Um defeso diferente

«Que fique bem claro que nunca quis sair do Sporting, mas como sportinguista tive de o fazer». As palavras de Miguel Lopes soam bem aos meus ouvidos e encaixam, na perfeição, numa conversa que tive esta tarde.
Enquanto adeptos, obviamente que desejamos ver chegar jogadores que nos entusiasmem e que nos façam acreditar em algo. Também enquanto adeptos, pelos menos a maioria, fomos capazes de perceber que o recuperação financeira do Sporting implica uma verdadeira ginástica negocial e uma aposta em jogadores que, à partida, não se perfilam como capazes de fazer vender centenas de camisolas com o seu nome. Mas enquanto nós ansiamos por ver o plantel bem composto, há quem junte a essa tarefa uma outra não menos complicada: pegar numa vassoura, para limpar a herança deixada por uma direcção que usou, ao desbarato, todos os cheques.

A entrada de “Monteros” ou a renovação com “Brumas”, já de si complicadas, tornam-se ainda mais complicada perante um quadro em que, terminados os empréstimos, jogadores como Pranjic, Bojinov e Onyewu, voltam a ter os seus milionários ordenados pagos pelo Sporting. Perante um quadro em que Boulahrouz ou Jeffren representam um impensável peso na folha salarial (Labyad parece-me um caso bem diferente, face ao que acredito que pode render). E, nesse quadro, a venda do inacreditável Gelson, primeiro, e o empréstimo de Miguel Lopes, agora, representam dois momentos de grande importância recordando-nos que o arrumar da casa vai muito além do simples contratar.

Pensamento solto

Li que, hoje, Jesualdo Ferreira já dará a sua opinião, numa reunião para começar a preparar o mercado de Janeiro. Assim sendo, e se não for pedir muito aos deuses do futebol, espero que o professor aponte a vassoura ao Elias, ao Boulahrouz e ao Gelson.
Os primeiros por já não poder olhar-lhes para a tromba, o último por se ter enganado quando escolheu o tipo de atleta que queria ser.

E agora, Daniel?

A contratação de Gelson parece-me acertada, até por apenas envolver custos de assinatura. Jogador internacional, com experiência em alguns dos mais importantes campeonatos da Europa, para uma posição onde, na época anterior andámos a improvisar a partida do momento em que Rinaudo se lesionou. A isto acrescentaria que se trata de um jogador que encaixa naquele tipo de médio defensivo que várias vezes pedimos para o plantel: agressivo, mais físico do que técnico.

Portanto, tê-lo a discutir o lugar com Rinaudo afigura-se como positivo para o plantel, mas levanta uma questão. É que, depois de muito experimentarmos, acabámos por descobrir que Daniel Carriço é mais jogador à frente da defesa do que no centro da mesma. Agora, com a chegada de Gelson, Daniel volta a recuar no terreno e a perder espaço na equipa? Ou haverá por aí alguma oportunidade de mercado à sua espera?