Os invejosos

Domingo à tarde. O futebol regressa a Alvalade. O Sporting dá uma patada nos fantasmas e Fredy Montero assinala um hat-trick.
Passadas duas horas, Jorge «Limpinho, Limpinho» Jesus choraminga a não marcação de um penalti. Passa mais uma hora e Pinto da Costa, em plena tribuna do Bonfim, pede, aos gritos, que chamem a polícia!
A sede de protagonismo desta gente não tem limites…

Ser lampião (essa triste sina), episódio 2

Esta manhã, senti-me na obrigação de voltar a ligar ao meu amigo benfiquista (para quem não reparou, apresentei-o aqui).
«Estou, Rui. Estás bem?»
«Estou, e tu, estás porreiro?»
«Yá, está tudo bem. Olha lá, estou outra vez preocupado contigo…»
«Foda-se, outra vez?!? O que é que foi agora?»
«Tu já viste como se chama o museu do Benfica?»
«O museu?!? Já. É Cosme Damião»
«E não ficas lixado com isso?»
«Tás parvou, ou quê? Faz todo o sentido!»
«Ah… Então, está bem…»

Ser lampião (essa triste sina)

Ontem, liguei a um amigo meu, um benfiquista a quem, respeitosamente, chamo lampião.
Disse-lhe que estava preocupado com ele, ao que se mostrou bastante interrogado. «Porquê?!?»
«Foda-se, meu, então não te bastava terem posto um retardado a protagonizar a campanha da tua telefica, agora levas com o Barbas a assumir-se como gaybear, na campanha da tmn?»

Mete gelo que isso passa!

Não deixa de ser curioso que, quase 72 horas após o final do derby, ainda existam lampiões com a cabeça tão inchada que não conseguem mover-se sem mandar uma tolada no que (ou em quem) lhes estiver mais perto (a própria madame Pinão, aquele exemplo de feminilidade, parece que foi incapaz de controlar o inchaço no artigo de opinião que o jornal não oficial do clube lhe permite escrever).

Eu percebo, meus caros lampiões, que seja muito complicado engolirem a perda do campeonato aos pés do Sporting. Mais, percebo que seja ainda mais complicado engolir esse cenário através de um jogo que não deixou margem para dúvidas. Claro que é imensamente mais fácil gritar “penalti!”, do que reconhecer um banho de bola, as novas argoladas do Jesus ou o facto de a vossa arma secreta para o jogo do título ser o Djaló. E, claro, também é mais fácil acreditar que o penalti seria convertido e que os restantes 90 minutos de jogo apenas servissem para confirmar essa vitória inquestionável.

A tudo isto, só me apetece responder de forma irónica. Primeiro, porque aposto os meus dois bilhetes para o Bilbao em como o Rui Patrício defendia. Segundo, porque os paladinos da verdade que acusam os outros de andarem sempre a choramingar, não têm feito outra coisa senão lamentar-se das decisões dos árbitros, incluindo a expulsão do palhaço depois de um movimento karateca. Terceiro, porque não deixa de ser curioso que este penalti valha mais do que o que foi sonegado ao Braga, na Luz.

E, por último, deixem-me dizer-vos que até deviam ter acontecido mais lances esquisitos (e não estou a falar para o nosso lado, porque penso que chega a agressão do Javi, o penalti do Garay sobre o Wolfs ou o inacreditável número de faltas marcadas nas imediações da nossa área durante a segunda parte, permitindo que tentassem criar perigo da única forma que vos seria possível). Não vos vi, e só para dar um exemplo, minimamente incomodados, quando ganharam um título com uma falta do Luisão sobre o nosso guarda-redes. Ou quando ganharam a Taça da Liga através de um penalti marcado por bola no peito fora da área. Aliás, até estranhei, e à imagem do que sucedeu na altura, não terem convocado uma linda conferência de imprensa onde brilharia o tal do Gabriel, exibindo as luvas do Artur (também estranhei nenhum jornal falar do São Artur).
Resumindo e concluindo, resta-vos ficar a torcer para que o Sporting ganhe no Dragão e vos devolva alguma esperança. Até lá, e se continuarem com a cabeça inchada ou com o cu dorido, sigam o conselho da sabedoria popular: «mete gelo que isso passa!».

p.s. – não deixa, igualmente, de ser curioso, que uma artimanha para apanhar um dos assistentes dourados, que teve lugar em novembro, só agora dê que falar. Não sei o que dá mais jeito, se afastar os holofotes da miséria lampiã, se tentar bombardear o crescimento e união do Sporting.

Estranho país o teu, Sporting Clube de Portugal

O José, Zé para os amigos, Djozé para os que o receberam e acreditaram nas suas capacidades, tinha na Páscoa um dos momentos mais esperados. Todos os anos regressava a Portugal, onde revia familiares e amigos e onde, como mandava a praxe, o Carlos do café teria à sua espera uma selecção de jornais desportivos.

«Então, ontem, conseguiste ver os teus amigos lagartos?», perguntou-lhe o Carlos.
«Não, pá. Estive a terminar umas pesquisas que me obrigaram a trabalhar noite dentro».
«Também não perdeste nada, rapaz. Tiveram uma sorte quem nem te conto. Se jogarem assim na segunda menos de quatro é derrota»
O José, Zé para os amigos, Djozé para os que o receberam no país para onde foi trabalhar, sorriu, agradeceu os jornais, e foi instalar-se à lareira, que o raio das noites ainda estão frias como tudo.

«Caraças, de repente parece que toda a gente gosta do Rui Patrício», comentou para si mesmo ao ver as capas dos desportivos do dia. Pegou na Bola e ensaiou começar a ler a crónica. Dizia o escriba que o Metalist entrou avassalador e que o Sporting nem sabia onde meter-se. Curiosamente, o mesmo escriba continua dizendo que a prova disso surgiria aos 32 minutos, com Patrício a parar um isolado Taison. «Uma grande oportunidade em mais de meia hora para quem foi avassalador?!?», questionou-se. «Estranho». Mais ainda, quando viu, na página ao lado, que bem cedo Wolfswinkel seguia isolado quando lhe foi tirado um fora-de-jogo a despropósito. E que a ideia de colocar André Martins ao lado de Schaars correu bem mas podia ter corrido mal. Desistiu da leitura, até porque as capas dos outros dois indiciavam nova leva de interrogações e análises duvidosas.

Recuou um dia na análise de impresa e viu capas pintadas a vermelho e a enormes elogios. Viu uma imprensa orgulhosa de uma eliminação, como que dizendo que as vitórias morais, as tais que a selecção nacional eternizou e onde o bom futebol do seu Sporting encaixou durante anos, eram, afinal, momentos que valem tanto como uma passagem de eliminatória. Decidiu ir directo ao jornal mais antigo, onde se falava da eliminação do Porto, frente ao Manchester City. Nova saraivada de elogios, nova vitória moral de uma equipa que, dizem, merecia ter ganho mas acabou derrotada (e por números claros).

O José, Zé para os amigos, Djozé para os que o receberam e acreditaram nas suas capacidades, colocou a pilha de jornais no chão. Levantou-se, para lavar os dentes, e enquanto manejava a escova como mosqueteiro da saúde oral, procurou arrumar na sua cabeça a enorme confusão que a prenda do amigo Carlos lhe tinha provocado. Ora, portanto, o seu Sporting, a única equipa portuguesa em prova nas competições europeias, era visto como um clube que pouco joga, que só sabe sofrer e que deve agradecer aos deuses ter formado o melhor guarda-redes português (o José repetiu esta última frase três vezes, para certificar-se que este era mesmo o guarda-redes do Sporting e não da selecção nacional, como os jornais repetiram vezes sem conta). Os outros, que jogam com o adversário que desejaram que lhes saísse no sorteio e perdem com a versão mais patética desse adversário da última década, são enormes, são equipa, são um orgulho nacional. Mesmo que joguem sem um único português. E ainda há os que, ano sim ano não, passam por Inglaterra para comer quatro ou cinco batatas, e são aplaudidos por perderem injustamente.

Passou no quarto dos filhos, para aconchegar a roupa aos dois pequenos leões vencidos pelo cansaço. E ele mesmo se sentiu cansado. De um país onde, no futebol como na vida, se faz um frete em aplaudir as vitórias de quem acredita que, mesmo fugindo ao mais do mesmo e aos poderes instituídos, pode atingir o sucesso.

E o vândalo sou eu?!?

Ponto prévio: não concordo com o pegar fogo às cadeiras do lampiódromo. E, como não poderia deixar se ser, a merda da nossa comunicação social prefere dar seguimento a essa novela do que questionar a organização de um jogo de alto risco (a propositada colocação de uma manita de “vistoriantes” para quase quatro mil pessoas, sendo os stewards responsabilidade directa da segurança do Benfica), os lasers constantemente apontados aos jogadores do Sporting, ou a forma, ainda mais alarve do que em anos anteriores, como os adeptos do Sporting foram conduzidos para dentro do lampiódromo. 
A curta dimensão da zona preparada para receber os Leões, que passou de confortável a desconfortável numa questão de minutos, a falta de água ou o impedimento de acesso às casas de banho, acabam por ser pormenores que nem espantam quem tem por hábito acompanhar o Sporting ao moderno cesto de pão virado para o Colombo. Só a rede manhosa é que foi novidade.

Mas o pior no meio disto tudo, é que, parece-me, fizemos um favor aquela gente, dando-lhes motivos para poderem vir, com aquele estilo que me fode mais o estômago do que maionese estragada sobre camarão fora de prazo, fazerem-se passar por paladinos da verdade e do desportivismo. As recentes palavras de Luís Filipe Vieira, são a cereja no topo do bolo. «Custa-me a crer que o presidente do Sporting se reveja nas palavras do dirigente do seu clube. Talvez seja o mais grave de tudo o que se está a passar neste momento no futebol português. Ver um presidente de um clube com a grandeza do Sporting, eleito pelos sócios, rever-se nas declarações daquele dirigente… vamos caminhar muito mal no futebol. A ser assim, o Benfica vai rever a sua posição na relação com o Sporting, no futuro […] No futebol não pode valer tudo. Já dei provas suficientes da postura e dos valores que o Benfica defende e da minha maneira de estar no futebol».

Mais uma vez, a comunicação social e os fazedores de opinião que comandam a carneirada (cada vez percebo mais o porquê do país estar tão no fundo), vão assobiar para o lado e vão fazer do Luís das Escutas (ou da rega, ou dos túneis, ou dos apagões) uma espécie de vingador, esquecendo o que uma das mais execráveis figuras do nosso futebol, aka João Gabriel, fez e continua a fazer na nobre arte de acicatar a violência e sentimentos de ódio. A inacreditável frase «Não houve fosso, ninguém caiu ao fosso», por certo ficará gravada na memória de quem tem um pingo de decência, algo que vai faltando, em demasia, neste futebolês de merda.
Afinal, o que conta é seguir o que diz o homem que já deu provas suficientes da postura e dos valores que o Benfica defende e da sua maneira de estar no futebol e que, perante as palavras do seu fantoche da comunicação, atira sem rodeios: «Quanto ao resto, vamos ignorar e passar ao lado de quem pouco se importa com as consequências das suas irresponsáveis palavras e actos».