E que sábado estou em Alvalade.

E o domingo que não chega…

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Todos os anos, a mesma fé. Nova época, novos protagonistas, novos sonhos. Aquele desejo de, semanalmente, gritar golo a plenos pulmões. Aquele desejo de sorrir ao ver as capas dos jornais. Aquela coisa de puto, de saltitar de uns noticiários para outros para poder ver, uma e outra vez, os resumos. A esperança de encontrar na net vídeos onde os relatos da rádio, associados às imagens, nos fazem reviver tudo novamente. Aquela vontade de ter sempre o cachecol à mão. E de vestir a verde e branca para ir à bola, mesmo que esse ir à bola tenha que ser através de uma transmissão televisiva. Aquele acreditar que vamos ter uma equipa capaz de ampliar o nosso orgulho de ser do Sporting.

Esta equipa voltou a fazer-me sentir tudo isto e mais qualquer coisa. Quando um jogo termina, o meu coração já acelera a pensar no próximo. E o raio do domingo que nunca mais chega…

B de bonitos

bonitos

A foto dos três bês, de bonitos, obviamente, fica para a posteridade, tal como as palavrinhas doces de Bê Baldé: «O presidente do Sporting foi muito inteligente, soube defender os interesses do clube e ao mesmo tempo teve capacidade para juntar as partes e descobrir o melhor desfecho para todos. No final, devo dizer que fiquei muito surpreendido pela sua postura intransigente na defesa dos interesses do Sporting e de Bruma junto do clube turco».

Já agora, em qual dos bolsos estão escondidos Cassamá e Sambú?

Qual é o medo de ter uma selecção mais verde?

Numa noite em que a selecção nacional de sub-21 arrancou da melhor maneira na qualificação para o Euro 2015 da categoria, não deve haver adepto leonino que se preze que não se questione sobre o porquê de Betinho ter ficado de fora do recente mundial, de João Mário não ser titular destes sub-21 (é patética a insistência em André Gomes) e de William Carvalho não estar já a discutir um lugar na selecção principal.

E é, precisamente, a selecção nacional que joga hoje, em Belfast, cartada decisiva no que toca à atribuição dos bilhetes Brasil 2014. Como disse anteriormente, faz-me confusão não ver William Carvalho entre os convocados. Por aquilo que em jogado neste início  de época e tendo em conta as opções para a posição seis (sim, incluindo o imbecil do Pepe), a sua chamada seria mais do que lógica. Mas para a FPF e para o seleccionador, lógica é palavra desconhecida desde há muitos anos. Num país onde as principais entidades futebolísticas de queixam de falta de oportunidades aos jogadores portugueses, nomeadamente aos mais jovens, é anualmente esquecido o papel que o Sporting tem tido no alimentar das selecções. E não me refiro a quantidade, refiro-me a qualidade.

Mas, lá está, qualidade também é coisa duvidosa quando se olha para as convocatórias. A aberração de deixar Adrien de fora, é bom exemplo disso. Sim, Adrien acabou por ser chamado, mas devido a lesão de… Ruben Micael. Se uma selecção deve reunir os melhores jogadores e os que estiverem em melhor momento de forma, este, tal como Ruben Amorim (às tantas é um fetiche com o nome), nunca poderiam ser convocados em vez de Adrien.

Sim, sei que já devia estar habituado a isto, mas irrita-me pensar que, caso envergasse outras cores, Cédric e o próprio Wilson Eduardo, por exemplo, seriam convocados (veja-se os casos de Sílvio, de Josué ou de Varela, só para citar três exemplos). Não sei, sinceramente, se existirá algum problema com o verde. A julgar pelos equipamentos da selecção, diria que sim. A julgar pelas convocatórias, também. Nas lotarias que faltam rumo ao próximo mundial, fica a curiosidade em saber se, caso encontre todos os bilhetes premiados, Paulo Bento irá passar à prática a sua ideia de renovar a selecção. É que, se o cenário se mantiver como actualmente, será altamente questionável se ele não aproveitar um meio-campo totalmente português e altamente rotinado, formado por William, Adrien e André Martins. Nessa altura, espero que alguém seja capaz de perguntar-lhe «qual é o medo de ter uma selecção mais verde?».

Eu quero ver se o teu desejo se torna realidade, Ilori

Ilori concedeu uma entrevista ao jornal oficial do nosso maior inimigo, o Jogo e o fcPorto, respectivamente.
Acabei por encontrar um excelente resumo da mesma no Notícias do Futebol, que vos deixo em seguida, sintetizando tudo com uma nota que me desperta curiosidade: Tiago Ilori afirma que estava preparado para não jogar durante dois anos, de forma a fazer valer os seus direitos e a conseguir dar o salto que queria. Eu quero ver é se ele está preparado, caso tenha que ficar dois anos a treinar, a ver os jogos da bancada e a ouvir os Beatles.

 

Tiago Ilori acabou de se transferir para o Liverpool e, em entrevista ao jornal “O Jogo”, explicou o porquê dessa mudança e de não ter aceitado renovar com o Sporting, sublinhando que teve muito mais a ver com algumas cláusulas do contrato proposto pelos leões do que pelo vencimento em si. “Fizeram-me uma proposta de renovação e estivemos em negociações. Acabei por não aceitar, não tanto pelo ordenado, mas devido a algumas cláusulas e pela duração do contrato. Tinha noção que poderia ser bom ficar no Sporting para jogar mais e ganhar experiência, mas não tinha medo de dar aquele passo em frente nesta altura. Depois, as coisas arrefeceram. Não é que eles tenham perdido o interesse, mas numa negociação tem de haver aproximação das pretensões de ambas as partes. E eles nunca se mais quiseram aproximar”, atirou o internacional sub-20 português.

De acordo com o jovem luso-britânico, o Sporting até começou por demonstrar grande esforço para tentar a renovação de contrato, contudo, essa intenção foi-se perdendo com o passar do tempo. “No início até houve um esforço grande. E não me posso queixar, porque sei as condições que me propunham. Os valores não eram maus, mas havia coisas que me preocupavam. Não me sentia bem com algumas cláusulas e a duração do contrato. Gosto muito do Sporting, mas não queria estar lá para o resto da minha vida; queria dar um passo em frente, fosse agora ou mais tarde. Com um contrato com tantos anos de duração, tinha receio que se um dia quisesse sair, eles podiam não me deixar”, explicou.

O Liverpool acabou por surgir no caminho de Tiago Ilori, como opção para o seu futuro imediato, contudo, o defesa-central assumiu que, mesmo que os “reds” não surgissem em cena, seria bem provável que não renovasse. “No início até estive perto de um acordo. Mas depois nunca mais disseram nada, nem voltaram a apresentar uma contraproposta. Tinha mais dois anos de contrato, havia tempo e não tinha que ser pressionado para renovar com condições que eu não queria. Acho que não renovava mesmo”, sublinhou a “O Jogo”.

Preparado para ficar dois anos sem jogar

Enquanto não renovasse, tudo indicaria que Tiago Ilori não seria utilizado pelo Sporting e o defesa-central reconheceu que estava inclusivamente preparado para ficar dois anos sem jogar. “Sim, estava. Acho que faria o que fosse necessário. Se não me iam deixar jogar porque eu não renovava, não fazia sentido obrigarem-me a ficar no Sporting, ainda por cima tendo uma proposta. Assim, arriscavam-se a não ganhar nada daqui a algum tempo”, atirou.

Uma paragem tão longa poderia ser fatal para a evolução de um jogador com a idade de Tiago Ilori e o defesa-central reconheceu isso mesmo, sublinhando que essa hipótese o deixava assustado. “Assustava. Ficar dois anos sem jogar não seria bom nem para mim, nem para um jogador de 30 anos. É algo que pode acabar a carreira de um jogador. Mas senti que estava a ser pressionado para assinar um contrato que eu não queria assinar. Com mais dois anos, não tinha que assinar nada. Sentia-me nesse direito”, confessou.

Apesar disso, o jovem luso-inglês nunca ponderou forçar a saída por uma via legal, tendo sempre acreditado que ia ser do Sporting a bem. “Nunca, nunca. Queria fazer tudo para que isso não acontecesse. Sabendo que não queria renovar com o contrato que estava em cima da mesa, já me tinha mentalizado que, com as propostas que tinha, ia sair”, referiu, antes de comentar as renovação de 17 jogadores que, ao contrário de Ilori, optaram por ficar em Alvalade. “Cada um tem de tomar a sua decisão. Acho que nenhum deles fez mal. Eles é que sabem o que pretendem do clube e o que o clube pretende deles. Se isso foi o melhor para eles, então acho muito bem que tenham assinado. E se aceitaram as condições é porque alguma coisa está bem”, afirmou a “O Jogo”.

Compreendeu decisão de Bruma

Apesar de achar que o luso-guineense, tal como ele próprio, nunca quis abrir uma guerra com o Sporting, Tiago Ilori diz compreender a decisão de Bruma, pois entende que essa foi a única forma que o extremo encontrou para conseguir sair de Alvalade. “Acho, em ambos os casos, que nenhum de nós queria que isso acontecesse. Possivelmente, o Bruma sentiu que era a última opção que tinha para poder sair, pois sentiu que estava na altura de dar um passo em frente e mudar de clube. Não porque não gostasse do clube, pelo contrário, o Bruma sempre foi sportinguista, mas por causa da carreira dele. Não chegaram a acordo para renovar e tentaram arranjar uma solução. Não acredito que tenha sido a primeira opção dele, foi mesmo a última. O que quer dizer que tentaram muita coisa antes disso e o Sporting não aceitou”, explicou.

Tal como sucedia com Bruma, também Tiago Ilori é representado por Pini Zahavi que, em Portugal, delega essa função ao seu sobrinho Nir Zahavi, mas o defesa-central nega que a ruptura que existiu entre Bruno de Carvalho e o super-agente não foi importante no seu processo. “Não acredito. O Sporting queria fazer o melhor negócio comigo, fosse renovando ou vendendo, e não podia entrar em ruptura com Zahavi ou não chegavam a acordo nenhum”, atirou, antes de reconhecer que nunca colocou a hipótese de abandonar Zahavi. “Nunca, até porque sempre me tratou bem e sempre colocou os meus interesses à frente de tudo. Se eu lhe tivesse pedido para renovar com o Sporting, ele teria renovado. Aconselhava-me, mas nunca me disse para ficar ou sair, as decisões eram minhas”, finalizou a “O Jogo”.